Notas iniciais
Oi coisas bonitas! Eu sumi, eu sei. Me perdoem, mas aconteceu muita coisa na última semana. Muitas confusões. Eu tenho uma prova pra fazer nesse domingo. Torçam por mim. A partir de semana que vem estou totalmente livre e vou escrever todo dia. Agora é sééériooo. Mesmo mesmo. Agradeço aos comentários das lindonas S2gleicinhaS2 e da Princess Eleanor ♥ Este capítulo é para todos vocês. Boa leitura!

Aos poucos fomos nos tornando amigos. Passávamos todas as noites trocando mensagens pelo celular. Carol sempre ia lá em casa. O clima lá havia se tornado mais agradável, e a meu ver até Carolina parecia se sentir bem. Minha tia Maria se animava mais ainda quando ela ia lá. As duas ficavam discutindo sobre livros que já leram, e isso alegrava minha tia, que só podia ficar na cama.

— Eu gosto desta citação. – minha tia falou, entregando o livro para Carolina.

Quando as duas discutiam sobre livros eu começava a viajar no espaço e ficar inerte em meus pensamentos. Afinal, nunca me interessei tanto por livros para-didáticos. Nada verdade, não me interessava nada.

— Miguel! – Carolina falou, tentando chamar a minha atenção. – Você já leu “O Pequeno Príncipe” ?

— Ih! Eu conheço esse daí como a palma da minha mão. – disse minha tia e comecei a rir. – A única coisa que essa criança lê são livros de matemática!

— Isso não é verdade. Em minha defesa, eu conheço algumas citações. – falei.

— Ah é? Diz uma. – perguntou Carol, me desafiando.

Limpei a garganta para fazer aquela interpretação. Olhei bem no fundo dos olhos castanhos de Carolina, que me encaravam.

— “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz!” – citei. Não vou negar que rolou um clima naquela hora. Até eu estava nervoso, ao saber que ela estava escutando aquelas palavras.

— Lindo! – disse minha tia Maria, aplaudindo. Voltei à realidade, assim como Carolina.

Carolina desviou o olhar, percebi que ela havia ficado um pouco sem graça. Minha tia bocejou e pareceu um pouco sonolenta.

— Dorme um pouco, tia. – falei.

— Não, quero aproveitar a companhia de Carolina. – disse ela.

— Eu ainda estarei aqui quando acordar Dona Maria. Pode ficar tranquila. Descanse um pouco.

Minha tia olhava um pouco receosa para nós dois sem saber se acreditava ou não, até que ela se rendeu à fadiga.

— Está bem. Mas não vão embora. – disse ela e amaciei seu travesseiro para que ela se confortasse.

— Estaremos aqui quando acordar. – disse Carol, saindo do quarto.

Fechei a porta do quarto com cuidado e subimos para meu quarto. Carolina amava ficar lá e deitar em minha cama, já que era enorme. Minha casa já era dela também. Ela já se sentia a vontade. Enquanto eu mexia em meu computador, ela me deu um susto ao pular da cama.

— Não acredito que você tem o Cd dos Paralamas do Sucesso! – Carol disse, pegando o Cd que estava na prateleira e sorri para ela.

— Tenho. Eu me amarro neles desde que era criança.

— Bom, pelo menos a gente concorda em alguma coisa. – ela respondeu. E era verdade. Carolina se aproximou do aparelho de som que tinha na prateleira ao lado e colocou o Cd. A primeira música a tocar foi Aonde quer que eu vá.

— Eu amo essa música. É a minha predileta. – disse ela com um sorriso leve ao ouvir a música.

— Essa também é a minha predileta. – falei sorrindo com a notícia e ela riu sem graça.

E foi assim. Ficamos sorrindo um para o outro, desviando os olhares quando a vergonha nos batia por nos identificarmos com a letra da música.

Aonde quer que eu vá... Levo você no olhar...

E foi assim que esta se tornou a nossa música. Hoje, nesta situação de viver longe de casa, separado/quase-divorciado, me identifico muito mais com a música do que há quinze anos atrás.

Depois de passarmos a tarde inteira ouvindo os Paralamas do Sucesso e outros Cd’s que eu tinha, mas que Carol não gostava tanto igual tanto como Paralamas, descemos para ficar com minha tia Maria. Porém, ela não acordou tão bem.

