Durante o caminho que fazíamos a pé, pensava no que havia feito há poucos minutos atrás, meu desejo doentio me dominou e eu apenas o fiz, não era eu ali, eu sentia isso, não era o que eu fazia, não era comum de minha atitude ser agressiva, violenta e acima de tudo, fazer as coisas sem pensar. Chegamos na rua onde Curtis morava e Victoria arriscou um diálogo.

- Por que você me tirou de lá? – perguntou e me olhou

- Você me lembra meu irmão.

- O Lee? – olhou para o chão – Me desculpe se isso ainda a machuca, mas todos têm nossa hora de ir. – parou em frente ao jardim de sua casa – Posso ter só 14 anos, mas sei bem onde Curtis está entrando e sei que aquilo que fizeram com seu irmão não é obra do Bert, ele não seria tão cruel.

- Você sabe o que fizeram com Lee, agradeço por tentar me confortar, mas fiz isso porque não quero te ver estendida coberta em sangue. Você é nova demais para já entrar nisso,eu já fiz muita burrada,estou nisso porque realmente estou me sentido tapada por não fazer nada. – sorri para ela – Tome cuidado, okay? Vou pedir a Jimmy para fazer guarda aqui hoje.

- Obrigada Ken, é muito legal da sua parte. – sorriu e entrou correndo para casa.

Fui embora a passos lentos, chegando em casa depois de 30 minutos que havia saído da casa de Curtis, que ficava há 10 minutos de casa. Brian e Johnny estavam na porta de casa,e Brian me abraçou forte e quase me sufocou.

- Você é uma idiota! Quer me matar de preocupação, Ken? Que merda foi aquela? – me soltou e me colocou no chão, logo após segurando meu rosto.

- Bry, eu tinha que ajudar ela! Ela só tem 14 anos! – olhei para ele – Você sabe que tenho necessidade de ajudar pessoas na faixa dos 13 anos. – ri – E o Jeph?

- Está no seu quarto, ele ficou preocupado quando disse que você bateu em Bert. – soltou meu rosto e entrei em casa, correndo para meu quarto. Jeph estava segurando meu travesseiro e chorando.Abri a porta sem fazer barulho e sentei ao seu lado,passei a mão em seus cabelos,ele rejeitou meu toque,pensando que fosse Johnny,mas quando me viu,me abraçou que podia jurar que quase poderia me matar.

- Você ta viva, não acredito! – disse com a voz embargada, passando a mão em meu cabelo e meu rosto – Todas as unhas?Nenhum fio de cabelo a menos?

- Não, não, eu estou bem, Jeph, eu juro! – ri e o beijei na bochecha – Fiquei preocupada com você também. – falei baixo – Acho que quebrei algumas costelas dele. – ri.

- De Bert? – riu – Você é uma gênia! – beijou minha bochecha.

- McKenna, eu estou aqui! – a voz de Bert estava quase que estridente, se não fosse por suas costelas quebradas. Desci correndo e o vi segurando Andrew pela gola de sua camiseta e Brian dizendo para que ele parasse com aquilo.A raiva nos olhos de Bert era quase convidativa,mas não poderia fazer nada,prometi a mim mesma que minha mãe e Andy ficariam longe disso.Era trabalho sujo.

- Bert, eu te disse para deixá-los de lado. Cadê minha mãe? – me aproximei sem que ele percebesse e fiz um sinal para Johnny ir para trás de Bert.

- Ela está segura com a Sra. Allman, tomando seu chá, tranqüila. – riu sarcasticamente – Vocês pegaram Curtis, Victoria, até disseram para o Pricolo me pegar, vocês são burros!

- Solte o Andrew e podemos resolver isso conversando. – Johnny o avisou, olhando para trás e vendo Jeph indo até Bert.

