Cry Baby

11 Festa de dar pena - Parte 2


Leia ouvindo: Pity Party — Melanie Martinez (dê replay se necessário)

No dia seguinte, quando o despertador tocou, eu praticamente saltei da cama. Meu coração estava acelerado e eu estava transbordando de felicidade. Tirei o pijama e coloquei uma roupa qualquer para finalmente terminar a decoração da minha festa.

Eu havia preparado tudo com muito cuidado e atenção. Tudo, desde os pequenos aos grandes detalhes. Certamente, seria uma festa que ninguém iria esquecer tão cedo.

Tudo seria perfeito.

Consegui terminar tudo até a hora do almoço. Comi o que a Amanda já havia me preparado antes de sair e depois fui assistir um seriado na TV. Claro que não consegui me concentrar na série, tudo o que conseguia pensar era que esse iria ser o melhor dia da minha vida e continuei sonhando por horas.

Até que a hora da festa chegou.

Me arrumei e, nossa, realmente me sentia linda. As cores do meu vestido, do meu cabelo, tudo contrastava. Pela primeira vez, eu seria o centro das atenções. Pela primeira vez, alguma coisa seria sobre mim.

Eu nunca estive tão empolgada.

Sentei-me no sofá que, em alguns minutos teria, Sean e talvez Janel e seu namorado e comecei a ensaiar o que ia dizer.

— Não imaginei que você seria tão bacana! – falei olhando para o lado, como se alguém estivesse ali comigo.

“Muito obrigado! Janel não me contou como você era tão legal e bonita.”, ele diria. E Janel reviraria os olhos.

— Devíamos sair juntos qualquer dia. Você, Janel, eu e Sean! – sugeri.

“Claro! Vamos fazer isso logo!”, ele responderia.

Olhei no relógio. Já eram oito e meia.

Tudo bem, talvez estejam apenas atrasados, pensei.

A festa estava marcada para começar às sete e meia. Mas, como todos os convidados são jovens, deveriam chegar às nove horas, por aí. Nada para me desesperar.

Permaneci sentada ali. Olhando toda a decoração até que a campainha tocou. Eu praticamente voei até a porta.

— Desculpe o atraso, é que tivemos uns problemas. Estamos aqui para entregar uma encomenda da Sra. Martinez. – para minha tristeza, era apenas um entregador.

Peguei a encomenda inútil da minha mãe e entrei. Olhei no relógio e já eram nove e dez. As horas estavam voando. Mas ninguém chegava.

— Tá na hora da mágica! – disse para mim mesma.

Troquei minha roupa e mudei meu penteado para fazer os truques de mágica que eu estava planejando. Usei os ursinhos de pelúcia da decoração como plateia e comecei. Realizei diversos truques que estava treinando durante meses. Entretanto, ninguém aparecia.

Dez horas.

Fui até a janela observar a rua, ver se alguém estava vindo. Nenhum sinal de ninguém.

— Me diga por que diabos não há ninguém aqui! – disse para mim mesma.

Senti meu coração acelerar. Realmente estava com medo.

Coloquei uma música qualquer e comecei a dançar. Sozinha.

Onze horas.

Fui até a janela e novamente não havia ninguém. Meus olhos já estavam se enchendo de lágrimas. Talvez estivessem fazendo uma piada cruel de mim.

Tanto faz.

Pelo menos, sobraria mais bolo para mim. Para sempre.

Sentei no chão e comecei a chorar. Quem eu estava querendo enganar? Ninguém viria a minha festa. Minha festa que fiz com tanto carinho. Coloquei meu coração, minha alma em cada coisa dessa maldita festa!

E os meus convites? Talvez eles tivessem desaparecido, pensei. Por isso não há ninguém aqui!

Quem eu estava querendo enganar? Ninguém viria a minha festa.

Novamente comecei a chorar.

— Me diga o que fazer para tudo ficar bem! – gritei com a voz embargada por causa do choro.

Foi então que, por um instante, pude ouvir um dos balões me falar:

— Você não pode chorar na sua festa, Melanie.

