Sozinho.

Ele caminhava sozinho pelo solo enlameado, uma chuva forte havia cessado recentemente. Seu corpo grande, típico de um orc guerreiro, estava rígido, cada um de seus músculos doíam. Estava cansado. A sua capa, uma pele de um enorme urso que um dia já fora totalmente branca, estava encharcada e manchada de lama e sangue. Ao seu redor, cadáveres. Seu nome era Kerb-Uhrus.

Ele tinha sangue nas mãos e estava sozinho.

Humanos e Orcs, seus corpos mutilados estavam espalhados por toda parte. Fruto de uma batalha intensa. Ele não se lembrava totalmente do que teria acontecido ali, apenas flashes. Gritos, o som de metal contra metal, o cheiro da morte.

Ainda caminhava quando sentiu falta de sua arma. Seu machado de guerra, onde estava? Olhou ao redor a sua procura, forçando o olhar através daquele mar de corpos. E lá estava ele, há alguns metros de distância, com sua lâmina dupla totalmente negra, sua maior característica, encravada no chão. Foi em sua direção. Próximo a ele, estava um corpo. Apenas mais um em inúmeros outros que estavam ali, mas aquele corpo em questão lhe chamou a atenção. Era familiar.

Sua esposa.

Se ajoelhou ao seu lado e a ergueu para poder abraçá-la contra seu corpo. O que tinha acontecido? Por mais que tentasse não conseguia se lembrar totalmente. Olhou para o rosto inerte de sua esposa e ela possuía uma expressão de pânico. A colocou novamente no chão, foi quando notou o enorme ferimento em seu corpo. Um corte profundo, que iniciava no ombro esquerdo e descia diagonalmente até sua cintura.

Ele leva as duas mãos a cabeça. Lágrimas começam a descer por seu rosto. A chuva retorna.

E ele se lembra.

—

Sempre esteve sozinho. E naqueles dias não era diferente, enquanto vagava pelas montanhas geladas nos limites do reino de Kylgorag, alguns anos atrás. Seus pés afundavam na neve, sua capa branca enrolada no corpo era a única coisa que o mantinha aquecido, mas não seria suficiente para enfrentar a tempestade que se aproximava. Por sorte, ou talvez por favor dos deuses, encontrou um abrigo. Uma pequena caverna.

Mas ela não estava vazia.

Logo na entrada ele sente cheiro de fumaça e antes que pudesse dar o primeiro passo, uma flecha passa rente ao seu rosto, quase decepando sua orelha esquerda. Apesar de corpulento, ele era ágil e conseguiu desviar a tempo.

— Quem está aí? — perguntou uma voz vinda da escuridão. Uma voz feminina, mas grave.

— Não precisa me atacar. Só estou a procura de um lugar para me proteger da tempestade.

Silêncio.

Após um tempo, Kerb-Uhrus consegue distinguir uma silhueta se aproximando. Ele se mantém imóvel, mas com uma das mãos próxima o suficiente do cabo do machado duplo que descansava em suas costas. Era uma orc, assim como ele, e se aproximava com um arco e flecha nas mãos, pronto para ser disparado.

— Me desculpe — disse ela abaixando a arma — Pensei que fosse um humano.

— Sem problemas. Então, será que eu posso entrar?

— Claro. Venha, tenho fogo.

A caverna não era muito extensa e logo chegaram ao acampamento improvisado da guerreira. Uma pequena fogueira era a única iluminação do local. Ao se acomodar, Kerb-Uhrus pode notar que sua anfitriã tinha um ferimento numa das pernas e estava mancando.

— Desculpe por tê-lo atacado. Fui surpreendida por um grupo de humanos há alguns dias. Consegui dar cabo de quase todos, mas tenho que admitir que aqueles desgraçados lutaram bem. Conseguiram me ferir, mataram minha montaria e um deles conseguiu escapar. O seu nome qual é?

— Kerb-Uhrus.

— Um membro do clã Uhrus? As histórias contam que seu clã foi dizimado há vários invernos atrás.

