Crossovers

6 A Simbiose demôniaca


Notas iniciais
Kijin descobre sobre o que é a simbiose na verdade.

Tudo aconteceu rápido demais, de maneira estranha demais, sem explicação, sem nada. Era um dia qualquer, como qualquer outro, eu poderia estar escrevendo nos seios da Roxy, poderia estar cantando no chuveiro, poderia estar brincando com Sukuna, treinando com Papillon ou implicando com mestrinho Ethel. Mas hoje, começara, a simbiose de anos atrás estava se manifestando novamente, e ela que nunca havia feito nada demais, havia começado a arder, como se um choque passasse constantemente pelos meus orgãos mais sensíveis, algo que eu sentia a irritação, algo que eu podia sentir o sadismo, eu sabia agora que aquilo ali era algo maligno e perverso.

Não era como tentasse me controlar, nada tão clichê, eram impulsos, além da dor que transpassava cada célula do meu corpo, eu percebi que aquilo ali me passava raiva, ou melhor dizendo aumentada qualquer coisa que eu estava sentindo ao extremo. O pouco de raiva que eu sentia daquilo, era aumentado, junto disso, veio a vontade de ferir, matar, a vontade de ver sangue, mas tudo isso lutava em vão contra a minha inabalável vontade e determinação para que eu não machucasse Saber, a dor superava todas as torturas que eu sofri na infância, mas eu não sucumbi, ela era tolerável, nada, repito, nada nesse mundo me fará infligir qualquer coisa que afete negativamente Saber, se eu tivesse que suprir a dor de morrer eu iria suprir, eu não ia deixar algo assim acontecer, e eu não deixei.

No dia seguinte, a coisa pareceu evoluir exponencialmente, os choques em meus orgãos pareciam se tornar mais fortes, os impulsos se é que era possível se tornavam mais intensos, mas tudo era em vão. Meu suor e meu sorriso no rosto e minha risada de deboche para aquilo que estava enfrentando também aumentavam proporcionalmente. É claro que eu não ia ficar parada sofrendo sozinha, mas também não queria que ninguém entre meu círculo de contatos ficasse sabendo, então fui atrás da pessoa que não possuía quase nenhum contato com o mundo exterior.

— Patchouli... *Digo com a voz fraca, porque apesar de minha mente conseguir segurar os impulsos, meu corpo não seguia a mesma regra de força de vontade e ele estava extremamente enfraquecido e sensível.* — Que droga é essa? *Mostrando a simbiose em formato de lanças e foices que brilhavam fortemente.*

*Patchouli olhou meu sofrimento, mas seu rosto não mudou, ela permaneceu calma, analisando, pude perceber que ela estava usando Archive e também estava olhando em sua magia de grimórios para ver se encontrava alguma coisa.* — Kijin... *Ela finalmente falou depois de um bom tempo.* — Você disse sobre choques? Vai parecer bem redundante, mas pelo que pesquisei essa simbiose tem algo haver com raios. *Ela disse numa voz fina e baixa.*

— N-não... eu não estou conseguindo pensar... direito... ugh... *Dou um bufo de dor.* — É uma informação... obrigada. Eu também... aaaaargh... disse que os impulsos... estão... *Puxando o ar, e soltando, apesar de que isso dava uma dor imensa.* — ... estão mais fortes...

*Ela olha novamente para eu gemendo de dor ali, mas sentada e sem demonstrar a não ser pelas expressões, eu deixei claro que conseguia segurar as expressões, mas que eu não precisava de fazer isso ali, ela sorriu ao perceber.*

— Desculpe Kijin... eu nunca soube de nada que causasse isso que você está sentindo, mas tenha em mente que talvez isso esteja diretamente ligada a essa estranha magia incumbida nessa simbiose. Faz sentido, afinal ambos começaram juntas não foi? Os choques e esse impulsos.

*Ouço o que ela diz e abro um sorrisinho tendo em mente que se Patchouli a dona da livraria que só saia de sua biblioteca para visitar a biblioteca mágica, não sabia sobre o assunto, não havia esperança de ninguém que conhecesse ajuda-la, para ser sincera, talvez a mãe de Nashira, mas ela se incluía entre as pessoas que eu não queria que soubessem, uma vez que ela conhece Nashira e Nashira conhece todo mundo que está no meu círculo de contatos.*

Eu havia voltado para casa e mais dias se passaram, eu não pensei direito, eu não estava em minhas plenas faculdades mentais, logo que os dias foram passando, Sukuna notou algo estranho, estando sempre comigo, ela não notava as expressões porque eu não as fazia, mas dor é algo extremamente fácil de ver que a pessoa está sentindo, talvez ela tenha visto em meus olhos, ou nas tremidas involuntárias que meu corpo frequentemente fazia, seja como for, ela se preocupou e falou com toda e qualquer pessoa que pudesse me ajudar. Ao ponto que uma grande quantidade de pessoas chegou, provavelmente por causa da grande capacidade de Sukuna de atrair as pessoas, boa parte delas não soube do que se tratava, outras pareciam chutar, mestrinho Ethel e Papillon estavam entre eles, mas mestre Ethel passou boa parte do tempo calado, ele parecia irritado por algum motivo, mas ele sempre estava irritado então não era surpresa, Papillon parecia preocupada, Marie também estava ali e me fazia cafuné, de maneira estranha qualquer toque me fazia sentir uma onda de dor inimaginável, mas os dela não, eu já estava em um estado que eu não conseguia proferir uma palavra, me mover ou fazer o que seja.

