Crônicas de Uma Vida Crônica
1 Quem sou eu?
Notas iniciais
Essa pergunta pode ser respondida de inúmeras formas, das mais simples e insignificantes às mais desenvolvidas. Pode parecer algo básico lhe escrever uma definição própria e superficial, porém uma vez consciente de que somos um mistério para nós mesmo, sempre abertos a novas surpresas, temos em mente somente a falta de uma resposta tão concreta como asfalto. Somos uma espécie; somos estranhos de "eu", daquele eu que chamamos toda essa figura ambulante que está mais grudada em nossa vida que chiclete em sola de sapato velho. Nos encontramos em um pico de montanha, vendo o girar dos anos com o passar do Velho Novo, e de igual, para se observar, só temos a mera impressão de autoconhecimento.
Nesse momento, olhando a vida, sou apenas Maria Vitória. Sou apenas Eu. Essa é minha definição complexa de duas letrinhas com significados para um infinito e além dele. A cada tecla pressionada, eu sou a mesma palavra e ainda assim Diferente. Posso gostar de poesia e de ver o Sol se preparando para deitar no horizonte após um dia exaustivo. Posso gostar em instantes, de sonhar com uma viagem sem rumo e viver qualquer coisa que me entregue a qualquer custo como presente uma boa história e o sorriso do ouvinte. Posso gostar de olhar o céu nublado em busca de um sorriso das estrelas que nunca soube o nome. Ou, simplesmente, posso gostar de pensar enquanto minha mente grita "terra à vista!" para uma nova experiência, uma nova tentativa; enquanto vejo o mundo de olhos fechados da janela do ônibus amarelo, às sete horas da manhã. E me perco em mais um dos becos e esquinas retilíneas da rotina, sem saber me definir nessa linguagem, com uma limitação de resposta apenas para ser sentida no coração.
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