Crônicas de Uma Não-vida

3 Capítulo 3 - Manipulação


Crônicas de uma Não-Vida

Capitulo 3 – Manipulação...

Hiray desembainha sua espada rapidamente e se virou, colocando a lamina sob a garganta de alguém.

– Quem é você? – Disse Hiray

O vulto sorri.

– Sou um algoz. O tipo de pessoa que você não quer matar

Hiray aperta mais a espada na garganta do algoz e diz:

– Pense novamente. O que você quer comigo?
– Ora, estava patrulhando a cidade quando percebi que o grande Hiray estava acompanhado de uma garotinha humana. O que era? Jantar? Você tem um gosto bem exótico, não acha?
– Cale a boca. – Disse Hiray apertando ainda mais a espada contra a garganta do algoz. Uma gota de sangue cai pela lamina – Me de um motivo para não matá-lo agora.
– Tenho certeza de que você quer manter esta garotinha em segurança, não quer?
– Por que você acha que eu me importo com uma humana?
– Não acho. Não se importa? Ótimo, precisava mesmo de um jantar.

Hiray aperta mais a espada, um fluxo de sangue era visível escorrendo pela espada.

– Me solte – Disse o algoz sombriamente

Hiray afasta a espada da garganta do algoz e a ferida se fecha imediatamente.

– Então a garota realmente é algo para você?

Hiray nada diz, apenas guarda sua espada na bainha.

– Mas o que nela te atraiu? O mais temido assassino do mundo das trevas?
– Vá direto ao ponto.
– Ponto? Que ponto? Estamos apenas em uma conversa descontraída – O algoz pronuncia o descontraída de modo sarcástico – Mas manterei esta conversa em segredo, enquanto me for possível – O algoz diz esta ultima frase em um tom de gozação – Tenha a certeza de estar disponível, caso eu precise de você.
– .....

O algoz some na escuridão da noite com uma risada sombria.

– Maldito...

……………………………………………………

São duas e meia da madrugada. E o mundo das trevas está agitado hoje. Na semana que se passa vários membros do alto calão vêm sumindo misteriosamente. Muitos desconfiam que o assassino esta indo lentamente até o príncipe da cidade, outros desconfiam de diablerie. Muitos estão com medo de ficar na rua por muito tempo, os membros da mais alta sociedade tem se mantido em suas casas e se alimentado de seus carniçais como o grande ancião Joel. Infelizmente, nem isso será o suficiente para salvá-lo.
A mansão era enorme, extensos jardins que só vemos em filmes, com esculturas em plantas e piscinas. No meio do terreno ficava a mansão, trezentos metros quadrados e três andares. Estava fortemente guardada por vários carniçais armados até os dentes, enquanto Joel cuidava de seus afazeres no seu quarto. Porem no escuro da noite, espreitava alguém.
Um jovem de dezesseis anos, cabelos brancos e bagunçados e um sobretudo preto fechado havia conseguido andar toda a propriedade até a casa sem ser notado. Hiray estava encostado na lateral da mansão, havia decorado toda a rota dos guardas, e visto uma janela aberta alguns metros à frente, embora uma janela aberta em meio de toda essa segurança lhe parecesse muito conveniente. Aproxima-se da janela e tenta ver alguma coisa lá dentro, porem a sala estava completamente escura, com apenas uma mesinha que ficava embaixo da janela sendo visível. Estava fácil de mais... Ele resolve entrar pela janela do lado para ver se havia alguém escondido. Ele vai até a janela e cospe um liquido viscoso e roxo, que derrete parte do vidro, por onde ele passa o braço e abre a janela. Todo o processo foi feito no mais completo silencio, como se o próprio som fugisse dele.
Hiray pula a janela, porem quando pisa no chão, tudo ao seu redor escurece e a própria escuridão parecia estar sufocando-o.

– Entendo... Então até um guardião foi chamado para proteger este membro.
– Sua onda de assassinatos termina aqui. – Disse uma voz invisível
– Muito engenhoso realmente. Você só cometeu um erro – Disse Hiray nada sentindo com as sombras
– O que?
– Aquele não sou eu.

De trás de um homem de uns trinta e cinco anos que era quem controlava as sombras sai o mesmo garoto de dezesseis anos que estava preso momentos atrás. E atravessando a garganta do homem, sua lamina arroxeada. O monte de sombras flutuante se desfaz e dele aparece um homem de meia idade, uns quarenta e seis anos, cabelos castanhos com alguns fios brancos e uma roupa social. Era o algoz.

– Achei que ia me deixar morrer – Disse o algoz
– ....

Os dois avançam pela casa, Hiray sempre na frente para eliminar qualquer um que entre em seu caminho. Em poucos minutos estava na frente do quarto do dono da mansão. A porta se abre e por ela cruza o algoz. Dentro era aconchegante, uma lareira iluminava a sala, havia uma cama de casal em um canto do quarto e uma escrivaninha de frente com a porta, onde estava Joel.

