Csibr - Parte 2
1 Dia de treinamento
Notas iniciais
Estava sentado na velha cadeira de mogno, lendo um jornal do dia anterior na companhia de um maravilhoso café da manhã fumegante, que ornamentava, naquele instante, minha mesa feita sob medida, enquanto uma leve brisa entrava pela janela a minha direita. De repente, a porta se abriu com um barulho descomunal revelando Meg, vestindo nada menos que uma lingerie preta. Ela estava linda, porém alguma coisa estava errada — não só o fato dos seus trajes, que me deixavam constrangidos e com medo de ser descoberto por algo errado que tenho certeza que não fiz — de sua boca saíam palavras que eu não podia decifrar. Toda minha concentração estava no que ela dizia: A-C-O-R-D-A! O que isso significa e que tom era aquele?
Priiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!!ACORDA!ACORDA!ACORDA!Priiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!
Não!!!!! Era um sonho, o som vinha do pato Donald- o meu despertador- que fica em cima do criado-mudo, ao lado da minha cama. Era bom demais pra ser verdade, o melhor do sono não era nem o fato da Meg estar nele e sim aquele café-da-manhã maravilhoso, que me fez recordar naquele momento que eu ainda não tinha feito as compras do mês e não tinha nem sequer leite na dispensa.
Com o estômago vazio, cheguei ao ex-imponente prédio do CSIBR, enquanto estacionava meu carro embaixo das mangueiras – aqui em Belém é difícil não estar embaixo delas — e vi duas figuras conhecidas conversando, próximos a entrada. Eram Paulo e Meg.
- Ei, vocês não vão entrar? – perguntei ao me aproximar deles. Andava com cuidado tentando escapar dos buracos da calçada e do lixo que havia por perto.
- Bom dia também, Pedro! – Meg disse um pouco irritada. Ela estava encostada no muro que cercava o prédio do CSIBR, suas roupas, diferentemente do uniforme padrão azul que costuma usar durante o expediente normal, eram uma calça jeans e uma regata branca com sobreposição do seu cardigã rosa preferido desde que assistira os filmes estrelados por Audrey Hepburn(que era o que ela contava para os outros,no fundo eu sabia que era influência de Gossip Girl). Digamos que sua aparência era fofa para uma mulher de 27 anos, nada parecido com o estilo provocante do meu sonho.
- Estávamos te esperando – Paulo disse calmamente. Este também se encontrava encostado no muro com o seu pé direito apoiando o corpo em uma postura bem relaxada. Vestia-se como um adolescente, uma calça jeans de lavagem escura e uma blusa preta lisa e bem justa ao corpo. Ele sempre tentava aparentar ser mais novo e não gostava de fazer aniversário, mas é claro que eu nunca vou me esquecer que mês que vem ele vai entrar no mundo 3.0.
- Bom dia! Desculpem-me pela falta de educação, eu ainda não tomei um café decente. – falei passando a mão pela minha barriga que, involuntariamente, roncou como se soubesse que eu falava dela.
- Perdoado – Meg deu risadas e continuou num tom sério- E nós ficamos sabendo que o expediente hoje será diferente, você pode nos dizer o que é? — perguntou com um olhar desconfiado chutando uma pedrinha próxima.
- Maldição!- exclamei, lembrando-me da missão que eu teria pela frente.
-O que foi? – Paulo e Meg perguntaram juntos.
- Eu tinha esquecido que hoje é o dia de treinamento especial – respondi com um pouco de amargura na minha voz, eu odiava esses treinamentos, afinal eu sou experiente (não velho) o bastante pra ainda ter que participar deles.
- Treinamento especial? – Paulo indagou chegando mais perto de onde eu estava.
- Primeiro vamos entrar, que eu explicarei a vocês no caminho para a lanchonete – disse me afastando dele.
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