Crônicas de um Agente Secreto
5 Capítulo 5
Capítulo 5
Embora o dia tenha sido extremamente corrido, pretendia encontrar meu marido o mais rápido possível e contar tudo o que aconteceu no Hospital. Achei que conseguiria contar e ajudar a resolver todos os problemas do Sanada e ainda termos nosso tempo juntos, afinal, não aguento mais segurar o segredo do nosso filho! Imagine como seria a sua cara... (rsrs) Bem idiota admito, mais estou louca pra ver sua reação! Precisava contar logo porque, pelo jeito com as coisas andam, não sei por quanto tempo ainda continuarei viva. Credo, vira essa boca pra lá!
Bom, ainda esperava muito daquele dia: ajudar meu marido e ainda dar aquela notícia, seria incrível! Porém, devo admitir que me enganei imensamente..
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Liguei desesperada esperando uma resposta, e pra minha sorte, e a sorte dele também, o celular atendeu rapidamente.
– Alô? Sanada? – eu falava extremamente agitada, pois estava correndo em direção ao meu carro.
– Alô? Oi amor! Meu deus, estava extremamente preocupado com você! Me desculpa por te envolver nisso.
– Preocupada comigo? Hu! Sei...
– Ai, ai... Mas...
– Mas enfim! – me apressei, falando bem ofegante – Amor, deu tudo certo! Mais não quero falar pelo celular. Você pode me encontrar naquele barzinho que sempre tomamos café?
– Sim claro! Tá tudo bem? Você parece preocupada?
– Já, já eu te falo! Te encontro lá em quinze minutos!
– Tá ok amor! Ai meu deus, isso não tá me cheirando bem...
– Beijo, tchau!
Desliguei e entrei no carro apressadamente. Embora meu carro fosse ecológico, gostaria que naquele momento pudesse ter um pouco mais de potência para chegar logo. Estava muito ansiosa e cada minuto parecia uma eternidade.
Fui entrando no bar já o encontrei na nossa mesa de sempre e me joguei em uma cadeira de frente pra ele: estava tão nervosa que não sabia por onde começar, e ele também parecia, embora sorridente como sempre, um pouco preocupado com alguma coisa.
– Sanada aconteceu tanta coisa!
– Ai meu deus! Me perdoa, sei que deve ter sido muita adrenalina roubar os frasquinhos né? – ele me zuou.
– Afe... É sério Sanada! Aconteceu muita coisa! – ele percebeu minha seriedade e logo perdeu seu riso, aumentando sua preocupação.
– Calma! Relaxa amor e me conta tudo! O que aconteceu?
– Aconteceu tanta coisa! E depois de tanta coisa, eu entrei no laboratório e quando ia pegar o que precisava, aquele doutor Ujimasa apareceu, e tive que pegar escondido e colocar no meu sutiã!
– Que sexy! – ele riu.
– Para! – me irritei.
– Você não viu aquele doutor loirinho não né? Aquele Viado! Afe, se você conversou com ele...
– Não! E a propósito: eu nem converso com ele! Afe, e a culpa é sua por eu estar lá! Nem estava pra me defender quando o cara ruivo apareceu!
– O QUÊÊ! RUIVO!
– Sim, logo que peguei o frasco, tive que voltar pra sala da Cuddy e vi uma mensagem no Notebook dela! E você não vai acreditar!
– E cadê esse Ruivo na história!
– Ele apareceu logo em seguida quando eu vi a mensagem! E me segurou, me prendeu, fechou o Note e foi embora! Tem algo muito estranho! Eu fiquei apavorada e você fica ai com ciúmes! Poxa!
– Me desculpe! Me conta todos os detalhes que agora eu vou resolver tudo! E MATAR ESSE RUIVO!
Eu não via a hora de contar tudo! Estava tão ansiosa e nervosa, mais quando me apressei em dizer a primeira palavra, uma vadia apareceu...
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Depois que a Kasuga desligou, virei o carro 360 graus, ignorando todos os protestos dos demais motoristas e peguei a faixa contrária, em direção ao bar.
