Cuidados
8 Sétimo
Notas iniciais
CUIDADOS
Sétimo.
Sakura despertou com dificuldade, por mais acostumada que estivesse com seus horários e sua rotina, só tinha uma coisa específica e boba que ela detestava além de pessoas má educadas, cruéis e maus tratos aos animais, era acordar cedo, mas ela o fazia porque dentro de pouco tempo estaria com ele.
Só de pensar em seus olhos intensos, seus cabelos negros emoldurando seu rosto perfeitamente esculpido não conseguiu segurar o sorriso.
Tinha tantos planos e todos eles o incluíam.
Espreguiçou-se desajeitadamente enquanto sorria de orelha a orelha, no momento em que colocou os pés naquele lar soube que sua vida mudaria, mas não daquela maneira.
Beijavam-se com carinho, brigavam como crianças, tinham ideias opostas de como o mundo funcionava e de como lidar com as situações do dia-a-dia, em meio a inúmeras e incontáveis diferenças compreendiam-se na confusão que o outro era, eram definitivamente loucos, mas um pelo outro.
Sakura escolheu sua roupa com cuidado, as festas acabaram, mas não levaram consigo o frio que ainda castigava os estadunidenses. Olhou sua cômoda e não tinha tanta coisa, ela precisava de roupas novas, só que suas prioridades eram outras, usou seu primeiro salário quase todo para quitar suas dívidas com seu senhorio agradecendo por tamanha paciência, deu de ombros pegando um vestido vermelho três dedos abaixo da altura dos joelhos decote canoa pregueado nas pontas, normalmente suas escolhas eram um tanto diferentes, mas naquele dia tinha planos para os dois.
O caminho como o habitual, ouvia suas músicas cantarolando-as, não pode deixar de rir consigo mesma ao perceber como mudara repentinamente, não que ela fosse uma pessoa amarga, mas rir a toa, cantar músicas sobre amor e etc nunca foram parte de sua rotina, muito pelo contrário, durante seu trabalho como operadora de telemarketing alguns rapazes tiveram interesse por ela, mas ela nunca quis nenhum deles, observava suas colegas comentarem sobre seus amantes tórridos, seus casos e acasos e continuava ela sem nada para comentar a respeito, sequer uma noite louca de prazer com um desconhecido ou um amor de verão, julgou-se estranha, ou até mesmo assexual, quando conheceu Sasuke entendeu o motivo de nunca ter sentido algo assim porque nenhum daqueles homens era ele.
Entrou no apartamento direto para a cozinha para preparar o café da manhã de Sasuke, tudo naquele dia, definitivamente tudo, tinha que ser cronometrado para que desse certo, saltitante e cheia de energia começou a lhe preparar os sanduiches com suco natural, aprontou a mesa e foi chamá-lo, desde que acordou quis beijar seus lábios, mas não estranhou, o beijar era algo que desejava desde o momento em que colocou seus olhos verdes nele, mas nunca admitiria, não para ele claro, ou ele usaria isso para sempre e sempre.
Caminhou e pode ouvir Sasuke conversar com alguém, estranhou já que Mikoto aquele horário ia para o trabalho então começou a ouvir a conversa.
— Que infantil Sakura. – Repreendeu-se em um murmuro balançando a cabeça negativamente.
Percebendo a porta fechada apoiou sua cabeça colocando a orelha colada na região perto da fechadura enquanto o ouvia continuar a falar animadamente, seu coração disparava incontrolavelmente, suas mãos suavam.
— Cuidem bem do meu afilhado – Sasuke soltou uma risada, Sakura colocou a mão no peito soltando um suspiro aliviado – dou um cascudo nela caso me faça errar, eu não erro. – Sakura teve que morder o lábio para não soltar uma gargalhada que quase escapara revelando sua travessura, era cômico ver como Sasuke não aceitava estar errado nem com algo tão bobo.
De tão entretida na conversa Sakura não percebeu que a porta se abrira, sua surpresa foi tanta que ao tentar sair da situação constrangedora tropeçou nos próprios pés caindo em cima dos pés de Sasuke, a expressão do homem foi de pavor já que a situação inusitada o pegara desprevenido, a face de Haruno ficou rubra de constrangimento.
— Quem está aí? – Enquanto segurava o telefone com sua mão esquerda Sasuke tateava o ar a procura de algo com a direita.
— Sou eu Sasuke – disse constrangida, levantando-se com cuidado desejando não ter tido ideia mais boba – eu caí.
