Csibr
5 Capítulo 5
Depois de cinco longos dias, a greve de ônibus tinha terminado e eu tinha mandado verificar os computadores danificados. O corpo de Isabella já havia sido enterrado pela família, os jornais já tinham se pronunciado sobre o caso e eu aguardava ansiosamente os resultados de todas as análises.
Naquele dia cheguei bem cedo e fui pro meu escritório, no terceiro andar. Sentei na minha longa mesa retangular, enquanto esperava pelos resultados que Meg, Paulo e Gregório ficaram de me trazer àquela manhã. O primeiro a chegar foi o Gregório com a análise do DNA, que indicava que três homens diferentes ejacularam naquele sofá. Estranho. Realmente as tímidas são as piores, pensei. Depois de alguns minutos, Paulo trouxe o resultado da papiloscopia.
— O cara é Matheus Yank. — ele disse, ao chegar à minha sala, colocando as provas na mesa.
— Investigue a vida dele. – ordenei
— Já fiz isso!- Disse Meg entrando correndo dentro do escritório.
— Então? – perguntei.
— Empresário, 30 anos e casado. – disse ela como se aquilo explicasse tudo.
-Só isso? – perguntei novamente.
— Você não consegue perceber? Isabella era amante dele. As minhas suspeitas estavam certas desde início, lembra que eu lhe disse no carro?
-Eu lembro sim, mas isso não explica por que ela morreu e por que tinha sêmen de outros homens no sofá dela.
— Ela era prostituta. – ela explicou
— Como você pode afirmar isso? Mais um julgamento feminino? – ironizei, fazendo cara de descrente.
-Intuição feminina?!- exclamou Meg, sentando na cadeira a minha frente – Formação acadêmica, ela não tinha. Como é que ela moraria em um apartamento daqueles e teria móveis caros como os que tinham lá? Sendo prostituta!
— Não é suficiente. Tragam Matheus Yank para um interrogatório. – argumentei, me levantando e jogando os resultados contra a mesa.
Os três saíram da minha sala, cabisbaixos, porém determinados a fazer o seu melhor nessa investigação.
O delegado Silva localizou o suspeito e o trouxe para o interrogatório. A sala usada para interrogar os suspeitos ficava no subsolo e era apática. As paredes mal pintadas e sujas lhe davam um ar sinistro. Matheus Yank parecia impaciente sentado ao lado do seu advogado, sua mão não parava de batucar a mesa de metal que havia entre nós.
— Senhor Yank, qual era o seu envolvimento com Isabella Ferreira? – perguntei sentado ao lado de Silva, olhando diretamente nos olhos de Matheus.
— Você não precisa responder! – disse o advogado rudemente.
— Tudo bem. Eu e Isabella já tivemos um caso no passado, mas há meses não nos encontramos. – respondeu Matheus, evitando meu olhar.
— Nós encontramos sua digital na arma do crime. Como você explica esse fato? – perguntou o delegado Silva.
— Meu cliente é inocente, não nos obrigue a perder mais tempo.- disse o advogado, exaltado.
— Não sei se os senhores perceberam, contudo, OCORREU UM ASSASSINATO, e nós queremos saber a verdade. – explodi, me levantando abruptamente.
— Eu realmente não sei como minha digital foi parar na arma do crime, desde que me casei, há 1 ano, não vi mais Isabella. No início do nosso envolvimento, nós tínhamos uma relação profissional, eu era o seu cliente, depois tivemos um lance que não durou muito – respondeu Matheus com aparência cansada, me olhando dessa vez.
— E por que terminou o lance de vocês dois? – continuei, andando ao redor do suspeito e do seu advogado.
— Porque meu irmão, que já tinha sido cliente dela, não aprovava nosso relacionamento. Ele até tinha um pouco de ciúmes.
-Então, ela era mesmo prostituta?Qual o nome do seu irmão?
— Sim ela era garota de programa, a melhor da cidade. E o meu irmão gostava muito dos serviços dela. O nome dele é Fábio Yank.
— Devo acrescentar o que o meu cliente omitiu. – disse o advogado e todos nós olhamos para ele – os Senhores Fábio e Matheus Yank são gêmeos univitelinos.
Dei por encerrado aquele interrogatório e voltei a reunir minha equipe, no meu escritório.
— Meg, prepare-se já temos um suspeito em potencial, eu preciso apenas do material genético dos irmãos Yank e as digitais dos dois. – ordenei
— Ok, já estou a caminho pra recolher mais evidências genéticas. — ela disse.