- Bert, eu não agüento mais essas suas cismas, largue o garoto e venha me pegar! – Jeph disse num tom mais alto e ficou a poucos passos de Brian, que quase o matava com o olhar. – É isso que você quer Bert! Você me quer morto, não o garoto, você me disse que nunca faria isso com crianças, certo? Eu tenho sua idade, sou de seu porte, estou a poucos passos da morte, eu sei disso, então venha! – e foi isso que Bert fez, largou Andrew que correu até Johnny que o levou até o carro e Bert foi até Jeph, sendo interrompido por um soco em seu abdômen, olhei para Brian, que estava sorrindo quando vira Bert tossindo sangue e correndo. Abracei Jeph e não o larguei tão cedo.

- Nunca mais faça isso, Jepharee! – disse pausando por causa de minha respiração falha.

- Ken, respire. Lembre que você ainda é uma mortal. – riu e selou meus lábios – Não iria fazer aquilo sem planejar com Brian, acha que sou louco?

- Você ta bem, Kenna? – Brian me pegou em mais um abraço de urso e me sentou na grama, ao lado de Andy, que me abraçava chorando.

- Um pouco sem ar, mas estou ótima. – sorri e abracei Andy – Ele não fez nada com você, certo?

- Não, só estou assustado por te ver lutando com ele. – olhou para Brian – Você fez a cara de quando encontrou Lee, Bry, você ta bem?

- Ótimo amigão! – bagunçou os cabelos de Andy e disse para ele entrar, pois já estava escurecendo. Sentou ao meu lado e passou seu braço em meu ombro e riu – Andy é esperto que nem você.

- Bry, não é melhor você ficar aqui, com a gente? – arrumei seu cabelo, que estava mais bagunçado que antes.

- Você viu o que Bert fez?E se ele vier aqui quando nós estivermos dormindo e botar fogo na casa?

- Sou perceptiva, posso tirar todos daqui sem que ele nos veja. – sorri para ele, que me deitou na grama.

- Você é uma coisa muito implicante, Kenna! – riu e me fez cócegas – Agora vamos entrar. – me ajudou a levantar e olhou para Jeph – Obrigado por nos ajudar hoje, Jeph. – sorriu para ele e entrou em casa.

- Hum,depois eu vou na sua casa,okay? – olhei para Jeph e beijei sua bochecha e olhei para minha mãe, que corria até mim – Mãe! – corri e a abracei – A senhora está bem?

- Sim, claro. – sorriu – Você e seu irmão são corajosos. – me olhou – Onde aprendeu essas coisas?

- Filmes. – sorri e olhei para Jeph, que fitava seus pés – Pode ir, eu to bem!

- Certeza?

- Absoluta. – sorri e depositei um beijo em sua bochecha. – Acho que hoje não posso sair, vou ficar por aqui com eles, tudo bem, Jeph?

- Claro, não é você que é filha única. – fez aquele tom de drama que sempre me afeta

- Hey, hey, hey, eu estou na casa da frente da sua! – levantei seu rosto pelo queixo – Qualquer coisa grite! – ri e o beijei na bochecha – Boa noite, Howard.

- Boa noite, Haner. – saiu e entrou em casa, acenando antes de fechar a porta.

Entrei em casa e vi todos sentados no sofá, vendo TV, enquanto Andy mostrava seus desenhos que qualquer garoto de seis anos consegue fazer: rabiscos abstratos. Era raro,desde que tenho meus 13 anos,ver a família toda reunida,conversando,dizendo como fora seu dia,o que fizera na escola ou serviço e o mais importante,rindo,sendo felizes.Sentei ao lado de Brian e Andy começou a me mostrar mais desenhos.No primeiro que peguei,havia uma moça de vestido rosa e um garoto de boné azul marinho,ele disse que era eu e Lee,quando fomos á Disney em seu aniversário de 2 anos.Ambos tínhamos 10 anos,e o que lembrava daquele dia era que Lee vomitou logo após ir na montanha-russa,o que me fez ter um ataque de riso no qual fiquei sem ar.Brian já tinha seus 15 anos e já se preocupava com o que faria para nos ajudar,já que meu pai havia ficado desempregado por causa de um sério corte de funcionários na empresa na qual trabalhara.