— Sim. Eu fui o único que sobreviveu.

— Sinto muito por isso. — ela abre uma garrafa e o aroma de uma bebida forte toma conta do local — Tome, beba um pouco. Vai aquecê-lo.

— Obrigado

— Que as almas dos seus ancestrais estejam em paz e que lhe deem força em suas batalhas!

Ele apenas acena com a cabeça e toma um gole.

— E o que faz num lugar como esse, filho dos Uhrus?

— Apenas vagando.

— Sem um objetivo?

— Desde que perdi meu clã não tenho um lar para onde ir ou retornar, então estou sempre vagando pelo mundo.

— Entendo.

— E você? O que faz num local como esse?

— Estou numa missão. Irei até o topo da montanha pegar as escamas de um dragão.

— Sozinha?

— É um dragão jovem. Posso dar conta.

— Mesmo com esse ferimento?

— Apenas um contratempo. Eu mancharia o nome do meu clã se deixasse que um ferimento ridículo como este me impedisse de concluir minha missão.

— Eu não perguntei o seu nome.

— Sak-Uhra.

— Uma guerreira do clã Uhra?

— Sim.

Rapidamente, Kerb-Uhrus se levanta e faz uma saudação para a guerreira, batendo o punho direito no peito esquerdo três vezes e abaixando a cabeça em seguida.

— Me desculpe, senhora. Eu não sabia.

— Não há necessidade disso.

Séculos atrás existia apenas um único clã orc. O senhor soberano teve quatro herdeiros e na sua morte dividiu suas conquistas igualmente entre os filhos. Cada um dos filhos criou o seu próprio clã e assim surgiram os quatro clãs soberanos que existem desde então. O clã Uhra era um deles.

Os clãs tiveram diversas ramificações com o passar dos anos e são totalmente venerados e respeitados por cada uma delas. O clã Uhrus era uma das inúmeras ramificações do clã Uhra. Naquele momento Kerb-Uhrus estava diante de sua superior e deveria mostrar o devido respeito.

— Não há necessidade disso. Não me faça repetir.

— Como quiser, senhora — ele retorna para o seu local e se senta.

— É uma bela arma que tem aí — disse apontando para o machado.

— Era do meu pai. Assim como essa capa.

— Você se lembra?

— Do quê?

— Do massacre do seu clã.

— Não totalmente. Eu era jovem, devia ter dez invernos de idade. Não me lembro de muita coisa, apenas de estar sozinho no meio do mortos.

— Você se lembra de quem fez isso?

— Não.

A tempestade durou um dia inteiro. Os dois guerreiros passaram a maior parte do tempo falando sobre suas batalhas, cada uma de suas cicatrizes contavam uma história. Comeram um pouco de suas provisões, alguns pedaços de carne seca e pão, e dormiram para recuperar as forças. Quando a tempestade passou, Sak-Uhra estava pronta para continuar seu caminho. Kerb-Uhrus se ofereceu para acompanhá-la.

— Seria uma honra para mim ajudá-la nesta batalha, senhora. Meus ancestrais ficarão orgulhosos ao saberem que estive em batalha ao lado de um guerreiro soberano.

— Como queira. Sua ajuda será valiosa, filho dos Uhrus.

Partiram imediatamente. Foram necessários três dias de caminhada pelas trilhas encobertas de neve nas montanhas para enfim chegar ao covil do dragão. Apesar de jovem, a criatura foi um oponente formidável, mas foi subjugado pela dupla de guerreiros.

Agora faziam o percurso de volta. Kerb-Uhrus estava com três cortes profundos em seu peito, provenientes de uma das garras do dragão, mas o sangue na lâmina negra que restava de seu machado e o sorriso estampado no rosto eram os sinais de seu triunfo. Sua capa, que ele sempre retirava antes de um embate, estava incólume. Sak-Uhra estava sem flechas, a corda de seu arco estava partida e um de seus braços, quebrado. Assim como o machado de Kerb-Uhrus, a espada curta que trazia presa à cintura estava manchada de sangue. Preso em suas costas, carregava um saco de couro repleto de escamas azuladas e brancas.

