Crônicas de Cada Fim de Semana
2 Sábado é dia de descanso
Notas iniciais
“Shopping, é?”
“Ah, vocês sabem como é! Da última vez, cada um foi pro seu canto. Estávamos muito preocupados em nos preparar para o campo de treinamento… acabamos não nos divertindo nada, e aí o shopping foi… evacuado.” Aquela última parte foi dita em tom muito mais baixo do que o resto da frase, e uma Mina chateada abaixou a cabeça. Parado atrás do grupo, Izuku foi tomado de surpresa pela conversa, e demorou algum tempo para se recompor. É verdade… aquela ida ao shopping no verão deveria ter sido divertida.
Se ele não estivesse lá, se não chamasse tanto a atenção dos vilões… as garotas teriam se divertido muito mais. Ele sabia que não deveria se sentir responsável, uma vez que nenhum dos envolvidos o considerava culpado pela aparição de Tomura Shigaraki naquele dia, mas o sentimento foi empurrado para dentro de seu peito. Uma tarde divertida destruída tão rapidamente; ele se lembrou do filme que assistira na noite anterior. Será que pessoas como ele e seus colegas de classe poderiam realmente levar vidas normais aos quinze anos de idade?
“Ah, Midoriya!” O sorriso de Kyoka tirou o menino de seus pensamentos. “Ouvindo conversa de mulher, hein?” Ela caçoou, mesmo sabendo, após uma única olhada, que o colega estava muito mais interessado em seus próprios dilemas internos. Izuku, na verdade, tinha cara de quem tinha muitos dilemas.
“Bom dia, Jirou-san!” Ele sorriu, como se não estivesse tomado de pessimismo naquele exato momento. Terminou de cumprimentar o grupo de garotas á sua frente. Lá estavam reunidas, animadas como sempre, Ochaco, Kyoka, Momo, Tsuyu e Toru (cuja presença teria passado despercebida, não fosse seu grande entusiasmo). “Planejando alguma coisa?”
“Sim, sim!” Exclamou a mesma Toru, com um ânimo impossível para aquela hora da manhã. “Uma ida ao shopping! Hein, Midoriya-kun, quem sabe você não convence os garotos a irem com a gente?”
Izuku sorriu leve e gentilmente. Quase recusou por puro hábito, mas, num impulso, fez questão de lembrar a si mesmo: sábado era dia de folga, para ele e para todo mundo.
“Ah, eu vou conversar com eles.” Ele garantiu. Não era nem um sim, nem um não, pois ele não pretendia mesmo ser o único menino do grupo caso os colegas tivessem outros planos para o dia. Enquanto as garotas retornavam ao seu burburinho, ele se dirigiu até a cozinha, preparando café (e graças ao cansaço, acabou fazendo em quantidade enorme para uma única pessoa).
Não era de seu costume acordar tão tarde; já eram nove horas, e os outros amigos estavam todos de pé e dando inicio ás suas atividades, mas, em sua defesa, Izuku nunca ficara acordado até as duas-quase-três da manhã assistindo comédias dos anos 2000. Ele pensou que seria divertido convocar a turma inteira para uma tarde de filme; mesmo sozinho, havia realmente se divertido e descontraído naquele momento tão raro de puro, inocente lazer. Imerso em seus pensamentos, ele quase derramou o conteúdo da caneca fervente na pia quando sentiu uma mão leve, porém segura lhe tocar o ombro.
“Bom dia.”
Izuku exclamou, seus reflexos se mostrando ágeis e inúteis ao mesmo tempo; mas ao se virar, não foi nenhum monstro que viu, nem Tomura Shigaraki, nem um Nomu, nem nenhum horror provindo de seus constantes pesadelos; e sim o rosto inexpressivo de Shouto. Ele sorriu, mas, como de costume, não foi retribuído. Izuku gostava de imaginar que, quando via o sorriso alheio, Shouto também sorria por dentro, e apenas se esquecia de deixar o sentimento vazar pelo rosto.
“Bom dia, Todoroki-kun!” Ele apoiou o peso de seu corpo contra o balcão. “Acordou mais tarde hoje?”
