Crônicas Do Olimpo - A Maldição Do Titã

17 Megan Vs Papai Noel do Mal! A Besta do juízo Final


Notas iniciais
Flor de Lótus, combina com tudo e é SEM COMPARAÇÃO!

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"...Boa sorte, Megan."
- Percy

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"... Como eu disse... É bom ter amigos super-poderosos e tudo mais... ¬¬"
- Megan

Eu tinha que ser cautelosa, eu não sabia exatamente como tirar informações de mendigos... Nunca precisei fazer isso antes. Eu cautelosamente me sentei ao lado do homem em que pensara ser Nereu. E fiz muito para não desmaiar com seu mal cheiro. Noel abriu um olho suspeitamente. Eu podia senti-lo me encarando, mas eu não olhei. Apenas olhei para minhas próprias mãos e falei:

- Escola estúpida... Pais estúpidos.

Então Noel voltou a dormir. Eu sabia que isso ia parecer estranho. Eu não sabia como os outros sem-teto iriam reagir. Mas eu pulei no Papai Noel.

- AHHHHHHHHHHHHHH! — ele gritou. Eu pretendia agarrá-lo, mas ao invés disso ele pareceu me agarrar. Era como se ele não estivesse adormecido absolutamente. Ele certamente não agia como um homem velho e fraco. Ele tinha um aperto de aço.

Eu gemi, tentei chuta-lo sem sucesso.

- Megan! — ouvi Percy gritar. Eu sabia que ele tentaria me ajudar, porém Zoë deve te-lo impedido, pois ouvi um fragmento de sua voz.

- Me ajudem! — Noel gritou enquanto me espremia até a morte.

- Isso é crime! — gritou outro dos mendigos, acho que foi o que me chamou de maluca. — Violência com idosos!

- Erre es Myrmekos! — Eu praguejei algo como "Vá apra as formigas", mas as formigas que eu me referia eram grandes e assassinas, eu já dei de cara com elas uma vez... Não foi muito legal.

- MALUCA! — ele gritou.

Mas o modo como eu disse — grego antigo — despertou Nereu e ele pareceu querer me matar, talvez por conhecer bem a minha origem. Antes dele dizer qualquer coisa, eu rolei! Claro... Direto pra baixo do píer até que minha cabeça bateu em um poste. Por um momento eu fiquei atordoada. Desculpe crianças, acho que vocês ficaram bem bravas por eu tentar matar o papai noel...

Ele era com certeza muito mais forte que eu, mas pro um segundo ele afrouxou o aperto. Ele estava fazendo uma pausa. Antes que ele conseguisse, eu recuperei meus sentidos e o ataquei pelas costas.

- Eu não tenho dinheiro! — ele gritou tentando correr, mas eu fui mais rápida. De algum modo eu torci seu braço para trás e o fiz ficar de joelhos.

- Não quero dinheiro. — fale enquanto ele lutava. — Quero informações. Sou uma semideusa.

Isso só o fez se debater mais.

– Heróis! Por que vocês sempre vêm atrás de mim?

- Ah, deixe-me pensar... Você sabe de tudo! — exclamei.

Ele rosnou e tentou me sacudir para fora de suas costas. Era como me segurar a uma montanha russa. Ele batia a sua volta, tornando impossível ficar em pé, mas eu cerrei meus dentes e apertei mais. Nós fomos em direção à beirada do píer e eu tive uma ideia.

- Espere... Água não... — falei forçando uma voz tremula.

O plano funcionou. Imediatamente, Nereu gritou em triunfo e pulou da beirada. Juntos, nós mergulhamos na Baía de São Francisco. Ele deve ter ficado surpreso quando eu apertei com mais força, o oceano me suprindo com energia extra. Mas Nereu tinha alguns truques também. Ele mudou de forma até que eu estava segurando uma lustrosa foca negra.