— Seus ancestrais urram de orgulho por sua valentia, filho dos Uhrus — disse a guerreira quando pararam para descansar.

— Obrigado, senhora. Foi uma honra lutar ao seu lado

— Para onde irá agora?

— Não sei. Voltarei a vagar.

— Venha comigo e receba a honraria do clã Uhra. É o mínimo que posso fazer em agradecimento.

— Estou lisonjeado, senhora.

— Pare de me chamar assim.

— Me desculpe, senhora. Mas eu não posso. Eu estaria ferindo gerações de...

— É uma ordem.

— Está bem — respondeu respirando fundo.

Viajaram em direção ao Sul. Após duas semanas de caminhada atravessaram a fronteira que separa Kylgorag de Galantar. Caminharam por mais três dias até chegar em Matalto, a cidade mercantil. Além das escamas, a dupla retirou presas e garras do dragão, que são itens valiosíssimos. Com uma das menores presas eles conseguiram abastecer suas provisões e comprar dois wargs — uma espécie de lobo selvagem — para usarem como montaria até uma das vilas dos Uhra. Partiram no dia seguinte, em direção ao Oeste.

Chegaram sete dias depois. Ao adentrar a vila foram ovacionados por soldados e civis. Kerb-Uhrus, que devia respeito a todos que ali viviam, recebeu um emblema com o símbolo Uhra, em reconhecimento ao seu apoio. Ele estava feliz. Após as comemorações, acompanhou Sak-Uhra até o ferreiro da vila.

— Eu não cheguei a perguntar. Qual a finalidade das escamas?

— Casamento.

Existe uma tradição entre os clãs orcs. Ao se propor um casamento, os noivos devem cada um partir em missão para presentear seu cônjuge com algum item de alto valor. Quanto maior sua posição nas castas, mais desafiante a missão deve ser. Era de se esperar que um membro dos quatro clãs soberanos ousasse algo como matar um dragão.

— Usarei essas escamas para forjar uma armadura para meu prometido.

— Entendo…

Ela olha para Kerb-Uhrus e sorri.

— Tempos difíceis estão chegando. Os humanos estão expandindo seus territórios cada vez mais. As florestas dos elfos, as montanhas dos anões… Eles estão por toda a parte e não se importam com as demais raças. Maldição, nem mesmo as águas dos mares estão livres de suas incursões. A harmonia criada pelos deuses está sendo desfeita pouco a pouco. Nunca se sabe quando uma guerra pode estourar. Precisamos nos fortalecer e um casamento é a forma mais eficaz de se formar uma aliança. E eu, como a guerreira de maior patente neste local me ofereci para tal ato.

— Mas esta guerra pode nunca acontecer.

— Você tem garantias quanto a isso? — ele não respondeu — Pois bem, pedirei para um dos serviçais lhe levar até seus aposentos. Fique o tempo que achar necessário. Mas seria valioso parar de vagar. Aqui você não estará sozinho.

Alguns meses se passaram e chega o dia da cerimônia que selaria uma nova aliança. Os dois prometidos estavam diante de um xamã, que proferia palavras místicas e invocava o nome dos deuses para abençoar aquela união. Guerreiros dos dois clãs exibiam pinturas ritualísticas em seus corpos. Sak-Uhra presenteou seu noivo com a armadura e recebeu em troca uma capa feita da pele de uma serpente marinha encontrada apenas nas ilhas mais distantes do reino. Não era tão valiosa quanto suas escamas, mas ainda assim tinham um alto valor.

— Algum guerreiro presente se propõe a desafiar essa união? — proferiu o xamã.

— Eu! — a multidão ficou perplexa olhando ao redor para descobrir de onde vinha a voz desafiante. — Eu desafio essa união. Eu, Kerb-Uhrus, o último filho do clã Uhrus!

Antes de finalizar um casamento, o xamã deveria dar a opção da união ser desafiada. Caso fosse, o desafiante travaria um combate contra um dos noivos, a fim de tomar o seu o lugar para si.

