Rússia, 22 horas e 32 minutos. O silêncio mortal da estrada foi brevemente interrompido por um ruído de motor.

Darius: Acaso estou indo rápido demais para teu gosto, Youth?

Youth: Que nada. Na verdade, você poderia acelerar mais, para acabarmos logo com essa tarefa.

Darius: Eu sei que isto parece uma questão tola, mas o que tu achaste de lá?

Youth: A cidade? Bem, a cidade em si é uma tentativa do Oriente de dar a volta por cima. Certamente, há outras espalhadas por aí.

Darius: Certamente.

Youth: Agora, a impressão que eu tive foi de que aqui há menos indivíduos do que na América. Acho que a situação é mais séria do que eu imaginava.

Darius: O extermínio, a competição, os ataques de tropas da América e a recusa de rendição das vítimas contribuíram para esta situação. Mas eu suponho que tu já sabias disso.

Youth: É...

Darius: Tenho mais uma pergunta para ti: Acha que, na condição atual, aquele local é um bom lugar para se viver?

Youth: Eu não posso dizer com tanta certeza, mas a impressão que tenho é que a necessidade de cada habitante é satisfeita sem atraso ou desigualdade. Acho que a razão é a baixa população, mesmo. Inclusive, você arrumou uma residência temporária para mim. Mais uma vez, obrigado.

Darius: Bem, antes a situação era terrível. Mas agora estamos começando a chegar a algum lugar. Todo o progresso que tivemos é de autoria do Reddar. Ah, e o teu apartamento também.

Youth: Ah... Reddar é um tipo de líder daquela cidade?

Darius: Não exatamente. Ele apenas segura as rédeas para que tudo dê certo. Mas ele não faz isso sozinho. Há mais algumas pessoas, que o auxiliam quando solicitado. Essas pessoas fazem um trabalho mais diferenciado; agem como se fossem embaixadores. Então, não aparecem muito por lá. Eu diria que, para ti, será difícil conhecê-las.

Alguns minutos depois, eles avistaram as montanhas de entulho.

Darius: Hm... São mesmo enormes...

Youth: Parecem ter mais de vinte metros. Isso deve ter dado um trabalhão.

Darius: É o que parece. Vamos dar uma olhada.

Saíram do carro, e se aproximaram.

Youth: Certamente, um mestre em manipular terra fez isso. Acha que chegamos a tempo de encontrá-lo?

Darius: Se for esse o caso, então, para mim, é de se estranhar. Já vim aqui antes, mas não conheço nenhum indivíduo que saiba manipular terra a ponto de fazer isso. A menos que...

Youth: Hm?

Darius: Há uma menina, criança desordeira, que sabe uma ou outra coisa sobre manipulação de terra. O problema é que ela não tem controle sobre seu poder, o que a faz ser muito desastrada.

Youth: Ela pode ter andado treinando.

Darius: Improvável. A menina é muito relapsa.

Youth: Se você diz... Bem, acho que vou subir e dar uma olhada do outro lado das montanhas.

O jovem começou a subir e Darius aproveitou para fazer contato com Reddar. Pegou o seu celular.

Darius: Reddar. Aqui é Darius.

Reddar: Relatório.

Darius: O entulho está muito alto. Não é à toa que os caminhões não conseguem passar. Contornar está fora de cogitação. O terreno em volta das montanhas aparenta ter sido intencionalmente alterado. Há também buracos e rochas enormes... Seja lá quem tenha feito isso, se esforçou assaz.

Reddar: Entendo. Seria melhor então mandar MUITAS máquinas.

Youth chegou ao topo e se pôs a observar o outro lado. Em um canto, fileiras de caminhões de transporte de carga pesada se encontravam desligados. No outro, uma cena suspeita. Vários homens, certamente os motoristas, eram amarrados por um casal de adolescentes, que pareciam ter a mesma faixa de idade de Youth. Quando terminaram, os dois adolescentes se puseram a conversar. A menina parecia sorrir triunfante e o menino parecia apreensivo:

Menina: Eu não disse que daria certo?

Menino: É, mas e se o papai descobrir que nós fizemos isso sem a permissão dele?

Menina: Bem, ele vai nos dar um sermão, falar que é perigoso... Bah, a gente não precisa ficar ligando pra tudo que ele diz.

Menino: Ainda acho melhor esquecer essa idéia de roubar caminhões por nossa própria conta. Vamos embora daqui...

Menina: Agora que nós conseguimos? Não mesmo! E se você não queria ficar encrencado, azar o seu; já é tarde demais pra fugir.

Menino: Ora sua... A culpa é toda sua! Foi você que me convenceu!

A menina riu, o que deixou o menino irritado.

Menina: Vou fazer o quê se você se convence fácil demais? Já era, maninho!

Ao ver que o irmão não estava nem um pouco animado, ela acrescentou.

Menina: Olha, pense nisso como um presente de Natal para nossos amigos, nossos vizinhos e nosso pai. Quando eles virem esses caminhões recheados de comida, brinquedos e roupas limpas, irão pular de alegria.

O menino sentiu-se derrotado. Embora fosse o mais velho, não sabia dizer não para a irmã. Talvez porque tinha receio de que ela guardasse rancor dele.

Menino: Tá... Mas ao menor sinal de perigo nós vamos embora, ouviu?

Menina: Certo! Agora, vamos convencer esses motoristas a cooperar!

Menino: Deixa comigo.

Enquanto ele persuadia os motoristas, ela resolveu olhar ao seu redor. E casualmente olhou para o topo das montanhas aonde viu Youth.

Menina: EI, VOCÊ!

Menino: Hã?

Youth: Oh-oh...

Assim que foi avistado, tentou sair de lá, mas não pôde — Um de seus pés ficou preso no entulho.

Youth: Droga!

A menina não esperou resposta. Usando de seu poder, ela se concentrou num pequeno paralelepípedo no chão e fez um gesto brusco com o braço direito, esticando-o na direção de Youth. Como se estivesse vivo, o paralelepípedo se lançou rapidamente para o alto, na direção do jovem indefeso. Distraído com o eu pé, Youth se descuidou e foi acertado em cheio no peito. Com o impacto, ele foi brutalmente lançado para trás.

Reddar: E o Youth, como está?

Darius: O Youth? Bem, ele está...

Darius olhou para cima.

Darius: ...Caindo.

O jovem atingido caiu de bruços, bem ao lado de Darius.

Darius: Ui...

Darius olhou para cima e depois, para Youth.

Darius: Youth?

Não houve resposta, Darius começou a achar que ele havia perdido a consciência, quando Youth levantou a sua cabeça subitamente:

Youth: Estamos sob ataque!

Darius: Eu te disse para tomar cuidado. Quantos são?

Youth: Eu vi apenas dois adolescentes. Uma menina e um menino.

Darius: Ah, não... Aqueles dois...