– Pra onde estamos indo? – perguntou Saika, ao meu lado. Ignorei a pergunta e fingi não escutar; estava mais preocupado em imaginar uma maneira de explicar a minha esposa porque eu estava andando com essa mulher pra lá e pra cá.
– Falei com você, Sanada! Pra onde estamos indo?
– Marquei com a Kasuga num bar no Centro. Ela vai nos encontrar lá e entregar o negocinho...
– Que negocinho?
– Você sabe mulhé! O coisinho pra fazer a velha falar.
– A droga da verdade...
– É, isso também.
– Hm, e ela está bem? Quero dizer, ela não teve problemas pra conseguir?
– Puff, nada! Minha mulher é fod...
Esquece o que eu disse, estava mais preocupado era em imaginar uma maneira de tirar essa mulher daqui.
Chegamos no bar, desci do meu Audi e pus a mãos na cintura. Fiz minha melhor pose de "alguém que não está preocupado com nada", naquele blazer, naquela pose, de óculos escuros e olhei pra Saika. Avaliei-a de cima a baixo. Ela me lançou um olhar de "Que merda você tá fazendo" e eu respondi:
– Por que você não vai no banheiro arrumar isso aí? – e fui apontando pro rosto dela.
– Isso o que?
– Essas coisas na sua cara... Tá meio esquisito, mulhé.
– Que coisas? Minha maquiagem?
– É, isso também. Tá esquisito.
– Mas eu retoquei antes de sairmos da empresa.
– Tô dizendo... Tá esquisito... Essas coisas aí...
– Ok. Vou dar uma olhada.
– É, eu espero em uma dessas mesinhas bonitinhas.
Saika saiu e eu continuei com a mão na cintura, olhando para os lados como quem não quer nada. Suspirei pra dar uma de "Sou rico, não tenho nada pra fazer, então vim tomar um café", entrei e sentei em uma das mesas redondas de madeira.
– O que o senhor vai querer? – perguntou um garçom gordo e peludo. Bicho feio.
– Eu? Não vou querer nada não rapaz.
– Desculpe senhor, mas pra sentar nas mesas é preciso consumir algo.
– Consumir é? Eu venho aqui todos os dias e nunca me disseram isso – o homem continuou me encarando com a mesma cara de açougueiro – Tá, ok filhão. Você quer que eu consuma algo? Então vou consumir. Trás um cafezinho, meu chapa.
– Um ca-fé-zi-nho... – ele anotou – Mais alguma coisa?
– Tá anotando isso pra quê? Não consegue decorar meu pedido? É só um café!
– Mais alguma coisa? – ele perguntou irritado.
– Ah...não – e o homem saiu – E vê se não esquece, ouviu? CA-FÉ! Com Z! Não com S! – gritei. Algumas pessoas me olharam meio assustadas – Café com S me causa hipertensão – expliquei pra essas pessoas.
Vários minutos se passaram. Meu café com Z chegou, mas minha esposa com S não. Já estava ficando preocupado quando vi o carro dela parando e ela descendo toda afoita. Os cabelos bagunçados, o rosto vermelho e os olhos arregalados.
– Oi mô!
Ela se atirou na cadeira e desabou:
– Sanada aconteceu tanta coisa!
– Ai meu deus! Me perdoa, sei que deve ter sido muita adrenalina roubar os frasquinhos né? – zuei-a.
– Afe... É sério Sanada! Aconteceu muita coisa! – percebi a seriedade dela e logo apaguei meu riso, ficando mais preocupado.
– Calma! Relaxa amor e me conta tudo! O que aconteceu?
– Aconteceu tanta coisa! E depois de tanta coisa, eu entrei no laboratório e quando ia pegar o que precisava, aquele doutor Ujimasa apareceu, e tive que pegar escondido e colocar no meu sutiã!
– Que sexy! – brinquei com ela.
– Para! – ela se irritou.
– Você não viu aquele doutor loirinho não né? Aquele Viado! Afe, se você conversou com ele...