Eu já ouvi pessoas fazendo piadas sobre tentar agarrar um porco besuntado, mas eu vou te contar, agarrar uma foca na água é mais difícil. Nereu mergulhou, torcendo e açoitando e espiralando através da água escura, era realmente difícil de segura-lo... Seria, se eu não fosse filha de Poseidon.

Nereu girou e se expandiu, tornando-se uma baleia assassina, mas eu agarrei sua barbatana dorsal quando ele irrompeu da água.

- Wow! — ouvi a multidão aplaudir.

Eu acenei para eles, tipo: Fazemos-isso-todo-dia

Nereu mergulhou na água e se tornou uma enguia viscosa. Eu comecei a dar um nó nele até que ele percebeu o que eu estava fazendo e voltou para a forma humana.

Ele perguntou com a respiração pesada.

- Por que você não morre logo, pirralha?

- Você esta por fora, filhos de Poseidon não podem ser afogados. — falei.

- Maldito seja... Eu estava aqui primeiro!

Finalmente ele desmoronou na beira da doca. Acima de nós estava um daqueles píers turísticos com lojas alinhadas, como um shopping na água. Nereu estava se agitando e arquejando. Eu me sentia ótima. Poderia ter continuado por todo o dia, mas não disse isso a ele. Queria que ele sentisse como se tivesse me dado trabalho. Meus amigos desceram correndo os degraus do píer.

- Tu o pegaste! — exclamou Zoë.

- Mandou bem. — disse Percy. — Mas ainda demora para me alcançar, Meg. Eu sou profissional em... Capturar... Mendigos do mar.

- Vocês não precisam soar tão surpresos, esta bem? — falei.

- Você de novo! — Nereu olhou para Percy, acho que eles se conhecem. — Por que não me deixa em paz?!

- É bom ver você se novo, Nereu. — disse Percy.

Nereu rosnou para Percy.

- Que sorte miserável... O acordo usual, imagino? Você me deixará ir se eu responder a sua pergunta? — ele me perguntou.

- Tenho mais de uma pergunta. — falei.

- Não vale! Só uma pergunta por captura, essa é a regra.

Olhei para os meus amigos, tínhamos um problema agora. Eu queria salvar Jake, mas também tinha Ártemis, e ainda o monstro que ela caçava.

Uma voz dentro de mim estava gritando: Pergunte sobre Jake!

Mas imagino o que Jake iria dizer, ele iria ficar arrasado, diria que o Olimpo era mais importante, que o acampamento era mais importante. Independente do que acontecesse. Zoë iria querer que eu perguntasse sobre Ártemis, mas Quiron deixara claro que o monstro é o que mais importa.

Eu suspirei.

– Tudo bem, Nereu. Diga-me onde achar este terrível monstro que pode trazer um fim aos deuses. O que Ártemis estava caçando.

Ele sorriu deixando a mostra seus dentes amarelados cheios de carie — Subiu Caribdis.

– Ah, isso é muito fácil – ele disse diabolicamente. – Ele está bem aqui.

Ele apontou para a água aos meus pés.

- Onde?

– O acordo esta feito... Aproveite seus últimos dias, cria do mar. – Nereu se regozijou. Com um pop, ele se tornou um peixe dourado e se arremessou para trás no mar.

Cria do mar... A Profecia...

- Espere... Você me enganou! — exclamei.

Mas Hansel tocou meu ombro antes.

- Espera, Megan! — Thalia me impediu. — O que é isso?

- MOOOOOOOOOOO!

Eu olhei para baixo, e lá estava minha amiga a vaca-serpente, nadando perto da doca. Ela cutucou meu calçado e me deu o triste olhar castanho.

- Ah, Bessie! — gemi. — Agora estou ocupada.

- Moooo!

Hansel arfou.

- É... Megan, ele diz que seu nome não é Bessie. — disse ele. — Ele é macho.

– Você pode entendê-la... Er, entendê-lo? — perguntei.

Hansel assentiu.

- Ele disse que seu nome é "Ofiotauro"

- Ofi-O que?! — exclamei.