— Que assim seja! — disse o Xamã.

Os guerreiros se organizaram num enorme círculo, deixando os combatentes em seu centro. Eles não usariam armas, nem armaduras. O vencedor ficaria com a mão de Sak-Uhra.

— Que se inicie o desafio! — disse o xamã entre os dois guerreiros, se afastando em seguida até o seu local no círculo. Sak-Uhra estava ao seu lado.

Os primeiros golpes foram trocados. Socos, chutes, cotoveladas, cabeçadas. As primeiras gotas de sangue começaram a manchar o solo. Kerb-Uhrus estava levando a pior. Após um intenso embate, ele se encontrava caído no chão e seu oponente, apesar de cansado, estava em pé de maneira triunfante.

— Que ridículo. Um guerreiro de casta menor como você ousa desafiar a mim? Um soberano? — disse seu oponente cuspindo um dente — Mas devo admitir que para alguém como você, até que lutou bem. — Kerb-Uhrus tenta se levantar, mas um chute no peito o faz cair novamente — Fique no chão! Fique no chão enquanto seu superior fala com você! Você realmente achou que tinha alguma chance de vitória? Seus ancestrais choram ao ver sua vergonha. Como é mesmo o seu nome? Você é um filho dos Uhrus, não é? Aquela ramificação ridícula que foi dizimada tempos atrás. Sabe, vocês nem sequer fizeram falta para nós… — antes de terminar a frase, um soco no estômago o silenciou. Ele olha perplexo para Kerb-Uhrus.

O guerreiro estava de pé, mas algo estava diferente. Seus olhos estavam totalmente brancos e sua pele tomava um tom avermelhado. Ele solta um urro furioso ensurdecedor e avança contra seu oponente, desferindo mais um soco, dessa vez em seu rosto, que o leva diretamente ao chão. Sak-Uhra sorri.

— O que está acontecendo minha senhora? — pergunta o xamã, perplexo ao ver Kerb-Uhrus desferindo uma sequência de golpes devastadores.

— Não está vendo? A fúria súbita, golpes descoordenados, porém poderosos. Ele é um berserker.

A lenda dos guerreiros berserkers conta como guerreiros entravam num frenesi em batalha, liberando uma fúria devastadora que despertava uma força incontrolável, que era utilizada em todo e qualquer inimigo que surgisse em seu caminho. Algumas lendas diziam que seus corpos seriam capazes até mesmo de repelir armas.

— Eu o vi lutar assim quando enfrentamos o dragão. Ele liberou essa fúria quando a criatura quebrou uma das lâminas do machado que pertenceu ao seu pai. Aparentemente sua família é muito valiosa para ele. Insultar seus ancestrais foi um erro

— Eu diria que a senhora está feliz com a derrota de seu prometido?

— Se ele for incapaz de derrotar um guerreiro de uma ramificação inferior, não serve para ser meu aliado, não é mesmo?

— E como paramos o seu amigo?

— Eu tentei. Sabe, não foi o dragão que quebrou o meu braço.

Kerb-Uhrus estava sobre seu oponente, desferindo golpes sobre golpes. Quando voltou a si, já não existia mais um rosto para golpear. Suas mãos estavam cobertas de vermelho. Ele olha ao redor e todos estavam paralisados. Sak-Uhra se aproxima.

— Você acaba de desfazer a minha aliança.

— Me desculpe…

— Bem, parece que você ganhou uma armadura. — ela olha para o xamã.

— Algum guerreiro presente... se propõe a desafiar essa união?

Ninguém se propôs.

Estavam casados.

—

Anos se passaram. Kerb-Uhrus tinha novamente uma família, um lar. Era pai de uma bela criança, que já apresentava as mesmas aptidões da mãe com arco e flecha. Ele estava feliz. Foi quando o ataque aconteceu.

