Crossbreed
4 A história de Raven: parte 1
Notas iniciais
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Tudo começou quando as grandes famílias começaram a lutar entre si.
A história nos conta que os vampiros eram divindades noturnas temidas e adoradas. Como viviam longamente, eram ótimos conselheiros dos reis humanos que os recompensava com presentes e sacrifícios. Os vampiros não matavam indiscriminadamente. Eles tomavam apenas as vidas que lhes eram oferecidas. Dessa forma, o equilíbrio se mantinha.
As seis famílias vampiras se conheciam e se respeitavam mutuamente e respeitavam os humanos. Cada família possuía características e habilidades que eram passadas de geração a geração. Para preservar os dons de sangue, os casamentos fora da família não eram permitidos e cada casal poderia ter apenas um único filho independente do sexo. E assim, as coisas fluíam tranquilamente e havia paz e harmonia.
Mas, então, um desastre aconteceu e os pilares que sustentavam a sociedade humana e a sociedade vampira caíram.
Daren, ansioso pelo poder, assassinou o próprio pai, Shaka, o lider de sua família. Em represália, seus tios e primos exilaram Daren e lhe negaram o direito de se casar com sua prima, Alika. Exilado, Daren se estabeleceu como conselheiro do rei humano Ayo. Mas o posto de conselheiro não era o bastante para satisfazer a sua ambição ou aplacar seu desejo por vingança. Então ele foi em busca do apoio de outra família, todavia todas as famílias recusaram-se a recebê-lo, pois não queriam insultar a memória de Shaka, o pai que Daren matou cruelmente.
Contudo, uma família decidiu recebê-lo. Naldo, que nutria um imenso respeito por Niara, mãe de Daren, queria encontrar alguma bondade no filho dela e um motivo que justificasse seu crime. Assim Daren foi recebido pela família de Naldo. Apesar das explicações dadas, Daren não conseguiu apoio para assumir a liderança da família que o exilara. Mas ele era esperto e possuía uma carta na manga. Ele apelou para o bom coração de Mina, esposa de Naldo, dizendo-lhe que tudo o que queria era a sua prima e esposa prometida, a bela Alika, que lhe fora negada. Ao falar dela, Daren exaltou sua grande beleza e sem saber despertou o desejo de Waldo, filho de Naldo e Mina. Waldo e Mina convenceram Naldo a apoiar Daren e assim eles partiram para lutar contra os tios e primos de Naldo e resgatar a bela Alika, que pensavam estar ali contra a vontade.
O combate não envolveu apenas as famílias vampiras. Os reinos com laços com as famílias de Naldo partiram para a luta. Da mesma forma, os reinos com laços com a família de Niara decidiram lutar por ela. Assim começou a grande guerra. As forças das duas famílias e seus aliados estavam equilibradas, mas Naldo possuía um trunfo: Ayo. No início, Ayo apoiou Niara assim como todos os outros reinos que tinham laços com ela, mas logo ele a traiu e facilitou a entrada de Daren, Waldo e Virna, esposa de Waldo, na casa da família.
O resultado foi a destruição da família de Niara. Apenas as crianças pequenas foram poupadas e, também, a bela Alika. Quando Daren achava que havia conseguido tudo, ele foi traído por seu orgulho. Waldo matou Daren para ficar com Alika, mesmo sendo casado com a guerreira Virna. Uma vez que Naldo e Mina haviam morrido em combate, como líder de sua família, ele decidiu que poderia ter duas esposas. Inconformada com a traição, Virna sai de casa e busca ajuda de outra família para vingá-la. E ela recebe o apoio da família de Enzo e Letícia. Segue-se outra batalha, mas desta vez, Alika foge com seus primos pequenos e busca a proteção da distante família de Kauê e Anahi. Mas a fama da beleza de Alika se espalha e outras famílias passam a desejá-la. Assim começa a guerra.