- É "Vaca-serpente" em grego antigo. — disse Thalia.

- O que mais ele disse? — perguntou Percy.

- Ele disse que Megan é sua protetora. — anunciou. — E que eles estão chegando... Os inimigos.

– Eu estava me perguntando como você captou tudo isso de um simples moooooo.

– Espera – Zöe disse, olhando para mim. – Conheces essa vaca?

Eu estava me sentindo impaciente já, mas eu contei a eles:

- As vezes, eu e Percy somos chamados para resgates de criaturas marinhas. — falei. — E como era madrugada, Percy estava dormindo e um pégaso me disse que era urgente então eu fui e salvei o... Hum... Ofiotauro.

Thalia balançou sua cabeça em descrença.

– E você simplesmente se esqueceu de mencionar isso antes?

– Bem... Não pensei que fosse importante. — admiti.

- Como uma vaca-serpente pode não ser importante? — perguntou ela.

- Não acho que isso importa agora. — disse Zoë. — Eu conheço a história do Ofiotauro, essa é a besta que procuramos.

- Espera!? Besta? — eu meio que me senti ofendida.

- Mooooo! — Bessie... Er... O Ofiotauro mugiu indignado também.

– Da Guerra dos Titãs – ela falou. – Meu… meu pai me contou a lenda, milhares de anos atrás. Está é a besta que estamos procurando.

- Bessie? — eu olhei para a vaca. — Mas ele é tão fofo... Como poderia destruir os deuses?

- Nós vínhamos antecipando um monstro enorme e perigoso, mas o Ofiotauro não traz o fim dos deuses dessa forma. Ele deve ser sacrificado.

- MOOOOO! — Bessie mugiu.

- Eu... — Hansel se intrometeu. — Acho que ele não gosta muito dessa palavra com "S".

Eu dei um tapinha na cabeça de Bessie, tentando acalmá-lo. Ele me deixou coçar sua orelha, mas ele estava tremendo.

- Quanto seria o nivel de maldade para alguém mata-lo? — perguntei. — Ele é inofensivo.

Zöe assentiu.

– Mas há poder em matar um inocente. Um terrível poder. As Parcas fizeram uma profecia eras atrás, quando esta criatura nasceu. Elas disseram que quem matasse o Ofiotauro e sacrificasse suas entranhas no fogo teria o poder de destruir os deuses.

- Mooooo!

- Poderíamos evitar falar "Entranhas" também. — disse Hansel.

– Mas o que poderia acontecer? — perguntou Percy.

– Ninguém sabe – Zöe disse. – Da primeira vez, durante a Guerra dos Titãs, o Ofiotauro foi na verdade assassinado por um gigante aliado dos Titãs, mas teu pai, Zeus, enviou uma águia para agarrar as entranhas antes que elas pudessem ser jogadas no fogo. Foi por pouco. Agora, depois de três mil anos, o Ofiotauro renasceu.

Thalia se sentou na doca. Ela esticou sua mão. Bessie foi direto para ela. Thalia colocou sua mão na cabeça dele. Bessie tremeu. A expressão de Thalia me incomodou. Ela quase parecia… faminta.

- Nos temos que protege-lo. — falei. — Se Luke puser as mãos nele...

- Ele não perderia nenhum tempo. — disse ela. — O poder para derrubar o Olimpo. Isto é… isto é grande.

- Sim, queridinha. — disse uma voz com um sotaque francês. — E somente você deve libertar esse poder.

O Ofiotauro fez um som de lamúria e submergiu. Eu olhei para cima. Nós estivéramos tão ocupados conversando, que permitidos sermos cercados.

E ali estava, parado atrás de nos. Ele estava usando um roto sobretudo preto sobre seu uniforme da Westover Hall, o qual estava rasgado e manchado. Seu cabelo cortado em estilo militar havia crescido espigado e gorduroso. Ele não havia se barbeado recentemente, de forma que seu rosto estava coberto por uma penugem prateada. Seus olhos de duas cores brilhavam cruelmente olhando para Thalia.

