Notas iniciais
Mais um capitulo... boa leitura!

(Lembrando que esse POV começa depois de Nannah se despedir do seu irmão no cemitério, ok?)

POV – Nannah

Entrei no carro chorando muito, o buraco no meu peito doía, mas eu teria que aprender a viver com ele, eu tinha que me desligar dessa vida, tinha que deixar que Terry se tornasse apenas uma memória boa. Eu precisava recomeçar.

Dei partida no carro e segui viagem rumo ao Canadá. Coloquei um cd no som, e rezei para que essa lata velha funcionasse em todo caminho. Sorri ao me lembrar de quando Terry a comprou.

(Flashback on)

‘Nannah corre aqui!’ – Terry gritou do jardim. Desci as escadas correndo, já imaginando o que podia ter acontecido.

‘O que foi garoto?’ – perguntei abrindo a porta da sala. Parei no mesmo instante que meus olhos caíram num carro velho parado na entrada de carros. Terry estava ao lado do carro com um sorriso enorme, como se estivesse ao lado de uma Ferrari OKm vermelho reluzente. ‘O que é isso?’ – perguntei apontando pro carro, o sorriso de Terry murchou.

‘Isso pirralha é um Mustang GT500 de 1967’ – ele falou tentando parecer ser sério.

‘Você quer dizer que isso era um Mustang’ – falei dando ênfase no ‘era’.

‘Eu sei que ele está meio acabado...’ – ele tentou argumentar, eu apenas arqueei uma sobrancelha – ‘ta bom, ele ta muito acabado’ – nós rimos – ‘mas eu vou consertá-lo’.

‘Boa sorte’ – falei rindo.

‘Hei’ – ele me segurou – ‘você vai me ajudar, não vai?’

‘Eu não entendo nada de carros Terry’ – respondi.

‘Eu te ensino, é uma boa oportunidade pra você aprender!’ – ele fez a cara de cachorro pidão que sempre me convence das coisas.

‘Tá bom’ – falei me rendendo – ‘o que eu não faço por você, né...’

Nós dois ficamos uns bons dois meses, mexendo no carro, quer dizer, Terry ficou, porque por mais que ele me explicasse as coisas eu não entendia nada. Quando o ‘serviço’ foi terminado, ele estava radiante, eu me empolguei um pouco, mas pra mim aquele carro ainda era uma lata velha.

(Flashback off)

Dirigi até mais ou menos meia noite, queria continuar na estrada, mas o cansaço e a dor da saudade de Terry estavam me deixando fraca, continuar seria arriscado. Não pra mim, porque morrer em um acidente de carro pelo menos acabaria com essa dor e quem sabe me levaria pra perto do meu irmão, mas eu não podia ser egoísta a ponto de colocar em risco a vida de outra pessoa.

Parei em um motel na estrada, não faltava muito pra chegar a Sacramento, mas eu não sabia quando encontraria outro motel e nem se daria conta de dirigir até a cidade, preferi parar logo de uma vez. Parei o carro no estacionamento, peguei minhas malas e me dirigi à recepção.

Cheguei ao balcão e vi um rapaz com a cabeça deitada na mesa, provavelmente dormindo. Cutuquei de leve seu ombro e ele levantou assustado.

‘Olá’ falei com um sorriso amarelo no rosto ‘queria um quarto’.

‘Errr... sim, sim’ ele gaguejava ainda sonolento ‘Sozinha?’

‘Como?’ perguntei.

‘Perguntei se está sozinha, digo é um quarto pra uma pessoa só?’ ele respondeu impaciente batendo a caneta no caderno.

‘Ah sim, o quarto é só pra mim’.

‘ Não é muito seguro viajar sozinha à noite’ ele disse enquanto anotava algo no caderno.

‘Foi por isso que parei’ respondi seca, nunca gostei que as pessoas ficassem dando palpites no que eu faço.

‘Certo’ ele deu de ombros e me entregou um papel ‘Preencha aqui por favor’.

‘Tenho mesmo que fazer isso?’ eu não queria deixar informações minhas em lugar nenhum, não queria dar pistas pra que meus pais me encontrassem – se é que eles vão me procurar.

‘Sinto muito, mas tem’ ele falou sem paciência ‘são regras, caso você seja uma criminosa fugitiva e a policia bater na minha porta buscando informações, eu as terei’.

‘Mas eu não sou uma criminosa fugitiva’ respondi ignorando a desconfiança na voz dele.

‘Bom isso é o que você diz...’ ele novamente deu de ombros ‘e não adianta colocar dados falsos, porque eu vou checar seus documentos’ ele voltou seu olhar para o papel.

Preenchi todos os dados necessários, era isso ou dormir no carro e sinceramente, eu não estava nem um pouco animada com a idéia de passar frio lá fora.

‘Quarto 602, o pernoite custa 60 dólares’ ele falou depois que o entreguei o papel preenchido e ele conferiu meus dados nos meus documentos. Peguei as chaves que ele me entregou e fui direto para o quarto. Me sentia exausta e estava louca por um banho quente.