Tossia frequentemente e até parecer sufocada. Tivemos que leva-la ao médico depressa. Fizeram longas cirurgias, que acabavam com os nervos de minha mãe por esperar tanto para saber notícias. Foi um período de estresse atrás do outro. Carolina se manteve ao lado de minha família em todas as horas e isso só aumentou o afeto deles por ela.

Minha mãe sempre se tranqüilizava ao conversar com Carolina. Minha esposa tem esse dom de saber usar as palavras e conseguir acalmar as pessoas.

Infelizmente algumas semanas depois, minha tia, que não saía mais da cama, veio a falecer. Isso mexeu bastante com a minha família. Como a tia Maria nunca teve ninguém, ela sempre foi muito próxima de nós. Sempre tomava conta de mim quando eu era apenas uma criança. Ela era uma cozinheira de mão cheia e toda semana fazia bolo de cenoura com chocolate, meu preferido.

Minha tia esteve presente em muitos momentos importantes de minha vida. Sempre me lembrarei dela e sempre ela me fará falta. Eu estava transtornado por como tudo havia acontecido tão rapidamente, mas Carolina estava ali, me consolando. Ela sempre esteve e talvez eu nunca tenha dado valor à isso...

Depois dessa fase, eu estava como um cego em um tiroteio. Perdido, sem saber o que fazer e para onde ir. Eu sabia que gostava de Carolina, mas não sabia se estava pronto para assumir uma relação, não sabia também a intensidade deste sentimento.

Só fui descobrir tudo o que eu sentia enquanto estávamos em uma festa da faculdade dela. Todos conversavam com Carolina e eu ás vezes era posto de lado, mas já imaginava. Eu me sentia um pouco deslocado no local, ficava apenas no meu canto com uma bebida, me perguntando o que eu estava fazendo ali. Fiquei observando Carol dançar com suas amigas.

Ela tinha o jeito dela, bem diferente das outras. Sempre sorria ao dançar, jogava seus longos cabelos repletos de cachos para trás.

Um garoto, de repente, se aproximou dela, dançando também. Eles começaram a dançar e rir juntos. Ele pôs a mão na cintura dela e meu rosto da fervia de raiva. Por quê? O estranho falava com ela no ouvido e eu já não aguentava mais ficar ali. Sai sem avisar e fui embora para casa.

Tranquei-me no quarto e passei o resto da noite ali. Minha respiração estava ofegante. Não sei como não bati em nenhum carro, porque vim correndo para casa. Fiquei um bom tempo olhando para o teto e abrindo várias abas e fechando poucas.

A cena de Carolina dançando com aquele idiota me assombra até os dias de hoje, mas ao acordar e perceber que ela está ao meu lado, me acalmo. Porém, naquele momento não havia como eu me acalmar.

Para mim pareciam minutos, mas eu já estava uma hora e meia ali, sufocando-me com meus pensamentos, até eu receber uma mensagem no meu celular.

CAROLINA: Pq vc foi embora tão cedo?

EU: Ñ me senti bem lá. Mas e aí? Dançou mt?

CAROLINA: Simmmm, mas depois veio um amigo q tava mt bêbado e começou a confundir as coisas e meti o pé.

EU: Pensei q vc estava interessada nele.

CAROLINA: Não. Ele confundiu as coisas.

CAROLINA: Miguel, vc ta aí?

CAROLINA: Bom, se ñ quer falar cmg acho q ñ vai querer saber q eu vi q vai ter um show dos Paralamas mês que vem e ia te chamar para ir cmg.

CAROLINA: Mas vc está concentrado demais me ignorando.

MIGUEL: Nós? Paralamas? Oi? Onde? Quando?

CAROLINA: Hahahaha

Daniel não estava de todo errado. Ele sabe o que eu sinto, eu tenho que me aproximar de Carolina se quero mesmo ficar com ela e tudo o que eu fazia é ficar sentado esperando que um milagre caísse do céu e puf! Estaríamos juntos. Não é bem assim.

No sábado do show, eu havia ido para a casa de Carolina, já que havíamos combinado que eu iria buscá-la para irmos juntos ao show dos Paralamas. Não era a primeira vez, que eu ia à casa dela, mas eram bem raras as visitas.

— Estou atrasado? – perguntei ao entrar em sua casa.

— Não. Estou terminando de me arrumar. – ela respondeu.

