Crônicas Do Olimpo - A Batalha Do Labirinto
9 Fazemos um Feliz Piquenique no Labirinto da Morte
Notas iniciais
Eu pensava ter passado por tudo, e que nada mais na vida poderia me surpreender. E como sempre, eu estava errada. Eu já me surpreendia com o fato de um meio-sangue conseguir chegar a uma idade tão alta quando o nosso instrutor de esgrima, Quintus. Certo, então, não era tão surpreendente assim, mas ninguém nunca me disse que deuses poderiam ter netos descendentes de meio-sangues, e ainda por cima ter poderes bem... estranhos. O que daria uma neta de Poseidon? Ou Neto? Me perguntava naquele momento, se eu tivesse um filho um dia — ou se chegasse a idade, pelo menos. — Qual seria o poder dele?
Não pude deixar de ter o terrível pensamento de que eu poderia não viver o suficiente para acabar de vez com esse mistério. Eram pensamentos estranhos, então vamos para a próxima parte.
O grupo da missão se reuniu no Punho de Zeus. Eu arrumei minha mochila – garrafas térmicas com néctar, ambrosia, saco de dormir, cordas, roupas, lanternas, e muitas baterias extras. Como sempre, Anaklusmos permanecia no meu bolso. O relógio-escudo de pulso que Tyler fizera para mim estava no meu pulso. Tão leve como se nem estivesse ali.
O nevoeiro tinha sumido e o céu estava azul. Os Campistas teriam suas aulas hoje, voando em pégasos e praticando arco e flecha e escalando o paredão de lava. Enquanto isso estaríamos nos dirigindo ao subterrâneo.
Ao chegar lá eu avistei o assassino de bichinhos de pelúcia conversando com Quiron ao longo do caminho, meio distante de todos. Imaginei sobre o que eles estariam conversando. Emily e Hansel estavam em grupos separados, a ninfa estivera chorando, mas tentava se manter forte por Hansel.
Ela ficava mexendo nas roupas dele, endireitando seu boné e peles e tirando pelo de bode de sua camisa. Uma vez que não tínhamos ideia do que iríamos encontrar, ele estava vestido como humano, com o boné para ocultar os seus chifres, e jeans, falsos pés, e tênis para esconder suas pernas de bode.
Quintus, e a Sra. O'Leary estavam com os outros campistas que vieram nos desejar boa sorte, mas havia muita atividade para sentir como sendo uma despedida feliz. Uma dupla de tendas havia sido erguida nas rochas para o serviço de guarda. Beckendorf e seus irmãos estavam trabalhando em uma linha defensiva de cravos e trincheiras. Quíron tinha decidido que precisávamos guardar a saída no labirinto todo o tempo, só por via das dúvidas. O Homem-Cavalo e o assassino de bichinhos de pelúcia — Acho que nunca vou me esquecer do Hobbie favorito dele... — vinham na nossa direção.
Eu esfreguei o olho tentando afastar o sono e cheguei perto de Jake.
- Você esta péssima. — disse ele me encarando. — Pesadelos?
Não respondi, mas ele pareceu encarar aquilo como um "sim".
Quíron chegou trotando.
– Bem, parece que vocês estão prontos!
Ele tentava soar otimista e forçava um sorriso confiante, mas eu podia dizer que ele estava ansioso e preocupado, também, nossa situação não era a das melhores. Pensei sobre meus sonhos nas noites passadas e o fato de eu ter ficado desacordada por três dias... O que deu em mim? Quer dizer, quem é que vê um garoto e desmaia... Bom, aposto que existem garotas assim... Mas, não foi isso que eu quis dizer.
- Ei! Quiron, posso falar com você um momento? — falei sem poder evitar lançar um olhar curioso sobre Octavian, ele era bem estranho, meio diferente, difícil de ler suas emoções... Era como Quintus, mas pelo menos mesmo sendo falso ou não, Quintus sorria as vezes.
- Claro, criança. — disse Quiron.
– Já volto, gente. – Eu indiquei o bosque.
Quíron ergueu uma sobrancelha, mas me seguiu de perto. Quando já estávamos distantes eu disse:
- Nas noites em que eu estive desacordada. — falei. — Eu tive um sonho com Luke e Silena...
