Crossroads - Vidas Cruzadas

4 Capítulo 3 - O Lobo Solitário


Notas iniciais
Boa Leitura!

POV – Jacob Black

Estava bem difícil aceitar a decisão de Bella, era mais difícil ainda quando eu via a cria mal feita, aquela que quase matou Bella, e ainda tinha nome de mostro, Nessie. Engraçado, antes quando ela ficava quebrando as costelas de Bella todo mundo a achava um monstro, eles mal conseguiam se referir à criatura como “bebê” ou “criança”, eles sempre diziam “feto”, mas dava pra perceber a vontade que tinham de dizer “monstro”. Agora ta todo mundo lá babando na criatura, e eu posso com isso?

Eu tinha esperanças de lidar com a situação, afinal eles iam embora pra longe, eu nunca mais veria Bella e a família feliz dela, mas Charlie tinha que se meter na história, ele tinha que aparecer na mansão e a vidente tinha que estar fazendo compras em Paris. Cara eu fico me perguntando pra que servem os poderes deles se na hora que mais se precisa eles não fazem nada?

Pois é, Charlie chegou de surpresa – é incrível pegar oito vampiros de surpresa! – e viu Bella. Ele não sabe o que eles são, mas sabe que tem algo diferente com eles. Ta isso não é o pior, o pior é que ele aceitou, ou seja, os Cullen não vão embora tão cedo.

Grande merda, agora além de ter cada vez mais crianças se transformando, eu vou ser obrigado a conviver com a presença de Bella, e ver todo santo dia a escolha errada que ela fez. Será que é tão ruim assim ficar comigo? Sério, a vida se ela tivesse me escolhido seria tão mais simples, fácil como respirar.

Eu até cogitei a possibilidade de ir embora, mas meu velho não iria agüentar o meu abandono de novo. Billy não está tão saudável assim, fora que ele já enfrentou tantas coisas nessa vida, primeiro perdeu minha mãe, depois as gêmeas foram embora, ai ele perdeu o melhor amigo... não seria justo com ele se eu simplesmente partisse. O jeito era encarar.

(n/a O que estiver em negrito e itálico são pensamentos dos lobos)

’Hey Jake, pensando na vida? Seth perguntou se aproximando de onde eu estava fazendo ronda.

’E o que tem nessa minha vida pra ser pensado?’ rebati.

’Para de bobagem Jake, não reclama da vida. Você tem seu pai, suas irmãs seus amigos... ele tentou me consolar.

’Eu sei garoto, mas de que me adianta isso tudo se eu não tenho... ah deixa pra lá de que ia adiantar conversar com Seth? Ele era um dos que estava mais feliz com o fato dos Cullen não irem embora.

’Eu preferia que eles fossem, se isso fosse te deixar mais feliz’ ele resmungou ’Sabe, eles são meus amigos Jake, mas você é meu irmão, eu nunca os colocaria no seu lugar

’Eu sei moleque, também não trocaria a sua amizade.’ dei um sorriso de lobo pra ele.

’As duas comadres ai podem parar de tricotar que nós já chegamos pra substituir vocês isso tinha que vir de Paul.

’Certo Paul, eu vou indo, não vi meu pai o dia todo e ele não anda muito bem.’ deixei os três na clareira e voltei pra casa correndo.

Entrei em casa e encontrei meu pai dormindo na frente da TV. Esse velho ainda vai ter uma dor de coluna das brabas por ficar dormindo sentado.

’Hey pai, acorda’ chamei balançando de leve o ombro dele, mas ele nem se mexeu. Empurrei a cadeira pro quarto dele e o deitei na cama.

Desde que as gêmeas foram embora eu tive que cuidar do meu pai, eu não reclamo disso não, afinal nós nos tornamos grandes amigos, mas eu tinha que confessar, mesmo que só pra mim, que a minha mãe faz uma falta danada.

Eu não convivi muito com ela não, mas eu consigo me lembrar um pouco dela, das histórias que ela me contava dos bolinhos que ela fazia... talvez se ela estivesse aqui poderia me dar alguns conselhos, não que eu não goste de conversar com meu pai, mas é que ele sempre vem com a mesma história, de que tudo vai passar e Bella vai ser só uma lembrança.

