Crush
1 Dia 1: Confissões
Notas iniciais
Mais um final de período se aproximava, os professores não tinham pena de suas “vítimas” e lotavam os alunos de trabalhos. Após tais dias exaustivos e estressantes, devido ao curto prazo para entrega das atividades, o grupo de amigos resolveu se reunir na casa de Kaminari, em busca de algum contato social entre si, antes de retomarem os estudos para as provas finais da faculdade.
Bakugou observava de braços cruzados, encostado na pia da cozinha, o ruivo sentado entre Mina e Denki, no colchonete que estava no chão da sala; o trio estava tirando no “pedra, papel e tesoura”, quem iria escolher o filme daquela noite, e o loiro não pôde evitar um pequeno sorriso divertido nos lábios ao ver Eijirou ostentando um bico resignado por ter perdido no jogo.
— Tu ‘tá ligado que ele é a fim de você, né? — A voz de Sero o despertou, e, automaticamente, Katsuki fechou a feição, ficando de costas para a sala.
— Eu não sei do que você está falando, Hanta. — Olhando de esguelha para o amigo, Katsuki pegou a pipoqueira embaixo da pia, e foi na direção do fogão, esperando o outro terminar a tarefa para começar a fazer a sua, de fato. — Faça mais, e fale menos!
— Qual é, Katsuki!? — Enquanto falava, Sero cortava um bacon em tiras. — Sério, cara, vocês precisam resolver essa tensão que existe entre os dois… A gente não aguenta mais esse lenga-lenga!
Revirando os olhos, Bakugou colocava na pipoqueira o óleo que usaria para fritar o bacon e posteriormente estourar o milho de pipoca. Ele sabia muito bem do que Sero estava falando, porém, não era uma tarefa simples confessar seus sentimentos ao melhor amigo.
— Tch, cuida da sua vida que dá minha, cuido eu, beleza? — Bakugou disse entre dentes, virado de costas para Sero, pois, despejava o conteúdo da panela na vasilha em cima da mesa. O moreno deu de ombros, balançando a cabeça em negação, saindo do cômodo com os copos e refrigerantes em mãos, indo em direção ao falatório na sala.
O loiro ofegou ao sentir o peitoral largo encostando em suas costas, o perfume amadeirado inebriando seus sentidos, trazendo um leve rubor para seu rosto, conforme os braços definidos do amigo rodeavam sua cintura. A respiração quente batendo em seu pescoço trouxe um arrepio, e no torpor do momento, Katsuki deixou a panela escorregar por entre os dedos, encostando levemente no braço do outro, antes mesmo que Eijirou conseguisse encher a mão de pipoca.
— AI, SUKI, ‘TÁ QUENTE!
O tom de voz elevado fez Katsuki sair do transe, voltando para a realidade e percebendo alarmado o que tinha feito. Logo, o loiro apressou-se em deixar a panela em cima do fogão para socorrer o amigo que ostentava, de novo, aquele bico estupidamente fofo nos lábios.
— Cacete, Eiji, se você não tivesse chegado assim do nada! — Ralhava com o outro enquanto abria a torneira com água fria em cima da pequena mancha avermelhada entre os pelos do braço de Kirishima. — Tsc, porra… ‘Tá doendo muito?
— Não, Suki… É só dar um beijinho que passa — Eijirou pediu, brincalhão.
E lá estavam as malditas borboletas levantando voo no estômago de Katsuki.
O loiro fechou o registro, e trouxe para perto o braço do amigo, constatando que não chegou a ser uma queimadura grave. A área estava levemente avermelhada, e era muito provável que nem bolha daria. Respirando fundo, para controlar um pouco do nervosismo, Bakugou inclinou-se para frente deixando um leve beijinho na área ferida.
— ‘Tá satisfeito, idiota?!
Kirishima não acreditou na cena que se desenrolava em sua frente: seu crush Bakugou Katsuki, estava mesmo acatando àquele pedido bobo? O ruivo arregalou levemente os olhos, sentindo o rosto arder, provavelmente, tão vermelho quanto o do outro à sua frente, abrindo e fechando a boca algumas vezes, antes de acenar positivamente ao sussurrar:
— Uhum…
Bakugou estalou a língua no céu da boca, mantendo o contato visual com Eijirou, a tensão entre ambos era quase palpável, e Katsuki soube que era a hora de ser honesto consigo mesmo, e com Kirishima. Chegou o momento de resolver a questão que perdurava por meses a fio: iria confessar.
— Sabe, Eiji, eu venho lutando contra esse sentimento há algum tempo por medo de acabar com a nossa amizade, mas eu não quero mais reprimir o que sinto — Bakugou também sussurrava, como se segredasse um segredo só deles, em meio a cozinha de Denki. — Eu sou completamente apaixonado por você, Eijirou.
O ruivo arfou, sentindo os olhos encherem de lágrimas, abrindo um enorme sorriso para Katsuki, enquanto tomava o amigo entre os braços, num apertado abraço.
— Ah, Katsuki… Eu amo você, desde a primeira vez que te vi! — O ruivo riu baixinho, tímido. — Você é meu crush há anos, e- Caralho, eu ‘tô alíviado demais por ser recíproco.
O som de palmas e assovios reverberou por toda a cozinha, tirando os dois da bolha em que estavam envoltos. Katsuki foi o primeiro a olhar de cara feia na direção dos amigos que estavam no batente da cozinha, em alvoroço, xingando-os, girando o corpo de modo que se escondesse atrás de Eijirou, levantando o dedo do meio da mão esquerda em direção aos outros. Kirishima ria envergonhado rente ao ouvido de Bakugou, ostentando um sorriso de orelha a orelha por finalmente ter tirado aquele incômodo peso dos ombros.
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