— Pela sua cara Pedro, você já sabe quem matou Isabella Ferreira, estou certo? – Paulo perguntou, olhando pra mim desconfiado.
-Sim, você está. Mas para o tribunal eu preciso levar provas de que a minha teoria está correta, se não todo o trabalho vai pro ralo
a baixo. Agora, vá pegar um cafezinho pra mim e deixe a mente criativa trabalhar.
Paulo saiu à contra gosto da minha sala. Peguei meu celular e liguei pro Senhor Silva convocando um novo interrogatório com o senhor Matheus Yank. No dia seguinte, quando todos se encontravam na sala de interrogatório,eu comecei a perguntar:
— Senhor Yank, qual foi a motivação do senhor ter matado Isabella Ferreira?
-Eu já disse que não a matei. Se vocês querem saber eu acredito que tenha sido meu irmão gêmeo, Fábio, o verdadeiro assassino.
— Vocês estão constrangendo meu cliente, posso processá-los por calúnia e difamação se não pararem — disse o advogado.
— Sabia senhor... – naquele momento fomos interrompidos pela Meg que tinha em suas mãos os resultados laboratoriais feitos pelo Gregório, nós dois saímos da sala deixando os outros esperando um pouco.
— Pedro, o resultado deu positivo pra digital e DNA, é a mesma pessoa. — disse ela.
-Obrigado Meg, você fez um bom trabalho e já pode descansar. – falei e voltei à sala. Quem fosse bom observador veria um brilho diferente em meus olhos, uma faísca de entendimento.
-Podemos continuar – falou o delegado Silva.
— Senhor Yank, o senhor já leu “Mundo estranho”? – perguntei.
-Não senhor, por quê?
-Bom, eu faço coleção dessa revista,quando o senhor estiver na cadeia, talvez eu possa lhe emprestar. Há matérias interessantes sobre ciência e curiosidades sobre... Gêmeos, por exemplo. O senhor sabia que gêmeos, ainda que univitelinos, não possuem a mesma digital ou ainda o mesmo DNA? Apesar da sua tentativa inútil de incriminar seu irmão Fábio Yank, nós sabemos que foi o senhor que matou a senhorita Isabela Ferreira.
— Não, NÃO FUI EU – Matheus se exaltou.
— Acalme-se senhor, nós estamos apenas afirmando o óbvio, agora por que não nos conta como foi? –eu disse.
-Meu cliente é inocente – dizia o advogado.
— Acredito que você ainda tinha um caso com a vítima, naquela noite ela permitiu sua entrada, o clima entre vocês esquentou e vocês fizeram sexo. Mas ela não era exclusiva, era?Creio que não, foi por isso que a matou? Não agüentava dividi – lá? Nem com seu irmão?
— Ela era minha... minha... – Matheus Yank ficava falando.
— Cale a boca idiota- grasnou o advogado. – Ok. Ela era só uma vagabunda! Quanto vocês querem para livrar o meu cliente?
- Como é que é? – Perguntei analisando a proposta. Não. Era melhor não, pensei... Pelo menos não agora... Quem sabe pra quando eu virar senador...
- A gente poderia lhes dá uma boa grana. O suficiente pra fazer uma reforma nesse edifício de mer...
- Nós estamos recusando a sua tentativa inútil de nos subornar- encerrei, apesar de gostar de saber a quantia- Senhor Silva, acredito que o meu trabalho termina aqui. Pode prendê-lo. — eu disse arrumando minhas coisas para voltar para o meu escritório.
- Mas eu ainda nem falhei os números... – dizia o advogado enquanto Matheus era levado pelo delegado Silva.
Chegando ao meu escritório, Meg estava sentada a minha mesa.
- Meg, algum problema? – perguntei, sentando na cadeira na frente dela.
- Conseguimos? – ela perguntou com um meio sorriso. Eu acenei positivamente com a cabeça.
- Que tal uma pizza pra comemorar? – ela sugeriu.
- Toda equipe já foi embora Meg.
- Eu quis dizer só nós dois...
- Pensando melhor, eu ia adorar comer uma pizza agora- concordei, sorrindo.
Mais um caso resolvido e menos um caso pra resolver. Esse é o nosso lema aqui no CSI. Temos a esperança de que seres humanos tenham o exemplo da justiça aplicados no seu dia-a-dia e que menos crimes venham a acontecer em nosso país. Se bem que, esse é o nosso “ganha pão”, então, tente não matar tantas pessoas. Só o suficiente para manter nossos empregos. Obrigado!
THE END.
Fale com o autor