– Diego? O que fazes aqui? – Pergunta Joel se levantando
– O assassino esta aqui. – Responde o algoz
– O que? – Diz Joel – Onde ele esta?
– Neste quarto. – Diz Diego fechando a porta.
– ...! Você? Não acredito! Por que?!
– Poder. A oportunidade se abriu para mim, e agora eu posso chegar ao topo!
– Lamento, mas eu não me tornarei sua refeição.

Tão rápido quanto os olhos podem acompanhar, Joel abriu a gaveta e tirou uma pistola calibre 12 de dentro, porem, mais rápido ainda, Hiray aparece atrás de Joel e corta sua mão fora. A boca de Joel se abre para gritar, porem nem um som sai de lá. Diego caminha calmamente até a escrivaninha.

– O que você estava mesmo dizendo? – Pergunta o algoz.
– Não... Por favor não faça isso – Dizia Joel com um tom de desespero

Por instantes o som de liquido sendo ingerido podia ser ouvido pelos mais atentos, porem em poucos minutos eles já estavam longe dali.

………………………………………

Seis e quarenta da tarde. Na noite passada o grande ancião Joel havia sumido sem deixar pistas. Isso foi um enorme abalo na sociedade das trevas, já que Joel era conhecido por suas grandiosas habilidades com armas de fogo. Mesmo assim nem todos dão muita importância a esse tipo de noticia. Em uma rua do subúrbio, um garoto e uma criança conversavam...

– E hoje – Dizia a menina de cabelos lisos e castanhos – Nos aprendemos a fazer o A maiúsculo de mão
– Mas você não faz todas as letras na mão? – Dizia Hiray
– Nããããããão! A letra de mão é toda juntinha assim ó – A garota começa a gesticular como se escrevesse no ar.
– Ah ta.
– E depois a professora nos mandou fazer um desenho.
– Ah é? Você desenhou o que?

A garota ficou levemente vermelha.

– ... Um desenho seu...

Hiray parou de andar. Nunca em sua vida alguém havia feito nada parecido por ele.

– Posso ver?
– Nãããão. Ficou feio >.<
– Por favor... – Disse Hiray serio
– ... Ok...

A garota tira um pedaço de papel da bolsa e entrega a Hiray. Nele estava desenhado um circulo com uma cara feliz e varias pontas por cima.
A garota fica nas pontas dos pés para poder ver o desenho na mão do Hiray e diz:

– Esse é seu cabelo que você nunca penteia – Disse a garota apontando para as pontas no desenho – Esse é seu sorriso, eu não vejo ele muito, mas ficou bem parecido...

Hiray agacha e abraça a menina

– Obrigado.
– Baka! – Diz a menina ficando de costas para Hiray com o rosto todo vermelho – Vamos logo para casa.

Os dois caminham até a casa da garota, porem ao chegar lá, o algoz esperava por eles. Hiray olha com ódio para o algoz e diz:

– Vá para seu quarto Karin. Acho que não poderei ficar com você hoje, mas ficarei amanha, prometo.
– Mais...
– Por favor... Só desta vez
– Ok... – Disse a garota indo para a casa
– E não espie! – Disse Hiray
– Ta! – Disse a garota entrando em casa

Hiray se vira para o algoz, com uma fúria indescritível nos olhos.

– Eu não disse para NUNCA me esperar aqui?! – Disse Hiray avançando sobre o algoz
– Uoah! Calma – Disse o algoz recuando alguns passos – Eu vim por que temos um problema. Um dos carniçais me viu, embora não se lembre muito bem, quando invadirem as lembranças dele me verão.
– Você acha que eu me importo com isso?
– Deveria, pelo bem da garota.
– Por quanto tempo mais você espera que eu trabalhe para você?
– Você vai trabalhar pra mim enquanto eu quiser, ou eu mato a garota.
– Eu poderia matá-lo agora mesmo. Ai ninguém mais vai ameaçá-la.
– Você acha mesmo? Eu sou o responsável por toda essa região. Se eu morrer, eles terão vigias em todos os lugares e logo saberão da sua relação com a garota. Você acha que sou só eu que gostaria de um modo de controlá-lo?
– Maldito...
– Você pode arriscar. O que acha? Mas obviamente, eu não vou deixar você me matar assim tão fácil. – Disse o algoz desembainhando uma espada curta e puxando uma pistola na outra mão – Eu estou mesmo com vontade de testar este poder que você me...

A frase parou incompleta. Uma lamina branca atravessava o coração do algoz e pelo o olhar, este sentia uma dor incomum e intensa.

– Você?!

Continua...

Legenda:
“Frases entre aspas: Pensamentos”
Frases em Itálico: Flash Backs

Notas finais
Epi 3, comentem plz
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.