Aquela voz idiota de gás hélio! Quem ele pensava que era para me dizer o que eu devia fazer ou não?

— A FESTA É MINHA E EU CHORO SE EU QUISER! – berrei e comecei a estourar todos os balões, literalmente com unhas e dentes.

Então, depois de ter estourado e rasgado quase todos os balões, me joguei sentada no chão e comecei a chorar novamente. Minha maquiagem já estava toda borrada e vários fios do meu cabelo grudavam no meu rosto praticamente encharcado.

Foi aí que ouvi uma risada. Me levantei e olhei em cima da lareira, de onde o som vinha. Era de um dos ursinhos de pelúcia. Então ouvi novamente, era familiar risada do Sean, vindo de um deles. Peguei-o com um sorriso no rosto.

— Sabe, pequeno Sean, eu estava querendo brincar de futebol. Você é tão bom nisso não é? – falei com meus olhos arregalados para o ursinho. Peguei uma tesoura que havia esquecido também em cima da lareira e continuei – E, QUE TAL SE USÁSSEMOS A SUA CABEÇA COMO BOLA?!

Soltei uma risada sádica enquanto cortava a cabeça do pequeno urso de pelúcia. Quando estava praticamente toda cortada, a arranquei com os próprios dentes e ri ainda mais alto.

— Como se sente agora Sean? – perguntei para aquele pedaço de tecido e espuma. – Você se sente bem? Porque eu não me sinto bem! EU NÃO ESTOU BEM! – gritei de novo.

Comecei a chorar novamente e a puxar meu próprio cabelo.

— Por que, Sean? – falei chorando. – Por que você não veio? Será que você não me ama mais?

Olhei em volta. Toda aquela decoração, eu havia feito tudo sozinha, minha alma em cada pequeno detalhe e eles, todos eles, simplesmente a ignoraram.

Dei um grito e comecei a rasgar e a jogar tudo para o ar.

Festa inútil! Coisas inúteis! Pessoas inúteis!

— VÃO TODOS QUEIMAR! – berrei.

Então peguei um isqueiro que havia usado nos truques de mágica e comecei a queimar as cortinas que eu havia comprado especialmente para combinar com as cores da festa.

Corri até os outros ursos de pelúcia e os disse:

— Vejam todos! Eu vou chorar até que a minha festa de dar pena esteja em chamas!

(Pare a música)

Foi então que escutei um barulho de carro e logo depois a porta dos fundos abrir e fechar. Alguém havia entrado e eu podia ouvi-lo subir as escadas.

Um arrepio correu pela minha espinha.

Não poderia ser nenhum convidado, pois nenhum deles sabia da porta dos fundos, ela era praticamente inutilizável.

Toda aquela minha ira passou. Só conseguia sentir medo.

Leia ouvindo: Secret — The Pierces/Music Box (dê replay se necessário)

Rapidamente apaguei o fogo das cortinas, tão rápido que nem eu mesma sei como fiz isso. E então resolvi ver quem era o ou a visitante.

Subi as escadas pé-ante-pé até chegar no andar de cima, onde, de cara, já pude ver a porta do escritório do meu pai aberta.

Me agachei no corredor e engatinhei até a porta do escritório. Coloquei a cabeça lá dentro e enfim consegui ver. Meu pai estava de pé em frente ao parapeito da janela, onde havia uma mulher sentada. De início, pensei que fosse a minha mãe. Mas foi quando levantei mais o olhar para observa-la que vi o cabelo loiro.

Então, durante o prolongado beijo deles, Amanda abriu os olhos e me viu. Eu pude ver o espanto em seu olhar. Apenas fiz sinal de negação com a cabeça e sai do mesmo jeito que entrei.

Sentei na cadeira, em frente à mesa onde deveriam cantar o “parabéns” para mim. Meu bolo estava lá. Pelo menos vai sobrar mais bolo pra mim, pensei novamente.

Peguei um dos cigarros da minha mãe que haviam ali em cima da mesa (porque eu realmente imaginei que ela estaria ali e seu cigarro sempre a deixava mais feliz), o acendi com a chama da vela e o fumei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.