Notas iniciais
O tempo que se passa na história vai começar a aumentar entre um capitulo e outro até chegar na segunda fase...

Já haviam voltado de Porto Real há quase quatro meses, e até que já estava gostando daquela nova rotina como senhora. A cunhada era uma companhia… Espirituosa, por assim dizer, mas que Catelyn descobrira que poderia se tornar alguém muito útil para se ter por perto… Tudo acontecera rápido demais. Em um momento estava tomando chá com Lady Genna, sua cunhada, e no momento seguinte os servos corriam alarmados com as primeiras dores do parto que ela estava sentindo. Trazer uma criança ao mundo era difícil, já haviam lhe alertado, e claro que a teoria não era tão clara quanto a prática. Mas assim como a sua noite de núpcias, à qual sempre lhe alertaram da dor, mas não da intensidade do que viria depois, Catelyn também perdeu qualquer lembrança de dor quando segurou seu bebê nos braços pela primeira vez. Mais tarde, quando avaliasse bem a situação, perceberia que os criados, a cunhada, o meistre e as parteiras estavam muito mais nervosos, ansiosos e amedrontados do que ela, e aquilo nada tinha a ver com sua pouca idade, ou por acharem seu corpo frágil. Não conseguia imaginar o quão intimidadora poderia ser a ideia de deixar a senhora daquele especifico lorde morrer, mas o que quer que o homem tenha dito, feito ou passado, deixara a todos receosos de ver se repetir. Naquele ponto, o novo herdeiro de Casterly Rock havia pregado uma peça no pai. Não se esperava que a criança chegasse ainda, ou talvez o meistre tivesse feito as contas erradas quanto ao tempo em que a jovem senhora estava grávida. Lorde Tywin havia partido em uma viagem até o abismo de Nunn para verificar a abertura de novas minas, e mudanças em algumas casas senhoriais daquela região, não esperava que seu filho chegasse quase um mês antes do esperado…

Lady Catelyn havia dado a luz a um menino forte e saudável, e se isso viera para trazer grande alegria para muitos, a saúde da jovem senhora que continuava tão forte quanto antes, salvo o cansaço pelo parto, trouxe alívio para todos. Catelyn fizera questão de alimentar o bebê de seu próprio seio, completamente encantada pela criatura recém existente que tinha em seus braços. A ideia de um filho em seu ventre era completamente diferente da noção de um filho em seus braços. Ela descansou quando o filho adormeceu, um sono leve que foi interrompido quando o bebê despertou. A mando de Genna, uma ama fora chamada para cuidar do pequeno e deixar Catelyn descansar após a primeira noite com o bebê, mas como uma leoa com uma cria nova, a jovem recusou, aceitando, após muita insistência, que a ama cuidasse do bebê ali mesmo, próximo ao seu repouso.

A tempo de receber a notícia e correr de volta para Casterly Rock, Lorde Tywin conseguiu chegar em casa na tarde do segundo dia após o parto. Lady Lannister já começava a querer retomar suas obrigações diárias, embora todos sugerissem que ela deveria descansar mais. Catelyn cedia na maioria das vezes, sendo seu “descanso” deixar a ama sem nada a fazer, ela mesma cuidando do bebê. Assim, quando Lorde Tywin chegou em sua fortaleza, perdendo tempo apenas em jogar um pouco de água no rosto a caminho do corredor dos aposentos do filho e da esposa, ficando o mais apresentável possível, Catelyn o recebeu com um sorriso e o bebê nos braços tão logo a porta se abriu e ele entrou. Não soube dizer exatamente o que o marido poderia ter sentido, sua expressão ficou quase igual à mesma que carregava o tempo inteiro… Quase. Ele pareceu hesitar a princípio, como se, apesar de terem lhe dito que o bebê nascera, ele precisasse ver com os próprios olhos para crer, talvez para crer em mais do que isso… Quando Tywin pareceu hesitar em se aproximar, Catelyn o fez, vencendo os passos que os separavam, e então estendendo o pacotinho que ela acabara de amamentar e agora encontrava-se perfeitamente calmo, para que conhecesse o pai.

—Não gostaria de segurar seu filho, meu senhor? — Perguntou com um sorriso quase orgulhoso ao apresentar o menino para ele.