Hesitei. Quiron ergueu a sobrancelha.
- O que foi, Megan?
Seu olhar sobre mim era preocupado com uma pontinha de curiosidade.
- Silena disse algo sobre a equipe estar pronta, e o acampamento reduzido a cinzas, a mesma coisa que a empousa na Goode me disse!
Quiron pareceu inquieto, seu rabo pareceu estremecer, algo me dizia que ele tinha maus palpites para interpretar meu sonho.
- Ela também disse sobre os objetivos de Cronos. — continuei. — E que Silena... Que Silena deveria me matar, mas... Mas ela hesitou! Ela não deu uma resposta exata, ela hesitou, Quiron!
Quiron me olhava entristecido.
- Isso é... Bem, esclarecedor. — disse ele. — Fez a coisa certa ao me contatar isso, Megan. Parece que Cronos pretende mesmo provocar uma batalha, não teríamos muita chance. Mas você e meu pai tem algo em comum.
Cerrei o punho, eu respeitava muito Quiron como meu superior e confiava demais nele, mas não queria ter nada igual com o titã do tempo.
- Ambos não confiam o mau em Silena — disse ele. — Sendo filha da deusa do amor é realmente duvidável que ela não tenha entregado-se por completo a Cronos.
- Quiron... — hesitei. — Você acha... Acha que ela poderia...
Quiron me olhou tristemente sabendo exatamente o que eu perguntaria. Se Silena poderia voltar, se eu podia ter certeza de que ela não era a vilã da história. Mas Quiron parecia estar com mais certeza no outro lado da balança, e o meu lado parecia estar caindo com o peso de sua certeza.
- E aquele garoto, o Octavian... Ele é mesmo confiável? — perguntei.
- Isso saberemos com um tempo, ele parece determinado a ficar. — disse Quiron. — É um garoto curioso, admito. Mas não me parece um perigo extremo, apesar de seu jeito... Mas voltando, eu e Benjamin estivemos falando sobre isso, talvez Cronos queira fazer um acordo com Dédalo.
- Acordo?
- Se o velho inventor está realmente vivo, se ele não ficou louco pelos milênios no Labirinto... bem, Cronos pode encontrar maneiras de torcer qualquer um para sua vontade....
Eu deixei aquilo amadurecer na minha cabeça.
- Não, não qualquer um.
E ele conseguiu sorrir.
- Não. Talvez não qualquer um. Mas, você deve tomar cuidado. Eu tenho me preocupado há algum tempo que Cronos pode estar à procura de Dédalo por um motivo diferente, não apenas passagem pelo labirinto.
- O que mais ele poderia querer? — perguntei.
- Você se lembra o que você me contou sobre a sua primeira viagem ao Princesa Andrômeda, a primeira vez que você viu o caixão dourado?
Eu balancei a cabeça afirmando.
- Foi uma conversa macabra. — falei. — Luke estava falando sobre erguer Cronos, pedacinhos dele aparecendo no caixão cada vez que alguém novo aderia a sua causa.
– E o que Luke disse que faria quando tivesse erguido Cronos completamente?
Eu estremeci.
- Ele disse que faria um novo corpo para Cronos, digno das forjas de Hefesto.
– Certamente – disse Quíron. – Dédalo foi o maior inventor do mundo. Ele criou o labirinto, mas muito mais. Autômatos, máquinas pensantes... E se Cronos desejar que Dédalo faça para ele uma nova forma?
Que pensamento feliz, hein, Quiron...
- Temos que chegar primeiro a Dédalo – disse, – e convencê-lo a não fazer isso.
Quiron encarou as árvores como se procurasse nelas as resposta para seus dúvidas.
- Ah, tem mais uma coisa. — eu disse. — Emily me disse algo que talvez você deva saber, ela me disse sobre ter visto Quintus perambulando pela entrada do labirinto.
Quíron endureceu a mandíbula.
- Como eu pensei...
- É... Espera, como assim?
- Megan, quando Quintus apareceu no acampamento oferecendo seus serviços... bem, eu seria um tolo se não suspeitasse.
