Crônicas Vampíricas - Lâmina De Prata
1 Capítulo 1 - Reencontro
Notas iniciais
–A festa vai ser legal cara, desgrude desses livros e nos divertir! – disse João, já na porta pra sair.
–Deixa pra outra vez, estou cansado e quero ir dormir cedo. – falei.
–Problema seu, vai perder uma puta festa! – disse, sorrindo e batendo a porta logo em seguida.
Finalmente um pouco de paz, fecho meu livro e coloco-o na cômoda, corro para a varanda e sento no parapeito, apenas para observar o movimento noturno. Estudo nesse colégio interno há um bom tempo e nunca me canso de olhar o céu, o jardim e as árvores que ficam na parte interior do prédio. Este prédio foi construído circularmente e no meio, uma praça. A lua estava alta e cheia no céu, um vento de verão soprava devagar... essa sensação eu não sentia faz muito tempo.
10h...11h... 00h... 1h... foi passando as horas e ninguém voltava dessa maldita festa, todos comentavam pelos corredores a grande festa de comemoração pelos 50 anos desse lugar, bebidas e diversão até a hora que quisesse. Pra mim, gente bêbada e vomitando nos corredores, aqueles garotos beijando 15 garotas (se bem que uns beijos eu não dispenso, mas eles exageram), no olhar deles, eu não sei nada sobre diversão. Na verdade, me divirto de outra maneira...
Do outro lado, escuto uns risinhos, farejo o ar, 3 garotas... uma refeição perfeita para esta noite, mas dessa vez tentarei não matar, o último escândalo quase caiu todo sobre mim.
Fico em pé no parapeito e pulo para a varanda de cima, examino, vazio e depois subo pro telhado. É um telhado feito de concreto e plano, fácil de se locomover sem fazer muito barulho. Chego lá em cima, farejo novamente o ar e vejo a direção que as meninas vem vindo, um ataque eficaz seria esperar na árvore. Começo a correr pelo telhado e pulo com toda minha força nos galhos, deslizo e cravo minhas garras no tronco, foi um salto perfeito e silencioso!
Vou até a ponta de um galho mais grosso e me agacho, as folhas grossas me ocultam. Sinto meus olhos ficarem vermelhos cor de brasa, olhos de caçador, olhos de vampiro. As 3 vem vindo em uma marcha um pouco lenta, provavelmente por causa da falta de costume de andar de salto. Elas tinham que se separar um pouco, eu não conseguiria subjugá-las sem que uma gritasse e estragasse minha refeição.
–Esperem meninas! Vou tirar meu sapato, meus pés estão me matando! – disse a bem da esquerda, se apoiando na árvore para ficar descalça.
As outras acenam com a cabeça, mas continuam andando, ela estava sozinha! Debaixo da árvore! Que o Deus dos Vampiros seja louvado! Me perdi em minha alegria e vi que ela já andava, se afastando.
No exato momento que ela ficou debaixo do galho, pulei. Caí sobre ela, tapando seus gritos. Ela se debatia, eu gosto de uma presa que resiste.
–Aonde pensa que vai, meu doce? – falei baixinho no ouvido dela – Não terminarei essa noite com fome...
Lambi o pescoço dela bem devagar, senti minhas presas brotarem e cravei nela. Ela se debateu e logo em seguida desmaiou, deitei-a no chão pra melhorar minha postura e não doer tanto meus braços e costas.
Era um êxtase incrível, um frenesi, um prazer... não posso matá-la! Tirei meus dentes do pescoço dela, mas um tempo eu iria retirar a vida daquele corpo. Limpei o sangue da minha boca e olhei em volta, ninguém.
As outras duas, já estavam se aproximando da porta dos dormitórios, eu teria de pega-las rapidamente, por que lá dentro, as câmeras de segurança me entregariam.
Corri em direção as presas, silencioso e veloz. Pulei sobre uma, derrubando-a e já sentindo o gosto daquele sangue, dei apenas uma mordida leve para que meu veneno apenas a deixasse inconsciente. A outra recuou uns passos, tomei impulso e me atirei sobre ela... mas não a alcancei, apenas senti uma dor em meu abdome, sangue escorria da minha boa... era o meu sangue! Alguém cravou uma espada no meio das minhas costas! Filha duma puta! Caí no chão, levantei o olhar e vi a vitima também caída, mas em um estado de choque.
Logo em seguida, vários chutes são desferidos nas minhas costelas e depois, com a bota da pessoa que me atingiu, sou virado de barriga pra cima.
–Que tal eu te mandar pro inferno nessa noite tão bonita? – perguntou o caçador que segurava um longo punhal de prata banhado com meu sangue e um revolver mirado na minha cabeça – Atacando garotas indefesas, vocês vampiros não tem limites mesmo.
–Um caçador por aqui... o lendário assassino pelo jeito foi descoberto. – falei com a voz fraca e tentando manter os olhos abertos – Boa velocidade e habilidade com a arma.
–Eu agradeço, mas elogios não vão fazer você escapar da morte certa.
Essa voz soava familiar, era difícil distinguir o rosto, o capuz do sobretudo sombreava muito o rosto. Noto o cinto, uma pequena cruz de prata estava pendida, presa a uma corrente... eu sabia que alguma hora ela ia sentir saudade de mim!
–Você não tem coragem de me matar... – falei com um pouco mais de força, vendo que todo sangue que bebi estava acelerando meus poderes de cura.
–Pois eu tenho, fui paga pra isso. – a caçadora respondeu.
–Essa sua posição de durona não se encaixa com você, ainda te vejo com a garotinha meiga que cuidou de mim naquela noite... – falei, sorrindo com meus dentes vermelhos.
–Rafael, seu filho duma égua... não ouse a apelar pro sentimentalismo, passado é passado.
–Você não sabe mentir, da pra sentir o cheiro da mentira, por que veio atrás de mim?
–Preciso de ajuda... – ela disse, com a voz baixa.
–Seria com você tirar essa arma da mira da minha cabeça, embainhar o punhal e me ajudar a levantar.
Ela faz isso e me iça pelos ombros, aí me apoio em seu ombro. Ela olha para as meninas ainda ali no chão, toma impulso e pula pra o telhado comigo nos ombros, naquele tempo esse poder não existia nela.
–Fique quietinho aí... – ela me deita no concreto frio e anda para a ponta, puxa uma espécie de granada de uns dos bolsos da roupa e atira lá em baixo, nada de ouve, apenas um pó branco sobre lentamente e depois some – B.A.M, Bomba para Apagar a Memória. Útil em momentos como esse, mortais não entenderiam o que vissem.
–Andou evoluindo hein, em 4 anos, bastante coisa muda. – comentei.
–Apenas essa sua sede por sangue não mudou, mas é bom ver que está bem bonitão com essa sua carinha de 17 anos, não é mais aquele monstrinho que encontramos vagando por aí, matando tudo que visse por aí. – ela fala, sarcasticamente.
–Por que quer minha ajuda? – perguntei, sentindo minhas forças voltarem e me sentei, mas a dor não me abandonara.
–Problemas, muitos problemas... e eu também estava com saudade.
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