Ás vezes sentimos a necessidade de gritar, mas somos calados pela dor infame de nossos medos... ou seria de nossa covardia? Gritei, esbravejei, praguejei... e nada de acalentar essa dor da qual sufocava dentro de mim. Somente o que consegui foi infligir uma dor ainda maior em meu peito por palavras fortes sem efeito, de algo sufocado em minha garganta que explodiu num momento de cólera... e nada mais.

Deveria sentir-me mais leve, mas o que sinto é um peso em minha consciência por gritar desesperada por um orgulho ferido e agora sinto as lágrimas ganhando minha face, queimando minha pele como a raiva que me queimou por dentro fazendo-me gritar, gritar, gritar... e para que? Para as as minhas palavras perderem-se ao vento ou o que?

Agora sinto-me perdida, cega, surda, muda, mas consciente do que foi dito quando não devia ser proferido. Fico a olhar para o nada repassando as cenas dos últimos minutos dos acontecimentos e pensando se deveria ter explodido pela mesma ladainha de sempre... de sempre! Por que ela ainda me irrita tanto? O mesmo discurso de cobrança, de moral... mas que nem mesmo ele sabe responder, ouvir aquilo que julga e não quer ser julgado.

Não sou inocente, muito pelo contrário. Sou culpada por uma infelicidade mascarada, da jovem forte e altiva que esconde uma covarde tímida que se esconde no mundo de romance e fantasia de suas histórias que adormece pensando não em minha existência, mas daqueles criados pela imaginação que carregam um pouco de mim, do que sou e de quem gostaria de ser até do que não pude ser.

Agora, apenas engulo as lágrimas.

Agora, apenas choro em silêncio.

Grito... em silêncio