Era Dr. Espinheiro. O Manticore responsável pelo desaparecimento de Jake.

– Há muito tempo, os deuses me baniram para a Pérsia – O manticore disse. – Eu fui forçado a furtar comida nos limites do mundo, escondendo-me em florestas, devorando insignificantes fazendeiros humanos em minhas refeições. Eu nunca pude lutar com grandes heróis. Eu não era temido e admirado nas histórias antigas! Mas agora isso vai mudar. Os Titãs me honrarão, e eu me banquetearei na carne de meio-sangues!

- Isso é nojento... — falei. — Muito nojento.

- O que eu como ou deixo de comer é apenas de meu interesse, filha do mar. — disse ele. — E olha! Percy Jackson... O Herói do Olimpo.

Percy permaneceu sério, ele estava bem na minha frente. Como se fosse me proteger.

- Onde estão seus amiguinhos zumbis? — perguntou meu irmão.

- Não me subestime. — disse Espinheiro. — Eu não preciso daqueles imbecis mortos-vivos. O General pensa que sou inútil? Ele mudará de ideia quando eu levar a cabeça dos dois filhos de Poseidon comigo.

- Vá para o Tártaro. — eu disse. — Já derrotamos você uma vez, podemos fazer isso de novo.

Espinheiro deu uma risada maligna.

- Da última vez, vocês nem lutaram direitos, e ainda estavam ao lado de uma deusa... Que por acaso esta muito ocupada agora para dar seus socorros para seus subordinados.

Isso despertou Zoë, ela colocou uma flecha no arco e se preparou para atirar, até que eu disse:

- Zoë, não! É isso o que ele quer. — isso a fez hesitar.

O manticore sorriu.

- Se eu fosse você, ouviria a garota. — disse ele. — Coloque seu arco de lado, querida. Seria uma pena matar vocês antes que testemunhem a maior vitória de Thalia.

- O que quer dizer com isso? — Thalia estava com sua lança e arco em mãos.

- Para mim esta claro. — disse ele. — Este é o seu momento. Isto é o porquê de Lorde Cronos ter trazido você de volta à vida. Você sacrificará o Ofiotauro. Você trará as entranhas para o fogo sagrado da montanha. Você ganhará poder ilimitado. E no seu décimo sexto aniversário, você derrubará o Olimpo e os deuses juntos!

Estremeci. Fazia um sentido terrível. Eu deveria ficar aliviada de não ser eu quem tomaria a decisão do juízo final. Mas aquilo me fizera hesitar. Thalia faria dezesseis — apesar da aparência. — daqui a dois dias. Ela era filha de um dos três grandes... E aqui estava uma escolha, uma terrível escolha que poderia significar o fim dos deuses. Era justamente como a profecia disse.

Eu não sabia o que sentir... Eu sentia uma mistura doida de alívio, preocupação e desaponto. Eu não curtia muito esse lance da Thalia ser superior a mim, e era terrível quando eu já tinha certeza disso. Mas ali... O juízo final estava acontecendo agora. Eu esperava que Thalia retrucasse contra o manticore, mas ela hesitou. Ela parecia aturdida como se pensasse no assunto como uma boa escolha.

Isso me fez temer.

– Você sabe que é a escolha certa – a mantícora disse a ela. – Seu amigo Luke reconheceu isso. Você se reunirá a ele. Vocês governaram este mundo juntos sob a égide dos Titãs. Seu pai a abandonou, Thalia. Ele não liga para você. E agora você ganhará poder sobre ele. Esmague os Olimpianos sob seus pés, como eles merecem. Chame a besta! Ela virá até você. Use sua lança.

Thalia parecia confusa, ela não podia cair nessa bobagem.

- NÃO! — eu gritei. — Não escute ele! Thalia... Você pode acabar com isso... Você pode acabar com eles!