Eu suspirei.
- Então porque...
– Porque às vezes é melhor ter alguém que você desconfia perto de você, de modo que você possa manter um olho nele. Ele pode ser exatamente o que ele diz: um meio-sangue em busca de um lar. Certamente ele não tem feito nada abertamente que me faça questionar sua lealdade. Mas acredite em mim. Irei manter um olho...
Nesse momento folhas rachavam aos passos pesados de Jake que vinha na nossa direção.
- Megan, precisamos ir. — disse ele, provávelmente curioso sobre o nosso assunto. — Esta pronta?
Eu assenti. Minha mão escorregou para o meu bolso, onde pus o apito gelado que Quintus me dera. Eu olhei para frente e vi Quintus me observando atentamente. Ele levantou a mão em despedida.
– Tome cuidado – Quíron nos disse. – E boa caçada.
– Você também – falei.
Andamos na direção de Hansel e Tyler, antes de eu pisar nas rochas, Octavian me chamou.
- Megan. — disse ele, me virei para ele.
- Sim? — perguntei.
- Eu acho. — disse simplesmente.
- Você acha...? — perguntei.
Ele olhou para as próprias mãos.
- Que... — ele hesitou, olhava para o gramado agora como se ouvisse ordens. — Que vocês se saíram bem.
Mas o modo que ele disse aquilo foi tão... Morto e sem emoção. Como se fosse dizer outra coisa realmente diferente daquilo, eu assenti desconfiada.
- Tá... Valeu. — falei indo na direção dos meus amigos.
Eu encarei a rachadura entre os rochedos – a entrada que estava prestes a nos engolir.
- Bem... — Hansel respirou fundo. — Adeus luz do sol.
- Olá, rochas. — concordou Tyler.
E juntos, os quatro de nós desceram para as trevas.
Assim que aterrissamos no misterioso labirinto, imediatamente me senti enjoada. O corredor em que estávamos não era muito diferente da primeira vez em que eu e Jake estivemos ali, o céu e o bosque sumira junto com a luz. Hansel não parecia estar muito confortável é claro... Pensei ter ouvido vozes do outro lado, mas podia ter sido apenas o vento frio... Ou não.
- Certo... E Agora? — fui a primeira a falar.
- Bem... Andamos, eu acho. — disse ele. — Talvez se mantermos as mãos na parede e nos perdemos, poderíamos voltar.
Infelizmente, logo que ele disse isso, a parede da esquerda desapareceu. Sussurros, era isso o que eu ouvia. Mas... Não, não podia ser o vento.
- São ilusões. — disse Jake. — Se concentrem.
- Tá... Muito fácil falar. — disse Hansel, em... Algum lugar por perto.
Nós nos encontramos no meio de uma câmara circular com oito túneis, e não tínhamos ideia de como chegáramos lá.
– Paredes da esquerda são más – disse Tyler. – Qual o caminho agora?
Olhávamos ao redor, o lugar me dava dor de cabeça de tão confuso.
- Isso não tem lógica nenhuma. — murmurou Jake.
- Achei que já tivesse deduzido isso antes. — falei dando um passo para trás, acabei pisando no pé de Jake. — Desculpe... Mas...
Jake varreu a entrada dos oito túneis com a lanterna. No que eu podia dizer, elas eram idênticas.
- Hum... — eu cocei o queixo e apontei para um dos túneis e depois para outro. — Une, duni, tê, salame, minguê, o sorvete colorido o escolhido foi...
- Por ali... — disse Jake interrompendo meu único método de decisão.
- Como você sabe? — perguntou Hansel, ele parecia até que iria chorar.
- Raciocínio dedutivo.
- Então... — comecei. — Você chutou?
- E o que você estava fazendo, era o que? — perguntou ele. — Apenas venham.
No instante em que estávamos na metade do túnel escolhido por Jake, o mesmo começara a se estreitar, as paredes vinham em nossa direção, seriamos espremidos até os ossos, corremos é claro. As paredes transformaram-se em cimento cinza, e o teto ficou tão baixo que logo, logo tivemos que arquear as costas. Até que então nos livramos do aperto.
