Cry Baby
1 Eles me chamam de Bebê Chorona
O sol já adentrava meu quarto me avisando que já era manhã. Me levantei com dificuldade e fui lavar o rosto. Ia ser meu primeiro dia de aula na escola no segundo ano do ensino médio, e eu não estava nem um pouco animada.
Afinal, eu já sabia o que estava por vir.
Coloquei o tradicional uniforme da escola, que era uma camiseta com gola triangular e saia de prega azul escuro. Isso para as meninas, claro. Mas quer saber? Acho que seria engraçado ver todos aqueles garotos bobões da escola usando saia.
Imaginei a cena e comecei a rir sozinha.
— Mel, está pronta? – minha mãe chamou do lado de fora do quarto.
— Quase mamãe. – respondi e dei uma última checada no espelho.
Coloquei o meu tão querido laço vermelho no cabelo, peguei minha mochila e o meu ursinho e saí.
Lá embaixo, meu irmão já estava à minha espera, juntamente com meu pai. Me perguntei como Max se arrumava tão rápido.
— Mas um tempinho e iríamos chegar atrasados. – meu irmão Max falou.
Encarei-o com os olhos semicerrados.
— Melhor você calar essa sua boca, seu idiota! – falei.
— Melanie! – minha mãe repreendeu. – Isso não é o tipo de coisa que se deve sair da boca de uma dama. Agora vão logo para o carro!
E assim, partimos para aquele lugar horrível, que muitos chamam de colégio.
***
Depois de ficar, eu nem sei quantas horas, sentada em uma cadeira, ouvindo um monte de coisas que eu já havia aprendido com os livros em casa, finalmente havia chegado a hora de ir embora.
Eu estava esperando meu pai no portão e também olhava para todos os lugares, para ver se encontrava meu irmão. Foi ai que umas pessoas da minha turma se aproximaram.
— Sabe, não leva a mal, mas nós queríamos perguntar uma coisa. – Sasha falou.
— É que... – Lucy riu um pouco – Por que você usa esses laços?
Olhei para cima, mesmo sabendo que eu não conseguiria vê-lo.
— Uso porque gosto. Isso me faz parecer uma dama. – respondi.
Elas riram.
— Por favor, Melanie! Isso não é coisa de dama, é coisa de criança! E você já tem dezesseis anos! – Lucy disse.
Cruzei os braços e fiz cara feia.
— Assim nenhum garoto vai querer namorar com você. Nem mesmo o nerd do Simon! – comentou Sean.
Senti as lágrimas brotarem.
— Você se esqueceu, Sean? O namorado dela é o ursinho! – Sasha falou entre risos.
Então não aguentei. Deixei as lágrimas caírem.
— Vai com calma aí, Mel. – Sean disse apreensivo. – Nós não queríamos te magoar.
— Esquece, Sean. – Lucy falou. – Não dá para brincar com a Bebê Chorona.
E saíram.
Vi que Max estava vindo e o repreendi:
— Onde você estava? Por que demorou tanto?
— Não é da sua conta! – respondeu simplesmente.
Nosso pai chegou e fomos finalmente para casa.
Eu os odiava. Odiava todos eles! Sasha: a loira azeda de olhos azuis que todos amavam. Lucy: a branquela, baixinha, de cabelo preto que dava em cima de todos os professores. E Sean: o bonitão do time do futebol, de cabelos pretos e olhos verdes.
“Um dia vão ter o que merecem!”, pensei enquanto chorava no meu quarto.
Droga. Eu odiava tanto ser assim. Queria ser insensível como eles. Mas como? Eu era a garota com o coração maior que o corpo. Eu era a garota que vivia com lágrimas salgadas rolando pelo rosto.
Não era atoa que me chamavam de Bebê Chorona.
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