- Eu... — Ela olhou para mim do mesmo jeito que na manhã em que acordou na Colina Meio-Sangue, confusa e incerta. Era quase como se ela não me conhecesse. — Eu não...

- Seu pai ajudou você! — gritei. — Ele ouviu sua prece! Despertou os anjos de metal! Ele a transformou em árvore para preservar você... Você não pode ficar hesitando! Você sabe o certo de verdade...

Sua face escureceu.

- Como você pode saber?

- Eu não sei... — admiti. — Mas Annabeth acreditou em você... Grover... Benjamin... Quiron... Eu... Eu acredito em você.

Me senti realmente estranha ao dizer aquilo, mas a verdade é que eu não queria que uma amiga se tornasse uma inimiga. Eu tinha inveja dela, mas era uma inveja boa... Eu sempre queria alcançar Thalia, e a história dela que eu ouvira há tanto tempo, sempre me dera forças para lutar... Sempre me fez querer ser como ela... Ser capaz de me sacrificar pelas pessoas que eu amo.

E ela me ensinou isso.

Eu olhei para Hansel desesperadamente. Graças aos deuses, ele entendeu o que eu precisava. Ele ergueu sua flauta para sua boca e tocou uma rápida repetição de notas.

O manticore reagiu:

- Impeça-o!

Os guardas estavam mirando em Zöe, e antes que eles pudessem perceber que o garoto com a flauta era o maior problema, das tábuas de madeira aos seus pés brotaram novos ramos que se emaranharam em suas pernas. Zöe soltou duas flechas rápidas que explodiram aos pés deles em uma nuvem amarela de gás sulfuroso. Flechas de Pum!

Os guardas começaram a tossir. Espinheiro lançou espinhos na nossa direção, mas Percy os desviou com seu casaco de pele de Leão.

- Hansel! — gritei. — Diga para Bessie mergulhar fundo e ficar lá!

- Moooooo! — Hansel traduziu, esperava eu que ela entendesse.

- A Vaca, ela... — Thalia murmurava ainda confusa.

- Vamos, logo, Menina-árvore. — Percy a puxou.

Conforme corríamos pela escadaria para o shopping center no píer. Nós arrancamos pela esquina da loja mais próxima. Ouvi o manticore gritar atrás de nos:

- PEGUEM-NOS!

Turistas gritavam conforme os guardas atiravam cegamente para o ar. Nós nos misturamos no fim do píer. Escondemo-nos atrás de um pequeno quiosque cheio de souvenires de cristal – sinos de vento e pescadores sonhadores e coisas do tipo, brilhando à luz do sol.

Uma hora Percy chegou mais perto de mim e disse:

- Estou orgulhoso de você.

Me permiti sorrir. Mas precisávamos reagir e rápido.

Havia uma fonte perto de nós. Abaixo, havia um monte de leões-marinhos tomando sol nas rochas. Toda a Baía de São Francisco espalhava-se à nossa frente: a Ponte Golden Gate, a Ilha de Alcatraz, e as colinas verdes e além para o norte a neblina. Uma imagem perfeita, salvo pelo fato de que estávamos prestes a morrer e o mundo iria acabar.

- Vais pelo outro lado. — disse Zoë. — Megan, Percy... Pedes ajuda ao teu pai, talvez possam salvar o Ofiotauro ainda.

- Não vamos deixar vocês! — Percy falou primeiro que eu.

- É. — falei. — Vamos lutar com vocês.

Hansel sacudiu a cabeça.

- Vocês tem de avisar o acampamento. — disse ele. — Deixar claro o que esta acontecendo pelo menos!

Eu já ia protestar, quando Percy disse:

- Avisar o acampamento, é? — disse ele. — Uma boa ideia, garoto-burro.

- Bode... — suspirou ele. — Qual é o problema de vocês filhos de Poseidon!?

Mas Percy estava em outro lugar. Perto de uma fonte. Então eu notei os cristais fazendo arco-íris na luz do sol. Percebi o que ele queria fazer.