- Não aguento mais... — suspirou Hansel. — Por que eu concordei com isso mesmo?
- Deve ter se passado uns cinco minutos. — deduziu Jake.
- Foi muito mais que isso! — insistiu Hansel.
Mas Jake parecia se esforçar para manter a calma.
Continuamos desordenadamente em frente, do nada para lugar nenhum, até que as paredes, o teto e o chão se abriram mais. Eu iluminei as paredes em volta com minha lanterna e disse:
- Santo Poseidon...
O cômodo todo era coberto de azulejos de mosaico. As figuras estavam encardidas e desbotadas, mas eu ainda podia ver as cores vermelho, azul, verde, dourado. O mural mostrava os deuses olimpianos em um banquete.
Lá estava o meu pai, Poseidon, com o seu tridente, segurando uvas para Dioniso transformar em vinho. Zeus estava festejando com sátiros, e Hermes estava voando através do ar com suas sandálias aladas. As imagens eram lindas, mas não eram muito precisas. Eu tinha visto os deuses. Dioniso não era bonito assim, e o nariz de Hermes não era tão grande. No meio da sala estava uma fonte com três níveis. Parecia que não tinha água na fonte há um longo tempo.
- Romano. — disse Jake. — Esses mosaicos são de dois mil anos atrás... Eu acho.
- Você acha? — perguntei. — Mas como eles podem ser romanos?
- Benjamin me disse algo parecido... Sobre, o Labirinto sempre estar crescendo... Quase como se fosse vivo e estivesse coletando lembranças, entende?
Hansel grunhiu.
- Podemos descartar a ideia sobre essa coisa estar viva?
- Apenas, vamos continuar. — disse Jake. — Não temos escolha mesmo.
– Descer o corredor com os sons ruins? – disse Tyler, até ele parecia meio nervoso.
- Exatamente. — disse Jake. — Parece ser mais antigo, a oficina de Dédalo é sempre na parte mais antiga.
Mas o labirinto estava de sacanagem com a gente, andamos quinze metros e o túnel virou cimento de novo, com canos de bronze correndo pelos lados. As paredes foram grafitadas com spray. Lia-se em um letreiro de neon MOZ MANDA.
- Jake, sei que você é o mais sabidinho daqui, mas tenho certeza de que isso não é romano. — eu disse.
Jake respirou fundo, e continuou andando.
A cada passo os túneis espiralavam e se transformavam e se ramificavam. O piso abaixo de nós foi de cimento para lama para tijolos e tudo de novo. Não havia qualquer sentido em nenhum deles. Nós tropeçamos em uma adega estreita várias garrafas empoeiradas em prateleiras de madeira como se estivéssemos atravessando o porão de alguém, só que não havia saída alguma acima de nós, só mais túneis.
Depois o teto se transformou em tábuas de madeira, e eu podia ouvir vozes acima de nós e o barulho de pegadas, como se estivéssemos caminhando sob algum tipo de bar.
Era reconfortante ouvir pessoas, mas mais uma vez, não podíamos chegar até elas. Estávamos presos aqui embaixo, sem saída.
Então nós encontramos nosso primeiro esqueleto.Ele estava vestido com roupas brancas, como uma espécie de uniforme. Um engradado de madeira com garrafas de vidro estava próximo a ele.
- Um leiteiro? — sugeriu Jake.
- O que? — perguntei.
- Pessoas que costumavam entregar leite. — disse ele.
- Eu sei o que é! — falei irritada. — Mas... Eles não são de tipo... Quarenta ou Trinta anos atrás? O que é que ele está fazendo aqui?
- Não sei. — disse Jake. — Talvez... tenha se perdido.
Hansel engoliu seco.
- Ele parece estar aqui há um bom tempo. — disse.
Ele apontou para as garrafas dos esqueletos, que estavam cobertas com poeira branca. Os dedos do esqueleto estavam arranhando a parede de tijolos, como se ele tivesse morrido tentando sair.
- Só ossos, menino-jegue. — disse Tyler. — O leiteiro está morto.
- Não é o leiteiro que me preocupa. — disse Hansel. — E Quantas vezes eu tenho que dizer?... É Bo-de. E além do mais, sinto cheiro de monstros.