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— Olha, eu não quero interromper… — Dark interrompe. — Mas eu não entendi o que essas lendas têm a ver comigo…
— Eu chego lá. — Raven pigarreia. — Continuando…
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Com a guerra entre as famílias o número de vampiros e humanos começou a diminuir e o equilíbrio foi abalado. Além disso, para conseguir os favores de Ayo, Daren havia revelado a ele muitos segredos de família. O rei humano, a fim de se apoderar, dos dons de sangue dos vampiros, durante a primeira batalha, raptou e manteve prisioneiras crianças vampiras das famílias de Niara e Naldo. Ele não se interessava pelos meninos, assim apenas os usou para seus experimentos, mas as meninas… Ele teve filhos com elas. E esses filhos eram mais fortes que qualquer humano. Quando os outros reis viram o que Ayo havia conseguido, começaram a fazer o mesmo. Desse modo, a relação de respeito e cooperação entre humanos e vampiros desmoronou. Os vampiros, ainda lutando entre si, decidiram que os humanos nada mais seriam para eles além de comida.
Mas não parou por aí. Com seus conhecimentos, Ayo foi mais longe. Fingindo estar em busca de conselhos, o rei humano foi em busca dos guardiães da noite e foi recebido pelo Rei Lobo Sirhan. Ora, Sirhan, assim como os demais guardiães, estava adormecido há muitas eras, pois confiava nos vampiros para manter o equilíbrio. Quando soube da guerra, apressou-se a receber Ayo que vinha dizendo portar notícias e querer conselhos para lidar com a situação. Quando as verdadeiras intenções de Ayo ficaram claras, o rei lobo o matou.
Sirhan saiu de seu abrigo e olhou para o caos na terra. Influenciado pelas palavras de Ayo, o rei lobo considerou os vampiros os responsáveis por todo o desequilíbrio e sentenciou-os a extinção. Assim os guardiães da noite despertaram de seu sono e atacaram os vampiros, mas não atacaram os filhos de vampiros e humanos, pois consideravam o sangue humano inocente. Numa única noite a raça dos vampiros quase chegou a extinção. Um único puro sangue sobreviveu ao expurgo dos guardiães da noite.
Os guardiães consideraram a morte dos vampiros o bastante, mas Sirhan insistiu para que os meio vampiros também fossem mortos, porém não conseguiu convencer seus companheiros. Então antes de voltar ao seu sono, Sirhan derramou suas sementes no único reino humano que não entrou na guerra e, dessa forma, criou os licantropos, a fim de que eles destruíssem todo e qualquer vestígio de sangue vampiro.
Os licans, como os chamamos, começaram a caçar os meio vampiros, que não viram outra solução a não ser se transformarem completamente ao ingerir sangue humano. Novas famílias foram criadas e, embora, o sangue dos novos vampiros não possua todos os dons dos vampiros originais, retomou-se o velho hábito de casamentos familiares. Os humanos passaram a ser vistos apenas como comida e os licans, são nossos inimigos jurados, ainda que alguns humanos tenham se especializado em nos caçar.
Nossa família é uma das mais antigas da América. Vivemos por muitos anos com discrição e união para enfrentar nossos inimigos e poder viver entre humanos. A média de vida de um vampiro é de trezentos anos. Isso é muito tempo para evoluirmos. Aprendemos com nossos erros e sobrevivemos.
Mas os licans também evoluíram e especializaram-se em nos caçar. O método deles parece ser infalível. Eles encontram uma família e concentram-se apenas nela. Mesmo que passem-se várias gerações, eles não desistem. Muito pelo contrário, eles reproduzem-se e transformam humanos para aumentar suas forças e assim subjugam a família.
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— Há cinquenta anos, um clã lican colocou seus olhos em nós. Como eles possuem a capacidade de transformar humanos, estávamos perdendo por números. Muito ao contrário do que dizem as lendas, a transformação de humanos em vampiros é rara, pois, na maioria das vezes, dá errado. Por essa razão, a maneira mais segura de criar novos vampiros é pelo nascimento. Mas não tinhamos tantas vampiras assim para gerarem nossas crias. Então optamos por uma nova união com humanos. humanas para sermos mais específicos. Os filhos dessas humanas são criados longe de nós, como humanos, e, à medida que a guerra provoca baixas, mandamos um buscados encontrar essas crias, transformá-las e trazê-las para engrossar nossas fileiras.