— Naruto eu preciso desligar, claro, irei ligar sim. – Colocou o aparelho no bolso da calça de moletom. – Eu sei que você está caidinha por mim – disse em um tom malandro com seu sorriso de lado, Sakura revirou os olhos, não disse nada, ela pediu por isso ao querer invadir a privacidade dele – como isso aconteceu literalmente?
Haruno ficou em silêncio olhando fixamente sua expressão debochada, quis se jogar do décimo andar daquele prédio, seu silêncio acabou a entregando.
— Então você estava ouvindo minhas conversas?
— Não.
— E então por que não consegue responder uma simples pergunta?
A verdade era vergonhosa.
Ser pega por Sasuke era pior ainda.
— Ciumenta. – Disse esboçando um sorriso de canto.
— Não sou Uchiha. – Sakura murmurou com dentes semicerrados.
— É sim Haruno. – Seu sorriso vitorioso despertava nela irritação pelo seu ego gigantesco, e uma vontade de ser responsável por cada sorriso e gargalhada daquele ser que conseguia despertar nela inúmeras sensações e emoções.
— Vamos tomar café!
“Saída perfeita Sakura”.
— Antes – ele a chamou com o dedo para junto de si, alguns centímetros apenas os separavam, estreitou a distância um do outro, colocou sua testa na dele, sentindo seu hálito refrescante – ciumenta. – Sussurrou ele com a voz embargada, a maneira como ele falava a deixava arrepiada, ele tateou com cuidado seu corpo até encontra a cintura da moça lavando ambas as mãos segurando-a com firmeza, pressionando seus corpos um no outro.
Sakura o beijou, um beijo a princípio calmo, cheio de carinho, aproveitavam cada minúsculo canto dos lábios um do outro e iam aumentando a intensidade deixando-os ofegantes e unidos em uma sincronia perfeita, Sakura com suas mãos nos cabelos dele acarinhava-os descendo pelo pescoço eriçando os pelos do braço do homem que a desejava com tanto ardor de um adolescente que nunca tivera uma mulher em seus braços antes.
Ele a desejava mais do que jamais pensou ser possível desejar alguém desde que perdera a visão, a ideia de ter uma mulher sem vê-la era inconcebível, homens são basicamente visuais, qualquer coisa que contrariasse isso era como quebrar um par de regras impostas, então Sakura apareceu, com sua aparência nada mais sendo que uma mera incógnita e seu rosto um eterno mistério, mas ela conseguiu lhe provar que o impossível era real contanto que você estivesse disposto a acreditar nele.
O corpo dela para ele era como o oceano, ele não podia vê-lo, não estava ao alcance de sua visão, mas se ele se permitisse e ela o recebesse ele o sentiria e então entenderia melhor sua imensidão e cada detalhe que ela escondia, tendo uma noção melhor do que seus olhos que por vezes enganam com falsas ilusões, mas com seu próprio corpo que não mente, e naquele momento não mentia, toca-la mesmo que por cima do tecido que cobria seu corpo era possível notar a cintura desenhada esculpida para ele, seus beijos o envolviam, eram pura ternura e luxúria não sabendo ao certo onde uma começava e a outra terminava, ela era a intensidade pura, adrenalina que o fazia querer acordar por mais que para ele tudo permanecesse em profunda e débil escuridão, mas acima de tudo aquilo de corpos e atração seu carinho e dedicação o conquistaram e mesmo que para todos ela fosse feia para ele era a mulher mais linda que já viveu e estava disposto a dar ela seu nome.
— Nós precisamos comer. – Haruno sussurrou entre um beijo e outro Uchiha mordeu o lábio da garota o puxando e chupando fazendo-a gemer.
— Antes que eu tenha que devorar você. – Murmurou soltando um rosnado que a fez rir.
O café da manhã foi calmo, conversavam sobre coisas sem importância, até que Sakura finalmente criou coragem para falar o que vinha enrolando há algum tempo desde começaram a comer.
— Vamos sair hoje? – Perguntou insegura fazendo uma careta, esperando o “não”.
— Sim. – Respondeu enquanto terminava o suco, os lábios da jovem de olhos verdes abriram-se formando um “O”, estava perplexa.
— Simples assim? – Questionou ainda impressionada com a facilidade.
— É. – Respondeu dando de ombros.
Abriu um largo sorriso, levantando-se da mesa abruptamente indo para o lado do seu amado abraçando-o, dando dois beijos em suas bochechas.
