Crush Culture
8 Epílogo
"Senhoras e senhores, por favor, fiquem de pé
Com cada cicatriz de corda de violão na minha mão
Eu aceito essa força magnética de homem para ser meu amado
Meu coração estava emprestado e o seu estava triste
Tudo está bem quando termina bem se o final for com você...
Juro ser excessivamente dramática e honesta com o meu amado
E você vai guardar todas as suas piadas mais sujas pra mim
E em todas as mesas eu guardarei um lugar pra você, amado"
Luka havia recebido alta do hospital após o tratamento com soro e reposição de vitaminas. Infelizmente, ele e Kagami não puderam passar o Dia de São Valentim juntos. Todavia isso não foi um problema para a garota que planejou junto com Marinette uma recepção para Luka, junto a um "dia de São Valentim" somente deles.
Kagami não era dessas que faziam melosidades e as odiava também, mas — por insistência de Adrien e de Marinette, e talvez por uma sutil vontade própria — abriu uma exceção. A sala da casa de Jagged, pai de Luka, estava sem a mesa de centro e com uma toalha de piquenique na onde o móvel costumava ficar. E tinha uma cesta com comidas leves em cima do sofá, onde também tinham uma coleção de diversos animes e filmes para poderem passar absolutamente o dia inteiro apenas maratonando um arco ou uma saga qualquer.
Quando Luka e Kagami entraram juntos na casa, o rapaz admirou-se com o ambiente e sua organização fora do seu cotidiano.
— Kagami, o que é isso? — perguntou entre um sorriso. Olhou-a e viu dar um sorriso tímido com as bochechas levemente avermelhadas.
— Um piquenique doméstico, oras — respondeu como se fosse óbvio, pegando na mão do rapaz e o puxando para o interior da casa.
— Sim, isso eu percebi. — Riu revirando os olhos. — Mas por quê?
A garota pensou um pouco, tentando buscar o verdadeiro motivo daquilo, então respondeu meio sem jeito:
— Nós perdemos o dia dos namorados, supondo que somos isso ou algo do tipo, então eu fiz isso para a gente passar um tempo juntos, sem quebrar o seu repouso. — Desviou o olhar, e encolheu-se um pouco pela vergonha de tal ato meloso e "romântico demais" para seu gosto. — Mas não fiz isso sozinha, foi ideia do Adrien e a Marinette ajudou a arrumar boa parte das coisas.
O rapaz sorriu de canto, vendo a moça claramente negando a própria vontade daquele momento. Então, aproximou-se um pouco dela, abraçando-a de lado e beijando o topo de sua cabeça.
— Fizeram um ótimo trabalho juntos... Acho que depois de minhas atitudes eu nem mereço tudo isso.
— Não seja idiota, Luka — advertiu Kagami, virando o rosto para o rapaz que ainda a envolvia pela cintura. — Isso é o mínimo que eu devo fazer por ter sido uma babaca.
— Ok, ok... Deixo você ser a babaca da relação. — Ele a soltou enquanto comentava divertido, fazendo-a o olhar verdadeiramente indignada.
— Ei! Isso não foi muito elegante — esbravejou, mas logo balançou a cabeça negativamente rindo dele. — Vamos parar com joguinho de culpa e sente-se para começarmos a tarde.
O rapaz assentiu e sentou-se devagar no chão, enquanto Kagami lhe imitava, pondo-se ao seu lado depois de pegar os DVDs.
— O que quer ver? — Apontou para as caixas em suas mãos.
Luka pegou uma embalagem de um dos animes e arqueou uma sobrancelha enquanto virava-o para a garota.
— Sobre o que fala esse? — perguntou curioso.
Vendo que era Ouran High School Host Club, Kagami não conseguiu segurar um pequeno riso de seus lábios.
— Sobre caras como você... — disse divertida, deixando o rapaz mais confuso do que antes.
Ela apenas tomou-a das mãos dele e colocou um disco dentro do aparelho, não permitindo que o rapaz disse mais nada além de prestar atenção no anime passando na TV.
O anime cheio de rapazes que tinham como objetivo entreter garotas "conquistando-as" e com uma garota que tinha que pagar uma dívida fazendo a mesma coisa roubou boas risadas do jovem, enquanto Kagami observava-o se divertir com aquele humor bobo e vergonhoso com um sorriso de lado. Assistiram ao menos seis ou sete episódios seguidos.
— Entendeu agora o por que eles se parecem com você? — questionou a garota dando um sorriso de lado para Luka.
— Confesso que ainda não — respondeu sem graça, fazendo a asiática revirar os olhos por decepção.
— O jeito que você usou para me conquistar é uma clara postura de host. — Suspirou, relaxando os ombros enquanto esperava o rapaz processar a informação e ligar os pontos.
— Isso é mentira! — exclamou após perceber o que ela quis dizer. Mas ela lançou um olhar questionador para o rapaz que o fez rir sem graça. — Ok, talvez seja um pouco verídico.
Ambos riram com a conclusão e seguiram o dia. Ele passou calmo, lento e prazeroso. Aquele definitivamente foi o melhor Dia de São Valentim para Kagami e para Luka — mesmo não sendo o dia verdadeiro — tanto individualmente quanto como um casal. Houveram outros tantos momentos fofos e bobos que deixariam essa história maior do que você pode imaginar, mas um dos que mais vale a pena ser mencionado foi quando Kagami colocou alguma música lenta genérica e surpreendeu o rapaz ao levantá-lo para dançarem ali mesmo, no meio da sala. Dançaram juntinhos, em um silêncio de vozes durante quase cinco minutos de música até que Luka rompeu o silêncio dizendo:
— Eu tive medo de falhar em te convencer que o amor existe e vale a pena...
— Eu não... — retrucou Kagami. — Eu percebi no primeiro instante que eu me apaixonaria de novo por um idiota como você se forçando tanto. — Ela deu-lhe um selinho curto, dessa vez ele quem acabou corando. — Couffaine, você ainda me faz querer vomitar, mas eu aprendi a gostar disso...
"Posso ir aonde você vai?
Podemos ser próximos assim para todo o sempre?
E ah, me leve pra sair e me leve pra casa
Você é meu, meu, meu, meu
Amado"
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