Crush

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Basicamente é a história do envolvimento entre duas garotas.

Renée levantou sonolenta. Não gostava de acordar tão cedo. Entretanto, ela tinha que ir comprar o pão do café da manhã, senão, seus irmãozinhos iriam para escola em jejum. Então ela calçou as chinelas e passou as mãos nos cabelos arrepiados, achatando-os na cabeça. Saiu na rua com o vento frio das 6 horas da manhã. Andou em passos trôpegos até chegar à padaria. Já havia uma fila de clientes esperando a vez. Ela entrou no fim da fila. Logo chegaram mais pessoas, que entraram na fila depois dela.

Uma garota entrou na padaria e não entrou na fila, ela passou por Renée e lhe deu uma piscadela. Passou direto para o balcão de atendimento. Ela nem mesmo pagou pelo pão. Foi só chegar perto do balconista para receber 1 kg de pão. Ela agradeceu e dirigiu-se à saída. Todos a estavam encarando, mas ela piscou somente para Renée, novamente. Renée esperou pacientemente pela sua vez.

Quando enfim retornou para casa com o pão, já passava de 06h30min. Ela ficou pensando na garota folgada, que ludibriou a fila. Achou que ela deveria ser parenta do dono da padaria, para receber o pão de graça. Ela banhou-se rapidamente e vestiu-se para a escola.

Ao chegar a sua sala de aula, já na escola, viu entrar a mesma garota da padaria. Ao enxergar Renée, a menina deu tchauzinho e um sorriso. Ela se sentou com a turma do fundão da sala. Eles eram os mais bagunceiros e distraídos. Renée achou melhor não se enturmar muito com uma garota que não levava os estudos muito a sério. Na hora do intervalo para a merenda, a menina folgada aproximou-se de Renée.

_Oi, meu nome é Auxiliadora, mas eu prefiro ser chamada de Cissa. O teu nome eu já sei qual é, eu ouvi te chamarem.

_Oi, Cissa.

_Aqui é meio... Lento, não achas?

_Lento? Como assim?

_As aulas são tão chatas.

_Ah é. Os professores não têm imaginação.

_O que achas de gazetarmos o próximo tempo e pegarmos um cineminha?

_Deus me livre. Eu não quero levar falta na aula de matemática.

_Matemática? É tu tens razão. Eu não sou muito boa em matemática.

_Então é melhor assistir a aula e parar de gazetar, não acha?

_É. Mudando de assunto, eu te vi hoje na padaria.

Renée não pôde evitar rir, gesto que foi acompanhado por Cissa.

_Eu me lembro que você nem entrou na fila e pegou o pão sem nem pagar.

_Tu és observadora, hein?

Renée ficou encabulada e baixou os olhos.

_Não fiques com vergonha não. Sinal de que me achaste interessante.

Renée corou um pouco e baixou a cabeça.

_Tens namorado?

_Não. — Renée respondeu ainda de cabeça baixa.

_Eu tenho. O nome dele é César. Ele é muito ciumento. Acreditas que ele quer controlar as roupas que visto?

Renée levantou a cabeça algo incomodada.

_Eu acho que você não deveria deixá-lo controlar assim a sua vida.

Cissa sorriu. Renée gostava daquele sorriso, mas não gostava de gostar daquele sorriso. Por isso fechou a cara.

_Esquentes não. Homens gostam de marcar o território. Eles gostam desse sentimento de posse. Depois, o ciúme é sinal de amor.

_Você é quem sabe. — Renée estava irritada e não sabia por quê.

Naquele dia ela voltou para casa muito impressionada com a nova colega. Negativamente. Ela gostava de sentar com a turma da bagunça. Burlava as regras. Não gostava de estudar. E gostava de ser tratada como um objeto pelo namorado. Renée sentiu vontade de bater nela. Achou que estava ficando louca. Bastaria não falar mais com aquela menina e tudo voltaria ao normal.