O quarto era bem simples, tinha uma cama de solteiro de frente para a porta, e dois criados mudos, um de cada lado da cama. Do lado esquerdo da cama tinha uma porta, onde provavelmente seria o banheiro. Ao lado da porta de entrada tinha uma cômoda pequena. A janela ficava do lado direito da cama.

Coloquei minha mochila na cama e fui até o banheiro, que também era bem simples e limpo. Liguei o chuveiro e peguei uma toalha na minha mochila, separando também uma calça de moleton e uma camisa de manga comprida. Tirei minha roupa e entrei embaixo do chuveiro. A água quente caia nas minhas costas, mas nem isso me fazia relaxar, eu me sentia fraca e sozinha.

Terminei o banho, vesti a roupa que havia separado e me deitei, talvez dormindo a dor da solidão fosse menor. Me lembrei de quando Terry me contava histórias pra dormir, ele sempre dava um jeito de nas histórias não existir lobos ou madrastas más, tudo era sempre feliz, ninguém queria machucar ninguém, todos eram amados. Talvez seja esse o problema, Terry nunca me ensinou a lidar com as coisas difíceis, ele sempre me mostrou o caminho fácil e feliz e agora eu tinha que me virar e lidar sozinha com os monstros do mundo real.

Fiquei pensando pelo que me pareceram horas, e nada do sono chegar, já estava impaciente, de que adiantou eu parar nesse lugar se não fosse pra dormir? Desisti de dormir, vesti minha jaqueta e peguei meu violão, cantar sempre me fez bem, sempre levou embora todas as dores e tristezas.

Sentei na cama e comecei a tocar uma musica que gostava muito e Terry cantava pra mim sempre que eu estava triste com a rejeição dos meus pais. Essa seria uma boa forma de me lembrar dele.

O tempo está passando,

bem mais rápido que eu.

E eu estou começando a me arrepender de não passá-lo com você.

E agora eu estou imaginando porque eu deixei isso preso dentro de mim

E eu estou começando a me arrepende de não ter contado isso pra você

Então se eu ainda não o fiz, eu tenho que deixar você saber.

Você nunca estará sozinha

A partir desse momento

Mesmo que você pense em desistir

Eu não vou deixa-la cair

Você nunca vai estar sozinha

Eu vou abraça-la até a dor passar.

E agora, enquanto eu puder

Estarei te segurando com ambas as mãos

Pois sempre acreditei

Que não há nada que eu precise a não ser você

Então, se eu ainda não o fiz,

Tenho que deixar você saber

Você nunca vai estar sozinha

De agora em diante

Mesmo que você pense em desistir

Não vou deixá-la cair

Quando toda a esperança tiver desaparecida

Eu sei que você pode continuar

Vamos ver o mundo sozinhos

Vou te abraçar até a dor passar

Ooooh!

Você tem que viver cada dia

Como se fosse o único

E se o amanhã nunca chegar?

Não o deixe escapar, poderia ser a nosso único dia

Você sabe que apenas começou

Cada dia, pode ser nosso único

E se o amanhã nunca chegar?

Amanhã nunca vai chegar?

O tempo, está passando

Muito mais rápido do que eu

Estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você

Você nunca vai estar sozinha

De agora em diante

Mesmo que você pense em desistir

Não vou deixá-la cair

Quando toda a esperança se for

Eu sei que você pode continuar

Vamos ver o mundo sozinhos

Vou te abraçar até a dor passar

Eu estarei lá de qualquer forma

Não vou desperdiçar mais nenhum dia

Eu estarei lá de qualquer forma

Não vou desperdiçar mais nenhum dia

Eu podia sentir as lágrimas molhando minha roupa, mesmo que eu não quisesse tinha uma pergunta que não saia da minha cabeça: “Por que Terry? Por que você não cumpriu sua promessa? Por que você me deixou sozinha?”

POV – Terry

Doia mais que tudo ver minha bonequinha sofrendo, Nannah foi sempre tudo o que eu tinha de mais importante, nada pra mim importava mais que sua felicidade e seu bem estar. E agora, vê-la sofrendo desse jeito.

‘Por favor, Patch, me deixa falar com ela!’ eu pedia pela milionésima vez. Se era difícil ver Nannah sofrer antes, agora que ela resolveu lembrar a musica que eu cantava pra ela, ficou pior.

‘Não Terry, você não pode interferir’ Patch negou mais uma vez o meu pedido ‘Ela tem que encontrar o caminho dela sozinha’.

‘Mas será que você não vê que do jeito que ela está, ela não vai encontrar nada? Ela não vê mais que a própria dor! E eu não vou interferir, eu só quero que ela saiba que eu estarei aqui com ela, e que eu ficarei por perto até que ela encontre a felicidade’.

‘Tudo bem Terry’ ele se rendeu ‘Além do mais, eu sei que se eu não permitir você vai encontrar uma maneira de fazer isso sozinho, então é melhor que eu esteja por perto’.