O bebê era perfeito. Nascera grande e saudável, com macios fios de um loiro forte, e como puderam constatar, penetrantes olhos verdes. A criança havia enfeitiçado a mãe desde o primeiro segundo de vida, e quando observou a expressão que foi se moldando sutilmente no rosto de Tywin, Catelyn teve certeza de que o encantara também. O temido senhor do Oeste pegou o filho no colo com bastante segurança, parecendo completamente familiar com bebês, mesmo que fizesse quase duas décadas que não tinha um. O garotinho chegou a ensaiar um choro, mas tão logo o homem o acomodou cuidadoso junto ao próprio peito, ele parou, e se moveu confortável nos braços do pai. Catelyn pode ver o sorriso que quase se desenhou no rosto do marido, e por um momento chegou a prender a respiração esperando por aquele acontecimento… O sorriso não veio, não com os lábios pelo menos. Enquanto Lorde Tywin admirava o garoto que resolvera também focar sua atenção no pai, Catelyn deu a volta no marido, colocando-se também no campo de visão do filho.

—Daemon… — Foi a primeira coisa que o homem falou. — Vamos chamá-lo de Daemon.

—Daemon? Não gostaria de por o nome de vosso pai ou avô? Uma bela lembrança… Herança. — Ela opinou em um tom carinhoso, olhando do homem para o filho e se demorando mais no segundo.

—Melhor não. — A resposta de Tywin veio rápida, mas não em um tom rude. — Nesta família, é preciso fazer o próprio nome. Daemon lhe servirá bem, o resto ele precisará se encarregar. — Concluiu com um ar tranquilo, já passando o filho de volta para a esposa.

—Como desejar, meu senhor. — Ela respondeu simplesmente, feliz demais em receber o filho de volta em seus braços para se importar com as expectativas que ele já parecia querer ter em relação ao bebê.

—Planejava fazer um grande torneio para comemorar. — Tywin falou fazendo a atenção da esposa se erguer para ele por alguns segundos. — Mas infelizmente teremos de nos contentar com algo mais simples. Creio que podemos fazer um banquete para apresentá-lo aos vassalos em meia volta de lua, se minha senhora se sentir disposta.

—Claro, meu senhor. Mas… Aconteceu alguma coisa? A viagem às minas não foi satisfatória? — Ela perguntou ainda dividindo a atenção entre ele e o filho, que já dava sinais de sono, mais ainda à medida que ela o embalava em seus braços.

—As minas estão produzindo muito bem. Não há com o que se preocupar. — Ele falou com um suspiro quase frustrado, mas olhando-a de uma maneira que lhe deu certeza de que não eram as minas que o preocupavam. — A rainha passou mal há algumas semanas e acabou perdendo o herdeiro do trono. O intendente me trouxe a notícia antes de desmontar. — Explicou com a expressão ainda séria, que fez Catelyn se perguntar o que poderia fazer para consolá-lo. Devia estar sofrendo com a perda do neto, mas com certeza não demonstraria, muito menos dividiria aquela dor.

—Eu sinto muito, meu querido… Você deve estar devastado. Pobre Cersei... — Comentou com certo pesar, segurando o bebê com apenas um braço (instintivamente mais junto ao próprio corpo) e erguendo o outro para tocar o rosto de Tywin. — Eu entendo. Uma comemoração grande traria muitos enxeridos. Não se preocupe, o banquete estará impecável.

Tywin a encarou com uma leve ruga na testa que ela julgou sendo de surpresa, ao receber o carinho de seus dedos, mas não se afastou. O homem acabou envolvendo a esposa com um dos braços, a mão livre tocando carinhosamente a cabecinha do filho, e então se inclinando na direção de Catelyn, lhe dando um beijo na testa, e depois no garoto, sempre com cuidado para não amassa-lo entre os pais.

—Obrigado, senhora. — O homem tinha um olhar mais ameno, o que fez a jovem senhora ficar satisfeita, e lhe responder com um aceno breve da cabeça. — Agora, acho que devo me lavar para tirar a poeira da viagem. Gostaria que me acompanhasse em um lanche nos jardins, se já se sentir disposta para tal.

—É claro. Será um prazer acompanhá-lo… — Apressou-se em responder ao “convite” com um certo entusiasmo que parecia menos evidente em cada ocasião que ele falava com todas as letras que queria a companhia dela. -...com nosso filho. — Completou quando o homem começou a se retirar, internamente satisfeita ao ver aquele sorriso nos olhos dele mais uma vez. Se não podia ler as expressões dele pela ausência delas, teria de buscar outras maneiras de “conhecer” Lorde Tywin, e por que não pela janela da alma?

Notas finais
Eaê? Próximo cap pode vir do Norte ou de Porto Real x) de onde cês querem?