Flashback

- Ah Ken! Eu quero ir ver o Mickey. – Lee puxava minha mão e corria ao mesmo tempo.

- Não, eu quero ver a Cinderela. – emburrei e olhei para minha mãe – Mamãe, Lee quer ver Mickey, mas quero ver Cinderela, fale para ele parar de me puxar!

- Lee, pare! Deixe McKenna ver a Cinderela. – o parou e o colocou no banco – Já é grandinho para deixar sua irmã escolher o que quer. – abaixou para me olhar nos olhos – E não faça tanta manha por causa de um puxãozinho, Ken, você é minha mocinha, okay? – disse no tom mais doce no qual já ouvira, eu adorava quando minha mãe falava assim comigo; a abracei e corri até Brian, que carregava as mochilas.

- Bry, Bry, Bry, me leve até o castelo da Cinderela. – puxei seu casaco e ele sorriu

- Venha no cavalo Bry-bry, princesa McKennie. – me pegou no colo e me colocou em suas costas. – Para onde fica o tal castelo, Kennie? – parou em frente ao Pateta, que mexia em meu nariz.

- Olá mocinha, curtindo o dia com seu irmão? – sua voz me fazia rir toda vez que fazia algum gesto com a mão

- Sim, claro, mas sabe onde fica o castelo da Cinderela? – botei meu melhor sorriso e o olhei de forma um tanto, ‘angelical’.

- É na próxima alameda, minha querida, tenha um bom passeio! – riu e Brian saiu correndo, até a alameda onde ficava a Cinderela, mas nosso pai nos chamou antes de chegarmos.

- Brian, McKenna, vamos embora, Andrew está passando mal! – berrou e pegou Brian pelo braço – Já disse para não correr com sua irmã, Brian.

- Calma pai, só estávamos brincando. – disse sorrindo, logo sendo interrompido pelo seu olhar severo.

- Pra mim é criancice. Você já tem 15 anos,deixe de ser criança.Com sua idade,já sustentava sua avó e ajudava seu avô. – parou e me olhou – E você, McKenna? Uma moça, andando assim com seu irmão, desça daí! – só de perceber, meu pai era um ser encantador, carinhoso e acima de tudo, um “ótimo” pai.

Flashback Off.

- Mas minha professora me deu 10 por esse desenho, Kenna, expliquei que era você e o Lee, ela disse que era ‘encantador’. – a voz infantil e seus olhos brilhando me acordaram das lembranças

- Qual desenho feito por você não é agradável, Andrew? – apertei suas bochechas e fui até as fotos que ficavam perto da cozinha, num mural escrito: ‘ the happy Haners’. Havia fotos de meu pai quando era novo, minha mãe com meus avós, Julie e Carl,quando Lee e eu éramos bebês,no nosso aniversario de cinco anos,quando estávamos na Disney,e a foto que eu mais gostava era a que estávamos todos reunidos, que fora tirada uma semana antes de Lee morrer. Minha mãe colocou sua mão em meu ombro e sempre com seu tom protetor,falou,quebrando meu transe mais uma vez.

- Sinto a falta de seu irmão também, Kennie. – sussurrou – Você está melhor hoje? Ontem você estava com febre á noite, fui te ver e você estava chamando por Lee.

- É tudo muito confuso ainda. – disse ainda virada – Como aconteceu,quando e onde,nada se conecta!

- Não tente entender, você ainda é muito nova, ele não gostaria que você se preocupasse tanto assim com ele. – me virou pelos ombros – Você é uma das coisas mais preciosas que eu tenho, não quero perder a única parte que me restou de Lee. – me abraçou e acariciou meus cabelos – Incrível como você é igual à Brian.

- Isso é bom? – ri e olhei para ela.

