Notas iniciais
Olá, gente! Aqui é a Vanessa BR mais uma vez e trago a vocês mais um capítulo de Crônicas. Tenham uma boa leitura!

— Papai...?

— Landon...?

— É o senhor mesmo...? – ele perguntou confuso e com a voz ainda fraca. – Eu... Eu estou em casa...?

Cassius logo se aproximou do filho e, passando a mão pelo cabelo do filho, sorriu aliviado:

— Sim, filho... Você está em casa... Está em segurança.

— Papai... Tudo ainda dói em mim... Vou ficar bom, não vou...?

— Vai, sim, Landon. Você é um menino forte. Estou orgulhoso de você.

O príncipe zardreniano sorriu ante o elogio de seu pai, bem como de alívio por estar de fato em casa. Mas logo o seu sorriso se desvaneceu quando, ao olhar para os seus pulsos, via os curativos onde ele sabia que sua pele havia ficado esfolada e em carne viva. Aquilo o fez imediatamente se recordar das torturas que sofrera em Alkavampir e, principalmente, o levou a se lembrar do rosto asqueroso de quem mais o torturou, cujo nome jamais iria esquecer: Daithi de Alkavampir.

Em seu interior, Landon começava a sentir um ódio crescente do sujeito que mais o torturou. Queria ficar mais forte para poder ir à forra, mas não tinha condições... Estava num grau de fraqueza em que suas mãos estavam bastante trêmulas, bem como seu corpo todo doía muito, sobretudo na região das costelas. Vendo que estava limpo, sabia que estava sendo bem tratado, mas ainda estava completamente dolorido.

Mas, pelo menos, estava em casa, junto com o seu pai, e...

— O que foi, Landon?

— E a mamãe...? Onde ela está...?

— Ela está descansando, filho. – o rosto de Cassius expressava preocupação.

— Como ela está...?

— A sua mãe não está muito bem. Por conta de tudo o que aconteceu e do que soube de você, ela adoeceu. – ele colocou sua mão sobre as do filho num gesto tranquilizador e sorriu. – Mas quando ela ver que você acordou, vai melhorar.

— Eu quero ver ela, papai...

Cassius ficou sem resposta, mas neste momento Astrid aparecia ali, ajudada por Rodrick. Após uma leve mesura, o cavaleiro adentrou o quarto do príncipe e sentou a rainha zardreniana à beira da cama do filho. Seus olhos logo encontraram o menino já acordado e um sorriso se desenhou em seu rosto pálido.

— Landon...! – sua voz saía embargada de emoção, enquanto as lágrimas de alegria e alívio saíam de seus olhos. – Você acordou...!

Astrid se aproximou mais do filho e, enquanto pegava cuidadosamente as suas mãos, beijava-lhe a testa com ternura. Landon sentia aquele calor agradável em suas mãos, o inigualável carinho de uma mãe, que por vários dias lhe fizera tanta falta. Nisso, o menino começou a chorar copiosamente, o que preocupou seus pais.

— Eu te machuquei, Landon? – Astrid perguntou.

— Não, mamãe...! É que naquele lugar horrível eu senti tanto a sua falta e a do papai...! Eu fiquei sozinho lá, num lugar escuro, sujo e frio... Me machucaram tanto, mamãe...! Eu fiquei com medo, com muito medo de ninguém conseguir me tirar dali, de me matarem lá...! Eu não aguentava mais ficar naquele lugar...! Mamãe, eu senti muito a sua falta e a do papai...! Senti muito...!

A rainha zardreniana passou a mão nos cabelos negros do filho, procurando acalmá-lo com seu carinho materno. Secou com delicadeza as lágrimas de Landon e lhe disse:

— Acabou, filho... Aquele pesadelo acabou. Você está em casa agora e vai ficar bem. Eu estou muito feliz e ver você acordado já me deixa bem melhor.

— É mesmo?

— Sim, Landon. – ela sorriu com tranquilidade.

Cassius sorriu diante de tudo aquilo. Estava extremamente aliviado, pois agora sabia que tanto sua mulher como o seu filho iriam começar a recuperação. Mesmo assim, só ficaria verdadeiramente tranquilo quando ambos estivessem completamente restabelecidos.

