Crossroads - The Dark Hunters Chronicles
18 EX - Motivação
Nações entram em conflito. Isso se dava provavelmente por disputa de interesses ou por medo de ataques devastadores. Nessas circunstências, algumas das nações mais poderosas iniciaram uma campanha em busca de segurança, poder e soberania.
Embora já tenha passado muito tempo, algumas criaturas estranhas continuam existindo na Terra, proliferando-se e causando caos ao clamar domínio. Ainda havia um imenso interesse no fenômeno misterioso, nas criaturas estranhas e nos humanos especiais. Trabalhava-se na compreensão do acontecimento e os resultados se mostravam muito úteis, eficientes no ofício da guerra. Formadas as tropas com os superdotados nacionais, alguns países resolveram expandir seu contingente buscando secretamente guerreiros em outros países, geralmente os mais vulneráveis a este tipo de abordagem. Eram empregados métodos de persuasão, suborno e até mesmo abdução. Diante disso, os países fracos nada podiam fazer além de sucumbir aos impactos das disputas dos mais poderosos e não viam alternativa melhor que pedir ajuda para resolver seus diversos problemas.
Polônia, 27 de julho de 2031, duas horas e 15 minutos da manhã. Uma pequena jovem de cabelos negros atravessava calmamente a parte danificada de uma grade. Seu destino era um complexo antes seguro, agora abandonado e aberto a qualquer visitante sem a noção do perigo.
?????: Eu ainda não sei por que fui mandada para cá, este lugar deserto.
!!!!!: Bem, você recebeu o diretório da missão.
A voz vinha de um comunicador no interior da túnica negra que a menina vestia.
?????: Eu sei, Kazuma, mas isso é idiotice. Por que os poloneses acham que ainda pode haver um projeto de dispositivo de teletransporte neste laboratório? Pela bagunça que eles disseram que aconteceu, o documento pode ter sido destruído.
Kazuma: Isso eu não sei. Só sei que você tem ordens — revirar cada metro quadrado de acervo de arquivos e resgatar tudo aquilo que for referente ao projeto, antes que alguém mais ponha as mãos.
?????: Está certo... De qualquer forma, eu já cheguei aqui.
Kazuma: Boa sorte.
?????: Nem preciso. Essa já está no papo.
Kazuma: Tá... Mas, mesmo assim, não baixe a guarda.
A menina adentrou o complexo e se dirigiu às escadas. Seu destino era cerca de trinta e cinco metros abaixo da superfície, e a perspectiva da descida arrancava da menina um suspiro de desânimo. Foi aí que ela teve uma idéia: Dirigir-se a um elevador próximo e acionou o comando para chamá-lo.
?????: (Que apenas as lampadazinhas estejam quebradas. Mas se não funcionar...)
Logo, um som e as portas metálicas se abrem.
?????: (Funciona!)
Após a descida, a menina se depara com um longo corredor, com várias portas em sua extensão.
?????: Qual é a sala, Kazuma?
Kazuma: É a... Vigésima segunda.
?????: Aff... Esse lugar tá com cheiro de cachorro sujo...
Kazuma: Heh... Sinto pena do seu nariz.
?????: Até parece...
Ela começa a caminhar pelo corredor, visualizando cada número de sala e espiando através das janelas das mesmas.
?????: Pesquisas... Aparelhagem... Equipamentos de proteção... Circuito interno... Epa...
Kazuma: Que foi?
?????: Nem acredito... O circuito interno tá ligado. Eu posso ver o que acontece em várias salas.
Ela observava as imagens por um breve momento. Em uma delas, ela tem a leve impressão de ter visto algo se mexer.
?????: Pelo jeito, isso vai ser divertido...
Kazuma: Como assim?
?????: Acho que não sou a única circulando nesse recinto.
Kazuma: Ah, entendido. Proceda então com mais cuidado.
A menina seguiu caminho até a sala indicada. Não foi custoso abrir a porta. A breve olhada no circuito interno deixou claro que tudo seria fácil demais. Mas naquele momento outra coisa a incomodava.
?????: Kazuma...
Kazuma: Que é?
?????: É arquivo demais.
Kazuma: Bem, quando se tem muitos arquivos, eles obviamente os organizam sob algum critério, não? Tente procurar os mais recentes e relevantes.
?????: É a primeira vez que eu faço uma tarefa desse naipe, você sabe...