Tyler assentiu.
– Um monte de monstros. Mas o subterrâneo cheira assim. Monstros e leiteiros mortos.
- Bem... — Hansel choramingou. — Pensei que eu estivesse errado.
– Tem de haver um caminho para o centro. — disse Jake. — Vamos, seguir adiante, tá?
Fizemos isso e adiante o caminho continuava mudando, sempre me confundindo.
- Jake... — eu comecei com a voz vacilante. — Acha que... Vamos sair dessa?
- Sempre saímos, não é? — disse ele. — Não é hora para arrependimento.
- Não estou arrependida.... — falei. — É só...
Voltamos ao cômodo com azulejos romanos e a fonte. Mas o que fez minha fala ser cortada foi talvez as mesmas imagens, ou o fato de que dessa vez nos não estávamos sozinhos.
O que eu vi primeiro foram seus rostos. Os dois. Eles saiam de ambos os lados da cabeça dele, olhando sobre seus ombros, de forma que a cabeça dele era muito mais ampla do que deveria ser, como uma espécie de tubarão-martelo. Olhando diretamente para ele, tudo que eu via eram duas orelhas sobrepostas e imagens-espelho de costeletas.
Ele estava vestido como um porteiro de Nova York: um longo sobretudo preto, sapatos brilhantes, e um chapéu preto alto que conseguiu de alguma forma ficar sobre sua cabeça dupla.
- Então, o que vai ser? — disse o rosto da esquerda. – Depressa!
– Não ligue para ele – falou o rosto da direita. – Ele é terrivelmente rude. Por essa direção senhores e... Senhorita.
- Em que em nome dos deuses é isso? — perguntei.
- Isso? — repetiu o rosto da esquerda indignado. — Podemos até ser duas caras, mas nos temos sentimentos, ouviu mocinha?
- Ah... — comecei. — Desculpe?
- Duas caras... — Jake repetiu lentamente. — Espera, eu sei quem são vocês.
- Ah, para um filho de Ares você é bem espertinho. — a face esquerda zombou. — Então por isso vai escolher a mim, não é?
– Não, não – a face da direita disse. – Nesta direção, senhor. Fale comigo, por favor!
- Direção... — repetiu Jake tentando assimilar tudo aquilo, mas ele parecia bem confuso. — Você é Jano!
- Sim, eu sou Jano. — disse a face direita.
- Não, eu sou Jano! — disse a da esquerda.
- Eu sou!... Não! Eu sou! — eles começaram a discutir. — Nos somos!
- Jano? — perguntei meio alto demais.
- Ah, esses semideuses amam acabar comigo. — disse a face esquerda. — Ninguém sabe quem é Jano, ninguém liga para o Jano, ninguém escuta o Jano...
Era impossível olhar para ele diretamente sem focar um lado ou outro. E de repente eu percebi que era isso que ele estava pedindo — ele queria que Jake escolhesse.
Atrás dele estavam duas saídas, bloqueadas por portas de madeira com enormes cadeados de ferro. Eles não estiveram lá na nossa primeira vez na sala. O porteiro de duas caras segurava uma chave prata, que ele continuava passando de sua mão esquerda para a sua mão direita. Imaginei se este era um lugar completamente diferente, mas o mural dos deuses parecia exatamente o mesmo.
Atrás de nós, a porta pela qual entramos desapareceu, substituída por mais mosaicos. Não poderíamos voltar pelo caminho que viemos.
- Jake... — comecei.
- As saídas estão trancadas. — disse o filho de Ares.
- Dã! — disse o Jano esquerdo.
- Uma provavelmente leva ao lugar que você deseja ir – disse o rosto da direita animadoramente. — A outra leva a uma morte certa. Mas você sabe que caminho escolher? Não tenho o dia todo!
- Vocês... — começou Jake. — São realmente irritantes.
Ambas as faces praguejaram.
- Como eu disse... Todo mundo odeia o Jano, posso até ter minha própria série na Tv Hefesto. — disse o Jano esquerdo.
A face da direita sorriu.
– Você está no comando agora, garoto. Todas as decisões estão em seus ombros. Isso é o que você queria, não é?