“Não. Só não tive vontade de me levantar até agora.” Shouto lavava as mãos na pia enquanto conversava, antes de agarrar uma caneca do gabinete e se servir do café que Izuku sequer percebeu ter feito em excesso. Levando a porcelana até a boca, ele sentiu o líquido quente tomar conta de seu corpo, acordando-o de vez. “Você?”
“Dormi tarde.” Izuku deu de ombros, ainda com seu sorriso no rosto, enquanto esvaziava a caneca branca em suas mãos.
“Ei! Ainda tem café sobrando?” Mina gritou do sofá onde ainda estava sentada junto ás garotas. Izuku respondeu com um “sim” igualmente animado, só então percebendo todos os olhares voltados para si e se dando conta de que o grupo deveria estar atento á sua pequena interação com Shouto. Ele sorriu, lembrando-se de que o amigo era particularmente popular entre as meninas. Mina, que avançou na direção da copa, tinha os olhos brilhantes como sempre. “Ei, Todoroki, a gente tava planejando uma tarde no shopping hoje. Você vem?”
“Ah, eu…” Ele começou, tentando pensar na desculpa que usaria, e só então se lembrando de que não precisava de uma desculpa. “Eu não tenho tanto interesse nessas coisas.” Ele observou os ágeis movimentos de Izuku, já coordenados pela cafeína, que preparava uma última xícara para Mina.
“Vem com a gente, Todoroki-kun! Se vier, vou ficar feliz.” O menino sorriu novamente antes de entregar a bebida quente cuidadosamente para a amiga. “Não quero ser o único menino.”
Shouto o encarou por um tempo. Izuku não se desfez do sorriso, mas ele soube, naquele momento, que o convite fora inesperado. Logo ele, que nunca descansava, que sempre treinava aos sábados…
“Que horas?”
Nenhuma das meninas foi capaz de esconder a alegria e surpresa. O garoto mais bonito da sala…!
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Quatro horas da tarde fora o horário combinado. Enfim, compareceram ao ponto de partida Kyoko, Momo, Toru, Mina, Ochaco e Tsuyu, animadíssimas com a presença de Shouto, Izuku e Tenya, que precisava comprar alguns livros. As meninas riram da seriedade do representante de classe, tentaram engajar em conversas quaisquer com Shouto e bombardearam Izuku com piadas quando descobriram a sensibilidade de seu senso de humor. Se só o caminho para o centro de compras já fora suficiente para divertí-lo, Izuku mal podia esperar para a verdadeira aventura uma vez que chegassem ao seu destino.
Sob a sombra conjunta das árvores, debaixo das quais feixes de luz pareciam pingar como água com o arrastar das folhas, o grupo tirou uma selfie no celular de Mina, contando com a ajuda de Tenya, que era o mais alto e podia esticar mais o braço para que coubessem todos. Era uma foto atrapalhada e com nove (oito) expressões completamente divergentes umas das outras, mas que Izuku soube de vez que se tornaria um tesouro.
Seu celular vibrou quando recebeu a foto no LINE, a qual ele prontamente encaminhou para Inko. Sabia bem que seria uma surpresa um tanto quanto desejada. Antes de qualquer outra coisa, o garoto pensava no bem estar da mãe.
“É aqui, hein! Que gigante! Eu nunca tinha vindo!” Ochaco exclamou.
“Pessoal, todos em fila! Não se separem uns dos outros, mantenham-se em grupo! Temos a tarde inteira e podemos ir a todos…”
“Qual é, Iida!” Mina se apressou, ultrapassando o seríssimo representante de classe que ainda tentava organizar os colegas e recebendo um grito reprovador do mesmo. Apesar disso, ela foi rapidamente seguida pelas amigas, deixando os três meninos para trás; as seis jovens pareciam ter se esquecido da emoção de ter o menino mais bonito da 1-A entre elas, ainda que por um breve momento.
Numa tarde de lazer, eles não tinham tanta intenção de visitar as lojas; os motivos da vinda eram realmente o bate-papo, a companhia e a interação. Uma vez assegurado disso, Tenya, ao lado de Shouto e Izuku, apertou o passo, passando a andar diretamente atrás das meninas e sem querer perdê-las de vista. Izuku assegurou o amigo de que elas seriam perfeitamente capazes de se cuidarem, e foi surpreendido quando Shouto murmurou que não haveria ameaça alguma que pudesse machucar a turma naquele dia.
