Crossroads - Vidas Cruzadas
7 Capítulo 6 - Desencontros e Despedidas
Notas iniciais
Mas ai está, eu amei escrever esse capitulo, não mais que estou amando escrever o capitulo 7!
Pra quem quiser seguir no interativo, o link é:
http://tfiapoio.blogspot.com/2011/05/crossroads-vidas-cruzadas.html
Beijos e Boa Leitura!
POV – Jake/Nannah
(Jake)
Eu sentia a força se esvaindo de mim, eu não queria mais viver, não tinha pelo que viver. Quando eu sofria apenas pela rejeição de Bella, eu via na minha família, nos meus amigos a força pra continuar, mas agora, em quem eu me apoiaria? Eu sei eu tinha a Rach e a Becky, eu tinha os lobos, mas ele, o mais importante de todos, o meu herói, meu melhor amigo, quem me dava conselhos e conseguia me fazer sorrir em qualquer momento, ele não estaria mais aqui. Então nada mais fazia sentido.
- Vamos Jake – Leah me chamou pelo décima vez – você não pode ficar aqui.
Eu ainda estava caído de joelhos no chão da campina onde meu pai foi encontrado, tudo doía, eu não conseguia me mover.
- Vai Lee – falei entre soluços – me deixa aqui... eu não consigo voltar pra casa, não agora.
- Mas Rachel vai precisar de você no funeral, Jake. Ela não vai conseguir encarar tudo sozinha.
- Ela não vai estar sozinha, o Paul vai ta lá... e eu também não vou deixar de ir, eu não vou deixar de me despedir do meu pai. – falei, meu pai teria um enterro digno de um guerreiro quileute – eu só preciso de um tempo Leah, só um tempo pra mim...
- Tudo bem Jake – ela me abraçou – eu vou te dar esse tempo, mas se você não aparecer no funeral eu venho aqui te buscar.
- Eu vou estar lá Lee, e meu pai ainda não vai ser enterrado, nós vamos homenagea-lo como um verdadeiro guerreiro merece, e nós vamos esperar a Becky. Ela tem que estar aqui pra dizer adeus pro nosso pai.
- Você tem razão, eu vou ligar pra ela e providenciar tudo pra que ela esteja logo aqui.
- Obrigado, Lee.
- Não faço mais que minha obrigação de irmã. E Billy era como um pai pra mim. – ela deu um beijo na minha cabeça, mas antes de sair ela falou – eu sei como dói Jake, tudo o que você sente, exceto pela falta da sua mãe, eu sei que dói, mas a força ta ai dentro de você, basta você encontra-la e se agarrar a ela.
Leah saiu e me deixou na clareira, a fina chuva que começava caía no meu rosto e eu queria que ela levasse toda a dor embora. Se era pra ser assim, se Deus escolheu desse jeito, o que mais eu poderia fazer? Apenas pedir que tudo passasse logo.
Eu estou tão cansado de estar aqui
Reprimida por todos os meus medos infantis
Se você tem que partir, eu peço que seja rápido
Porque a sua presença ainda está aqui
E isso não vai me deixar paz
Essas feridas parecem que não vão cicatrizar
Essa dor é tão real
Há tantas coisas que o tempo não vai apagar
Quando eu chorei, você limpou minhas lágrimas
Quando eu gritei, você lutou contra todos os meus medos
Você segurou minha mão por todos esses anos
i> E eu ainda tenho muito de você
(Trecho de My Immortal do Evanescence – algumas partes foram alteradas para melhor se encaixar na história)
Nannah
Eu dirigia sem nem mesmo prestar atenção na estrada, minha atenção estava voltada pra agonia que eu sentia no meu peito. Eu sentia que ele precisava de mim, eu corria para encontra-lo, embora não soubesse como.
Parei o carro no acostamento e desci. Eu não podia continuar dirigindo assim, eu não tinha condições, provavelmente eu iria causar um acidente. Uma chuva fina que caia molhava meu rosto e minha roupa, mas eu não me importava.
Parei para observar a paisagem, era tudo muito lindo. Havia verde por todos os lados, e apesar de ter vivido a vida toda num lugar onde tudo era colorido, esse verde todo me encantava. Talvez fosse isso, aqui era diferente, o que significava uma vida nova.