— Então é isso? — Dark balançou a cabeça. — Eu fui gerado apenas para engrossar suas malditas fileiras?! — Dark cuspiu as palavras cheio de amargura.
— Entenda, Dark… — Raven disse o olhando nos olhos — O vampiros fazem o papel de reprodutores engravidando o maior número de humanas possíveis, mas as vampiras não. Elas são nossas preciosas parceiras e geram apenas nossos próprios filhos.
— Mas Azalee disse que minha mãe…
— Sim, Dark, sua mãe era uma vampira… — Raven baixou a cabeça. — Sua mãe e eu éramos da mesma geração e sempre fomos amigos. Mais que isso, éramos como irmãos.
— Então por que ela teve um filho com um humano? — Dark quis saber. — Pelo o que estou vendo, você adoraria ter feito um filho nela…
Dark nem viu de onde veio o golpe que o atingiu. Quando deu por si, estava estirado no meio do corredor segurando o maxilar dolorido.
— Não ouse falar assim… — Raven rosnou indo de punhos fechados em sua direção. Os olhos fixos em Dark. — Depreciar assim nossas relação…
Os olhos de Raven, normalmente prateados, estavam vermelhos e apertados num ódio que Dark não compreendia.
— Sua mãe não era nenhuma puta parideira. — Raven disse. — Ela era uma guerreira. A melhor de todas. Mais que isso. Ela era a herdeira do pai e da mãe. Ela seria a nova líder da família…
— Mas ela teve a mim. — Dark disse baixinho.
— Sim, ela teve… — quando Raven falou, Dark teve a impressão de que ele estava prestes a chorar. — Ela estava de casamento marcado com Pietro, outro favorito do pai… Ela saiu em missão. Voltou cinco meses depois esperando você.
— Ela…? — Dark nem sabia direito o que queria perguntar.
— Por mais que perguntássemos, ela não dizia quem era o pai. Só dizia que não era um vampiro. — Raven voltou a se sentar na cama e abaixou a cabeça. — Pietro cancelou o casamento e o pai ficou furioso. Ela foi rebaixada, mas nada que fizessem importava. Ela não quis interromper a gestação. Ela queria ter você. E quando você nasceu, ela morreu…
— Minha mãe… — Dark sempre fantasiava com a mãe. Sempre a imaginava sendo obrigada a abrir mão dele, a quem ela tanto amava. Mas no fundo esperava que ela fosse só mais uma mulherzinha egoísta que o largara no mundo.
— Ela só teve tempo de pegar você, olhar seu rosto e dizer: Dark. — Raven ergueu a cabeça e voltou a assumir uma postura firme. — Eu escrevi o bilhete dizendo às freiras qual era seu nome: Dark.
— Foi você que me largou lá…?
— Se ficasse aqui, Pietro ou Azalee poderiam matá-lo. — Raven suspirou pesadamente enquanto buscava algo no bolso do casaco. — Azalee foi rejeitada por Pietro que amava sua mãe. — Raven tirou uma fotografia do bolso e a olhou com ternura. — Mas como alguém não a amaria? Shany era maravilhosa....
Raven esticou a mão com a fotografia em direção a Dark. O garoto se levantou e foi até Raven e apanhou a fotografia. Nela se via um rapaz e uma moça. Era fácil reconhecer Raven ali. Seus olhos prateados estavam bem abertos e vivos enquanto ele sorria ao lado de uma moça de pele escura, um pouco pálida, que usava os cabelos em longas tranças e sorria de uma maneira tão exuberante que era difícil olhar para aquele sorriso e não querer sorrir também.
— Essa era minha mãe? — Dark sentiu os olhos encherem-se de lágrima. Mas por que ele estava chorando? Nem conhecera a mãe… Mas a dor de saber que aquela moça sorridente da foto não existia mais o atingia feito uma faca em brasa.
— Essa era Shany. — Raven disse. — E ela o amava. Ela nunca amou alguém tanto quanto amou você. Os outros mestiços não me importam. Não me importo com eles, mas me importo com você, o filho de Shany.
