Crônicas De Cinzas
2 Capítulo 2
Em frente do colégio Kin admirava o portão.
A entrada do colégio era bem rústica, um muro de pedras empilhadas com algumas plantas e raízes que pareciam servir de cimento para as pedras, mas a entrada era pouco visível. Havia uma floresta, um pequeno trecho de muro de pedras, o portão, outro trecho com o muro pedregoso e mais plantas e arvores, era como se a floresta quisesse engolir aquele colégio. Kin apesar de alto, parecia muito pequeno e franzino perto do portão. Estava esperando não fazia muito tempo, havia alguns bancos de madeira cortada perto do portão, decidiu sentar e esperar. Não demorou para que outras pessoas chegassem. O primeiro que chegou foi um menino baixinho e invocado, tinha a pele queimada do sol e os cabelos loiros. A visão que esse menino teve de Kin deveria ser especialmente perturbadora, um garoto pálido com cabelos negros cobrindo os olhos enquanto olhava sua espada sobre sua perna com um especial sorriso no rosto, o garoto parou antes de qualquer movimento. — Oi. – Disse o garoto loiro. Kin levantou o rosto pra ver quem perturbava seu momento íntimo com Anabehl. Lembrou-se da gentileza de seu pai e tentou imitar, abriu um sorriso gentil. — Oi. – Disse por fim. Um silêncio tomou conta da área, o loiro suspirou e se aproximou. — Ainda bem que você não é um louco ou sei lá, sabe cara, você devia ter cuidado com essa espada. Ei! Muito linda ela! Posso vê-la? — Você já está vendo. O silêncio era perturbador e Kin sentia com se tivesse afastado o que poderia ser seu primeiro amigo. ‘A culpa é dele, quem manda chegar nessa ousadia toda?!’ Kin pensava. Olhou para o garoto loiro que fitava o chão e viu que ele possuía algumas marcas no braço e nas pernas um grande machado. Ficaram ali por um bom tempo, a entrada do colégio já estava cheia de alunos quando Kin decidiu voltar atrás. — Digo... se você me deixar ver seu Machado.... O loiro sorriu e fizeram a troca. O machado era realmente bem pesado, talvez mais que sua bela espada. Era todo cor de prata e maciço, tinha alguns anéis dourados no cabo que apareciam em dupla e um pico dourado em cima. Se não fosse todo aquele dourado seria bem simples, mas era realmente lindo. — Muito bonito – Kin disse — Obrigada, a sua espada também. Como se chama? — Anabehl! – Kin disse animado O garoto loiro rio da resposta. — Estava falando de você. – Disse divertindo-se com a situação. Kin corou. — Kin. — Ora! Oi Kin, chamo-me Mäerkus. Os garotos apertaram as mãos. — E como chama... bem... — Meu machado? Tora. Os garotos destrocaram a arma quando o portão abriu. Kin sentiu Anabehl mais leve, Tora era realmente pesado, bem mais pesado, talvez tivera a sensação do peso amaciada pelo fato de ter ficado com Tora sobre os joelhos todo o tempo. Lembrou de repente das marcas nos braços de Mäerkus. Mäerkus era loiro, usava o cabelo bagunçado em cachos emaranhados caindo sobre os ombros, tinha olhos verdes, usava uma camisa regata de algodão mostrando os músculos dos braços já formados com um protetor de peito de couro, uma bermuda de couro com um grande cinto de um palmo de largura na cintura, coturnos também de couro e belas munhequeiras de prata com bordas de ouro. Kin pensou em si mesmo, um magricela branco, dos cabelos negros que vinham ate o nariz, vestia calças e camisa de pano, um cinto com 3 dedos de largura bem mais fino que o d Mäerkus, Botas de cano longo até os joelhos, luvas de couro e um antigo colar que já fora de seu pai. Kin suspirou, precisava de mais couro e prata. ‘Ele deve vir de família rica’ – pensou. Entraram no pátio do colégio, havia um homem alto, cabeludo e feio à espera do novo rebanho de alunos. — Os novatos esperam no pátio ao lado direito do prédio, sigam-me – Gritou. Não parecia divertido e Kin rezava para que ele não fosse um dos seus professores. O homem era peludo, vestia calças de tecido, um saiote de couro por cima, um cinto de couro preto bem grosso e botas e munhequeiras também de couro. Seus cabelos marrons eram em parte amarrados em duas tranças na frente e o resto dos fios ficavam livres na nuca do homem, mas não tão livres quando os pelos de seus braços e peitos nús. Ele e mais ou menos 30 alunos seguiram-no até o tal pátio. O pátio era um campo aberto com areia macia, Kin não parava de pensar o quão seria desconfortável andar ali de chinelos.. Na verdade, era desconfortável andar ali de qualquer jeito, mas o homem alto tinha total naturalidade. — Então, seus bando de macacos inúteis, prontos para a guerra? – O homem berrava no meio do pátio. Ninguém entendeu o que ele havia dito, os adolescentes ali olhavam um na cara do outro tentando achar respostas, ouvia-se o zumbido das conversas e perguntas. — Silêncio! – Gritou o homem numa voz grossa e perturbadora e logo todos se calaram. Kin olhou pro seu novo colega e viu ele com os olhos arregalados e a boca aberta curvada num quase sorriso. — Quem vai ser o primeiro a me mostrar o que sabe? – Gritou o homem.