— Alguém está surpresa?
— E como não ficar? – Perguntou animada ainda sorridente. – Não acredito que aceitou.
— Sakura – seu tom de voz estava um tom mais sério – quando você não tem de mim algo que quer? – Ela refletiu um pouco e ele estava certo, todas as vezes que ela sugeriu algo ele embarcou, mesmo que não concordasse – eu decidi parar de lutar contra isso e só aceitar.
— Não vai sequer me perguntar onde quero lhe levar?
— Surpreenda-me.
Anoiteceu da melhor forma possível, já não havia mais neve, permitiria que eles caminhassem e conversassem sem congelar, Sasuke quis manter segredo quanto ao que usaria naquela noite, quis agrada-la, como ela sabia? Ligou para sua mãe implorando para que ela viesse mais cedo para casa para ajuda-lo a se arrumar, passaram um longo tempo dentro do quarto à porta fechada, Sakura nem se atreveu a espiar aprendeu com o ocorrido da manhã muito bem, não precisou de lição de casa.
Ouviu um pigarro, então olhou para trás e lá estava Sasuke impecável, ficou hipnotizada com sua beleza, o item que mais lhe chamou a atenção foi a jaqueta de couro que ele usava naquela noite, ela havia reparado nela duas ou três vezes largada em seu closet, o imaginou a usando, mas nenhuma das imagens que sua mente criou fazia jus com o que a realidade lhe dispôs.
Mikoto sorria satisfeita, sabia que tinham algum envolvimento, mesmo sem saber ao certo o que exatamente acontecia entre eles, Sakura o olhava perdidamente apaixonada, e Sasuke mudou completamente desde que ela entrou em sua vida, mas não quis pressioná-los ou amedrontar a moça fazendo perguntas, pretendia deixa-los se resolverem entre eles, seu filho estava feliz, saindo, vivendo depois de meses trancafiado dentro daquelas paredes que mais pareciam uma prisão de luxo, isso era tudo o que importava no momento.
— Vamos?
— Sim. – Repetiu o gesto que já fizera inúmeras vezes, caminhou até ele entrelaçando o braço no outro, mas desde o beijo era tão diferente, nenhum dos dois falou a respeito de compromisso ou algo mais sério, tudo acontecia entre eles em um ritmo lento, aproveitando da situação inusitada, cada beijo e abraço, mas sem sombra de dúvida sentiam que um pertencia ao outro e ninguém podia mudar isso.
— Cuide bem dela. – Mikoto sussurrou próximo ao ouvido do filho fazendo Sakura corar.
— Não é pra ser o contrário?
— Eu o deixo aos cuidados dela todos os dias – começou a falar com doçura – mas hoje é diferente. Hoje quem deve cuidar de alguém é você dela, e comportem-se, hein – piscou o olho olhando para a Haruno que desejou cobrir o rosto de tanta vergonha, sentia suas bochechas queimarem de tão coradas, Sasuke mordeu os lábios para não rir. – Não façam nada que eu não faria.
— Você me fez.
— Menino abusado – Mikoto disse histérica, dando um tapa no ombro de Sasuke que gemeu de dor – leve ele logo daqui antes que eu pegue o chinelo.
— Me salve. – Sussurrou o homem à sua companheira, deixaram a casa aos risos enquanto Mikoto ainda falava algumas verdades.
A caminhada foi agradável, uma brisa gelada o fez ficar ainda mais unidos, Sakura não podia estar mais feliz, continuava mantendo segredo quanto ao lugar onde planejava leva-lo.
— Chegamos. – Disse em um tom animado, o Uchiha a olhou erguendo uma de suas sobrancelhas.
— Onde?
— Um bar. – Sasuke não entendeu o motivo de tanto mistério para algo tão banal, entraram e ele conseguiu ouvir um grande falatório, no fundo uma TV ligada em um canal esportivo fazia os homens ficarem irritados dizendo alguns palavrões, caminharam mais a frente e então ouviu alguém cantar, franziu o cenho a péssima cantava muito mal, questionou o gosto de Sakura e não tinha como não fazê-lo, a escolha não parecia ter sido das melhores.
— Por que me trouxe aqui? Esse cantor é péssimo! – Sua voz irritadiça fez Sakura rir, ele a olhou aborrecido.
— Sasuke não é um cantor, estamos num bar karaokê. – Disse aos risos observando a expressão dele de terror.
— Sakura diz que é brincadeira.
