Notas iniciais
Desculpem a demora gente, mas sabem como é né? Faculdade toma muito o tempo da gente... Bom esse capitulo é bem grande então... Enjoy yourselves!!!

Grande Continente.

Haled. Por volta de +- 100.000 a.C.

Após um duro e difícil período de congelamento, conhecido como Era Glacial, os humanos tem demonstrado uma capacidade e um desejo poderoso de sobrevivência. Contrariando a vontade dos Gigantes, os Primogênitos de Yahweh, os Arcanjos. Foi um tempo severo, muitas vidas pereceram diante da crueldade do intenso frio. Entretanto, por mais que tropeçassem, sempre insistiam em se erguer e continuar a viver. Parecia que nem a força mais poderosa do Universo era capaz de dizimá-los. Porém, o que os Gigantes não contavam, era que durante todos os longos anos na tentativa de exterminar a ultima criação do Altíssimo, os humanos estavam sendo ajudados por uma força especial, totalmente alheia aos Sete Céus, mas muito poderosa. Um coro que respondia exclusivamente ao próprio Criador para cuidar, ensinar e proteger seu bem mais precioso. Eles são as Sentinelas.

Em pé, em um penhasco que termina de fronte a um desfiladeiro, onde era possível ter uma ampla visão das nações espalhadas ao longo do Grande Continente, estava um homem. Tinha uma aparência bruta e corpulenta, era muito alto, em torno de quase 2,00 metros. Tinha longos cabelos castanhos crespos em forma de dreads, seus braços, pernas e tórax eram cobertos por uma camada tenra de pelos no mesmo tom. Sua coluna era levemente arqueada, dando uma impressão mais selvagem. Trajava apenas uma tanga de couro animal que ia até metade de suas grossas coxas, tal como sandálias do mesmo material e um colar com dentes provavelmente de algum Dente de Sabre. Possuía uma expressão severa e felina, a pele era bem desgastada e bronzeada e tinha uma barba rala em torno de um maxilar rijo e firme. Segurava uma lança com ponta de osso animal.

Era pôr do sol e estava ventando suavemente e suas madeixas balançavam levemente ao movimento do ar. Fechou os olhos por alguns instantes, inalando o ar puro. Sua sombra projetada no chão revelava algo mais, um par de asas enormes e pontudas como de uma ave de rapina. Ele sente uma leve vibração no tecido, que até então havia adensado, mas nada que impedisse uma materialização sem problemas e com isso abre de imediato os olhos de tons castanhos claros.

- Finalmente, chegaram. – disse para si mesmo, revelando um tom de voz grave.

Há alguns quilômetros de distancia do penhasco, um avatar se forma na Haled, estava apoiada sob um joelho. Erguia-se lentamente, mostrando-se enfim uma mulher-anjo, pois com o por do sol era possível notar sua sombra com asas de penas largas. Trajava uma túnica simples branca longa, sem adornos, mas marcando bem seu corpo bem definido. Com cabelos castanhos acajus balançando ao vento e intensos olhos dourados reluzindo sob o brilho do sol poente, era Ellora. Que se põem a caminhar ao local marcado pelos Arcanjos para o Grande Terremoto que dividiria a Haled de uma vez por todas.

Estava descalça, a cada passo sentia-se mais confortável ao ambiente, pois não era habituada a ir a Haled com frequência. Segue por uma longa caminhada e ao percorrer o trajeto até o ponto marcado, Ellora olha seu ambiente a volta. Era vegetação rala, típica de áreas mais desérticas. Havia animais típicos do ambiente, lagartos, insetos. Apesar ter coisas mais belas no Tártaro aquele ambiente atraia a atenção de Ellora de uma forma que não sabia explicar.

A misteriosa Sentinela pressente a aproximação de um celestial, sua expressão mostra dúvida.

“- Estranho, esperava uma horda, mas apenas sinto uma aura...” – pensa consigo mesmo.

Intrigado decide ir de encontro com a única aura que pressentiu.

Enquanto isso, Ellora prosseguia totalmente absorta ao ambiente a sua volta. Por um instante, atentou-se a posição do Sol e das Estrelas, estava bem adiantada em relação ao tempo para a execução da missão.

“- Bom parece que cheguei bem cedo... Isso me dará mais tempo para explorar o local.” – Disse pensando para si mesma, nisso esboça um pequeno sorriso, estava muito curiosa para explorar o habitat a sua volta.