Mäerkus levantou o braço com um sorriso de orelha a orelha. — O que tá esperando? Venha logo mariquinha! – O homem disse. Kin tinha a estranha sensação de que aquele homem só sabia falar berrando. Mäerkus pegou seu Machado e o posicionou ao lado do seu rosto. — Tá errado! – Berrou o homem – Levante o cotovelo, flexione o joelho! – Parou e olhou pra plateia de novatos. – Enquanto seu amigo mariquinha que não sabe segurar um machado direito me mostra o que sabe, eu me apresentarei – virou-se para o loiro novamente – Por que não começou ainda? O garoto deu de ombros, apertou forte o cabo de seu machado e correu pra cima do professor com um grito estridente, tentou golpear da esquerda para a direita na altura da cintura, o professor pulou o machado, e ao pisar no chão segurou o mesmo por trás da lâmina. Mäerkus já não podia fazer nada. — Me chamo Kraabus, ensinarei a vocês o básico de uma guerra esse ano. Ele soltou o machado do garoto e deus dois passos pra trás com os olhos arregalados sem saber o que fazer. — Vamos, continue! – berrou o homem Mäerkus estava muito impressionado, nunca tinha lutado desse jeito com seu pai, ali percebeu que tudo que tinha treinado com seu pai não passava de uma brincadeira de guerra, seus olhos encheram de lágrimas enquanto ele mordia o lábio pra não chorar. Correu ao redor de seu professor o mais rápido que podia e jogou o machado nas costas do homem, tinha certeza que acertaria, de acordo com seu pai tinha uma boa mira. o professor deu um passo para o lado e o machado passou direto. — É só isso que consegue? Bem, espero que todos sejam obedientes nas minhas aulas. Ensino aqui a tempo suficiente pra ter ensinado a seus pais e nunca alguém ousou fazer algo que eu não tenha mandado em minhas aulas. Disciplina é a chave pra tudo. – Ele disse para a turma e logo após virou-se para o garoto. – ultima tentativa. O loiro estava decepcionado com o que viu, um simples passo... não podia acreditar, caiu de joelhos na areia enquanto olhava pro seu machado, desolado. Kraabus olhou para onde o garoto olhava com tanta tristeza e encontrou o machado quase todo enterrado na areia. — Eu disse ‘ultima tentativa’, quer dizer q tem mais uma chance. – O homem estava se aborrecendo. O garoto correu até sua arma e segurou, parecia tão mais pesada agora... ou será seus joelhos tremendo? Quanta insegurança num minuto só! Quanta gente olhando! Quanta humilhação! Engoliu o choro e numa tentativa levada pela emoção correu de frente ao professor segurando com as duas mãos o machado acima da cabeça. Kraabus segurou o cotovelo do garoto. — Sério? É tudo que tem? Acabou? – Jogou o garoto na areia – Já vi que terei muito trabalho com vocês. Estão liberados da minha aula, outro professor aguardam vocês no auditório. Só queria testá-los antes. Kin não podia acreditar no que ouvia, aquilo nem aula era, ele apenas queria saber quem eram os novos alunos, era só isso. O garoto de cabelos negros olhou para o céu e suspirou aliviado, não iria ter que lutar contra aquele homem, ao menos aquele dia. Olhou para seu amigo jogado na areia olhando seu machado com olhos arregalados. — Hey! – Queria falar, mas não foi ele que falou, foi uma garota franzina, ruiva e branqueia. A garota correu até Mäerkus e ofereceu-lhe a mão. Ao ver a cena Kin não sabia se ajudava o amigo junto com a garota ou se ignorava e saia andando para o auditório. Acabou indo ao encontro do loiro. — Tudo bem? – perguntou, o loiro acenou positivamente. – bom... – concluiu Kin. — Hey, não fica assim, um dia você será melhor que ele! – A garota loira disse. Kin realmente não sabia como ele podia estar tão confiante, olhou para o cinto dela e viu uma espada. Uma garota guerreira? Será?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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