‘E quando é que nós vamos?’ eu estava ansioso pra falar com a minha irmãzinha.

‘Assim que ela dormir’

‘Mas como eu vou falar com ela se ela estiver dormindo?’ perguntei.

‘Em sonho’ ele respondeu como se fosse óbvio ‘você achou que iria simplesmente aparecer na frente dela e dizer Oi Nannah, eu morri, mas seu anjo de guarda permitiu que eu viesse aqui te ver e dizer um oi, a propósito, não se preocupe que eu vou ficar ao seu lado... Francamente não né Terry, em sonhos tudo é mais fácil, ela vai saber que não é real, mas mesmo assim vai se consolar com sua presença’

‘Ok, você tem razão’ falei e voltei a olhar pra onde Nannah estava, terminando de cantar os últimos versos da musica.

Você nunca vai estar sozinha

De agora em diante

Mesmo que você pense em desistir

Não vou deixá-la cair

Quando toda a esperança se for

Eu sei que você pode continuar

Vamos ver o mundo sozinhos

Vou te abraçar até a dor passar

Eu estarei lá de qualquer forma

Não vou desperdiçar mais nenhum dia

Eu estarei lá de qualquer forma

Não vou desperdiçar mais nenhum dia

oOo

Não demorou muito para que Nannah caísse no sono. Fiquei observando Patch, eu queria aprender a entrar no sonho das pessoas, não que eu queira xeretar no que eles estão pensando, eu só queria saber pra um caso de “emergência”.

Depois de recitar algumas palavras – que eu teria que aprender bem rápido – vi que nós não estávamos mais no quarto de motel que Nannah alugou. Estavamos num campo de lavandas, o perfume e a cor do lugar fazia tudo parecer mágico.

Nannah estava sentada no meio das lavandas, olhando para o céu. Me aproximei devagar e sentei ao seu lado.

‘O dia hoje está quente não é?’ falei fazendo que ela percebesse minha presença.

‘Eu sabia que você estaria aqui’ ela falou ‘Eu sabia que você voltaria’

‘Me desculpa Nannah, mas eu não posso ficar’ lamentei ‘Eu vim apenas pra te dizer que você não está sozinha. Eu estou aqui com você, o tempo todo, e mesmo sem poder fazer muito, eu irei te proteger, contra todo o mal.’

‘O que eu vou fazer agora Terry? Como vai ser sem você?’ ela me perguntou chorando

‘Eu vou continuar zelando por você, fazendo que você siga pelo caminho certo. E você, vai seguir sua vida, vai buscar sua felicidade.’

‘Não dá pra ser feliz sozinha’ ela fez bico

‘É claro que não dá! Mas você não vai ficar sozinha pra sempre! Você vai encontrar um lugar legal e vai recomeçar sua vida’

‘Recomeçar com o que? Eu sai de casa com pouco dinheiro, não dá pra recomeçar nada e eu não vou voltar, nem vou pedir dinheiro pra Violet e pro Sr. Horward’

‘Você não precisa pedir nada pra mãe e pro pai. Olha, faz assim , vai pra uma cidade pequena, arruma um emprego lá, aluga um quarto e pronto, recomeça a vida. Um carro você já tem!’ fiz piada tentando deixa-la mais feliz.

‘Só você pra chamar aquela lata velha de carro” funcionou, pois ela riu ‘desculpa pegar ele ta?’

‘Que isso Nannah, se você não o tivesse pegado, provavelmente ele tinha virado um item de decoração da sala da mãe.’

‘Violet deve estar possessa por eu ter pego o carro, ela desenvolveu uma obsessão por tudo o que era seu.’ Ela deu um riso tímido.

‘Para de chamar a mãe de Violet! Ela é sua mãe Nannah, sua mãe e vocês duas podem não enxergar, mas vocês precisam uma da outra’ ralhei com ela.

‘Ela não precisa de mim, ela precisa dela mesma, afinal, agora é só isso que importa, o umbigo dela.’ ela falou triste.

‘E você? Você não precisa dela?’ perguntei sabendo bem a resposta.

‘Isso não importa agora’ ela se virou para o outro lado, desviando os olhos dos meus ‘Será que nós podemos falar sobre outra coisa? Eu queria passar mais um tempinho com você, mas sem brigar’

‘É claro que podemos minha bonequinha’ puxei ela e deitei sua cabeça no meu colo. Fiquei horas alisando seu cabelo e cantarolando pra ela. ‘Nannah' falei quando vi que ela estava aormecendo.

‘Hum?’

‘Vá para Forks’ sabia que Patch ia me matar por isso, mas eu precisava tentar ‘Você vai encontrar a felicidade e a paz lá...

‘Hum hum’ ela sussurrou e dormiu. Era hora de ir, se ela dormiu no sonho, significa que ela está acordando na vida real. Eu tinha dado o primeiro passo, agora era só esperar pra ver se Nannah entenderia.

Notas finais
Não esqueçam meus reviews...