Kazuma: Só não venha me dizer que a Internet é mais prática.
A jovem seguiu as instruções do colega e, após alguns minutos de busca indisposta, ela achou algo que seria o que ela estava procurando. Ela deu uma olhada rápida na papelada e, num acesso de ignorância, ela concluiu:
?????: Usar mágica para transportar matéria a grandes distâncias... Quanta besteira.
%%%%%: Besteira é o ceticismo nos dias de hoje.
A jovem se virou, surpresa. Ela viu um garoto loiro, posivelmente da mesma idade que a sua, com roupas sociais, mas sujas.
%%%%%: Você veio aqui me resgatar?
?????: Na verdade, no começo eu pensei que não havia ninguém neste lugar. A propósito, o que diabos você está fazendo aqui?
%%%%%: Estava muito perigoso lá fora. Então, eu me refugiei aqui.
?????: Para um refugiado, você não parece tão mal assim.
%%%%%: Eu peguei umas roupas no laboratório. A propósito, o que você está carregando aí?
Ela pôde perceber o jovem fixando insistentemente o olhar para a papelada em suas mãos.
?????: Nada importante... Mas, se você entrou aqui num momento de perigo, por que não foi embora? As coisas já parecem ter se aquietado.
%%%%%: O problema é que eu fiquei encurralado. Esse laboratório parece vazio, mas na verdade está infestado de feras androlupinas... Meio homem, meio lobo; você sabe...
?????: Já ouvi falar, mas com outro nome. Lobisomens.
%%%%%: É, esse aí é o termo folclórico. Também serve, mas prefiro androlupino. Soa mais moderno.
?????: Tá... Mas se aqui está tão infestado dessas feras, como foi que eu não encontrei nenhum deles quando entrei aqui?
%%%%%: Porque faz parte da rotina de caça deles. Eles deixam a presa desavisada entrar no território deles e depois a atacam de todas as direções.
?????: E você não sabia que as feras estavam aqui.
%%%%%: Não sabia. E eu estava tão desesperado que entrei aqui por impulso.
?????: Agora tá bem tranquilo pro meu ponto de vista. Mas pensando bem, não vai dar pra sair por onde eu cheguei. Eles estarão me esperando.
%%%%%: Eu acho que tem outra saída. Os monstros estavam a guardando, mas acho que com sua chegada eles saíram.
?????: Pois então, faça o favor; vá em frente e mostre onde é.
%%%%%: Certo. A propósito, meu nome é Trevor Manson. E você, como se chama?
?????: Haruka. Só Haruka.
O menino tomou a frente, seguido por Haruka. Ela não acreditava muito na veracidade das informações fornecidas por Trevor, mas achava que ele falava a verdade sobre a possível saída. Além disso, ela não teria sido mandada para um lugar como aquele se não soubesse como se defender. Ela acionou o seu comunicador e falou, em um tom de voz bem baixo.
Haruka: Kazuma, você não vai acreditar: Achei um jovem da minha idade preso no laboratório e ele está me levando a uma saída.
Kazuma: Cuidado, menina. Não vá dando confiança pra alguém que acabou de conhecer.
Haruka: Está tudo sobre controle. Se ele tentar algo, eu o acerto por trás.
Trevor: Disse alguma coisa?
Haruka: Hã? Ah... Não, eu não falei nada.
Trevor: Hm... Acho que ficar dias sem comida e água ta me fazendo ouvir coisas...
Após algum tempo de caminhada cuidadosa eles chegaram num lugar mal iluminado. Mas pôde-se notar a imensidão e o espaço extenso. Parecia uma espécie de hangar. No centro, o que parecia ser um jipe se encontrava parado, posicionado para atravessar a saída.
Trevor: Podemos usá-lo. É só abastecer.
A menina caminhou na direção do comboio para observá-lo melhor.
Haruka: Talvez ele funcione. Parece novo.
Nisso, ela ouviu um clique. Aquele ruído em particular lhe era familiar. Era de um rifle. Pior: A menina sabia que estava na mira. E sabia também quem estava empunhando a arma: O seu próprio "companheiro".
Haruka: Olha só quem resolveu agir de acordo com seu papel.
Ela se virou lentamente para Trevor, levantando os braços enquanto segurava a pilha de papéis com a mão esquerda. Embora tensa, a menina mantinha um sorriso discreto nos lábios.
