Cruel
14 A Solidão Faz Uma Vítima
Notas iniciais
Lá estava eu, Mona Lisander, sentada no bar bebendo álcool. 30 doses de uísque que poderiam me matar, mas só faziam minha dor e minha tristeza se expandirem.
30 fodidas doses de uísque que parecem não curar os males de um coração partido como o meu.
O barman parece não gostar da minha presença ali no bar. Pudera, abalada como eu estou. Então ele me avisa de que eu já passei da conta, que é melhor eu pagar a conta ou ele chamará a polícia.
—Me deixe em paz! — Eu balbucio.
Eu não tinha forças nem para completar a porra daquela frase. Minha vida é uma droga. Eu já dormi com muitos caras, todos eles me deram um pé na bunda.
Talvez eu seja muito exigente no sexo, talvez não. Talvez eu esteja andando com os caras errados, ou procurando no lugar errado. Porra! Eu só queria ficar nua e me jogar de uma ponte nesse exato momento.
O barman insiste no que ele havia me dito antes.
— Está bem. Me dê só mais uma dose de uísque e eu lhe prometo que eu vou te pagar pela bebida — Eu exclamei com a minha boca torta. Já estava fora de mim mesma.
— Senhora — Ele tentou ser educado comigo— Eu só estou pedindo que você pague o que consumiu ou eu vou chamar a polícia. Você tomou 30 doses de uísque e ainda não pagou...
Quando o barman está sendo educado com você...é porque ele quer mesmo que você saia, sem parecer grosseiro.
Então eu olhei para o lado e vi uma silhueta entrando no bar. Depois de dar um passo a frente, ela se revelou. Era um homem alto, em torno de 50 anos, de cabelos loiros, olhos azuis pequenos, barba feita, vestia camiseta verde estampada, calça jeans, e sapatos pretos. Ele me pareceu bastante gostoso.
Então eu e o barman olhamos para aquele cara. O barman logo o reconheceu. Provavelmente era um cliente assíduo do bar.
—Ah, senhor ...—O barman interrompeu. Acho que ele se esqueceu do nome do cara.
—Peterson. Gale Peterson —O homem se apresentou com uma voz ríspida.
—Senhor Peterson. Me desculpe, são muitos clientes que veem ao meu bar, eventualmente eu esqueço de algum — O barman se desculpou.
Sim. Eu apenas fiquei observando a conversa de ambos.
— Tudo bem — Ele respondeu.
—O mesmo de sempre? — O barman quis saber.
Ele se aproximou do balcão, se sentou no banco ao meu lado e falou com os braços debruçados sobre a superfície.
—Sim. Cerveja —Gale pediu.
— Está bem.
O barman foi preparar a bebida dele e voltou em alguns minutos com o copo de cerveja.
—Aqui está —O barman disse entregando a bebida dele.
Ele já ia tirando a carteira do bolso para pagar a bebida quando me fitou com aquela cara de devastação no meu semblante.
—O que você está olhando? —Eu bradei.
Gale voltou o olhar para o barman.
—O que ela tem?
— Ela tomou 30 doses de uísque e não pagou —O barman o informou.
—Quanto ela deve?
—Bem, são 5 dólares a dose. Ela tomou 30 doses, 150 dólares.
Gale desembolsou cerca de 200 dólares da carteira e pagou as bebidas —A dele e a minha —O barman pegou o dinheiro e o colocou no bolso do colete que ele estava usando.
—Obrigado.
—Disponha. Qual é o seu nome, garota?
Gale começou a me interrogar.
—Quem quer saber?
—Gale Peterson.
—Eu sei. Eu ouvi o que você disse.
—Tudo bem. Você parece não estar muito bem...
—Lisander, Mona Lisander.
—Está certo. Mona. Você não parece estar bem, Mona —Ele concluiu —O que você tem?
—Meu namorado me traiu com uma vagabunda qualquer.
— E você o amava muito?
—Mais que tudo...Eu só queria pular de uma ponte...
—Entendo. Talvez eu possa de ajudar.
Como é? Um estranho me oferecendo ajuda? isso parece bastante arriscado.
—Como?
—Eu posso ser quem você quiser. Eu posso realizar os seus desejos. Eu posso ser o homem dos seus sonhos. Eu posso ser tudo aquilo que você quiser.
Tentador...porém, arriscado.
—Desculpa, não estou interessada. Eu nem te conheço!
—Eu entendo. E se nós formos para um café? Eu pago.
Ele então molhou o bico na caneca de cerveja. Eu fiquei olhando, e comecei a sentir o meu corpo formigar de vontade de tomar um pouco daquela bebida.
—Posso beber um pouco da sua bebida?
— Você tomou 30 doses de uísque e quer cerveja?
É, eu não conseguia me conter. O meu impulso dizia para beber mais um pouco. Eu....estava com uma cara de indigente.
—Só um gole. Por favor!
Cara, que vergonha de mim mesma...
—Está bem — Ele me passou a caneca e eu a peguei.
Eu então comecei a bebericar a cerveja dele, mas acabei passando do ponto e entornei tudo num só gole. Satisfeita, eu entreguei a caneca a ele.
—Obrigada.
— Garota, você estava com sede...
Gale parecia não entender como eu tinha aguentado 30 doses de uísque e mais a cerveja.
Então, a natureza de repente me chamou. Eu fiquei com muita vontade de ir ao banheiro. Eu me segurava para não fazer nas calças.
—Eu preciso ir ao banheiro.
Gale chamou o barman e perguntou ao barman. O mesmo disse a localização e ele repassou para mim.
—No fundo, segunda porta a esquerda.
[...]
Algum tempo depois, eu voltei do banheiro e fui até Gale. Eu não acreditei que eu fosse fazer o que eu fiz.
—Gale, por favor, me leve daqui —Eu falei para ele.
É, eu acho que a bebida fez a sua mágica comigo. Como eu podia falar aquilo para um cara que poderia ser um estuprador, um assassino, ou sei lá o quê?
—Você tem certeza?
Eu simplesmente não estava nem ai. Eu só queria ir embora daquele lugar com aquele estranho que eu nem conhecia.
—Está bem.
Gale me carregou e me levou dali.
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