Estava muito curiosa e animada, nunca teve a oportunidade de estudar e apreciar as formas de vidas na Haled, a forma como interagiam em uma atmosfera nova que não fosse do Tártaro, mesmo tendo participado em sua criação diretamente, pouquíssima vezes veio a Haled, mas geralmente eram passagens rápidas demais. E agora era sua oportunidade.

Ellora achega-se a um pequeno arbusto, onde havia algumas plantas espinhosas e toca com as pontas de seus dedos o espinho de um cacto com um único botão de flor. Ao fazer isso imediatamente sentiu a energia da planta fluindo, sentiu a força da vida presente nela, Ellora ficou fascinada com o poder que uma pequena e aparentemente insignificante planta pode carregar. Era algo totalmente diferente das que costumam ter no Tártaro, aquela energia parecia mais sublime que a fonte divina, ali ela teve certeza, não foi feita pela mão de um simples ishim, e sim de um representante da casta poderoso, alguém que tinha pleno domínio dos Caminhos e claro pode notar também que tal projeto teve influencia direta do próprio Criador. A essência suprema era perceptível no pequeno cacto.

Porém, por estar totalmente absorta na nova fonte de vida, Ellora desapercebeu-se da aproximação de alguém junto a si. Junto aos seus pés havia um pequeno objeto de retalhos redondo, que parecia ter vindo de uma encosta ali próxima. E a poucos metros a frente de si tinha uma sombra projetando-se em sua direção que aos poucos diminuía com a aproximação desse alguém.

Conforme ficava mais próximo, Ellora pode discernir que era um humano, pois notou a sua alma emanar vibrações, na verdade uma criança, um menino. Tinha os cabelos desgrenhados, um rosto redondo e sujo, olhos amendoados. Estava descalço e vestia apenas ao que parecia uma túnica velha de pele animal de um ombro só.

-Dziaŭčyna? (Moça?) – disse o menino tímido em um idioma local.

Ellora olha confusa a principio, mas logo adapta seus ouvidos e língua para se comunicar.

-Daač? (Sim?) – responde Ellora no idioma do menino.

-Moža viarnucca miačom u nahach, kali laska? (Poderia devolver a bola junto aos seus pés, por favor?) – conclui o menino.

Ellora lentamente olha abaixo aos seus pés e nota o objeto novamente e toma em suas mãos, mas estava desfazendo. Olhando para o pequeno menino esboça um pequeno sorriso, e agora a bola em suas mãos começa a brilhar e os retalhos de couro que estavam se desfazendo, agora se fixavam e mais apareciam. Usando a divindade Criar Realidade, ela materializa o material natural reforçando e dando resistência a pequena bola. O menino não escondeu sua expressão de espanto, ficando de olhos arregalado e boquiaberto.

- Ach! Tak! Kaniečnie, vot jano! (Ah! Sim! Claro, aqui está.) – Ellora diz em resposta com um sorriso grande em face, entregando a bola reformada ao menino, que depois do choque estava sorrindo calorosamente, uma risada inocente e boa de ouvir.

O menino contente subitamente abraça forte Ellora que foi pega de surpresa. Não estava acostumada a ter um contato tão intimo com os humanos, nas poucas missões que precisou vir a Haled tratar com humanos, não era tão amistoso a ponto de um abraço, tratavam-na mais com temor e veneração que no fundo não passava de medo. Mas Ellora sentiu que aquele era diferente, era sincero e meio sem jeito retribuiu.

Libertando-se do abraço, o menino pega sua bola e volta saltitante encosta acima, onde provavelmente ficava sua tribo. No alto da encosta, ele vira e sorri com alegria dizendo de volta:

- Dziakuj! (Obrigado!) – após dizer isso o menino vai embora.

A ishim acena para o menino e vê-o sumir de vista. Estava se sentindo um pouco estranha, mas era uma sensação boa, sorria para si mesma. Nunca havia sentindo algo parecido com isso, mas era muito bom e queria sentir de novo. Mas ao lembrar-se de seu objetivo ali, o sorriso em sua face desmancha-se e erguendo-se segue em direção ao local indicado para o grande evento que viria partir dali.

Enquanto isso, depois de algumas horas, no vilarejo do lado oposto da encosta, a misteriosa Sentinela chega, onde é calorosamente recepcionado. Pela forma que os residentes o tratavam, não havia dúvidas que ele era o líder daquela comunidade nômade, pois crianças vinham ao seu encontro abraçar-lhe. Abraço que ele retribuía com afeto.

