Crônicas do CasteloBruxo - Interativa
7 Capítulo 6 - Promessas
Notas iniciais
A sala de Aurélio estava vazia desta vez. A luz do sábado ensolarado entrava pela janela enquanto Arabella finalmente chegava ali. Aurélio estava em pé, com sua varinha na mão.
—Bom dia, Profº Aurélio. -
—Bom dia, Arabella. Deve ter percebido minha sala vazia. -
—Sim, de fato. -
—Arabella, eu disse que preciso lhe encontrar com você todos os sábados para ensina-la algo diferente. – Ele disse. –Mas antes eu preciso que faça um voto perpétuo. –
Arabella arregalou seus olhos.
—Um... Um voto perpétuo? – Arabella riu. –O senhor está falando sério? -
—Eu estou. – Aurélio disse pausadamente. –Arabella, você deve me prometer que nunca irá usar os conhecimentos aqui para o mal, há menos que eu lhe permita. -
—Claro que não irei! –Ela disse assustava. –Nunca iria... -
—Então faça um voto perpétuo. -
—Ok! –
Os dois se ajoelharam no chão e fizeram o voto. Arabella agora estava assustada, trêmula. Olhava para o rosto enrugado do idoso em sua frente ansiosamente, perguntando-se o que irá acontecer em breve.
—Pegue sua varinha. – Ele disse e Arabella o fez. –Arabella, o que eu irei ensina-la é algo que nenhum aluno sabe ou aprende na Instituição. Tudo o que aprender aqui não pode sair daqui. Não ensine á ninguém, não conte nada para ninguém. —
—Claro, Profº. -
—Eu irei ensina-la as Artes das Trevas. –
O coração de Arabella foi parar na garganta. Ela caiu um pouco para trás e arregalou os olhos.
—As Artes das Trevas, professor? -
—Se não for demais para você, é claro. -
—É claro que não... – Arabella disse. –Mas por quê? –
—Isso você saberá em breve. – Ele disse. –Você sabe quais são as três maldiçoes imperdoáveis? -
—A maldição Cruciatus, Imperius e Avada Kedrava. -
—Qual você quer aprender primeiro? –
—Eu não sei... – Ela disse suando.
—Vamos lá, escolha! -
—Okei, okei... – Ela tentou pensar na que menos machucaria as pessoas em volta. –A maldição Cruaciatus. –
—Ótimo... – Ele pegou um copo e transfigurou-o num corvo. –Petrificus Totalus! –Ele disse e o corvo ficou completamente paralisado.
Arabella suspirou e seu coração não conseguia parar de bater. Aurélio chegou ao lado de Arabella e puxou a varinha. Ele gritou Crucio e o corvo finalmente se moveu. Seus piados esganiçados estavam aos gritos. Ele tentava voar mas as asas se contorciam e ele caia aos poucos. Finalmente, Aurélio largou a varinha e o corvo caiu fraco no chão. Aurélio transfigurou-o novamente num copo.
—Conseguiu ver o movimento da varinha e a pronuncia? -
—Sim. – Ela disse honestamente.
—Treine. -
—Mas o corvo se transformou num... -
—Em mim, Arabella. –
Arabella olhou para o idoso. Ele estava calmo e relaxado. Sentou-se numa cadeira e fechou os olhos. Bella não queria usar a maldição, mas o diretor sabe o que está fazendo, certo? Mas como ela faria isso?Ela não queria, ela não faria isso, mas Aurélio havia pedido. Ela ergueu a varinha e apontou para o idoso.
—Use-a. – O idoso disse calmamente.
—Crucio!—O raio vermelho saiu da varinha e Aurélio gemeu por alguns segundos. Depois disso, abriu os olhos normalmente.
—Você não quer usa-la. Não precisa temer, apenas faça-a. – Aurélio disse. –É importante, creia em mim. -
—Ok. – Ela gritou a maldição e nada aconteceu. Ela tentou novamente e os ossos da mão de Aurélio se contorceram, mas apenas por pouco tempo.
—Vamos lá, Arabella. Estou lhe pedindo. –
Por mais seis vezes Aurélio pediu e Arabella tentou, mas nada estava acontecendo. Ela começou a murmurar para si mesma, pedindo para que o destino fizesse isto parar.
—Arabella. – Aurélio se levantou. –Vejo que talvez não queria atacar. Me perdoe por fazer isso, mas garanto que irá me agradecer depois. -
—O... -
—Crucio! –
Arabella caiu no chão trêmula. Seus ossos se contorcendo, tudo ficando aos poucos escuro. Ela começou a gritar quando a dor parou.
—Faça agora. – Aurélio se sentou novamente. Bella se levantou e puxou sua varinha.
—Crucio! – Arabella gritou irritadamente. Aurélio berrou e gemeu quando caiu no chão. Sua coluna não parou de se contorcer, os gritos invadiam a sala. Arabella esperou mais um minuto para parar. Aurélio demorou mais um pouco para se levantar.