— Parece que você é o único. — Dark sorriu de lado. — Pelo que pude entender, eu sou apenas um número…
— Não para mim. Não para o pai. — Raven apertou seu ombro. — Assim que ele perceber o quanto você tem da Shany, ele o trará para o seio da família.
— E se isso não acontecer? — Dark perguntou inseguro.
— Vai acontecer. — Raven afirmou. — Você é o filho dela.
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No fim da noite, Raven levou sangue para Dark, que mesmo achando-o repugnante acabou bebendo tudo e desejando mais. O vampiro explicou que os recém despertados costumam sentir mais fome que os mais velhos. De acordo com Raven, em poucas semanas, a fome louca de Dark desapareceria.
Mesmo antes de amanhecer, Dark já estava dormindo. Por ter ficado quase setenta e duas horas acordado, o rapaz estava esgotado. Sendo assim, não foi surpresa ele ter dormido um dia inteiro.
Acordou com uma batida forte na porta.
— Acordar! — alguém gritou do outro lado.
Dark sentou-se na cama e espreguiçou-se. queria saber que horas eram, mas imaginou que não faria muita importância saber disso ou não. Então encaminhou-se até o armário e vestiu o uniforme como Raven havia explicado. O uniforme consistia em camiseta, calça e boné da cor cinza, mas as botas coturno e luvas tácticos pretas. Dark estava acabando de ajeitar as luvas, quando abriram a porta de sua cela.
— Pra fora, dampiro! — um vampiro alto vestido de preto e com cara de poucos amigos rosnou mostrando as presas.
— Dam… o quê?! — Dark não havia entendido. Se o cara houvesse falado “Pra fora, soldado!” ou mesmo “...vampiro”, até faria sentido.
— Eu disse “dampiro”! — O vampiro se aproxímou de Dark. — “Mestiço, recém despertado” ou “dampiro”, tanto faz. É tudo a mesma coisa. Mas na guarda da noite, usamos o termo “dampiro”, então é bom se familiarizar com ele.
— Guarda da noite…?
— É, idiota! Você faz parte dela agora.
Dark olhou para o corredor e viu uma fileira de jovens em posição de sentido. Imediatamente ele tentou imitá-los.
— Melhor assim, dampiro! — o vampiro alto disse. — Eu sou o capitão Gonçalo. De agora em diante a sua vida miserável pertence a mim.
— Capitão… — Dark levantou a mão. — Não acha essa frase muito clichê, como a que um ator diria num filme de comédia sobre o exército?
Logo risadinhas se espalharam por todo o corredor. Gonçalo olhou feio para os outros dampiros que logo retomaram as posturas sérias.
— Você se acha muito engraçadinho, não é, Niara…? — Gonçalo parou a menos de um metro de Dark.
— Ni… o quê? — Dark ficou confuso. Seu nome era Dark O’sullivan. — Meu nome é…
— Você é filho de Shany Niara. — Gonçalo disse como um professor que explica a um aluno burro que dois mais dois são quatro e não cinco. — Logo você é Dark Niara.
— Ah! — Dark abriu um sorriso aliviado. — Eu não sabia o sobrenome dela…
— Você não sabia a linhagem da sua mãe…? — Gonçalo parecia surpreso.
— Eu fiquei sabendo o nome dela ontem à noite… — Dark se justificou. — Bom, então se é como o Raven disse, eu devo ser descendente de uma das crias do Ayo com as meninas vampiras raptadas da família da Niara… — Dark colocou a mão no queixo enquanto pensava. Então percebeu o silêncio e os olhares horrorizados de todos no corredor. Olhou de um para outro e não percebeu qual era o problema. Até Gonçalo parecia mudo. — Que foi?
— O Comandante Virna veio falar com você? — Gonçalo pareceu ainda surpreso.
— Na verdade, ele me buscou. — Assim que falou, Dark se arrependeu de ter falado. Todos pareciam ainda mais surpresos com a revelação.
— Ele foi buscado pelo próprio comandante… — alguém cochichou.