– Não! E a propósito: eu nem converso com ele! Afe, e a culpa é sua por eu estar lá! Nem estava pra me defender quando o cara ruivo apareceu!
– O QUÊÊ! RUIVO!
– Sim, logo que peguei o frasco, tive que voltar pra sala da Cuddy e vi uma mensagem no Notebook dela! E você não vai acreditar!
– E cadê esse Ruivo na história!
– Ele apareceu logo em seguida quando eu vi a mensagem! E me segurou, me prendeu, fechou o Note e foi embora! Tem algo muito estranho! Eu fiquei apavorada e você fica ai com ciúmes! Poxa!
– Me desculpe! Me conta todos os detalhes que agora eu vou resolver tudo! E MATAR ESSE RUIVO!
Kasuga tinha ficado muda ao olhar para trás de mim. Segui seus olhos e entendi: Saika tinha acabado de sair do banheiro. Ô mulherzinha rim! Tinha inventado a coisa da maquiagem pra ver se ela decidia arrumar mesmo; não sei se a pintura tava bichada, mas quando a gente fala da aparência de uma mulher, mesmo que seja mentira, elas logo encontram todos os defeitos possíveis. A Saika deve ser cega.
– Olá Kasuga – Saika estendeu a mão para cumprimenta-la. Encarei-a para ver sua reação. Por mais assustado que estivesse, ver minha esposa com ciúmes de mim, não tem preço! Mas de todas as reações possíveis, ela escolheu a pior delas: nenhuma.
– Olá Saika. Bom, aqui está o seu pedido. Acho que já terminei por aqui... Agora, se me derem licença, tenho que volta pra casa e aproveitar o resto da minha folga com as minhas amigas! – e ela virou a cara.
– Amigas? Que amigas? Marquestória é essa, mulhé? Como assim vai se divertir com as suas amigas?
– Ah, já que você vai passar o dia inteiro no seu trabalho, pra não ficar sozinha eu achei que poderia chamar as meninas pra, sei lá, esfriar a cabeça por aí.
– Por aí? Por aí onde?
– Por aí, Sanada! – ela levantou e foi saindo. Fui atrás ainda perguntando.
– Volta aqui e explica isso direito! Pra onde vocês vão?
Ela abriu o carro, virou pra mim e com um olhar assassino encerrou o assunto da forma mais Kasuga possível.
– Não te interessa! – e bateu a porta com tudo. Saika se aproximou e eu senti vontade de amassar ela todinha, fazer uma bola e jogá-la na lata de lixo.
– Ela está brava com você? – a vagaba perguntou sonsamente.
– Ela sempre está brava comigo...
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Voltamos para a mansão Hideyoshi. Várias pessoas começaram a nos barrar logo na entrada para perguntar o motivo de nossa ausência. Dispensei a todos prometendo autógrafos mais tarde e chegamos no final do corredor da mansão, onde seria o quarto da velhota.
– Ah... Saika? – me virei pra vadia.
– Que?
– Seria muito pedir que você fique do lado de fora?
– Mas eim? Que bobagem! É claro que vou entrar! Eu ajudei nisso também!
– Deixa de ser mesquinha mulhé! Eu vou entrar sozinho e se tu entrar também eu arranco seus cabelos! Guardas, ouviram o que eu disse! Não quero ninguém lá dentro!
Entrei e deixei a porta aberta, para que todos pudessem ver de longe. Assim, se algo desse errado, a culpa seria menos minha.
– Senhora Hideyoshi... Pediram que a senhora bebesse este chá. Vai ajuda-la a sentir-se melhor.
A velha continuou olhando para o além.
– Olha, você já meu deu nos nervos! Ou bebe agora ou morra de cede! – peguei a xícara e enfiei com tudo na boca da vovó. Ela se engasgou e todos se precipitaram para entrar; mas para minha surpresa, Saika segurou a todos. Endireitei-me e com as mãos na cintura e um rápido suspiro, joguei as cartas na mesa.
– Agora fala vovó! Quem entrou aqui?
