Notas iniciais
Esse texto é antigo que eu escrevi no ano passado mas só agora tive coragem de postar.
É pequeno, e talvez você vai ignorar por isso, mas escrevi esse texto antes de dormir enquanto olhava para a janela no meu quarto e imaginava um monstro do lado de fora.
Boa leitura!

Minha mãe sempre me lembrou de cobrir os pés para dormir quando era criança, ela dizia que coisas pavorosas podiam puxar nosso pé de madrugada e assim nos arrastar para o seu mundo.

Certa noite, cheguei em casa cansada do trabalho, deixei minha bolsa sobre a mesa nova de vidro, com certeza era uma mesa excelente, merecedora de uma última olhada antes que entrasse na cozinha apertada para comer algumas sobras de comida do fim de semana e ir dormir.

Vida de solteira é assim né? Afinal que mal há em dormir sozinha todo dia e comer uns poucos de comida passada? Contanto que ninguém saiba!

Terminando de comer lavei o prato da refeição e retirando toda a roupa do corpo fui deitar, não fazia calor, nem frio. Uma brisa fresca entrava pela janela acima dos meus pés. Os mantinha para fora da manta colorida que me cobria, presente da minha mãe. Não demorei a pegar no sono e assim passaram-se algumas horas. Eu sonhei que algo tocava meu calcanhar e pressionava, conforme sentia os contornos em volta do meu pé pude distinguir que era uma mão, uma mão com dedos esguios, talvez unhas pontudas no fim deles. Não me preocupei, era um pesadelo e nele eu podia sentir o medo, o pavor que aquela mão ossuda e gélida provocava.

Fui desperta com o barulho da janela se fechando, sempre acontecia quando ventava forte, como era uma pequena porta de vidro ocasionalmente batia contra a parede e quebrava ou fechava e abria sozinha durante a noite. O pé machucado do sonho ainda doía e quando sentei fiquei horrorizada com o que vi, antes que olhasse para a minha janela e reparasse no estrago que a batida causara, olhei para o meu pé que agora muito mais inchado que o outro apresentava uma marca roxa, na minha pele branca. Puxei o pé mais para perto, gemendo de dor ao fazê-lo e comecei a reparar nas manchas que se alastraram como um polvo manco de cinco tentáculos, ou dedos de uma mão esguia, um filete de sangue escorria logo acima do calcanhar onde alguma das unhas da criatura deixara um ferimento.

Após analisar cada detalhe olhei para a janela a tempo de ver um par de olhos amarelos capciosos e reptilianos escondidos atrás de um arbusto no meu quintal.

Lembro de soluçar, e depois cair na eterna escuridão.

Notas finais
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Gostaram? Curtam, comentem, deixem críticas, peçam continuação.
Beijos e obrigado por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!