— E é filho da Shany Niara…
— Achei que o Comandante Raven Virna o mataria…
— Não. A Comandante Azalee Niara, certamente, irá matá-lo…
— Sei não. Eu acho que quem vai matá-lo é o Comandante Pietro Letícia…
Dark ficou em silêncio sem saber o que pensar do que escutava. Raven queria matá-lo? Pietro e Azalee, Dark até entendia. Ciúme e inveja sempre moveram o mundo, mas que motivos Raven teria para matá-lo? Mas se o objetivo era matá-lo, por que tirá-lo de Fairfaxville? Por que transformá-lo?
— Chega de conversinha! — Gonçalo levantou a voz. — Vamos lá fora ver do que o Niara aqui é capaz…
Todos entraram em fila e seguiram marchando até o que parecia ser um campo de treinamento. Dark foi até lá se arrastando. Estava faminto. Seu corpo pedia, exigia um bom prato de comida. Podia ser até mesmo uma baguete, contanto que estivesse bem recheada com presunto ou salsicha.
— Que hora a gente vai comer? — Dark perguntou a ninguém especificamente enquanto se arrastava atrás da fila para um exercício de peso.
— Os primeiros dias são terríveis, não? — A garota a sua frente virou-se para olhá-lo. — Daqui a algumas semanas, passa…
— Mas até lá eu vou morrer de fome…?
— Você não vai morrer. — Ela sorriu. — Após o treinamento irão nos alimentar.
— Espero que tenha ao menos uma macarronada e um bife bem grandão de boi. — Dark resmungou. — Um milkshake também seria bem vindo… — A garota ficou olhando aturdida para o rapaz. — Não é o que costumam servir aqui? — Dark ficou contrariado quando ela balançou a cabeça negativamente. — E o que eles servem,então?
— Sangue.
— E o que mais? — perguntou esperançoso.
— Só sangue. — a moça disse um tanto surpresa. — Não precisamos de nada além disso…
Dark guardou silêncio e começou a entender por que Raven ficou surpreso quando no caminho Dark roubara salgadinhos e bolos de um mercadinho fechado e comeu. Os dampiros normalmente se satisfaziam apenas com sangue. Mas Dark não.
— Sua vez, Niara! — Dark ouviu a voz estridente de Gonçalo.
Imediatamente as meninas que ficavam em um corredor diferente do corredor dos meninos e não haviam escutado toda a bronca matinal pararam o que estavam fazendo para olhá-lo. Era como se Dark fosse um mico de circo.
Cabisbaixo e querendo sumir, Dark se adiantou e pegou uma enorme bola de ferro. O objetivo,pelo que notara das marcações, era jogar a bola o mais longe possível. Ele estava surpreso. Sempre fora forte, mas depois de se transformar em dampiro, parecia que a força de Dark havia multiplicado por dez ou mais. Se fosse antes, ergueria a bola com muita dificuldade, porém naquele momento ela não parecia pesar mais que uma bola de futebol.
Com um pouco de descaso pela facilidade do exercício, Dark lançou a bola a frente e parou para observar a trajetória do objeto. Esperava que ela ultrapassasse facilmente a linha branca, mas não imaginara que ela atravessaria a outra área de exercício e derrubaria uma parede a qual alguns dampiros novatos tentavam transpor.
— Ichi… — Dark levou as mãos a cabeça. Não era para a bola ir tão longe.
Gonçalo apenas ficou de boca aberta olhando. Os outros dampiros também pararam tudo o que estavam fazendo para olhar o resultado do arremesso de Dark.
— Impressionante! — Dark ouviu uma voz baixa, melodiosa e estranhamente perigosa vindo de trás. — Era o esperado de um filho de Shany Niara…
Dark não virou-se para olhar. Sabia quem vinha. Azalee passou pelos dampiros novatos e postou-se diante de Dark.
— Para alguém como você,um exercício bobo desses não serve. — Azalee sorriu perigosamente. — Deixe que eu mesma irei testá-lo.
O olhar zombeteiro e o sorriso meio insano de Azalee fizeram com que Dark concordasse com os comentários que escutara. Azalee iria matá-lo pessoalmente.
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