— Claro que não – ela disse em um tom divertido – e adivinha? Colado em cada cadeira tem um número, alguém sorteia o número e você tem que cantar não é demais?
— Nossa – disse ele de maneira debochada – maravilhoso, você não imagina o quão estou feliz. – Sua voz irônica fez a criança interior de Sakura querer gargalhar, mas sabia que isso só iria irrita-lo então se conteve.
— Mesmo que meu número não saía, eu vou cantar. – Disse decidida, Sasuke revirou os olhos, Sakura levantou o braço direito chamando um garçom que prontamente foi à mesa deles.
— O que desejam?
— Whisky sem gelo. – Ponderou por alguns minutos – e uma porção de batatas fritas.
— Eu também vou querer uma porção de batatas, uma lata de Fanta uva e um copo de água, por favor.
Depois de anotar o garçom saiu silenciosamente, novamente sozinhos começaram a conversar enquanto esperavam pelo pedido quando uma voz feminina lhes chamou a atenção.
— Senhoras e senhores – uma mulher loira segurava um microfone, seus longos cabelos iam à altura da cintura, ela usava um vestido justo que deixava os homens mais próximos do pequeno “palco” improvisado babando – quem será nosso novo astro dessa noite? – Perguntou animadamente, todos gritaram “EU” Sakura gritou junto aos risos, Sasuke permanecia em silêncio, mas prestava atenção no que acontecia, ele nunca iria por vontade própria em um lugar como aquele, mas talvez era disso que precisava, pessoas diferentes, vozes estranhas, barulhos nada familiares, um amontoado de coisas que dentro daquele apartamento ele não tinha e nem nunca teria.
Sua vida era monótona então Sakura apareceu mudando isso.
— Vinte e dois. Quem é? – Todos começaram a procurar embaixo de suas cadeiras, Sakura abaixou a cabeça procurando o número da sua.
— Droga, dez. – Com um sorriso travesso olhou estendeu seu corpo olhando para a cadeira de Sasuke, levantou-se. – Parabéns.
— Que? – Ele disse sem entender.
— Você é vinte três.
— Não, não sou. – Disse relutante.
— É sim, e se você não se pronunciar todos vão começar a gritar o número e então os olhares caíram sobre você. – Sasuke parecia não acreditar.
— Eu não posso... – Ele estava chocado – vou passar vergonha no meio dessa gente toda, como um cego canta karaokê? – Sasuke estava em pânico, nada o assustava mais do que os olhares, principalmente olhares de pena.
— Cante algo que saiba, e se você encarar isso pode encarar qualquer coisa. – Ela lhe beijou nos lábios, um beijo cálido que ele não esperava, Sakura ergueu o braço balançando-o insensatamente – ele é aqui!
— Você me paga por isso. – Sasuke levantou desajeitadamente, sentindo os olhares de todos em cima dele, Sakura levantou junto o ajudando a passar no meio de tantas mesas e cadeiras, o orientou a subir uma escada que levou ele ao topo do palco, era diferente vê-lo assim tão embaraçado, ela ficou ali perto para caso ele precisasse dela.
— Qual música nosso astro irá cantar para seu público? – Perguntou à loira colocando a mão em seu ombro e ficando muito próximo a ele, cheia de sorrisos, Sakura detestou aquilo, sentiu o sangue ferver.
— It’s My Life, Bon Jovi. – Ela entregou a ele o microfone, fez um sinal para o rapaz que controlava a aparelhagem então começou a tocar a música escolhida, Sakura sentiu um frio na barriga, podia ver os pés do Sasuke acompanharem a canção então ele começou a cantar timidamente.
— This ain't a song for the broken-hearted
No silent prayer for faith-departed
No momento em que escolheu aquele lugar Sakura sabia que aquele lugar era perfeito para Sasuke encarar seu medo, seu medo de chamar atenção, de olharem para ele e verem apenas o homem cego, o homem com necessidades especiais, ali o veriam como o cara que só queria cantarolar uma música de sua época de ouro como um rapazote, relembrando velhos tempos de bandas empoeiradas, mas ouvi-lo cantar a surpreendeu positivamente, porque não imaginava que ele escondia um dom nato para a arte por trás da faixada de homem sério, olhou ao redor e reparou que as pessoas comentavam umas com as outras sobre o desempenho do homem e pelos seus sorrisos não eram comentários negativos.