— Sardečna zaprašajem, Akhenaton! (Bem vindo de volta, Akhenaton!) – Ouve-se a voz de uma bela mulher, apesar da aparência selvagem, eis que ela era muito bela com uma pele morena clara, com belos olhos castanhos amendoados, seios fartos, cintura fina e cabelos adornados com tranças e pescoço com inúmeras argolas.

- Akhnasunamun! Moj kachany! (Akhnasunamun! Minha amada!) – Akhenaton liberta-se dos abraços das crianças, aproxima-se de Akhnasunamun, sua então esposa, tomando-a em seus braços fortes e firmes, dando-lhe um beijo longo e apaixonado. Akhnasunamun afasta sua face suavemente, encara Akhenaton tocando sua face olhando com carinho, nota sua expressão séria e preocupada.

- Što sa taboj voin? (O que te aflige guerreiro?) – Inquiri Akhnasunamun.

Akhenaton não queria preocupá-la com suposições e suspeitas, assim beija sua testa suavemente e abraçando a cintura de Akhnasunamun seguem em uma breve caminhada pela aldeia lado a lado.

- Ničoha, ničoha surjoznaha. Alie skažycie mnie, što naviny z maich vychodnych? (Nada, nada sério. Mas me diga quais a novidades, desde minha saída?) – Diz Akhenaton mostrando interesse, com claro objetivo de distraí-la do problema. O que parece que funciona, pois Akhnasunamun se anima toda a falar das coisas que acontecem na aldeia.

- Ach! Dzieci, jakija pravodziać kožny dzień stanoviacca ŭsio boĺš ŭmielyja ŭ paliavanni, listy i bitvy . I jak my bačym , jany nie mahli być liepš, ŭsio dziakujučy vam! Zudan apynuŭsia vydatnym paliaŭničym, Tatjiana maje vialikaje list u chutkim časie budzie ŭ stanie dapamahčy vam u spravach vioski. I josć Aidan, bicca, jak vy, alie maje vieĺmi ŭradlivaja rozumu! Vy nie pavierycie, historyi, jakija chlopčyk vynachodzić! (Ah! As crianças cada dia que passam ficam mais hábeis nas atividades de caça, escrita e batalha. E como podemos ver, elas não poderiam estar melhor, tudo graças a você! Zudan tem se mostrado um excelente caçador, Tatjana tem uma ótima escrita em breve estará apta para auxiliá-lo nos afazeres da aldeia. E tem Aidan, luta como você, mas tem uma mente muito fértil! Você nem acreditaria nas histórias que esse menino inventa!) – Akhenaton e Akhnasunamun riem diante do comentário sobre Aidan.

- I jakoje ž bylo pryhoda času? (E qual foi à aventura da vez?) – Pergunta Akhenaton ainda rindo.

- Nu vy možacie zadać asabista, Aidan josć. (Bom você poderá perguntar pessoalmente, Aidan está ali.) — Akhnasunamun aponta a direção onde algumas crianças tentam sem sucesso tirar a bola das mãos de Aidan e se afasta deixando Akhenaton com as crianças. Chegando próximas as crianças, Akhenaton sorridente ia perguntar, quando Aidan o vê se aproximando e corre em direção escondendo-se atrás de suas pernas. Aidan segura à bola com força.

- Hej! Što asablivaha ŭ hetym šary Aidan? (Ei! O que tem de especial nessa bola Aidan?) – Akhenaton vira para olhar Aidan escondendo-se por suas pernas.

— Majstar Akhenaton! Jany chočuć skrasci moj miač asablivym! Jana maja toĺki moj haspadar, uličvajučy bahiniaj basanož, jaki pachnie kvietkami. (Mestre Akhenaton! Eles querem roubar minha bola especial! Ela minha, só minha mestre dada pela deusa descalça, com cheiro de flores.). — Disse Aidan com uma expressão desconfiada e emburrada.

Neste momento, o sorriso no rosto de Akhenaton se desfaz, sentindo seu corpo tencionar diante da surpresa que teve ao ouvir o pequeno Aidan mencionar outra entidade.

Será que aquela aura pertencia a tal ‘deusa’? Mas etéreos não tem aura... Será que...?”- Akhenaton pensa aflito.

A Sentinela abaixa-se ficando na mesa altura do pequeno Aidan com uma expressão séria, mas se esforçava para não assustar o garoto, mas era difícil. Toma a bola de braços relutantes e questiona. A Sentinela sente uma essência de energia divina provinda da pequena bola.

