Crônicas de Natasha, a herdeira dos Kirke
4 Capítulo 3: A verdade, a decisão e a aceitação
Notas iniciais
Natasha ia crescendo. E a cada dia que se passava ela se sentia diferente dos outros faunos, e percebia que os adultos não gostavam dela. Mas as crianças não se sentiam mal em brincar com ela. Entre tanto quando os pais viam, chamavam as de volta num tom severo. Ela mesma conseguia ver que não se parecia nada com uma fauna. E toda vez que perguntava por que, seus pais nunca respondiam apenas se esquivavam, e mudavam de assunto. Até que numa manhã nublada, em que a chuva implorava para cair, Natasha tomou coragem e foi até a cozinha perguntar a sua mãe que estava ajudando seu pai a se arrumar para a caça.
– Mãe... Por que... Por que eu sou diferente? Não adianta mudarem de assunto, eu quero mesmo saber. Por favor – Implorou com seus olhos, grandes e redondos que se enchiam de lágrimas.
– Bom... – Disse Don olhando serio para a Jasminien- Acho que já esta na hora de te contar a história da sua chegada.
E assim pai, mãe e filha se sentaram à mesa da casa, na frente da lareira ao som da chuva (e como Natasha gosta do som da chuva, ela conseguiu se acalmar um pouco). E passaram-se mais ou menos uma hora, até que toda a história fosse contada a pequena garotinha, que a cada palavra que era falada as sentia caindo no chão era como se causasse um estrondo enorme na cabeça da nossa menina, apesar de seus pais estarem falando num tom amável. E depois de tudo que ouviu Natasha agradeceu:
– Obrigada por me contarem tudo. Acho que vou dar uma passeada no rio. – E saiu de casa um pouco tonta, com tantas ideias novas.
– Mas filha, esta chovendo! – Gritou para sua filha que já estava se molhando no lado de fora, Natasha não escutou.
Ela caminhou vagamente pela floresta até chegar ao rio, um dos seus lugares favoritos. Mesmo estando chovendo, ela não se importava, ela gostava da chuva. Ela se sentia triste por não conhecer seus pais, e mais triste ainda por que eles a tinham abandonado. “Por que eles me abandonaram? Sou uma pessoa ruim?” Ela se perguntava. Mas ficou feliz ao perceber que uma família tão legal como os Tuckson a tivessem adotado como uma filha legítima. E assim, ainda meio confusa sobre quem ela realmente era, mas feliz por ter uma família, ela retorna para sua casa, aonde foi acolhida.
E ao voltar pra casa sua irmã mais velha Karol estava de saída, ela ia treinar arco e flecha. E como já estava molhada, decidiu arriscar uma pergunta:
– Ei, posso ir com você? Por favor, eu já estou toda molhada, não vai fazer diferença. Vaai. – Implorava a criança.
– Huuum, não sei... Desde que não faça muito barulho pode. – Respondeu a irmã.
E durante o dia inteiro elas ficaram treinando, e no final da tarde Karol até deixou Natasha atirar com seu arco, “Até que você leva jeito, sua baixinha, hahahaha” disse a irmã num tom brincalhão. E voltaram para a janta.
Depois da janta, Natsha foi para o galho da árvore, que ficava no quintal da casa, para observar a estrelas, depois de um tempo, viu um pequeno fauno se aproximar, era Mark, seu vizinho e amigo implicante, eles conversaram um pouco até ela finalmente ir dormir. E no dia seguinte, a irmã estava saindo para treinar arco novamente, e a curiosa criança pediu novamente para ir com ela:
– Vaaamos, deixa eu ir, eu não te atrapalhei ontem. – Argumentava ela.
– Ah, tudo bem, vamos logo. – Disse a irmã já cansada com tanta resmungação.
E assim, dia após dia, Natasha foi se apaixonando pela arte do arco e flecha. E ao persistir muito, a irmã cedeu e ensinou ela. Mas durante as aulas seu irmão Peter sempre vinha atormentá-las:
– Ahhhhhhh! Um feiticeiro louco está correndo atrás de mim! – Gritava sua mentira
– Oh meu grande Aslam, o que faremos? – Se preocupava Natasha.
– Nada, é apenas uma grande mentira dele. – Dizia Karol ao revirar os olhos de desaprovação.
E durante a noite Mark sempre vinham ver estrelas com ela, a cada dia uma nova travessura era contada por ele, e uma nova façanha era detalhadamente descrita pela entusiasmada criança.
E lá se foram cinco anos vivendo assim, agora a nossa heroína já tinha 15 anos. E era uma especialista em atirar flechas, graças à paciência da sua professora, que também era sua irmã implicante. Tudo ia bem, Natasha não ligava para a desconfiança dos adultos, e gostava de passar o tempo com seus vizinhos faunos que haviam crescido com ela, principalmente, Mark, seu melhor amigo... Talvez mais que isso às vezes. Mas então aconteceu, o que todos da vila temiam. “A invasão”.
Um enorme estrondo. Árvores caindo, pássaros voando desesperadamente, e faunos vindos do bosque correndo e gritando:
– A Feiticeira conseguiu passar pela fronteira! E está vindo para cá, corram todos!
Todos estava desesperados, Peter corria de uma lado para outro, e ninguém fazia nada. Aquilo estava uma completa bagunça. Até que ouvi-se um grito:
– Acalmem-se!! – E todos se voltaram para a voz que falava — Não adianta ficarmos correndo, nem gritarmos, ela não tem medo disso! Ela tem medo de alguém resistir. Alguns soldados de Cair Paravel estavam falando que o exército dela é pequeno, e que atacaria um lugar com pouca defesa. Ela deve achar que nós somos fracos, que não sabemos nos defender! Vamos mostrar que isso não é verdade! – Admirados com a coragem da pessoa que falava eles ficaram perplexos.Ela mesma se surpreendeu, Natasha agora estava conquistando a confiança.
– Vamos, vocês faunos conseguem tocar músicas encantadas, e a dríades também podem lutar! Vamos nos defender! Por Nárnia e por Aslam!
E ouviu se gritos para apoiá-la. Então todos se preparavam para a batalha. Cada um com a sua arma, uns tinham espadas, outros arcos e a arma mais comum, instrumentos musicais. Os faunos eram pacíficos, mas sabia usar magia musical como ninguém!
Todos estavam de prontidão quando a última árvore que separa a Feiticeira Branca e seu exército dos corajosos e determinados faunos armados. Natasha ia à frente de todos, para que ninguém se machucasse muito. E assim, quando os dois exércitos se olharam, ouviu-se bem baixinho uma oração a Aslam por parte do exército de defesa, uma oração tão silenciosa, que só Aslam percebeu. E assim um grito surge:
– À destruição! – Brandou a Feiticeira.
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