Todos ficamos atônitos diante do que estava acontecendo. O grito de Bella havia nos congelado, os dois lados. Cada um dos dois lados. O silêncio que se seguiu pareceu durar vários minutos. E então, um movimento fez todos do nosso lado se preparar para atacar, até mesmo eu e Miss Poppins. E um velho (eu digo realmente um velhote) se juntou ao outro grupo.

Era um velhinho encurvado, usava uma bengala, mas estava muito bem vestido. Mesmo encurvado era bastante alto, e tinha um olhar perspicaz. Quando Renesmee o viu, o pavor dela aumentou. Olhei para meus amigos. Eles também haviam percebido.

"Então, esta é sua família?" Falou o velho em alto e bom som, apesar de sua aparente velhice carcomida. E a voz dele tinha um tom malicioso, quase um sorriso por trás daquelas palavras.

"Quem é você?" perguntou Carlisle.

"Hum... então você é o super médico da família?" ele sorriu. "Bem, nem tudo você pode curar." E seu sorriso era amargo. "Mas existe uma pessoa que pode."

"Nem pense nisso!" Edward estava furioso como jamais vi, então, presumi que ele havia lido algo na mente do velhote.

"Você deve ser o leitor de mentes, não é?" Continuou o velho. "Uma família talentosa. Sabem... isso não existe no meu mundo..."

Uma ficha caiu. É claro, nenhum deles pertencia aqui. Obviamente eles vieram de algum livro, pois no mundo fora dos livros não existem criaturas míticas. E aqueles lobos azuis, diferentes de tudo o que eu vi antes, não poderiam ter saído de outro lugar, senão outro livro. Edward estava acompanhando meus pensamentos.

"O interessante é que já fui curado uma vez. Fiquei novo em folha... em minha plena forma aos quarenta e cinco anos de idade."

Meu queixo caiu. Aquele velhote parecia ter noventa anos. Ele tinha quarenta e cinco? Tá maluco! Então, ele era doente. E queria ser curado. E acha que a cura está com um ou com todos os Cullen.

"Bem, eu não me apresentei." disse o velho. Ele fez uma mesura, que parecia de uma família real, e falou com orgulho. "Meu nome é Victor Dashkov."

Victor Dashkov. Victor Dashkov. Aquilo deveria significar alguma coisa? Bem, não para mim, pois há tanto tempo estava vivendo minha vida na reserva com meu marido, Seth. Mas, para Mary Poppins, a dona da livraria, significava muita coisa.

E foi a voz dela que ouvimos a seguir.

"Como você conseguiu sair?"

"Oh, Mary Poppins. A mulher que pode entrar e sair de qualquer obra de arte. Há muita mágica em você, adorável mulher." Victor sorriu. "Como você acha que saí?"

Era a pergunta do dia. E quem eram aquelas crianças da lua azuis por ali, obedecendo-o? Eles estavam inflamando os ânimos de Jake e Seth. Mas estavam em maior número.

"Bem, vocês hão de convir que, para um homem como eu, rico e abastado, fugitivo do mundo dos vampiros de onde eu vim, vivendo num lugar remoto, ler era o melhor que eu podia fazer, não é? E... bem, Mary Poppins era um clássico. Eu sempre adorei esse livro. Então..."

"Então?" Eu disse, não conseguindo me segurar. Ele olhou para mim. Havia bondade em sua expressão, mas não me deixei enganar por ela. Seus olhos diziam outra coisa. Havia maldade neles. Perigo.

"Então li outros livros e encontrei o que procurava. Minhas idéias estavam certas. A princípio, eu não tinha idéia se encontraria o que estava procurando. Era uma idéia absurda, sair de um livro, eu nem sequer sabia que era um personagem dele. Mas eu tive que arriscar. Eu tenho um censo de perseverança muito forte. Isso acontece com pessoas doentes terminais."

Ele falara muito agora, e estava claro que estava cansado. Victor Dashkov. Um nome que parecia importante, mas eu não fazia idéia de onde era.

"Você acha que ela poderá te curar?" Perguntou Miss Poppins, referindo-se a Renesmee.

"Eu preciso dela. Matar uma criatura mágica que não deveria existir é a chave para me libertar dessa doença e viver como um Moroi normal. Então, poderei assumir a coroa dos vampiros no meu mundo."

Aquilo tudo era surreal para mim. Um mundo onde havia reinado de vampiros? E como aquele velhote mataria Renesmee? Ela podia ser uma mistura de humano e vampiro, mas sua pele era tão dura quanto a de um vampiro. Era dificílimo. Então, o velhote sorriu.

E eu vi presas.

PRESAS!

Ele era um vampiro e tinha presas!!!

Ok, ok, isso não era um pensamento muito terrível. Os vampiros comuns dos livros tinham presas, certo? Eu estava apenas num universo onde os vampiros não tinham presas, não precisavam delas a princípio.

Isso não pareceu surpreender Mary Poppins. Ela com certeza já conhecia a história que incluía Victor Dashkov. E Edward também, já que ele já havia lido a história toda na mente dela e na mente de Victor.

"Como você saiu?" A pergunta foi repetida por Edward.

"Foi um golpe de sorte" Victor deu de ombros. "Aparentemente, sua pequena resolveu fazer uma aventura. Saiu de seu próprio livro, pensando em voltar e não ser percebida, e foi visitar um livro novo, por curiosidade sobre vampiros. Quando eu soube que uma criatura como ela, de um livro que eu tinha lido no meu exílio, estava ali, eu não pude perder a oportunidade."

"Mas, se seu interesse era matá-la para se curar, por que não o fez logo? Por que nos atrair para cá?" A pergunta era de Mary Poppins, e ao mencionar "Matar", fez todos estremecerem.

"Por razões óbvias. Eu sou muito fraco para fazê-lo. Eu precisava da ajuda dos psi-hounds" ele apontou para os lobos "além de fazer um pequeno show particular. Gosto de uma platéia."

"Isso não parece ser o seu jeito de agir." disse Mary Poppins.

Victor sorriu. "Você parece ter lido bastante sobre mim, não é?"

Aquilo tudo estava me dando nos nervos. Será que ninguém ia fazer nada? Ia ficar só naquele blá blá blá?

"Desde que Renesmee foi sequestrada, ela esta sem obter nenhum tipo de alimento. Nem comida humana, nem sangue. Isso a enfraqueceu um pouco, já que seu coração bate."

A declaração de Victor Dashkov deixou a todos quietos. E então, ele retirou do bolso o que parecia ser um isqueiro de prata. E começou a... encantá-lo.

Ele estava usando mágica no isqueiro. Mágica elemental.

Ele não estava blefando sobre matar Renesmee. Precisávamos agir, e rápido.