Izuku sentiu suas palavras no fundo de seu coração. Eles estavam todos seguros; nada que ele fizesse atrairia a atenção dos vilões. Seus sorrisos não estavam contados; seus passos não alterariam o rumo dos eventos.
Papeando descontraídos a pelo menos alguns metros de distância do grupo de garotas, os três amigos perceberam quando apenas uma de suas colegas foi deixada para trás pelas outras cinco. Com os olhos grudados numa vitrine, atenta demais para se dar conta da distância criada entre seu grupo e ela mesma, Tsuyu admirava alguma coisa atrás do vidro.
“Asui-kun! Não vá se perder!”
“Kero.” Ela se virou para trás, finalmente percebendo a presença dos três.
Izuku olhou curioso para a vitrine, percebendo rapidamente o que prendera sua atenção. No que parecia ser uma loja de materiais escolares, um conjunto combinando caderno, estojo, lápis e borracha com estampas de personagens da Sanrio se destacava.
“Keroppi! É seu preferido?” Ele exclamou, só então percebendo que a pergunta era um pouco tola.
“Ora, é uma livraria! Eu precisava mesmo entrar em uma, procurar meus livros. Mas, ah, as meninas já estão longe…”
“Não esquenta, Iida-kun! Elas não vão se perder! Vamos entrar, então?” Izuku sugeriu.
Tsuyu retribuiu com um sorriso.
“Eu não preciso de mais materiais, kero. Mas são realmente fofos. Se quiserem entrar, eu vou com vocês.”
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“Ai, aqui é muito fofo!” Hagakure comemorou assim que a garçonete convidou o grupo de garotas para uma mesinha redonda e com apenas três cardápios á disposição.
O café era aberto, cercado apenas por flores crescendo em pequenos canteiros que eram mantidos vivos por fregueses que podiam regá-los o quanto desejassem durante sua estadia no aconchego do lugar; era perfumado com o cheiro dos bolos cobertos de chantilly e frutas doces e decorado com luzinhas que ficariam lindas á noite. Apesar de ocupar um espaço humilde no centro do segundo andar do shopping, o lugar chamava muito a atenção dos clientes, e as meninas se maravilhavam com as muitas olhadas que recebiam, assim como os outros fregueses, de passageiros sorridentes e intrigados.
“É tão feminino…” Kyoka comentou, corando um pouco. A feminilidade nunca foi parte de sua vida, mas ela era certamente capaz de admirar a beleza que havia em um pouco de frufru. “Você deve estar adorando, hein, Yaomomo!” Sorriu, cotovelando a menina ao seu lado como se tirasse sarro (porque Kyoka, é claro, nunca perderia a oportunidade de tirar sarro da outra). Foi só então que percebeu o olhar perdido da colega.
“A propósito…” Momo começou. “Onde está a Asui-san?”
As cinco – sim, cinco – garotas de repente se deram conta da falta da última integrante do grupo.
“Será que se perdeu?”
“Ficou pra trás?”
“Eu vi ela olhando alguma coisa numa vitrine, mas não me lembro qual, nem se ela voltou a seguir a gente…”
“Ei, ei, não se preocupem!” Mina tentou melhorar o clima preocupado. “Uma garota no shopping nunca está perdida, nem se estiver sozinha. Além disso, os meninos estavam logo atrás da gente. Tenho certeza que ela ficou pra trás pra puxar papo.”
“É mesmo! Se Asui-san não tem um celular, talvez devamos ligar para o Todoroki-kun!”
“Ah?! Você só quer uma desculpa pra ligar pra ele, hein, Yaomomo!”
“N-Não é isso!”
“Iida-kun vai entrar em desespero se descobrir que perdemos a Tsuyu-chan…”
“Ei, Ochaco, diz a elas pra manterem a calma!”