Na verdade acho que o que eu realmente queria é um pouco de colo de mãe, queria não ter que me preocupar com as coisas por alguns minutos, quem sabe voltar a ser uma criança inocente que não precisa se preocupar com nada...

Voltei pra sala e me joguei no sofá, talvez assistindo algum filme essa depressão diminuísse. Os meus irmãos lobos tem razão, eu preciso mesmo de uma namorada, mas onde é que está a coragem de começar um relacionamento com alguém? E o medo de ser trocado como foi com Bella? E o medo de estar bem com uma pessoa e de repente virar pro lado e dar de cara com meu imprinting? Eu não quero fazer ninguém sofrer a dor que eu sofri com Bella.

Fiquei horas deitado no sofá tentando ver TV, mas minha cabeça não se concentrava em nada. Não sei exatamente quando, mas eu acabei dormindo.

Acordei numa clareira no meio da floresta. De duas uma ou era sonâmbulo ou eu estava sonhando, queria acreditar mais na segunda hipótese.

Fiquei sentado no chão por alguns instantes, observando as pequenas borboletas que voavam entre as flores. Se o Paul estivesse aqui ele com certeza ia falar que minha observação foi a coisa mais gay que ele já ouviu na vida. Eu ri com esse pensamento. Estava concentrado nos meus pensamentos quando ouvi alguém se aproximar, o vento trouxe seu perfume antes que eu me virasse pra ver quem era.

Era um cheiro bom de flores e floresta em dia de chuva. Não era vampiro, nem lobo, mas também não era humano. Fiquei tenso no mesmo instante, seria alguma outra criatura mística? Faria ela algum mal aos humanos?

’Calma filho, eu não farei nenhum mal, nem a você nem aos seus’ falou uma mulher, algo dentro de mim reconhecia aquela voz. Me virei devagar para acabar com essa agonia e ver quem era.

Assim que meus olhos encontraram a mulher eu tive certeza de que isso era um sonho, afinal de outra maneira a minha mãe estaria parada na minha frente?

‘Mãe? perguntei meio em duvida

‘Oi meu filho querido’ ela se aproximou de mim rápido e me abraçou. Eu reconheci esse abraço, eu o senti várias vezes quando eu estava com medo, quando eu me machucava. Só percebi que estava chorando quando senti as lágrimas quentes escorrerem no meu rosto ‘Ah meu menino, que falta eu senti de você!’

‘Também sinto sua falta mãe...’ falei entre lágrimas e soluços.

‘Você queria meu colo’ ela sorriu ‘Aqui estou...’ levantei meu rosto para encara-la.

‘Você veio porque eu pedi?’ perguntei.

‘Não exatamente, eu vim porque você precisava’ ela segurou meu rosto entre suas mãos e secou minhas lágrimas com os dedos ‘Filho, você precisa superar o que aconteceu entre você e Bella, eu sei que foi forte, foi grande, mas ela não era a sua alma perdida...’

‘A senhora diz meu imprinting?’

‘Sim...’

‘Eu acho que eu não vou sofrer imprinting, mãe falei fitando o chão ‘Eu não sou mais inteiro, meu coração não funciona direito mais, acho que não existe ninguém pra consertar a bagunça que está aqui dentro’ falei apontando meu peito.

‘Mas é claro que existe! Não desista da sua felicidade, meu filho... ela já vai chegar, você só precisa de um pouco mais de paciência’.

‘Não sei se consigo acreditar nisso’ falei ‘Não sei se quero acreditar’

‘Ah meu menino, você precisa acreditar! Confie em mim, ela está chegando. Ela vai te dar todo o amor e apoio que você precisa.’ ela deitou a minha cabeça no seu colo ‘Agora vem aqui, eu quero te dar um pouco de colinho de mãe’.

Deitei e ela começou a cantar a mesma musica que ela cantava quando eu era criança, não demorou muito e eu cai no sono, mais uma vez.

Notas finais
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