Ele tirou Corta-Ondas em sua forma de caneta do bolso, e apertou o botão, trazendo a sua forma de lança. Ele atacou a fonte. Água irrompeu pelo cano cortado e nos borrifou. Thalia se sobressaltou quando a água a atingiu. A névoa pareceu clarear em seus olhos.

- Você esta doido?! — ela exclamou.

Mas eu entendi, procurei um dracma no bolso e graças aos deuses encontrei, era o meu último, mas tudo bem! Era um com o rosto de Hermes.

Eu joguei o dracma de ouro no arco-íris criado pela névoa e gritei:

- Ó, íris. Deusa do Arco-íris. — falei. — Aceite minha oferenda.

A névoa ondulou.

- Acampamento meio-sangue. — exclamou Percy.

E lá, tremulando na Névoa ao nosso lado, estava a última pessoa que eu queria ver: Sr. D, usando agasalho de pele de leopardo e remexendo na geladeira.

Ele levantou o olhar preguiçosamente.

- Vocês se importam?

- Cadê Quiron?! — exclamou Percy.

– Que grosseria. – Sr. D tomou um gole de um jarro com suco de uva. – É assim que você diz oi?

Empurrei Percy do caminho.

- Oi. — falei. — Nos estamos a beira da morte. Onde esta Quiron?

Sr. D considerou isso. Eu queria gritar para que ele se apressasse, mas eu sabia que isso não iria funcionar. Atrás de nós, passos e gritos – a tropa do manticore estava se aproximando.

– Prestes a morrer – Sr. D meditou. – Que excitante. Temo que Quíron não esteja aqui. Vocês gostariam que eu anotasse o recado?

Olhei para meus amigos.

- Estamos mortos...

- Sai dai... — Percy me empurrou para o lado e apareceu para o Sr. D.

Thalia apertou sua lança. Ela se parecia novamente como ela mesma zangada.

- Vamos morrer lutando então.

- Isso é muito nobre. — disse Díoniso. – Então qual é o problema, exatamente?

Eu sabia que não adiantaria, mas Percy contou toda a história do Ofiotauro em resumo.

– Mmm. – Ele estudou o conteúdo da geladeira. – Então é isso. Entendo.

Ele levou um bom tempo pensando.

- Ai... — falei. — Ah... Eu já disse que... Nos estamos a beira da morte?

– Deixe-me ver. Eu acho que estou no humor para comer pizza esta noite.

Percy parecia que ia atacar a mensagem de íris com sua lança, mas foi tarde.

A manticore gritou.

- Ali estão eles!

E nós estávamos cercados. Dois dos guardas ficaram atrás dele. Os outros dois apareceram nos telhados das lojas do shopping no píer sobre nós. O manticore tirou seu casaco e se modificou para sua verdadeira forma, suas garras de leão se estenderam e sua cauda com espinhos eriçou com farpas venenosas.

- Perfeito. — disse a coisa. — Sozinhos e sem ajuda real... Maravilha.

- Sabe, Marcela você bem que poderia pedir ajuda para mim. — disse o Sr. D. Como se isso fosse um pensamento interessante. — E Pedir "Por favor" seria algo legal também.

Quando porcos voarem... (Lay: Ah... Então Sr. D você pode esperar até "O último Olimpiano", por favor?) (Sr. D. : ¬¬) De jeito nenhum eu iria morrer implorando a um preguiçoso como o Sr. D, somente para que ele pudesse gargalhar enquanto todos nós morríamos.

Zöe aprontou suas flechas. Hansel ergueu sua flautas. Percy ergueu sua lança. Thalia ergueu seu escudo, e eu notei uma lágrima escorrendo pela sua face. Subitamente me ocorreu: isto já havia acontecido a ela. Ela tinha sido encurralada na Colina Meio-Sangue. Ela havia, de boa vontade, abdicado de sua vida por seus amigos. Mas desta vez, ela não poderia nos salvar.

Eu não podia deixar isso acontecer de novo.

– Por favor, Sr. D – murmurei. – Nos ajude.