- Eu não...
- Sabemos quem é você, Jake Turner. — disse Jano. – Sabemos com o que você luta todos os dias. Sabemos das suas indecisões. Você terá que fazer sua escolha mais cedo ou mais tarde. E a escolha pode matar você. Ou... Quem você se importa.
Os olhos do deus se viraram para mim discretamente e quando eu os encarei de volta eles voltaram para Jake.
- Isso não é normal. — disse Hansel.
- Ah é? Pelo menos não sou eu o metade Jegue. — disse a face esquerda.
- B-O-D-E! Bode! Porque todo mundo sisma nisso?! — exclamou Hansel.
- Eu estou... confuso. — disse Jake.
- Claro que esta! — exclamaram os Jano's.
- Ah, qual é! — exclamei. — O que vocês querem afinal?
- Sou o deus Jano, querida. — disse a face da esquerda. — Deus das portas. Começos. Finais. Escolhas...
- ... Veremos você muito em breve, Megan Jackson. Você tem escolhas interessantes. Mas agora... — disse a face direita. — É a vez de Jake. – Ele riu vertiginosamente. – Tão divertido!
– Cale a boca! – O rosto da esquerda disse. – Isso é sério. Uma má escolha pode arruinar toda a sua vida. Pode matar você e todos os seus amigos. Mas sem pressão, Jake. Escolha!
Com um repentino calafrio, eu me lembrei das palavras da profecia: E do marcado por Atena, a defesa final.
– Não faça isso – eu disse para Jake. — Você não precisa.
- Receio que ele precise sim, querida. — disse a face esquerda alegremente.
Jake mordeu o lábio.
- Eu... — ele hesitou. — Eu acho que eu escolho...
Antes que ele pudesse apontar para uma porta, uma brilhante luz inundou a sala. Jano levantou suas mãos para cada lado de sua cabeça para cobrir os olhos. Quando a luz sumiu, uma mulher estava em pé na fonte. Ela era alta e elegante com longos cabelos da cor de chocolate, trançados com fitas de ouro.
Ela usava um vestido branco simples, mas quando ela se movia, o tecido tremulava com cores como óleo sobre a água.
– Jano – disse ela, – estamos causando problemas de novo?
– N-não, minha senhora! – a face de Jano da direita gaguejou.
– Sim! – O rosto da esquerda disse.
– Cale a boca! – O rosto da direita disse.
– Com licença? – a mulher pediu.
– Não você, minha senhora! Eu estava falando comigo mesmo.
– Entendo – disse a dama. – Você sabe muito bem que sua visita é prematura. A hora do menino ainda não chegou. Então eu darei a você uma escolha: deixar estes heróis comigo ou irei transformar você em uma porta e te quebrar.
– Que tipo de porta? – a face da esquerda perguntou.
– Cale a boca! – o rosto da direita disse.
– Porque portas francesas são legais – a face da esquerda devaneou. – Cheias de luz natural.
– Cale a boca! – A face da direita se lamuriou. – Não você, minha senhora! Claro que eu vou sair. Eu só estava me divertindo um pouco. Fazendo o meu trabalho. Oferecendo opções.
– Causando indecisão – a mulher corrigiu. – Agora vá!
O rosto da esquerda murmurou:
– A autoridade da festa – então ele levantou a sua chave prateada, inseriu no ar, e desapareceu.
A mulher se voltou para nós, e medo se fechou em torno do meu coração. Seus olhos brilhavam com poder. Deixe estes heróis comigo. Isso não parecia bom. Por um segundo, eu quase desejei que tivéssemos tentado nossas chances com Jano. Mas então a mulher sorriu acolhedoramente.
- Vocês devem estar com fome. — disse ela. — Sentem-se comigo.
- Sentar? — repeti.
Ela acenou sua mão, e a antiga fonte romana começou a funcionar. Jatos de água clara pulverizaram o ar. Uma mesa de mármore apareceu, carregada de bandejas com sanduíches e jarros de limonada.
- Desculpe... Mas... Quem é você? — perguntou Jake.
– Sou Hera. – A mulher sorriu. – Rainha dos Céus.
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