Cruzando Fronteiras
1 Capítulo 1 - Único
Notas iniciais
Ele observava as nuvens. Quando era pequeno imaginava que eram algodão doce, ou então massinhas de modelar, podia visualizar todos os insetos e animais possíveis. Naquele exato momento, sentado naquele assento, sentia um misto de felicidade e medo a lhe invadir o peito. Felicidade por ter tomado coragem para seguir em frente e medo por não ter certeza de que encontraria o que procurava, ou melhor, quem procurava. Será que havia feito o que era certo? Sentia que estava cruzando uma tênue fronteira. A tênue fronteira entre o receio e a ansiedade.
Grissom olhava a paisagem que se mostrava pela janela do avião. Seu coração estava acelerado. A decisão não fora fácil, mas ficar sem Sara era inadmissível.
Deixou-se levar pelas lembranças. Eram tantas que chegava a doer. Lembrou-se de uma das conversas que tivera com Sara.
Eles estavam deitados na cama, ouviam a respiração um do outro. Sara repousava a cabeça no peito de Grissom. Ela havia voltado para o enterro de Warrick e estava ali com ele. Sentia que aquilo era o correto os dois juntos, unidos.
O celular insistia em tocar. Não queria atender, sabia que era do laboratório. Sara olhou o visor
_ É do laboratório de novo. Não vai atender?
_ Não! – disse Grissom sem se mover.
Sara tomou as mãos de Grissom entre as suas. Como sentira falta dele! A noite que passaram juntos serviu somente para provar que um ainda necessitava do outro.
_ Talvez você devesse se afastar por um tempo. Tirar uma licença.
_ Não posso! – suspirou – Somos tão poucos.
Grissom olhou para Sara. Como sentira falta dela!
_ Porque você não fica?
Ela não o olhou nos olhos.
_ Eu não posso ficar aqui.
Ela se ajeitou no peito de Grissom.
_ Seria legal você fazer uma viagem. Não sei... Embarcar no Sea Shepherd. Ir a Galápagos, poderíamos, literalmente, seguir os passos de Darwin.
Depois ela foi embora sem ao menos se despedir. Ele não se lembrava de um dia ter sentido tanta dor. Nem quando o seu pai havia morrido, tantos anos atrás, ele sentira essa dor lacerante que sentia agora. Sara fazia falta.
Sua mente começou um angustiante jogo do e se:
E se eu tivesse aceitado a idéia de Sara?
E se ela não quiser mais saber de mim?
E se já tiver uma outra pessoa em seu coração?
E se já for tarde demais?
E se ela não me amar mais?
E se...
A voz da comissária de bordo o tirou do devaneio.
_ Atenção senhores passageiros, queiram por favor afivelar os cintos e voltar os assentos para a posição vertical. Os equipamentos eletrônicos deverão ser desligados. Dentro de cinco minutos iniciaremos o pouso. Obrigada!
Mais um pouco e suas dúvidas acabariam. Ou ele seria o homem mais feliz do mundo ou seu mundo viria por água abaixo. Não sabia se queria tirar isso à prova.
Após o pouso, Grissom desceu do avião. Cada vez mais seu coração acelerava. Tomou um táxi. Precisava de um banho para refazer-se da viagem. A jornada ainda não havia acabado.
-o-
Já caminhava naquela mata há algum tempo. O GPS informava que não estava longe. A mochila nas suas costas pesava, mas isso não importava. O importante era que estava indo ao encontro do seu futuro. O futuro com Sara.
Encontrou-a fotografando um macaquinho. Ela estava de costas. Parecia mais magra, mas ainda sim estava encantadora. Como ela estava linda!
Ficou admirando-a por um tempo. Então ela volveu-se. Os olhos se encontraram. Por um momento ele não soube o que fazer. Os pés ganharam vida própria. Quando deu por si já tinha Sara em seus braços. As bocas saudosas uma da outra, uniram-se num beijo. Nada mais precisava ser dito.
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