Fez todo o dever da escola e ajudou a mãe no serviço de casa. À noite o pai chegou do trabalho. Todos se reuniram para o jantar e fizeram a oração antes de comer. O pai sempre fizera questão desse ritual na hora da janta, pois era o único momento em que todos estavam juntos.

No dia seguinte, Renée encontrou Cissa novamente na padaria. Ela deu tchauzinho e um sorriso e só. Não parou para conversarem, nem nada. Renée ficou um pouco frustrada, apesar de na noite anterior ter decidido não falar mais com aquela garota. Ficou imaginando se o balconista da padaria era o César, o namorado ciumento.

Mais tarde na escola, Cissa chegou, sorriu e se sentou com sua turma, bem distante de Renée. Ela ficou se remoendo de vontade de se sentar perto da nova colega, mas decidiu controlar aqueles anseios esquisitos. Afinal de contas, Cissa nem ia lhe dar atenção com todos aqueles amigos que a festejavam. Na hora do intervalo, Cissa a procurou novamente.

_Então, vamos gazetar aula e pegar um cineminha?

_Ok! — Renée respondeu sem pestanejar.

Mais tarde ela se arrependeria de ter faltado à aula sobre a revolução francesa, mas ela não poderia deixar de passar um tempo com Cissa. Foram ao cinema e entraram em um filme de censura 18 anos. Renée achou que seriam barradas e que exigiriam as identidades, mas nada lhes pediram ou perguntaram, a não ser as entradas. Para não serem identificadas como estudantes colocaram camisetas brancas sobre as blusas da farda do colégio.

O filme que assistiram tinha algumas seqüências de insinuação de sexo, o que fez Renée sentir-se mal. Ela desviou os olhos para não assistir as seqüências, mas podia ouvir os gemidos e a respiração ruidosa. Ela queria muito mesmo sair correndo do cinema, mas não poderia deixar Cissa na mão. A trama do filme acabou mal, com a protagonista sendo assassinada com requintes de crueldade. Renée desviou os olhos novamente, mas podia ouvir os gritos.

Ao final da sessão sentia-se enjoada e meio bêbada. Tinha vontade de vomitar. Chegou mesmo a pedir licença para ir ao banheiro. Lá chegando só conseguiu vomitar quando colocou um dedo na garganta. Somente assim para a náusea passar. Foi falar com Cissa para dizer-lhe que estava mal e precisava ir para casa.

_Tu estás mal por causa desse filme?

_Você não viu o que fizeram com a moça? — Renée reclamou já sentindo a náusea voltar.

_Tu vomitaste também? — Cissa parecia preocupada agora.

_Eu preciso ir para casa.

_Tudo bem. Outra vez nós só veremos filmes infantis, tudo bem?

Cissa a acompanhou até sua casa e beijou-a no rosto, dizendo \"isso vai passar\", então foi embora. Renée sentia a face arder e os pés sobre nuvens. Só depois de muito tempo, foi que se deu conta que ainda estava no portão de casa, com a mão sobre a face beijada.

Fim do Capítulo

Song: # 1 crush

I would die for you

I would die for you

I\'ve been dying just to feel you by my side

To know that you\'re mine

I will cry for you

I will cry for you

I will wash away your pain with all my tears

And drown your fears

I will pray for you

I will pray for you

I will sell my soul for something pure and true

Someone like you

See your face every place that I walk in

Hear your voice every time that I\'m talking

You will believe in me, and I will never be ignored

I will burn for you

Feel pain for you

I will twist the knife and bleed my aching heart

And tear it apart

I will lie for you

Beg and steal for you

I will crawl on hands and knees until you see

You\'re just like me

Violate all the love that I\'m missing

Throw away all the pain that I\'m living

You will believe in me

And I can never be ignored

I will die for you

I will die for you

I will steal for you

I\'d do time for you

I will wait for you

I\'d make room for you

I\'d sink ships for you

To be close for you

To be part of you

Because I believe in you

I believe in you

I would die for you

Notas finais
Tentativa de escrever Yuri. Talvez a história soe esquisita.