— I ain't gonna be just a face in the crowd
You're gonna hear my voice
When I shout it out loud
As pessoas começaram a bater palmas o acompanhando animadamente e percebendo o calor que recebia Sasuke começou a soltar a voz, ficando mais desenvolto e entregue, vivendo a letra da música naquele instante.
— It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
I just want to live while I'm alive
(It's my life)
My heart is like an open highway
Like frankie said
I did it my way
I just wanna live while I'm alive
It's my life
Durante o refrão Sasuke atingira o ponto auge de sua apresentação, fazendo guitarra invisível com seu corpo causando gritinhos.
— This is for the ones who stood their ground
For tommy and gina who never backed down
Tomorrow's getting hard make no mistake
Luck ain't even lucky
Got to make your owns breaks
Sem perceber Sakura o acompanhava cantarolando a letra sentiu-se um pouco egoísta por estar assistindo aquilo e a mãe de Sasuke não, imaginou seu sorriso e como ela ficaria feliz em ver o filho daquela maneira tão solto.
— It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
I just want to live while I'm alive
(It's my life)
My heart is like an open highway
Like frankie said
I did it my way
I just wanna live while I'm alive
It's my life
Depois de alguns péssimos cantores Sasuke pareceu como um astro realmente como o nome do próprio evento do bar fazia com que todos se sentissem por mais ou menos quatro ou cinco minutos, quando a música acabou Sakura ouviu os inúmeros pedidos em uníssono por bis, os olhos de Sasuke brilhavam, como no dia em que ela lhe levou para sentir a neve e partilharam aquele momento único e inesquecível, como quando se beijaram na cozinha pela primeira vez com seu amigo como cupido e agora durante seu momento como astro onde ele pode ser feliz, sua condição não o impediu de cantar, tampouco foi à culpada pelos gritos histéricos, sua beleza talvez, mas a cegueira? Não, ele ali provou para si mesmo que viver como um homem cego era possível e fazer as coisas normalmente como sair e cantar em um karaokê coisa que há minutos ele achou tão louco, tão improvável, com a ajuda de Sakura desceu do palco, as pessoas vinham cumprimenta-lo animadas.
Na mesa seus pedidos os aguardavam, Sasuke sentou-se e Sakura também atacando as batatas fritas faminta.
— Obrigada por me fazer ir lá. – Sasuke sussurrou timidamente, seus olhos ainda brilhavam. – Você vem feito tanto por mim.
Sakura estendeu a mão segurando a dele com carinho.
— E eu farei muito mais se você me permitir.
— Como posso te agradecer da maneira que você merece?
— Ficando comigo.
— Sempre.
Mais algumas pessoas cantaram, nenhuma delas como Sasuke, devoraram suas batatas, Sasuke bebeu dois copos generosos de Whisky e foi impedido por Sakura de ir para uma terceira rodada, partiram animados de braço dado gargalhando de alguns bêbados que pararam em sua mesa para pedir trocados para conseguir pagar a conta do bar.
— Entregue.
— Se você quiser pode ficar... – Estavam a centímetros um do outro, Sakura sentia a respiração dele contra seu rosto, o cheiro forte de álcool faziam seus olhos arderem, estava pouco habituada com o cheiro forte que destilados produziam.
— Eu sei, mas ainda é cedo, então posso ir. – Beijou os lábios do rapaz. – Boa noite Uchiha.
— Até amanhã.
Sakura ficou parada no corredor até que ele entrasse em segurança no apartamento e quando ele o fez foi recebido por sua mãe que o esperava acordada cheia de perguntas que o fizeram ficarem acordados por algumas horas.
— Não acredito meu filho!
— Pode acreditar.
— Você precisa me levar lá. – Falou animadamente, Sasuke fingiu aborrecimento.
— Até a senhora?
Depois de um pouco mais de conversa despediram-se, Sasuke tomou banho e foi dormir, e mais uma noite das inúmeras que tivera desde que a conheceu pensou nela, no som de sua voz, no seu riso fácil, sua bondade e principalmente seu amor sem medida e tão entregue, adormeceu desejando que as horas passassem mais rápido para estar com ela.
— Sasuke? – Sasuke piscou os olhos pesados de sono. – Acorde, por favor. – Lutando contra a vontade de dormir despertou assustado com o nervosismo que a voz da mãe lhe transmitia, seu estômago se revirou.
— O que houve? – Murmurou de maneira quase incompreensiva por causa do sono.
— Acabaram de ligar do hospital, nós precisamos ir para lá.
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