— Astrid, assim como o Landon precisa descansar, você também precisa.

— Cassius, eu vou ficar com o Landon. – ela disse.

— Você ainda não pode ficar muito tempo aqui cuidando dele. Também precisa se recuperar.

— Cassius...

— Eu continuarei aqui com ele, não se preocupe.

Astrid sentiu alguém passando a mão em uma mecha de seus longos cabelos. Era Landon, que deu um sorriso e disse:

— Mamãe... Pode ir descansar, o papai vai ficar aqui comigo. Quero que a senhora melhore logo pra poder ficar comigo.

Após as palavras do filho, não havia como argumentar. Ela cedeu:

— Está bem. Só vou descansar porque você pediu, mocinho. – sorriu e lhe beijou a testa. – Te amo, filho.

— Também te amo, mamãe.

Astrid, acompanhada por Rodrick, se retirou do quarto do filho, para se dirigir ao seu, deixando apenas Cassius ali junto a Landon. O garoto, como se lembrasse algo naquele momento, perguntou:

— Papai, e o Marden e o Robert? Cadê eles? Estão treinando?

— Não. Desde que você foi raptado não tinha como haver treino. Mas acredita que eles queriam ajudar a trazer você de volta?

— É mesmo?

— Sim. Aqueles dois te adoram.

— Eu estou com saudades deles.

— Depois vou pedir para eles virem aqui para te ver.

— Papai, eu gostaria também de ver o Lorde Ferdinand e o Lorde William. Quero agradecer por eles terem me tirado de lá.

— Assim que possível, vou chamar ou então pedir para alguém chamar.

— Obrigado, papai.

Gregory adentrou os aposentos de Landon, junto com um homem bem mais jovem, com trinta anos de idade. Possuía cabelos castanhos longos até o ombro e seu olhar transmitia uma grande tranquilidade. Aquela figura imediatamente chamou a atenção do príncipe zardreniano.

Os dois se curvaram rapidamente em reverência diante de pai e filho, e o conselheiro logo dirigiu seu olhar para o menino. Sorriu ao vê-lo acordado e perguntou, enquanto se aproximava para examiná-lo:

— Faz tempo que acordou, Alteza?

— Mais ou menos, Senhor Gregory... Meu corpo dói todo...

— Sim, o machucaram muito... Mas vamos cuidar dos seus ferimentos.

— Muito obrigado, mas... Vai demorar para eu melhorar?

— Não deve demorar muito. Mas ainda é um pouco cedo para dar uma certeza.

— Entendo. – ele murmurou desanimado.

— Não se desanime, Alteza. – o conselheiro deu um sorriso complacente enquanto colocava sua mão na testa do menino para verificar se ainda estava febril. – É preciso ter paciência para se recuperar. E eu gostaria de apresentar alguém que veio para me ajudar a cuidar de Vossa Alteza e de sua mãe.

O homem recém-chegado se ajoelhou diante de Landon e se apresentou:

— Alteza, meu nome é Reid e, há dez anos, estou na Cidadela me preparando para substituir o Conselheiro Gregory daqui a dez anos e, quando Sua Alteza assumir o trono de seu pai, serei o seu conselheiro. E vim passar uns dias aqui e, neste momento, me disponho a ajudar o Conselheiro Gregory em suas tarefas. Neste momento, me sinto honrado em conhecê-lo.

— Digo o mesmo, Senhor Reid. – Landon sorriu, pois de fato havia simpatizado, à primeira vista, com o recém-chegado. – É um prazer conhecê-lo.

— Alteza, o Reid vai ficar encarregado de me ajudar em seus cuidados, enquanto cuido da rainha. – Gregory disse. – Acredito que os dois se darão muito bem.

Cassius, que apenas observava tudo, sentiu uma forte dor em seu ombro, fazendo-o lembrar que ali havia um corte profundo sem tratamento. Instintivamente, levou sua mão ao local e sentiu que ela estava ficando meio pegajosa. Tirou-a e viu que estava suja de sangue.

O ferimento voltara a sangrar e doía mais forte, fazendo com que ele não conseguisse disfarçar uma careta de dor. E isso logo foi notado por Gregory, que disse:

— Majestade...! Está ferido...!

Notas finais
CONTINUA...