Trevor: Engraçado que tenham nos mandado pra cá em busca da mesma coisa. Falta de sorte a minha por você ter achado primeiro... Mas nada que não dê pra resolver.
Haruka: Então você sabe o que é isso.
Trevor: Ouvindo você falar aparentemente sozinha... Bem, ficou fácil descobrir. Falta de sorte a sua também por não saber ser discreta.
Haruka: Hmph. Se você por acaso é algum tipo de mentiroso profissional, então ainda tem muito o que aprender, meu chapa. Francamente, ficou difícil acreditar em você, ainda mais depois de chamar os lobisomens de "androlupinos".
Trevor: E isso é tão estranho assim?
Haruka: Claro. Esse tipo de esquisitice não pode ter vindo dessa terra, mas da sua, filhinho de Tio Sam.
Trevor: Nada mal. Você é boa observadora.
Haruka: Você não viu nada ainda... Porque eu aposto que nem loiro você é.
Apesar dos vários insultos, Trevor não se sentia nem um pouco incomodado. Ele sabia que quem estava mais descontente com essa situação era Haruka. Para "pôr mais sal na ferida", o jovem, num gesto de deboche, levantou parte da franja de seu cabelo pra trás, revelando as raízes castanhas de seus cabelos, e ainda lhe direcionou um sorriso nada respeitoso. Um sorriso que, se dependesse de Haruka, não duraria por muito tempo.
Trevor: Tá legal, vamos direto ao ponto de uma vez. Você larga os papéis no chão e se afasta devagar, e eu poupo sua vida.
Haruka: Er... Eu acho que isso não vai rolar.
Trevor: Por que “não vai rolar”? Prefere morrer?
A expressão sarcástica no rosto de Haruka intrigou o jovem.
Haruka: Não. É porque você deveria ter nascido com olhos atrás da cabeça.
Não houve tempo para Trevor se defender. Ele sentiu um forte impacto nas costas que o lançou a uma distância considerável. Era um lobisomen. Antes de Trevor tocar o chão, porém, ele disparou contra a fera e a acertou na boca. A força do disparo lançou o bicho longe. Imediatamente Trevor se levantou procurando Haruka. Ela sumiu.
Trevor: Qual o problema, Haruka? Tá com medinho? Onde você se escondeu?
A jovem havia se dirigido rapidamente para trás de uma pilastra, num canto bastante escuro. Atacar Trevor diretamente seria uma má idéia, pois ela poderia ser atingida. Restou então a tática do ataque surpresa. Mas, para o seu azar, seu esconderijo foi estragado por uma outra fera que, surgida das sombras, atacou-a.
Trevor: Aí está você!
O menino disparou seu rifle na direção de Haruka, mas acabou acertando a besta. A jovem avançava por entre as sombras, silenciosa, procurando a oportunidade de desferir um golpe furtivo.
Haruka: (Tenho que calar a arma desse idiota. Ele vai acabar atraindo mais monstros com esse barulho.)
Tarde demais. Sons múltiplos de passos duros e apressados ecoavam cada vez mais alto. Ouvindo o barulho, Trevor se dirigiu rapidamente a uma escada e subiu por ela. Vendo isso, Haruka resolveu fazer o mesmo usando um caminho alternativo, saltando por caixas, plataformas e andaimes, ao mesmo tempo em que se protegia dos tiros de Trevor. Uma breve olhada no chão e Haruka viu o recinto se encher de lobisomens. Descer já não era mais uma opção.
Trevor mantinha o ritmo de disparos, o que já estava irritando Haruka. Sem um obstáculo para cobertura, ela não tinha alternativa senão colocar uma idéia em prática: Sacou sua espada, oculta até aquele momento, e a arremessou na direção da arma de Trevor. O lançamento certeiro fez com que sangue espirrasse da mão do menino, que urrava de dor. Rapidamente, Haruka se aproximou e começou a golpeá-lo com os punhos em pontos críticos do corpo. Mas naquele momento, ela percebeu que alguns lobisomens conseguiram subir as escadas e e logo avançaram contra os dois jovens. Vendo sua espada por perto, Haruka a recupera e ataca os monstros, matando cada um deles com apenas um golpe. Num olhar de relance, ela viu Trevor se afastando.
Haruka: Quem tá com medinho agora, heim, Trevor?!