Repentino. Era uma tarde comum, com nuvens anunciando que logo começaria a chover. Os guerreiros mal avistaram o exército de humanos se aproximando, quando as primeiras flechas choveram sobre a vila. Demoraram a se organizar, Kerb-Uhrus não teve tempo de vestir a armadura ou retirar a capa, como era de costume, mas seu machado estava em punho. Era o suficiente. A vila se transformou num pandemônio, gritos por todos os lados, o som de espadas se chocando contra espadas. Flechas por todos os lados.

Os civis não puderam ser evacuados. Mais e mais soldados chegavam de todos os lados. A vila estava cercada, estavam em menor número. Não tinham chance. A chuva começou a cair e uma trombeta soou no meio da batalha. Os humanos pararam de atacar, mas mantiveram o cerco. Kerb-Uhrus estava exausto, não sabia onde estava Sak-Uhra e sua filha. Já havia vários corpos espalhados pelo chão. Um homem montado a cavalo se aproximou. O líder daquele exército.

— Onde está o líder de vocês? — perguntou

— Estou aqui. — disse um orc armado com um grande martelo de guerra. Seu corpo, tomado por cicatrizes, era imenso.

— Renda-se, criatura. E deixaremos seus civis viverem — disse o homem apontando para uma guarnição que mantinha alguns reféns. Entre eles, a filha de Kerb-Uhrus.

— Nós nunca nos renderemos, humano. Nossos ancestrais estarão nos recebendo felizes no outro mundo. Não existe honra maior do que perecer em batalha.

— Pois bem, que assim seja — ao sinal do cavaleiro, todos os reféns foram mortos.

— NÃO! — esbravejou Kerb-Uhrus ao ver o corpo de sua filha desabar no chão. — AHHHH!!!!

A fúria tomou conta de seu corpo e ele atacou ferozmente todos ao seu redor. Com um único golpe de seu grande machado, desmembrava guerreiros humanos como folhas de papel. Os guerreiros orcs urraram de alegria, o berserker estava em batalha. Mas a alegria durou pouco.

Kerb-Uhrus estava descontrolado. Não distinguia inimigos de aliados e logo orcs pereceram diante dele. O cavaleiro, assustando com o que via, ordenou que seus arqueiros focassem no guerreiro monstruoso. Mas aparentemente as flechas não surtiam efeito. Kerb-Uhrus avançava, deixando um rastro de corpos para trás. Não apenas sua força e resistência, mas sua velocidade também tinham aumentado.

— Recuar! Recuar! — ordenou o cavaleiro ao ver boa parte de seu exército dizimado. — Antes que pudesse partir com seu cavalo, Kerb-Uhrus o alcança num salto impressionante, a capa de pele de lobo esvoaçando atrás de si, dando a aparência de um animal saltando sobre sua presa. E de fato o era. Desferiu um golpe com seu machado que dividiu homem e animal no mesmo instante.

O líder orc avança sobre o guerreiro descontrolado, mas é inútil. Antes que pudesse perceber, sua cabeça jazia no chão. O xamã, último orc em pé no campo, proferia palavras arcanas a fim de parar o avanço do berserker, que ia em sua direção. Fugir seria inútil, então ele apenas aceita o seu destino. Kerb-Uhrus ergue o machado sobre a cabeça, apenas um golpe seria suficiente para dar fim a vida do xamã.

— Pare! — gritou Sak-Uhra que se interpôs entre seu marido e o xamã, que reuniu coragem para fugir. — Controle-se, sei que ainda está aí.

Ele mantinha a respiração forte, o machado ainda erguido. Seus olhos ainda totalmente brancos, mas ele parou de avançar. Sak-Uhra olhava diretamente em seu olhos, e dizia seu nome, na esperança de trazê-lo de volta. Mas de súbito, o machado desceu.

Não houve tempo de reação e o grito de Sak-Uhra preencheu o campo de batalha. O machado foi largado no chão, e ele foi em direção ao xamã.

—

Agora ele estava ali, ajoelhado ao lado de sua esposa. A chuva continua a cair, ele continua a chorar.

Ele tinha sangue nas mãos.

E estava sozinho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.