“A Mina-chan tem razão!” Ochaco se pronunciou, suas bochechas redondas ganhando uma coloração ainda mais avermelhada. Qualquer um que passasse perceberia o quão adorável ela era quando se envergonhava ou não sabia o que fazer. “Tsuyu-chan sempre sabe o que está fazendo, não se perderia assim, á toa, e…” Olhou para baixo, seu tom de voz ficando gradativamente mais quieto. Esse tempo todo, sua mente estivera tão distante do café, que era como se tivesse ativado sua Individualidade sobre os próprios pensamentos. Sem nem haver percebido o sumiço da amiga, ela enfim avaliou a situação sobre seus próprios termos. “Acho que é verdade, talvez o Iida-kun fique chateado. Eu vou atrás dela!”
Ochaco, que não estava nem prestando atenção á conversa, se levantou prontamente e apressou-se de volta aos corredores, andando contra a corrente de pessoas que se direcionavam até o café e o cinema mais ao fundo, não dando chance ás garotas de contrariarem-na.
Ochaco adorava ficar entre as amigas, mas se esqueceu do desconforto e vergonha que passava todas as vezes em que o grupo saía junto. Ela estava se esforçando, sim, e muito! Seria uma heroína digna do nome Uravity, que escolhera, e conseguiria muito dinheiro para sustentar seus pais e levá-los numa viagem para o Havaí. Mas, por enquanto, ela não tinha o suficiente para se deliciar com os mesmos bolos que as meninas se davam ao luxo de experimentar de vez em quando. Da última vez, Momo se oferecera para pagar, mas Ochaco jamais seria capaz de aceitar; não importa se Momo comia aquelas coisas no café da manhã.
Ela não se deixava recusar nenhum convite quando as meninas decidiam sair, porque socializar era com ela, mesmo!, e, sabendo que estaria na companhia de Izuku, se esqueceu ainda mais das eventuais vergonhas que passava e das tolas desculpinhas que dava para não comprar nas lojas ás quais era apresentada pelas amigas. Ah, mas que tolice, ela não conseguia tirar Izuku da cabeça! Pensando com seus botões, quase murmurando sozinha, tentando afastar os pensamentos e dizer a si mesma o quão tola ela era, a menina abaixava cada vez mais a cabeça. Olhava para o chão de mármore branco, mas não o via; ouvia distintamente o som de seus sapatos em meio á conversa alheia, mas não o escutava. E foi assim que ela trombou em alguém.
“Bosta! Uraraka! Olha por onde anda!”
Ela se assustou com a voz familiar. Afinal, quem mais usava aquele tom quando esbarrava em alguém?
“Hã? Bakugou-kun!”
“Vê se não enche. Cadê seu namoradinho?”
“Na-namoradinho?!” Ochaco virou o rosto para os lados rapidamente, como se procurasse seu “namoradinho”, sem saber a quem Katsuki se referia.
“A porra do Deku!”
“De-De-Deku! Deku? Deku-kun! Deku…” A ficha finalmente caiu. “Deku-kun não é meu namoradinho! Nem namorado! Nem namorico! Nada, ele não é! Nós não somos… não, ha ha! Você entendeu errado! Aha…” Ao ver a expressão raivosa e nem um pouco impressionada de Katsuki, ela finalmente percebeu a situação em que se encontrava. Ele não tinha tempo para ouví-la gaguejar; era isso que seus olhos sugeriam. Vermelhos e intensos como sempre, como se quisessem procurar a resposta escrita na expressão de Ochaco. Ela engoliu em seco. “Eu… eu não o vi. Na verdade, estou procurando pela Tsuyu-chan. Acho que os dois estão juntos.”
Com pouquíssimas palavras da parte de Katsuki, que mal se lembrava quem diabos era Tsuyu-chan, o loiro deu as costas a Ochaco, implicando que ela o seguisse. Em sua silenciosa busca conjunta, Ochaco andava muito mais nervosa e consciente de seus arredores.
A primeira coisa com a qual se preocupou foi o jeito como Katsuki se referira a Izuku. “Seu namoradinho”; será que isso implicava que ele percebia, muito mais do que a própria Ochaco, que havia um sentimento se formando dentro da menina? Será que existia a mínima chance de que o interesse era mútuo…? Ochaco sabia, pois era do conhecimento de todos, que Katsuki prestava muita, muita atenção ao amigo de infância. Se existisse alguém que encarava Izuku durante as aulas mais ainda do que ela própria, esse alguém seria, sem sombra de dúvidas, o loiro á sua frente. Será que ele teria captado alguma coisa além das técnicas de luta de seu nêmesis? Será que a origem do apelido “namoradinho” vinha de uma demonstração de interesse provinda de Izuku?
