Csibr - Parte 2

2 Capítulo 2


Seguimos pela porta dupla de vidro, que estava aberta e protegida pelo segurança grandalhão, Wando, e entramos no saguão do prédio. O mármore branco era a única coisa que sobrevivera desde a época em que o governo investia no local. O resto era uma precariedade tamanha. Quando andamos até o elevador, havia várias caixas de papelão na frente dele, não sabia exatamente o motivo. Enquanto nós três esperávamos pelo elevador (a lanchonete ficava no último andar- o sexto), comecei:

-Em geral os treinamentos são feitos com casos reais, com tutores supervisionando os treinados. Porém, o treinamento especial é feito com um simulador virtual, e, acreditem ou não, nós jogamos Detetive onde cada um é um personagem e como no jogo de tabuleiro é necessário descobrir quem é o assassino, que arma ele usou e onde ocorreu o crime – disse, olhando para as portas, que se abriram depois de alguns minutos.

-É normal tentar imaginar de onde veio tanta tecnologia, se aqui nesse Estado mal temos serviços públicos decentes – continuei, ao entrarmos no elevador. — O que eu posso dizer é que a história é longa e envolve alguns italianos ligados à máfia. Não se preocupem que as identidades não serão reveladas, logo ninguém corre perigo, não por isso, eu quero dizer...

- De qualquer maneira, eu serei o mordomo e supervisionarei vocês – terminei de dizer aos dois bem no momento em que o elevador parou no sexto andar.

Ao chegarmos à cafeteria, peguei rapidamente uma caneca de café fervente e pude perceber que os dois me olhavam com expressões de confusão nos olhos. Megan foi a primeira a questionar o método:

- Quer dizer que vamos ter que investigar um caso de jogo infantil? – ela perguntou indignada, pegando uma xícara de chá, seu pedido usual.

- Digamos que não será tão simples quanto o jogo do tabuleiro – respondi, tomando um grande gole do café, queimando parte da minha língua.

- E podemos ser qualquer personagem? – Paulo perguntou, já quase terminando o seu suco de laranja, que tinha pedido ao chegarmos.

- Claro! – disse, terminando meu café, colocando a caneca no balcão e olhando para Paulo com um ar sério.

- Ok, então eu quero ser o Mr. Black. – ele disse, terminando o seu suco, também colocando o copo no balcão e retribuindo com um olhar interessado.

- E eu vou ser a Ms. Rose – Meg disse com os olhos brilhando de felicidade, assoprando o seu chá e observando a grande fumaça que esvoaçava dele para depois, então, bebê-lo de uma vez só.

- Que bom que vocês já escolheram nomes tão originais, agora vamos pra sala de reunião que vou apresentá-los ao seu novo companheiro de equipe e que participará desta missão,digo, treinamento junto com vocês – falei, andando novamente para o elevador. Os dois logo atrás de mim.

Descemos até o quarto andar onde ocorreria a “prova” em questão. As portas se abriram para um corredor estreito, iluminado somente por uma longa lâmpada incandescente no meio do teto de gesso. O corredor tinha quatro portas, duas à direita e duas à esquerda. Cada porta levava a uma sala, que costumamos discutir os casos especiais. Hoje, no entanto, serviria para a simulação virtual do jogo de tabuleiro.

Entramos na segunda porta da esquerda, que já estava aberta. A sala era extensa, mas o carpete comercial estava rasgado em alguns cantos, o que dava uma impressão de que o jogo teria mais armadilhas do que o previsto. Além disso, havia quatro círculos azuis acima do carpete como se fossem uma parte do mesmo, mas não era como você perceberá daqui a pouco. As paredes, como quase todo o prédio, estavam manchadas com fungo em algumas partes e onde antes se via um branco bem pintado se via agora um branco amarelado.

Normalmente constituída por uma comprida mesa de madeira e cadeiras altas do mesmo material, a sala agora continha somente uma caixa de papelão em um dos cantos e algumas cadeiras arrumadas junto à parede, provavelmente para uma melhor execução da tarefa. Havia cinco cadeiras e em cima de cada uma das quatro tinha um capacete aparentemente comum e na quinta, sentado nos aguardando, como programado, estava o nosso visitante.