– Poupem a filha de Zeus. — o manticore sorriu. — Ela logo se juntará a nós. Matem os outros.

Então algo estranho aconteceu naquele instante. Os homens ergueram sua armas e... Sabe como você se sente quando todo o sangue se agita na sua cabeça, como se estivesse pendurado de cabeça para baixo e se erguesse rápido demais? Houve uma agitação como aquela a toda minha volta, e um som como um enorme suspiro. A luz do sol se tingiu de roxo. Eu senti o cheiro de uvas e de algo mais ácido – vinho.

SNAP!

Era o som de várias mentes quebrando ao mesmo tempo. O som da loucura. Um guarda pôs sua pistola entre seus dentes como se fosse um osso e correu de quatro em volta. Dois outros largaram suas armas e começaram a valsar juntos. O quarto começou a fazer o que parecia uma dança irlandesa. Isso teria sido engraçado se não fosse tão assustador.

- Sr. D sempre enlouqueceu as pessoas. — disse Percy.

- NÃOO! — o manticore urrou. — Eu mesmo acabarei com vocês!

Sua cauda eriçou, mas as tábuas sob suas patas irromperam em vinhas, as quais imediatamente começaram a se enroscar ao redor do corpo do monstro, brotando novas folhas e ramos de uvas que amadureceram em segundos conforme a mantícora guinchava, até que ela foi engolfada por uma grande massa de vinhas, folhas e ramos cheios de uvas roxas. Finalmente as uvas pararam de nascer, e eu tive a sensação que em algum lugar lá dentro, o manticore não existia mais.

– Bem – disse Dioniso, fechando a geladeira. – Isso foi divertido.

- É... — eu disse, na verdade, eu ia fazer várias perguntas, mas como um deus é sempre um deus... Não se duvida. — Obrigada.

- Os mortais ficarão bem. Muita explicação para dar se eu tornasse a condição deles permanente. Eu detesto escrever relatórios ao meu Pai.

Isso me fez pensar em algo estranho, se... Se o Sr. D é filho de Zeus significa que ele é irmão da Thalia? Isso torna ele meu primo? Olhando por esse lado... É realmente estranho.

Ele olhou ressentidamente para Thalia.

– Eu espero que você tenha aprendido a sua lição, garota. Não é fácil resistir ao poder, é?

Thalia corou como se estivesse envergonhada.

— O senhor nos salvou! — Hansel exclamou admirado.

- É... — disse Sr. D. — Não me faça me arrepender disso, sátiro. Peter, foi inteligente em chamar por mim... Por mais esquisito que seja dizer isso. Mas tudo o que ganhei para vocês foram alguns segundos.

– O Ofiotauro – disse eu.– Pode levá-lo para o acampamento?

- Não transporto carga viva. Creio que isso, Megan Jackson, seja problema seu.

- Certo... — falei. — E... Ah... Sr. D.

- Sim?

- Você me chamou pelo nome certo. — falei.

- Certamente que não, acho que minha magia deve ter afetado-a um pouco, Melody Jonhson. — disse ele.

- Mas para onde iremos agora? — perguntou Percy.

- Isso é com a caçadora ai. — disse o Sr. D. — Agora... Como dizem mesmo?... Ah, "Boa sorte."

Ele acenou com a mão, e sua imagem desapareceu na névoa.

A toda nossa volta, os subordinados da mantícora estavam agindo completamente amalucados. Um deles havia achado o nosso amigo sem-teto, e eles estavam tendo uma conversa séria sobre anjos metálicos de Marte. Vários outros guardas acossavam os turistas, fazendo sons de animais e tentando roubar seus sapatos.

Eu olhei para Zöe.

- O que ele quis dizer? — perguntei.

Sua face estava da cor da neblina. Ela apontou para além da baía, além da Golden Gate. Distante, uma única montanha se erguia além da camada de nuvens.

– O jardim de minhas irmãs – ela disse. – A Minha casa...