A casa era humilde. Nada extravagante demais, simples na medida do possível. Tomei um susto ao me deparar com a mãe de Carolina. Ela não era o ser mais simpático do mundo. Eu sempre fico espantado até hoje, como ela nunca demonstrou tanto afeto pela filha. Desde que Matheus e eu nascemos, nossa mãe nos enche carinho e beijos sempre que nos vê. Uma filha como Carolina merece todo o amor do mundo.

— Boa noite, dona Laura.

— Boa noite. – ela me cumprimentou, séria. – Irei sair, não me espere.

— Digo o mesmo. – Carolina falou revirando os olhos.

Quando a mãe de Carol saiu, eu finalmente voltei à respirar. Carolina se divertiu com o meu susto. Ela estava linda, assim toda produzida para o show.

— Você parece cansado. Quer tomar um café?

— Aceito, sim depois dessa surpresa. – falei e fomos para a cozinha. — Deixa que eu faço o café. – falei tentando pegar o bule com água quente da mão dela.

— Deixa disso, Miguel. Eu sei fazer um café. – ela respondeu puxando o bule para si.

— Eu insisto. – falei puxando o bule de volta.

— Você é visita, visita não tem que fazer nada. – disse ela tentando tirar minhas mãos do bule.

— Visita também trabalha sabia? – rebati puxando o bule de volta.

— Nunca ouvi isso. – ela falou dando um puxão no bule, que estava com a tampa aberta e espirrou água em mim. – Ai meu Deus! Miguel! Eu vou dar um jeito nisso. Venha.

— Está quente! Está quente! – falei implicando com ela.

Carolina ficou desesperada. Minha camisa só estava um pouco molhada e a água tão estava quente assim. Eu me diverti um pouco com seu nervosismo. Segui-a até o banheiro.

— Tome essa toalha. – disse ela, nervosa.

— Eu estou bem, Carol. É sério! – falei rindo um pouco e secando-me.

— Não se queimou? – ela me perguntou sem entender nada e comecei a rir. – Você é um idiota, sabia?

Ela me deu um tapinha no braço e riu junto comigo. Sequei-me com a toalha, enquanto Carolina havia ido em seu quarto.

— Espere aí, vou pegar uma blusa antiga do meu pai para você, não pode ficar com essa roupa molhada.

— Ah, que isso! Nem está tão molhada assim. – falei.

— Vai vestir sim, Miguel! – ela falou saindo do banheiro e ri um pouco.

Suspirei. Tirei minha blusa e sacudi-a. Sequei meu peito e abdômen que estavam um pouco molhados. Carolina voltou e parou na porta do banheiro. Percebi pela sua expressão de surpresa e pelo rubor em suas bochechas que ela estava um pouco sem-graça de me ver sem blusa.

— Aqui a blusa. – ela falou me estendendo a blusa e olhando para os próprios pés.

— Sabia que eu nunca vi você envergonhada. – brinquei e ela me encarou.

— Não estou envergonhada! – ela rebateu, irritada.

Eu sabia que aquela era a hora. Aproximei-me dela lentamente. Eu estava sendo impulsionado pelos meus desejos que não eram recentes. Acariciei sua bochecha e pude notar como ela respirava com dificuldade, apenas com o toque.

Puxei-a pela cintura para perto de mim. Meu coração se acelerou e eu estava com um pouco nervoso com a nossa proximidade, porém certo do que queria. Nossas testas estavam coladas e nossos lábios quase se tocavam. Eu podia sentir sua respiração.

— Se eu te der um beijo agora, você não vai derrubar água quente em mim não, né? – sussurrei, divertido no ouvido de Carolina e pude vê-la se arrepiar.

Ela sorriu e puxei-a para mais perto, acabando com qualquer tipo de distância entre nós. Nossos lábios se tocaram suavemente. Pareci um adolescente no momento ao ficar com falta de ar. Era um beijo instigante, como se cada contorno de nossas bocas fossem peças de quebra-cabeças que se encaixassem perfeitamente uma na outra. Se eu soubesse o que estava perdendo, com certeza já teria beijado-a antes.

— Nossa, onde você tem escondido essas habilidades? – ela perguntou ofegante. Eu ri antes de tornar a beijá-la.

Notas finais
Eu vi um beijo? Ou vários? Kkkk E aí? O que acharam? O beijo finalmente saiu, né? Beijos até a próxima.