– N-n-n... – todos ficaram apreensivos ao ver a titia pronunciar suas primeiras letras – N-n-ninguém é m-m-m-melhor q-q-q-que T-t-t-toyotomi...
– Sim, sim – concordei impaciente – Toyotomi é o melhor! Ele arrasa! Uoh! Agora fala mulhé! Quem matou ele?
E para minha fúria, a única coisa que ela disse foi a primeira coisa que ela disse.
– N-n-ninguém é m-m-m-melhor q-q-q-que T-t-t-toyotomi...
– Isso já sabemos! Queremos saber se a senhora viu alguém entrar aqui e mata-lo! Ou se ouviu algo estranho! Colabora!
– N-n-ninguém é m-m-m-melhor q-q-q-que T-t-t-toyotomi...
– Mas que porr******! – agarrei a velha e comecei a chacoalha-la. Dessa vez, Saika apareceu e me segurou.
– Sanada! Chega! Vai mata-la desse jeito!
Finalmente me acalmei.
– Anda – continuou a vadia – Você precisa ir pra casa...Ver sua mulher... Ela não irá dizer nada além disso... Precisamos esquentar a cabeça e pensar em outra estratégia.
Continuei encarando a velhinha e finalmente concordei com a palavra. Me retirei do quarto, da mansão e corri para o carro, sem me despedir de ninguém. Não tava a fim de ver gente perguntando besteiras.
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– Querida! Cheguei!
Silêncio. A casa estava vazia. Havia um ruído minúsculo vindo de cima e subi as escadas. Aproximei-me do quarto e abri a porta: Kasuga estava deitada na cama assistindo TV. Ela mal levantou o olhar para mim. Percebi que era mais uma das quinquagésimas vezes que eu aprontava e tinha que fazer algo especial pra ela me perdoar, pois como ela sempre diz "Eu só apronto".
– Ah... Eu não sabia se você ia querer que eu lavasse a louça... Então eu não lavei...
Ela se quer piscou. Olhei para os lados, procurando alguma ideia. Soltei minhas chaves e minha carteira em cima da cômoda e elas escorregaram da minha mão. Tentei segurá-las, mas acabei derrubando tudo que estava no móvel. Kasuga torceu a cara. Fiz um montinho com tudo que estava no chão e pus debaixo do tapete.
Dei um sorriso sem graça pra ela que revirou os olhos, irritada. Tirei os sapatos e a camisa, e joguei-a em cima da cama, para seduzi-la. Me espreguicei para mostrar todo aquele físico e olhei pra ela.
– Olha meu novo solo de bateria! – e saí batendo na barriga como se fosse em tambores. Ela soltou um muxoxo de impaciência – É? E já viu a nova coreografia das SpiceGirls? – e comecei a dançar, ridiculamente.
Ela finalmente riu. Me soltei de vez e pulei na cama, me arrastando até ela como um jacaré no cio. Kasuga me deu um beijo no rosto. Mas eu já estava com todo o gás e me levantei pra fazer mais Sanadices pra ela e fazê-la rir mais.
Ela começou a gargalhar e de repente, sua face se contorceu numa estranha careta e a risada se transformou num choro. Um choro triste. Terrível. De dar pena, tadinha...
– Querida... – eu me aproximei – O que houve?
– eufiqueeicomraivaenãoteconteinada... buáááá...
– Espera mô... Repete isso que não entendi...
Ela soluçou e repetiu, cutucando a unha do indicador.
– eufiqueeicomraivaenãoteconteinada ... buáááá...
– Eu chicotava você na feijoada?
– Não! – ela gritou impaciente e então disse tudo com clareza – Eu fiquei com raiva de você e não te contei nada...
– Ah é, mô! Me perdoa! Me conta tudo amiga! Como foi o seu dia?
Ela rugiu de raiva e me olhou faiscando.
– A mensagem, Sanada! A mensagem no computador que o cara estranho interrompeu! A mensagem! Era de Oda Nabunaga!
– O que?
– Oda Nabunaga, Sanada! Oda Nabunaga está solto!
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