Crossroads - The Dark Hunters Chronicles
5 A dívida
Sozinho no apartamento, Youth se atirou no sofá. A caminhada até o apartamento tinha consumido parte de suas forças. Achou estranho, porque normalmente ele era bem disposto, em razão da rotina de treinamento árduo de outrora, e da sua fuga. Tentando não se preocupar, ele pôs a culpa no tédio, afinal faz dois dias que não acontece nada que exija seu alerta. Suas preocupações voltavam-se para o convite de Darius:
Youth: (Afinal, eu vou ou não vou? Tenho receio de que não gostem de mim, que americanos venham me procurar e que muita gente se machuque por minha causa. Assim, eles acabarão por me considerar uma ameaça. Definitivamente, esse não é o lugar certo para mim, e eu não deveria estar aqui. Acho melhor tratar de ir embora. Melhor eu me arrumar e conversar com Darius.)
Ele se dirigiu ao banheiro, se despiu e pôs-se a olhar o espelho. Não percebeu nada de diferente, porém lembrou-se do ferimento na nuca. Usando seu tato, ele avaliou a gravidade e ficou contente com o resultado.
Youth: (Um pouco de água me fará bem.)
Dirigiu-se ao chuveiro e deixou que as gotículas lhe banhassem a face. A temperatura baixa da água não o incomodava; De fato, preferia assim.
Em poucos minutos, ele se secou e se pôs a procurar roupas no pequeno armário do quarto. Antes de se vestir, ele tateou pela última vez seu ferimento na nuca. Após isso ele se vestiu normalmente.
Youth: (Muito bem, estou pronto. Hora de dar uma volta.)
Caminhando calmamente, o jovem observava a pequena cidade. Estava quase deserta, talvez por causa do frio. Soldados armados vigiavam cada canto das ruas, e algumas pessoas e seres fantásticos passavam. Youth reparou que ali existiam humanos e não-humanos em quantidades iguais, ainda que ambos fossem poucos. Farto de olhar a cidade, Youth abordou um menino de cerca de doze anos que usava uma labareda gerada pelo seu dedo indicador esquerdo para iluminar o caminho.
Youth: Com licença. Sabe onde está o Darius?
O menino apontou uma direção com sua mão direita.
Menino: Eu o vi na entrada daquele edifício iluminado por holofotes. Aquele na praça, está vendo?
Youth: Ah, sim. Muito obrigado.
O menino seguiu seu caminho e Youth dirigiu-se ao local indicado. Ao chegar lá, ele foi abordado por um soldado.
Soldado: Bem vindo à ceia pública de Natal, celebrada no coração da cidade, no edifício da prefeitura! Fique à vontade para... Espere, eu nunca te vi por aqui...
Youth: Sou um recém chegado.
Soldado: Ah, você foi admitido aqui por Reddar, não foi? Bem, como eu ia dizendo, apenas ande na linha e fique à vontade. Entre, lá dentro está mais aquecido.
O salão principal do edifício era humilde, mas caprichosamente decorado para a ocasião. Amplo, abrigava mesas ocupadas por convidados de toda sorte, que conversavam alta e alegremente.
??????: Ei, Youth! Aqui!
O jovem se virou para a direção em que a voz o chamava. Era Reddar, e Darius ao seu lado.
Reddar: Venha, sente-se conosco!
Obedecendo ao pedido, o jovem se sentou à companhia de seus dois conhecidos.
Reddar: Fico contente por vê-lo aqui. Achei que ficaria em casa.
Youth: Eu vim porque queria falar com vocês.
Reddar: Ah, sim. Vou mandar te servirem um vinho.
Youth: Não sou adepto a bebidas alcoólicas. Mas eu aceito um coquetel.
A bebida chegou e o jovem provou desta. Há tempo não bebia nada tão bom quanto aquilo.
Darius: Pois então, o que queres falar conosco?
Youth: Bem, eu agradeço pelo que vocês têm feito por mim, mas eu acho que esse não é o lugar certo para mim.
Darius: E por que tu consideras tal coisa?
Youth: Vocês sabem que eu estou sendo procurado pelos seus inimigos. Certamente sabem que estou aqui e estão planejando um meio de me levar de volta. Haverá conflito e mortes desnecessárias. Tudo isso por minha causa.
Nesse momento, um soldado chegou perto de Reddar e lhe sussurrou algo. Parecia preocupado.
Darius: E para onde você pretendes ir?
Youth: Eu... Ainda não sei.
Darius não conseguiu conter uma risada, mas a manteve discreta.
Youth: Qual é a graça?
Darius: A graça é que quando eu te encontrei e salvei, tu estavas numa situação lastimável. Agora, simplesmente queres voltar para a mesma situação de antes? Queira perdoar minha indelicadeza, mas isto é, no mínimo, uma atitude de masoquismo da tua parte.
Youth: Você não entende. Eu não gosto de estar em dívida.
Darius: Mas estás. Indiscutivelmente.
Youth: E como eu posso pagar?
Darius: Simples. Junte-se a nós.
Youth: Não é uma boa ideia.
Reddar: Basta. Youth, pare e pense um pouco. Se estivéssemos mesmo com receio dos problemas que você mesmo diz que poderia atrair, por que acha então que nos demos ao trabalho de trazer você até aqui?
Youth: Ah... Er...
Reddar: Sem resposta, pelo jeito. Então agora, me escute. Você não é o único com problemas; todos aqui tem seus problemas particulares. Aqui, todo mundo ajuda todo mundo. Nós ajudamos você; agora, chegou a hora de você retribuir.
Youth: Como assim?
Reddar: Nós estamos esperando alguns caminhões de suprimentos vindos das Índia, só que eles estão atrasados há meia hora. Eu acabo de receber a informação de que os caminhões estão parados num trecho da rota principal não muito longe daqui. O trecho está obstruído por montanhas de entulho.
Darius: Provável obra de rebeldes.
Reddar: Estamos providenciando máquinas para abrir caminho, mas, por precaução, eu quero mandar alguém para fazer reconhecimento. E adivinha só... Temos alguém aqui com uma ótima oportunidade de começar a saldar a "dívida" que acabou de contrair.
Youth não disse nada. A resposta era óbvia e a sua pronúncia, desnecessária.
Reddar: E então? O que me diz?
Youth levantou-se, esvaziou rapidamente seu copo e disse:
Youth: É a oportunidade perfeita para matar meu tédio. Ficarei feliz em ajudar.
Reddar: Boa resposta. Muito bem, Darius, pegue um jipe e vá com Youth. Desejo toda a sorte para vocês.
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