Crossings
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Rachel.
Não, eu nunca quis que isso acontecesse. Sempre passava na minha memória que poderíamos ser felizes sem nenhum esforço, sem nenhuma pressão. Mas não foi assim que aconteceu. Eu, eu sinto muito pelo que aconteceu, meu amor. Espero que um dia você me perdoe. Por tudo.
Siva. Esse era o nome do homem que me fez loucuras e que me fez fazer loucuras. Era muito tímido, e muito sincero com as palavras, então sempre achei que nunca fosse namorá-lo ou algo do tipo, já que eu era mais tímida que ele e não falava o que sentia. No entanto, eu percebi que poderia conquistá-lo com a simplicidade que eu tinha, já que era algo que o encantava. Nós conhecemos na faculdade; eu fazia engenharia e ele fazia medicina. Um rapaz bonito, inteligente e cobiçado por todas as garotas da faculdade nunca iria saber da garotinha que cursava algo que não tinha interesse, que na verdade queria ser professora. Sim, era meu sonho. Mas eu fiz engenharia porque meus pais queriam e não gostava de desapontá-los. Saí de casa com dezenove anos, não por rebeldia, liberdade, mas porque eu necessitava sentir o gosto de ter responsabilidade, já que fui criada em berço de ouro, e isso me angustiava, por ver todas minhas amigas sendo responsáveis e eu chorando para ter um carro. Liberdade eu tinha, meus pais sempre confiaram em mim. Como digo, era mais pelo gosto de cuidar das coisas, de ter preocupações e tudo mais. Moro em um apartamento pequeno, como fico o dia fora não preciso de fogão, panelas, essas coisas (eu não sei cozinhar, então já é mais um motivo para não ter isso). Trabalho como garçonete em uma lanchonete super frequentada por adolescentes e pessoas que não têm tempo para se alimentarem bem. Quando meus pais souberam disso, minha mãe desmaiou e meu pai começou a chorar, mas com o tempo eles se acostumam. Enfim, esse é mais um resumo da minha vida, que com tantas coisas que aconteceram, não importam muito.
Eu tinha umas colegas de faculdade, apenas. Nunca saí com nenhuma, porque não havia necessidade, já que as três colegas que eu tinha não gostavam de mim, andavam comigo na faculdade porque eu sabia da matéria e poderia explicar tudo que o professor havia falado na sala, já que elas só faziam dormir nas aulas. Tudo bem, isso não me deixava triste, já que me acostumei a ser muito sozinha e isso (e as amigas que eu tinha eu deixei em Londres e vim morar aqui Nova York) não ia interferir em nada na minha vida. Um dia quando estava explicando a matéria da aula do Paul para elas no refeitório da faculdade, acabei notando que o Siva estava lá, e perdi todo o foco. A Mary que notou minha dispersão, perguntou:
– Rach, o que aconteceu que você se atrapalhou?’Ela fixou o olhar em mim.
– Nada, não Mary. Desculpa. ‘Falei mexendo rapidamente no meu cabelo.
–Eu já sei o que é, Mary . ‘Falou Lola sorrindo e mexendo a cabeça em direção ao Siva.
– Ah, então você está atraída pelo moreno, certo?’Mary levantou uma das sobrancelhas.
– Não é nada disso, vamos voltar a explicação. ‘Falei olhando pro chão.
– Vai, Rachel. Fala para gente!’Lola colocou as mãos no queixo, aproximou-se de mim e esperou.
– Eu não vou falar nada, porque não estou sentindo nada. ‘Falei olhando para as duas e passando as páginas do livro.
– Então eu posso chegar lá no moreno,pedir para ele vir aqui e ouvir sua explicação?’Mary arregalou os olhos.
–Não faça isso!’Levantei-me da cadeira e a apontei o dedo pra ela.
– Ahá!Então é dele que por quem você está atraída!Não se preocupe Rach. Vamos ajudá-la.
– Não quero ajuda, não quero nada!Quero apenas que prestem atenção na porra da matéria!’Falei quase gritando e dei ênfase no belo palavrão que chamou atenção do Siva e do resto que estava no refeitório.
– Tudo bem, tudo bem, acalme-se. Senta amiga. ‘Falou Lola apontando pra cadeira.
– Não me chama de amiga, você não é minha amiga!’Falei ainda exaltada.
– Rach!Por favor, olha o escândalo!’Mary me puxou e fui obrigada a sentar.
– Vocês ficam me enchendo querendo saber disso há mais de um mês, to cansada. ‘Bufei
– Você é muito boba, Rachel. Não somos as melhores amigas, mas somos suas companheiras, certo?’Falou Lola me abraçando. E nós queremos te ajudar, já que você está caidinha por ele.
– Não estou...!’Falei quase levantando. Caidinha por ele...
– Ele é um gato!Aproveita se não eu pego, hein!
– Pois pode ficar Mary. Ele é todo seu. ‘Peguei meus livros e minha mochila, e saí quase arrastando a mesa dali. Não sei o que me dá, quando falam desse homem. Eu sinto algo em mim, que é impossível de controlar, me sobe uma raiva, um desejo, uma angústia de saber que eu não posso tê-lo. Acabei esbarrando na Katherine que é a mais digamos assim “cruel” da faculdade. Apesar que aqui não tem isso de popular e essas coisas, mas eu classifico-a assim. Então acabei derrubando meus livros e os livros dela. Claro que, eu pedi desculpa, mas ela não quis saber:
– Quero os livros na minha mão, agora. ‘Falou Katherine com as mãos abertas e me olhando no chão.
– Toma. E desculpa de novo.’Entreguei-lhes e saí.
– Garçonete suja.
– Com muito orgulho. ‘Falei ainda de cabeça baixa.
– Você gosta do Siva, não é?
– O quê?’Meu coração começou a bater cada vez mais forte, e minhas mãos ficaram extremamente geladas.
– Eu sei que sim. Até ele sabe. Todo mundo sabe, mas ninguém se importa porque você é insignificante. ‘Ela me olhou dos pés a cabeça e virou as costas.
– Espera!Quem te disse isso?’Puxei-a
– Então é verdade?Eu estava só te testando, amor, porque já tinha visto seus olhos brilhando quando ele passava na sua frente!Espera até eu contar pra ele, e você tá ferrada, querida!Nunca vai ter chances com ele, nunca.
– Eu sei disso, se quiser, fique a vontade para contar. ’Meus olhos encheram-se d’água e eu corri, corri muito, e acabei me esbarrando em outra pessoa, só não imaginava que seria essa pessoa. Aquela que poderia me ajudar a esquecê-lo, que faria meus dias melhores, que seria tudo pra mim. Poderia ser maldade o que eu iria fazer, mas estava tão desesperada com esse sentimento que qualquer atitude agora seria vantagem.
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