O menino foi para outra plataforma. Haruka ignorou completamente as feras e avançou rápido na direção de Trevor. Quando este foi ver, a menina já tava a menos de três metros, pronta para tirar a cabeça dele com a espada.
Haruka: É o seu fim!
Porém, para a surpresa de Haruka, Trevor, num movimento súbito, sacou uma arma escondida em sua calça e deu um tiro, que acertou no meio do coração de Haruka. O impacto do tiro deteve a corrida da menina, que involuntariamente lançou a espada contra Trevor, que por pouco não teve o pescoço atingido, graças aos seus reflexos. Já Haruka, em choque, caiu quase sem vida no chão. E logo, os lobisomens a rodearam, cravaram suas presas na jovem, estraçalharam o seu corpo inteiro e devoravam vorazmente cada pedaço de suas entranhas, deixando um gigantesco rastro de sangue no local.
Trevor se afastava enquanto olhava a cena grotesca. Ele suava frio, pois sabia que seria o próximo prato dos lobisomens. Ele tentava pensar em um jeito de sair dali com vida, mas tudo o que via era uma horda de lobisomens... E também alguns cilíndros cheios de combustível perto dos monstros. Com nada a perder, ele disparou contra um, provocando explosões sucessivas em cadeia, lançando ele mesmo para trás, mas também matando os monstros que estavam na plataforma. O impacto também fez os cilindros que estavam na área inferior explodirem, efetivamente matando a maioria dos lobisomens no hangar, que ficou quase totalmente destruído.
Por sorte, Trevor sobreviveu, mas ele logo viu que não foi o único com a mesma sorte: Alguns poucos lobisomens também sobreviveram. As explosões deixaram o garoto atordoado, mas os lobisomens sobreviventes não estavam em situação melhor: Estavam totalmente desorientados. Vendo que não havia muito perigo e que havia caído na área térrea, Trevor baleou os lobisomens restantes para se certificar que não seria atacado novamente. Então, se dispôs a sair do local. Porém, antes de alcançar a saída, ele viu a espada chamuscada de Haruka no chão. Julgou uma boa ideia levá-la consigo. Depois de pegar a espada, ele foi embora.
Enquanto isso...
Kazuma: Haruka? Haruka, me responda! Droga...
Aflito, Kazuma se virou para seu chefe.
Kazuma: Senhor Taoshi... Eu a perdi!
Taoshi: Isso só pode significar uma coisa... Está liberado, Kazuma, eu assumo daqui.
Kazuma obedeceu e deixou a sala de comando, entristecido. Então, Taoshi fechou os olhos, em lamentação.
Taoshi: (Haruka... Seu pai vai ficar arrasado quando souber...)
Deixando a lamentação de lado, Taoshi abriu os olhos, tomando uma expressão ainda mais séria.
Taoshi: (Este teste não deu certo... Sendo assim... Dobrarei o treinamento à partir de agora.)
Vinte e oito de julho de 2031. Trevor retornava a seus superiores com um relatório da missão que fez no dia anterior.
Comandante: Então quer dizer que você não conseguiu o projeto de teleportador...
Trevor: Não senhor. Houve um contratempo, acabei enfrentando uma menina. Ela era feroz, mas só feriu a minha mão.
Comandante: Uma menina? Isso é sério?
Trevor: Sei que parece ridículo, mas é verdade.
Comandante: Só falta me dizer que ela levou o projeto embora...
Trevor: Não senhor, eu garanti que ela não saísse de lá viva. Ela estava sim com o arquivo, mas foi destruído quando ela morreu.
Comandante: Menos mal. Mas ainda assim, é meio difícil de acreditar. Uma menina, Trevor? Francamente!
Trevor: Acredite, senhor, ela não era nem um pouco inofensiva. Veja só a arma que ela usava.
O menino pousou a espada sobre a mesa do comandante. O veterano se surpreendeu.
Comandante: Isso é... Não pode ser! O Presidente precisa saber disso imediatamente!
Trevor: Precisa de mais alguma coisa, senhor?
Comandante: Não,Trevor, pode ir. Está dispensado.
O jovem então tomou seu rumo. O comandante, sozinho no seu escritório, pôs-se a fitar a evidência trazida por Trevor.
Comandante: Parece que oponentes à altura estão finalmente surgindo. Temos que controlar a situação logo... Custe o que custar!
Fale com o autor