- Você nunca sabe quando parar. – riu e beijou minha bochecha – Acho que alguém está com fome, não é, Andrew? – foi até a sala e o pegou no colo

- Sim, estou faminto. – riu e olhou para mim – Hoje a Kenna faz o macarrão!

- Não, você quer que eu bote fogo aqui? – sentei na cadeira da bancada

- Você cozinha bem, você sempre faz macarrão com queijo pro Jeph. – olhou para mim e pegou um cookie.

- Porque ele come qualquer porcaria. E você é um menino seletivo.

- Ken, por favor!

- É Ken, por favor! – Brian o imitou

- Okay! – levantei e mostrei a língua para Andy.

Para preparar o macarrão foi tudo bem,mas para fazer a tal gosma que Andy queria,deu um pouco de trabalho. Não ficou com uma cara boa,mas estava suportável.Brian quase vomitou,mas ele conseguiu ingerir depois da primeira garfada.Logo que terminamos de jantar,Alex foi até lá,mas ele não queria falar com Brian.Saí a pedido do mesmo e ficamos no quintal,sentados no degrau a frente da porta de entrada.

- Fiquei sabendo que você deu uma de mulher maravilha hoje, e sei que foi arriscado, mas achei bonito de sua parte, Ken.

- Obrigada e não foi arriscado, só não queria ver Curtis na mesma situação que um dia estive.

- E então, resolveu entrar pra elite? – olhou para mim

- Por que elite?

- Um nome requintado a uma sociedade “secreta” é bom. – riu – Não respondeu minha pergunta, Kennie.

- Sim, não quero ver minha mãe se preocupando e vasculhando quem foi o desgraçado que matou Lee. Eu vou fazer isso,é minha obrigação.

- Não vi nenhuma garota ser corajosa como você. Mas só vim pra perguntar isso mesmo. – sorriu e levantou – Tempo é dinheiro, e Matt está me esperando. Então,te vejo amanhã?

- Sim, sim, se você quiser me buscar, ficarei grata. – levantei e olhei pra ele – Tchau?

- É, é, tchau. – riu e se afastou – Certeza que está bem? – se aproximou de novo

- Não perdi nenhum pedaço, então estou bem. – sorri – Te encontro aqui. – abri a porta e acenei para ele – Sonhe comigo. Er,não. – ri e sentei no sofá.

[Alex POV]

Como uma garota consegue me deixar passando mal?Como ela consegue ser agradável e durona ao mesmo tempo? Resolvi tirar a cara de bobo e fui até o carro, onde Matt cantava alguma música.

- Você está apaixonado, Alexie? – perguntou com sua arrogância

- Okay, cale a boca! – entrei no carro e coloquei o cinto – Hoje quero ir pra casa, to quebrado.

- Tudo bem, senhor Marks, mais alguma coisa? – deu uma risada de brutamontes e saiu com o carro, buzinando quando viu Kenna na janela, que acenou para ele – Algumas dicas antes que saía com ela. Primeiro,ela é irmã do Brian,portanto não brinque com os sentimentos dela; segundo,todos nós gostamos dela,então,cuidado duplo; terceiro,ela ainda está confusa em relação a ser uma de nós,então vá com calma e quarto,não seja burro de não fazê-la feliz,se não eu bato em você,ela é uma grande amiga.Mais algum conselho,Alex?

- Uhum, o que você vai fazer se eu sair com ela amanhã? – usei minha melhor arma: provocação!

- Sempre estarei atrás de você, querido! – parou o carro e olhou para mim – Não quero vê-la sofrer, quarto conselho! – colocou quatro dedos na mão e desligou o rádio. – E Brian vai ficar furioso se você não fizer alguma coisa que ela, principalmente, não goste. Então,está entregue,te vejo amanhã. – bateu em meu ombro e saí do carro.

Notas finais
HÁ,post pra Tiff,que me obriga a fazer essa fic ( *-* ),e pro Syn que tá lendo !