Comecei andar por entre as árvores – tomando cuidado para não me embrenhar demais e acabar me perdendo – a chuva fina já estava mais forte, minha roupa estava ensopada e eu começava a sentir frio. Pensei em voltar, mas ao mesmo tempo uma vontade enorme de seguir pra mais dentro da floresta gritava dentro de mim. Novamente o sentimento de que alguém me chamava. Era ele de novo, eu sabia, eu sentia, como? Não me perguntem.
Ignorando completamente meu instinto de auto preservação eu segui pra cada vez mais dentro da floresta. Meu coração batia descompassado. Era medo do que poderia acontecer, medo de estar sozinha nessa floresta, ansiedade de encontrar esse ‘alguém’ que precisa tanto de mim.
A chuva persistia forte, junto a ela o frio me atingia, mas eu não desistiria eu sentia que precisava seguir meu coração, e nesse momento ele queria encontrar quem precisava de mim.
Depois de tropeçar em raízes, subir barrancos cheguei em uma clareira. Meu coração pulava no peito como se a qualquer momento ele fosse sair correndo pela minha boca.
Fiquei um tempo parada, apenas observando a paisagem. Era um lugar bonito. Caminhei até o centro da clareira, ainda sentia como se alguém gritasse pela minha ajuda, mas eu me limitei a ficar ali sentada, deixando a chuva cair sobre mim.
Ouça (ouça), ouça (ouça)
Ouça cada gota da chuva
Sussurrando segredos em vão
Fascinantemente procurando por alguém para ouvir
Sua história, antes que caiam no chão.
(Jacob)
Senti que alguém se aproximava, provavelmente Leah ou algum dos outros lobo que queriam me levar pro lugar onde eu nunca queria estar. Eu não queria ver meu pai num caixão, eu queria me lembrar dele como ele sempre foi, alegre e cheio de vida.
Resolvi fugir dali. Rapidamente tirei minha bermuda, amarrei na perna e corri, em segundos já estava na minha forma de lobo. Eu iria voltar, afinal a Rach precisaria de mim, mas não agora, agora eu precisava de um tempo pra mim.
(Nannah)
Estava sentada na grama a não sei quanto tempo quando ouvi uma voz atrás de mim.
- Precisa de ajuda? – um rapaz grande de pele avermelhada e cabelos curtos me perguntou.
- Talvez – respondi – Eu... estava dirigindo, e resolvi parar um pouco... – resolvi não falar a verdade, pois ele com certeza me acharia uma louca – ai eu vim andando e cheguei aqui. Agora eu não sei como voltar.
- Mas nós estamos muito longe da estrada, e aqui não é seguro... – ele falou – você não devia ter se arriscado tanto.
- É eu sei – falei sem graça – mas você também não devia estar aqui...
- Eu sou daqui – ele deu um sorriso fraco – conheço essa floresta melhor que ninguém. Ando por aqui desde criança... Vamos – ele me ajudou a levantar – você tem que voltar. Onde você parou o carro?
- Não faço idéia – respondi.
- Vamos ver o que posso fazer então. A propósito, sou Seth Clearwater. – ele esticou a mão me cumprimentando.
- document.write(Rosana) Howard. – apertei a mão dele – uau que mão quente.
- A sua é que está muito fria – ele falou colocando a mão no bolso.
Andamos uma parte do caminho em silencio, até que Seth resolveu falar.
- Então dcument.write(Rosana)...
-document.write(Nannah) – o interrompi.
- Como?
- Pode me chamar de document.write(Nannah).
- Ah sim, então document.write(Nannah), você está de passagem? Por que eu vejo que você não é daqui.
- Na verdade estava pensando em ficar – falei – ouvi falar que Forks é um lugar tranqüilo e pensei em passar uns tempos por aqui...
- Você é de onde? – ele perguntou.
- Califórnia.
- E você quer trocar o sol da California por um lugar onde chove a maior parte do ano?
- Algo me diz que eu serei mais feliz aqui que lá. – ele me olhou com as sobrancelhas juntas.
- Corajosa.
- Você sabe de algum lugar onde eu possa ficar? – perguntei – tipo um quarto pra alugar e um lugar onde estejam precisando de alguém pra trabalhar...
- Por que algo me diz que você está fugindo? – ele perguntou.
- Eu não estou fugindo – falei – não exatamente. Olha eu sou maior de idade ok? Então eu posso viajar por ai sem precisar de autorização. Também não fiz nada de ilegal. Eu só estava cansada da minha vida na California e resolvi tentar algo novo.
- Ok, ok – ele levantou as mãos – eu não quis ofender.