Quando me dei por mim novamente estava no hospital, ao ponto que a dor agora era normal, provavelmente meu corpo se acostumou a ela, eu estranhava no entanto de meus orgãos não terem sido cremados com aqueles choques que eu recebia, estava sozinha, olhando para o teto, as foices vermelhas e as lanças estavam ali ainda, pelo que me recordei em meu estado catatônico, eles tentaram tirar de mim, apenas para ver novos saírem do lugar, foi explicado que a ultrassonografia e o raio-x mostraram que de alguma forma, aquilo estava impregnado em todas as células do meu corpo e que tirar aquilo estava além do conhecimento do hospital, ouvi Nashira e Donatella conversando sobre algo com feiticeiras, e pelo que pareceu haviam decidido pedir ajuda novamente a garota que haviam chamado para ajudar Crisântemo da outra vez. Eu não tinha escolha, teria que aceitar o que decidissem por mim, afinal não conseguia fazer nada, mas os impulsos não venceram, eu poderia ficar em coma pelo resto da vida, mas eu não fui derrotada. Se eu pudesse rir era o que eu estaria fazendo agora, no entanto assim que esse pensamento surgiu, algo dentro de mim pareceu desistir, não era eu, era outra coisa, era a simbiose, aquilo havia vontade própria, notei fazia muito tempo que ela não queria me controlar, talvez ela não pudesse, mas ela queria me transformar em algo que a permitisse fazer algo, eu não sei, eu não entendo.

As lanças e foices começaram a se abrir, grandes, enormes, pareciam preencher o quarto inteiro, tudo pareceu se magnetizar, batidas na porta eram ouvidas, mas a porta não se abria, os aparelhos elétricos explodiram e raios saiam para todos os lados, notei no entanto que havia recuperado minha habilidade de fala, e locomoção, e pressentindo o que estava vindo gritei.

— EVACUEM O HOSPITAL! RÁPIDO! CHAMEM ALGUÉM COM CAPACIDADE DE TELEPORTE! RÁPIDO! *Gritei controlando aquela simbiose, eu era mais forte, eu havia provado, eu conseguiria segura-la, mas aquilo estava em outra proporção, não era questão de segurar ou não, aquilo ia acontecer, eu querendo ou não, tudo o que eu podia fazer era adiar por um tempo, eu não conseguia teleportar ou usar nenhuma magia.*

*Pouco tempo depois, ou o que para mim demorou séculos porque eu estava dando cada átomo do meu corpo para segurar o que eu sabia que seria uma explosão, alguém me disse por trás da porta.* — Nee-chan! Todo mundo já foi embora e eu também estou indo. *Eu não sabia se eu estava alucinando se era realmente minha irmã ali, mas assim que eu ouvi a voz dela, uma calma transpassou em mim, a eletricidade ao redor parou, os raios, tudo. As lanças e foices começaram a me rodear, agora que eram enormes, o embraço delas subjugou meu corpo, eu sentia que meu corpo estava absorvendo tudo aquilo, a dor de tudo que eu causei a todos, todo o sofrimento, tortura e ódio que eu causei a cada pessoa ou criatura que passou pela minha vida, estava se encrustando em meu corpo, era terrível, nunca imaginei que existiria algo assim, minha consciência, incapaz de suportar aquilo, se esvaiu.*

Não havia mais hospital, a explosão de outrora realmente aconteceu segundos depois, mas por outro lado, não havia mais ninguém nele, o prejuízo era inteiramente monetário. Mas havia algo estranho, eu era eu mesma, estava voando e conseguia usar magia novamente, mas o céu estava fechado e as nuvens negras que surgiam pareciam ter como ponto central a mim, pareciam me rodear, enquanto trovões e raios desciam a minha volta, olhei para minhas mãos e elas eram garras vermelhas, também notei que por algum motivo estava de algo como botas armaduradas, e eu tinha chifres vermelhos reais em meus cabelos que ficaram inteiramente pretos e cresceram de tamanho.

— Hã? *Me perguntei espantada, e logo dei conta do que podia fazer daquele jeito, como se a simbiose estivesse me dizendo os poderes que havia ganho.* — Pera... então... *Me transfigurando num raio e chegando em outro lugar quase como um teleporte de tão rápido.* — Uaaaau... *Digo impressionada, outra coisa que eu notei, o poder do meu estado atual era mais forte do que meu estado normal, a simbiose me mostrou como desfazer a transformação e assim que o fiz notei meu poder mágico diminuir drasticamente, apesar de que ainda era muito, mas muito maior do que eu tinha antes, se eu não me engano era o nível de um rank SS.* — Então agora... eu sou uma Devil Slayer de raio? *Paro me perguntando com um sorrisinho, meu eu interior confirmava isso, então eu sorri para mim mesma, no estado passado meu poder crescera absurdamente, porém eu notei que todos aqueles impulsos que eu sentia de raiva, e sadismo também eram bem mais fortes naquele estado.* — Parece uma magia perfeita para mim. *Digo com um sorrisinho, usando o espaço para trazer meus pequenos chifrinhos de volta, imaginando que com a Ravelt talvez, eu conseguiria enfrentar Ethel.* — Me aguarde mestrinho... sua hora está chegando mais rápido do que você imagina. *Sorri confiante para mim mesmo e decidi ir embora dali, para casa, para acalmar Sukuna, e também porque a momentos atrás eu estava com uma aparência demoníaca e eu havia acabado de destruir um hospital, nada de bom ia acontecer se eu ficasse lá por muito tempo, o reino estava bem cruel, e eu tinha certeza que eles não gostavam muito de mim...* — Bem... de qualquer jeito a conta deve ir para mestrinho Ethel. *Sorrio sadicamente.* — Eu não sei se ele vai ficar feliz de me ver bem, ou vai me matar de vez. *Digo mais para mim mesma, ao me teleportar para casa.*