—Muito bem, Arabella. – Ele disse. –Você realmente queria fazer isto, e com razão. Eu realmente não queria ter que usar a maldição em você, mas foi necessário. -
—Eu sei. – Ela disse. –Eu preciso voltar semana que vem? -
—Sim, Arabella. Desculpe-me por esta aula ter sido um pouco agonizante. -
—Claro professor. Posso ir? -
—Sim, Arabella. Lembre-se do juramento. – Ele disse lentamente.
—Claro. – Ela saiu com lágrimas nos olhos.
—==-
Hugo finalmente chegou na vazia sala de transfiguração. Angela já estava esperando-o sentada, desenhando em um pergaminho.
—Oi, Hugo. -
—Oi, Angela. –
O silêncio recaiu.
—Olha, eu vou te contar tudo, okei? – Ele checou todos os armários, com medo de alguém ouvi-los. –Prometa que não vai espalhar para ninguém, até mesmo pro Heitor! -
—E pra Helena? Ele também é uma de suas melhores amigas... -
—Não! Ela já pensa o mesmo que eu, mas não quero que ela saiba... -
—Que falou comigo? -
—Sim. Vocês mal se conhecem. Ela não vai confiar em você. -
—É. Eu sei. – Ela disse desanimadora. Ficou de pé e se aproximou de Hugo.
—Então não conte para ninguém. Ninguém pode saber. -
—Eu sei, já entendi! – Ela disse, já irritada.
—Okei... Eu sei. – Ele disse. –É o seguinte: Eu acho que o pai do Heitor está sob a maldição Imperius. -
—O quê?! – Angela disse. –Migo, tá tudo bem contigo? Tomou os remedinhos hoje? – Ela botou a mão na testa dele.
—Angel! —
—O quê? -
—Achei que ia no mínimo me respeitar.
—Amigo, respeitar é uma palavra muito forte, não respeito ninguém, vou respeitar você? -
—Ah, por favor, dá pra... -
—Não, não dá pra nada. – Angel disse grossamente. –Isso não faz sentido. -
—Acredite em mim, faz sim! -
—Tá, então qual a teoria? -
—Ainda não sabemos quem, mas alguém está o mantendo sob a maldição, por isso que a entrevista era contraditória. Alguém quer colocar ele como culpado. -
—E quem vocês acham que é? -
—Não temos a mínima ideia. -
—Bem... É investigar e... -
—Me tire dessa, me desculpe. – Angela disse indo para a porta. –Eu não vou ficar brincando de Scooby Doo com você e a Helena, me desculpe. -
—Não, Angel, precisamos de sua ajuda você é testemunha ocular, além di... -
—Para Hugo! Se eu for pega ajudando vocês á conspirar contra meio mundo, o meu pai será prejudicado. Então pode, por favor, me deixar em paz?! -
—Angela! –
Angel deu um tapa no rosto do garoto no mesmo lugar que havia dado o tapa de terça feira.
—Por favor... – Hugo disse.
—Não. – A garota girou a maçaneta.
—Vamos lá, por favor. -
—Eu não quero, Hugo. -
—Por favor, precisamos de você. -
—Eu não quero! -
—Por favor! -
—Porque não pode me deixar em paz?! – Ela gritou e saiu correndo. Hugo percebeu um pergaminho esquecido no canto da sala.
—==-
Heitor entrou na sala de Madame Carmem. Era uma sala arroxeada, que lembrava o Empório das Varinhas.
—Bom dia, Heitor. – Carmem disse.
—Bom dia, professora. Eu gostaria de falar sobre minha varinha. -
—Heitor, eu já lhe disse que sua varinha é perfeita para você. —
—Mas professora, ela não funciona! -
—Heitor, talvez se você desse uma olhada no seu livro texto você aprenda um pouco sobre o seu tipo de varinha. -
—Porque não pode me falar logo? -
—Olha, eu já disse para olhar lá. – Carmem disse. –Eu não preciso explicar se você aprender por si mesmo. -
—Você não pode simplesmente me explicar? -
—Não. Como uma varinhóloga eu acho que o aprendizado é extremamente importante. -
—Quer saber? Dane-se! – Heitor disse.
—Educação, Heitor... -
—Educação? Sabe, Madame, no dia que eu fui em sua loja meu pai foi preso! Eu estou cansado de ter que aprender tudo na prática, porque as pessoas não me explicam nada?Minha mãe, os advogados, ninguém me explica. -
—Heitor, você deve aprender á... -
—CALE A BOCA! – Ele bateu o punho na mesa.
—O senhor quer uma detenção? – Ela levantou a sobrancelha e se levantou. –Não grite comigo, Heitor. Eu sou a autoridade aqui, eu sou Deus aqui. Eu não ligo se você está cansadinho porque seu pai foi preso. Eu vou fazer o que eu faria com qualquer aluno. Agora saia da minha sala. –
Heitor esperou um pouco até se direcionar á porta e abriu-a. Ele respirou fundo.
—Sua filha mandou um beijo, sabia? – Ele disse batendo a porta.
—==-
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