- Você conhece algum lugar pra eu ficar ou não?
- Em Forks, não. Eu não sou de lá. Sou de La Push, uma reserva indígena que fica próximo a Forks.
- E nesse lugar, La Push. Tem algo pra mim lá?
- Emprego sempre tem... – ele falou – acho que tem uma lanchonete precisando de alguém...
- Serve! –falei já me sentindo animada.
- Agora lugar pra ficar... – pronto a animação foi por água abaixo – posso ver com minha mãe se ela sabe de alguma coisa. Mas hoje vai ser bem difícil.
- Por que? – perguntei.
- Um dos nossos conselheiros faleceu. – ele falou triste.
- Puxa eu sinto muito – falei.
- Obrigado – ele deu um sorriso leve – E como minha mãe também era uma das conselheiras, ela vai estar bem ocupada.
- Acho que você pode ficar na minha casa até tudo se acalmar...
- Isso é sério? – perguntei – mas você nem me conhece!
- Você não tem cara de assaltante, nem de maníaca... – ele riu – se fosse já teria feito algum mal pra mim, afinal estamos há um bom tempo caminhando sozinhos nessa floresta.
Chegamos no meu carro e eu me virei para agradece-lo e perguntar como eu fazia pra chegar em La Push. Mas eu me deparei com Seth olhando pra lata velha de Terry como se estivesse olhando pra Mona Lisa de Da Vinci.
- Esse é seu carro? – ele perguntou.
- É... – dei de ombros – na verdade essa lata velha era do meu irmão.
- Como assim lata velha! – ele gritou – isso não é jeito de tratar um Mustang GT500! De que ano deve ser... – ele falou pra ele mesmo.
- 1967. – respondi – fala sério Seth, o que vocês vêem de tão incrível nesse museu?
- Tudo! Cara o Jake ficaria louco se visse esse carro.
- Quem é Jake? – perguntei.
- Um amigo meu, ele é louco por carros. Um ótimo mecânico também.
- Humm bom saber. Essa geringonça precisa de um profissional. Não sei como tive coragem de fazer uma viagem tão longa com um carro consertado por Terry...
- Terry é o seu irmão? – Seth perguntou, fiz que sim com a cabeça – e cadê ele?
- Morreu há dois anos. – senti meu peito apertar.
- Oh sinto muito.
- Tudo bem. – dei um sorriso fraco – então vamos?
- Vamos. – ele falou – se importa se eu dirigir? Fica mais fácil que te explicar como chegar em La Push.
- De maneira nenhum, eu preciso mesmo de um descanso do volante – joguei as chaves pra ele, que aparou no ar – uhhh bom reflexo!
- Obrigado. – entramos no carro e partimos rumo a La Push. Algo dentro de mim sentia que isso era o certo a fazer.
(Jake)
Tentei fugir, mas meu lado lobo sabia que isso não era o certo, eu precisava estar presenta na despedida do meu pai. Eu precisava ser um guerreiro agora, um exemplo para os meus irmãos lobos.
Engoli a dor e mudei o curso, segui em direção à minha casa. Cheguei lá e encontrei Rach aos prantos.
- Por que ele Jake? Por que o pai? – ela perguntava entre lágrimas.
- Eu não sei Rach, mas eu vou pegar o desgraçado que fez isso – prometi – eu vou fazer isso.
- eu não vou conseguir me despedir dele – ela falava – eu não quero dizer adeus.
- Mas nós não precisamos dizer adeus – falei – ele vai estar sempre aqui com a gente.
- Está na hora Jake – Paul entrou na minha casa – estão esperando vocês.
- Eu só vou tomar um banho e já saio – falei entregando Rachel pra Paul – cuida dela – sussurrei pra ele e ouvi um ‘deixa comigo’.
Entrei no banho e não demorei muito. Vesti uma roupa qualquer e sai. Paul e Rachel já não estavam mais em casa.
Encontrei Leah no caminho. Ela estava triste, tinha muito da perda do meu pai, mas eu sabia que a maior parte da tristeza dela era por causa das lembranças que esse dia traziam. A morte de Harry, pai dela.
- Mandei o Seth ir atrás de você. – ela falou andando ao meu lado.
- É eu ouvi ele se aproximando e corri – falei olhando pro chão – eu não queria estar aqui, mas meu lado guerreiro acabou falando mais alto.
- Você é mais forte do que imagina Jake. Nós nos orgulhamos disso.
