Crônicas de Estrada

4 Capítulo IV - Prisma


Prisma

A manhã surge de uma luz em prisma,

E eu mal consigo sentir:

O calor através da janela,

A umidade do ar,

Ou o sabor da tua boca.

Será que eu deveria me vestir?

Eu não me importo de ficar assim,

Com você parcialmente nua,

Deitada em cima de mim.

Os bancos do seu carro são confortáveis...

Não tanto quanto seus abraços,

E menos afáveis que seus beijos.

Desejos: por calor e velocidade.

A paixão percorre com o sol,

Parte da lataria grafite desse Prisma.

Você poderia acordar agora,

E me fazer novamente perder as horas,

Perder o controle.

Perder a direção...

Há uma fumaça que indica onde eu deveria estar.

Mas não acenda seus cigarros agora;

É cedo, por isso vou me levantar,

E pegar um café naquele posto.

Você acorda com o cheiro dos grãos...

E com um rosto pouco disposto,

Simula com as mãos algo como um cafuné.

Só que, em instantes,

Estás frígida novamente.

E em segundos,

O prisma colorido dessa manhã,

se torna tão melancólico e monocromático.

Estou estático,

Sentado no banco do passageiro.

O eflúvio do teu cheiro é certeiro,

Para aflorar parcialmente os meus desejos.

Não é mais hora para carícias...

Por isso, o risco sério em tua boca gostosa

A torna propícia a respostas grossas.

E você dirige... com suas pernas gros-,

Na manhã que nasce através de um prisma.

Ainda há uma longa trajetória,

Mas estamos mais próximos a cada dia.

O que fará quando estacionarmos,

Esse Prisma grafite no destino marcado?

~Gabriel.