A segunda coisa a assombrar os pensamentos da menina, porém, só chegou quando a névoa de suas preocupações amorosas baixou.
Katsuki Bakugou estava andando por um shopping cheio de gente, sem nenhum motivo aparente além de… Izuku? E o que é que ele queria com Izuku, seu arqui-inimigo? Foi necessário um segundo de coragem para que Ochaco levantasse a voz.
“Ah, Bakugou-kun, falando nisso… o que é que você quer com o De–”
“Está me seguindo, vadia?”
Ela sentiu os cabelos na nuca arrepiarem. Como assim, se ela o estava seguindo? É claro que estava! Estavam procurando por Deku, não?
Bakugou deu um passo na direção de Ochaco, olhando-a da cabeça aos pés com desprezo. Um sorriso malicioso se formou no rosto dele. Havia algo de estranho naquele sorriso… estranhamente familiar.
“Ele nunca vai se apaixonar por você, Uraraka.” Ela engoliu em seco, recuando instintivamente e cerrando os olhos um pouco, como se Bakugou fosse difícil de enxergar; como se houvesse algo além dele. “O Izu–” Ele sorriu. “Deku nunca vai querer o seu tipinho.”
O coração de Ochaco disparou. As palavras não a incomodaram; sequer entraram em sua cabeça. A única coisa que ela foi capaz de ouvir foi ninguém mais, ninguém menos do que Katsuki Bakugou se corrigindo ao quase chamar o amigo de infância, a quem ele mesmo apelidara de Deku há tanto, tanto tempo, pelo primeiro nome. Ela deu um passo atrás, engolindo, enfim, o que o outro realmente dissera em sua ameaça. “Mantenha a calma, aja naturalmente”, ela implorou de si mesma. Como se procurasse uma desculpa, a garota se lembrou milagrosamente de seu celular, que tirou do bolso rapidamente.
17:48 “Cadê vc????”
17:46 1 chamada perdida de Yaomomo
17:36 3 chamadas perdidas de Ingenium
17:32 “Uraraka-kun, onde está?”
17:29 2 chamadas perdidas de Ingenium
17:19 "Já encontramos os meninos e a Tsuyu-chan!"
16:59 “Está tudo bem, Uraraka-san?”
16:50 “Vc saiu correndo”
16:50 “Q q foi isso???”
“Foi mal, Bakugou-kun. Eu vou… procurar a Tsuyu-chan, então.”
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Quando a porta da frente se abriu, seis pessoas diferentes suspiraram de alívio.
“Onde é que pensa que vai assim, desavisada?”
“Não estou afim de conversar.”
“Huh?” Um homem alto, magro e pálido, com macabros retalhos onde suas olheiras e maxilar deveriam estar em carne e osso, foi o único a rir. “Justo você, que está sempre tagarelando na cabeça de todo mundo?”
Quem chutou a porta ao entrar foi uma pequena garota completamente nua. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, que ela logo cobriu com as mãos. Os gritos e grunhidos que emitia em seu choro exagerado eram quase cômicos, mas mostravam o quanto estava com raiva. De fato, a expressão que ela revelou ao levantar a cabeça mal combinava com ela.
Algum dos homens na sala jogou uma camiseta em sua direção, mas ela o ignorou completamente, assim como fez com as perguntas e comentários provindos de todos os cantos da pequena residência.
“Eu acabei de descobrir que a minha melhor amiga tem crush no mesmo menino que eu! Que ódio, que ódio, que ódio!”
No centro da cena, segurando uma xícara de chá de jasmim com as pontas de apenas quatro de seus dedos, um homem com aparência quase esquelética sequer chamava a atenção; mas sua presença era imponente. Ficava claro quando ele se pronunciava: era o líder.
“Então, Toga Himiko,” Tomura Shigaraki começou a falar. “O que você fez hoje, fantasiada de Katsuki Bakugou?”
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