- Obrigado Leah.
Chegamos na capela, onde todos estavam. Assim que entrei o velho Quil começou a falar.
- ‘A minha missão aqui hoje, não é simples. Sou sempre o responsável por dizer as palavras certas nas cerimônias quileutes, mas hoje não existem palavras certas...
Não existem palavras boas o suficiente para dizer adeus ao nosso líder, ao nosso amigo, ao homem mais correto e justo que esse conselho já teve.
Billy Black foi um exemplo para todos nós, ele superou dificuldades e resolveu problemas sempre carregando um sorriso sincero nos lábios. Ele cuidou e criou sozinho os três filhos, fazendo deles pessoas de bem.
Sempre nos lembraremos do nosso guerreiro, sempre o traremos no coração.
A razão porque a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham sido e sempre serão. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos. E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos. Isso significa que este adeus é ai mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá.’ (n/a: Esse ultimo parágrafo é de Nicholas Sparks em Diario de uma paixão)
Ele terminou de falar e as mulheres da tribo começaram a canção de despedida. Era uma musica triste, mas que tocava nossos corações fazendo com que um pouco de Billy Black se instaurasse em nós.
Uma a uma as pessoas foram se aproximando do caixão onde meu pai estava e fazendo as suas despedidas. Charlie, Sue, a Sra Uley, até mesmo Bella e os Cullen estavam aqui, esse era um dia onde inimigos se tornaram companheiros. Era a despedida de um líder. Tentei ser forte, mas quando chegou minha vez, as lágrimas me venceram.
- Vou sentir sua falta meu velho – falei baixo – e das suas broncas, e da sua bagunça também. Eu queria fugir pai. Sumir daqui e de toda essa dor, mas eu sei que isso não iria te orgulhar, isso seria fraco. Então eu vou ficar. Eu vou cuidar da Rach, vou cuidar do nosso povo, vou ser o guerreiro que você sempre esperou que eu fosse. Eu te prometo pai.
Me afastei do meu pai, eu iria fazer tudo o que eu disse. Essa era a hora de eu deixar de ser criança e assumir a posição de homem que me foi designada.
Seguimos até o cemitério. Sam, Paul, Jared, Embry, Quil e Seth carregavam o caixão junto comigo. A chuva cai sobre nós, como se ela se identificasse com a nossa tristeza.
Por favor, não vá embora
Podemos ficar por enquanto?
É tão dificil dizer adeus
Ouça a chuva
Ouça, ouça,ouça,ouça,ouça,ouça a chuva
Pingando
Ouça (ouça), ouça (ouça)
(Nannah)
De longe eu via as pessoas caminhando em direção ao que devia ser o cemitério. Esse homem, Billy Black, como Seth havia me dito que ele chamava, devia ser muito importante mesmo, praticamente a reserva inteira estava lá e todos muito tristes. Foi impossível não me emocionar com a cena e não me lembrar do dia em que me despedi de Terry.
Seth me disse que Billy tinha três filhos, duas garotas e um rapaz. Uma das garotas não estaria aqui, ela mora no Havaí e não chegaria a tempo. Esse dia não deve estar sendo fácil para os dois que estão aqui, despedir-se de alguém que amamos é algo muito doloroso.
Observando as pessoas, meus olhos pararam num rapaz – muito parecido com Seth – que estava ao lado do caixão. Ele tinha as feições muito tristes, mais triste que a de qualquer outro que estava ali, mas mesmo nessa tristeza ele tentava demonstrar força. Provavelmente ele era o filho do Sr Black.
Meus olhos não conseguiam desgrudar dele, era como se um imã os atraísse naquela direção. De repente, a voz que gritava por ajuda dentro de mim se silenciou. A imagem de Terry sorridente surgiu na minha cabeça. Eu podia ouvi-lo dizer que estava feliz com minha decisão, que aqui era meu lugar.
Estive sozinha na tempestade
De repente, doce, palavras ganham forma
"Rápido", elas dizem "Porquê você não tem muito tempo"
Abra seus olhos para o amor a sua volta
Você pode achar que esta sozinho
Mas eu ainda estou aqui com você
Você pode fazer tudo o que sonha
Apenas lembre-se de ouvir a chuva
Ouça
(Listen to the rain – Evanescence)
Algo grande me esperava aqui, eu podia sentir e eu sabia que era isso que Terry queria.
Notas finais
Beijos e não se esqueçam dos meus reviews!
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