A algumas semanas atrás, antes de Pyter receber sua liberdade, ele já “caminhava” pela cidade durante as madrugadas, chamavam o de velho, pois durante o dia não tinha muita disposição para fazer nada. Sir Braian sempre o ajudava a escapar da fortaleza, pois Pyter tinha muito respeito entre os soldados da fortaleza e da cidade.

Em uma parte da muralha da fortaleza, havia um caminho que dava para cima de uma casa, de cima daquela casa, Pyter tinha acesso ao resto da cidade. Ele caminhava sobre os telhados da cidade com apenas uma espada, um arco e flechas, ele usava uma roupa de couro fino, pois se começasse a pular de casa em casa, começaria a sentir muito calor, a ponto de desmaiar.

Pyter gostava de ficar em um ponto especifico da cidade, caminhava até o telhado de uma casa branca, a casa era grande, de dois andares, Pyter ficava em cima dela, sentado, e observando a vida dos plebeus da casa verde a frente, debaixo dessa casa, haviam várias tabernas e em cima a casa temporária de Lery Leriz, o terceiro comandante da guarda real.

Pyter ficava lá observando ele e sua família, até que um dia, um garoto saiu na varanda da casa, de longe era possível ver seu cabelo ruivo. O garoto olhava para baixo, Pyter, curioso, se aproximou da beirada do telhada da casa de onde estava, e na rua viu três cavaleiros, o garoto voltou para dentro da casa, e na rua, dois dos cavaleiros desceram de seus cavalos, o som do metal se chocando ao tocar no chão ecoava pela rua, fazendo algumas pessoas entrarem depressa nas tabernas. Os cavaleiros entraram na casa verde, fazendo Pyter sussurrar:

-Isso vai ficar interessante.

Os cavaleiros se vestiam muito bem, armaduras que brilhavam a luz da lua, no peito havia algo marcado, um símbolo de uma família ou qualquer outra coisa, mas de cima da casa não era possível ver, Pyter focou na manta do cavaleiro que ficou na rua, era vermelha e felpuda, só famílias ricas a tinham.

Pyter ficou lá, admirando o cavaleiro, mas algo o tirou atenção, ele olhou rápido para trás, começou a ouvir gritos, ele se levantou e correu sobre o telhado até ter a visão de um beco que ficava atrás da casa branca, já com o arco na mão, Pyter não conseguia identificar de onde viam os gritos, eles ecoavam de cima da casa, mas logo se ouviu um cavalgar e logo era possível identificar de onde viam os gritos. Correndo sobre os telhados até chegar em outro beco, Pyter se deparou com vários homens na rua, agarrando uma mulher, eram dez homens, visivelmente embriagados. Um dos homens puxou uma faca, o barulho do aço fez todos ficarem em silêncio, os homens que a cercavam começaram a se afastar, abrindo caminho para o que carregava a faca, quieto e com olhar psicótico, ele foi se aproximando enquanto dois homens a seguravam. Pyter logo soltou para um telhado mais baixo, o homem, ao se aproximar, rasgou o vestido da moça, a deixando desnuda, todos envolta comemoram e gritavam alto. Antes que um deles pudessem encostar na moça, recebeu em suas costas uma das flechas de Pyter. Em seguida o cavaleiro que Pyter havia visto na frente da casa verde de manto vermelho surgiu na entrada do beco, com seu cavalo, e girando sua espada, aproveitou que todos estavam procurando de onde havia vindo a flecha, e os atacou pelas costas.

Fora um conflito demorado, o cavaleiro havia ficado cercado, mas aproveitou que os homens estavam embriagados. Quando os dez homens já estavam no chão, Pyter saltou do telhado e correu para a moça, o cavaleiro, com postura de herói sobre seu cavalo os observava.

-Cuide dela, você parece ser rico, pode a ajudar! – Disse Pyter, se virando e escalando uma das casas.

Pyter não conseguiu identificar o cavaleiro, mas sabia que se um dia o visse novamente, com certeza o reconheceria.