- Aidan što heta za bahinia? I nie liažać! (Aidan que história é essa de deusa? E não minta!) – Akhenaton, mal se continha, sua voz saiu fria, fazendo o menino olhar triste e com receio. Nisso Aidan contou o que aconteceu, como aconteceu e possivelmente com quem aconteceu levando o Líder da Aldeia até o local onde tinha conhecido a tal “deusa descalça com cheiro de flores”. Já era noite quando chegaram ao local, céu estrelado com uma Lua cheia e farta a dominar o céu.

Akhenaton examinou o local onde havia marcas de pegadas recentes, tocando-as com a ponta de seus dedos retirando um pouco de terra do chão esfregando entre seus dedos indicadores e polegar, próximos de seu nariz que farejava o odor de flores, rastros deixados com em questão de algumas horas. Olhando adiante era possível notar uma tênue marca de passos ritmados e contínuos seguindo rumo ao centro do Grande Continente, para a Planície de Pedra. Virando-se para Aidan, que estava parado em uma pedra próxima e quieto demais o que não era comum, Akhenaton o manda de volta para casa, pedindo que avisasse Akhnasunamun que não voltaria, pois tem assuntos a resolver que envolvem a segurança da aldeia, mas que ele ficaria bem que ela não se preocupasse. Mas antes de partir Aidan com um semblante caído e triste, fala fitando Akhenaton.

- Kali laska, nie zabivajcie... Majstar Akhenaton... (Por favor, não a mate... Mestre Akhenaton...) — Com isso, Aidan sobe a encosta novamente em direção à aldeia, cabisbaixo.

Akhenaton observa atônito o pequeno guerreiro subir a encosta, com os olhos levemente arregalados e sentindo uma pontada de culpa que ele não sabia explicar. Assim que Aidan desparece de vista, Akhenaton se apruma, sacudindo a cabeça como que para se livrar de algum pensamento ruim e retomando a postura de predador, materializa suas asas grandes e afiladas como de uma ave de rapina, como de uma Harpia, com penas afiadas em tom de cinza prateado, que ganhavam uma cintilancia especial à noite com luar. Seus olhos estavam inflamados de cólera, com seus globos oculares ganhando um brilho espectral prateado. Alça voo com vigor e ferocidade no encalço da dona das marcas que seguiam até a Planície de Pedra.

Neste meio tempo, Ellora já estava no local marcado para o Grande Terremoto que mudarei de uma vez para sempre a estrutura na Haled, na Planície de Pedra, uma grande elevação de terra plana no centro do Grande continente, onde acreditava- se que era o local do Primeiro Jardim do Éden, agora perdido e desolado. Olhando para céu noturno e nota que está quase na hora de entrar em ação.

Ellora abaixa a vista e fecha os olhos, agora inalando o ar profundamente, estava ventando com isso seus cabelos dançam conforme o movimento do vento. Ao abri-los, Ellora sentia mal, com uma sensação de nó na garganta, não sentia a mesma Ellora de antes a orgulhosa e poderosa ishim, a justa e exemplar. Pelo contrário, a sensação que tinha era que ela não era nada, o que ela estava fazendo era impuro e injusto. Mas por que se sentia daquele jeito? Nunca ela havia titubeado em uma missão, nunca fraquejado ou tinha duvidado de sua motivações. Motivações? Ela nunca havia pensado em suas motivações nas missões que cumpria. Mesmo que boa parte delas beneficiasse os humanos, nunca tirou um motivo para vangloriar-se delas, afinal só cumpria ordens. Entretanto, absorta em seus pensamentos, Ellora distrai-se por desaperceber-se da presença de alguém. Alguém que vem em seu encalço com fúria.

Akhenaton pairava sobre o céu noturno na Planície de Pedra, com seu alvo a vista. A principio ele estranhou, porque estava sozinha. Olhando para todos os lados, ele certificou-se que a mulher-anjo, sim agora ele tinha certeza que não era uma deusa, pois a sombra projetada pela Lua revelava sua forma, estava mesmo sozinha para não ter nenhuma surpresa. Ele nota que ela ainda não havia percebido a presença dele, o que era uma oportunidade perfeita. A celeste estava de costas ao campo de visão do Sentinela. Inflando o peito de ar, Akhenaton deixa-se planar em queda livre e em velocidade em direção da celeste. Ele vinha rápido como uma águia, chegando a poucos metros da celeste, ele estica suas vigorosas mãos para pegá-la.

Ellora estava perdida em pensamentos, quando sente a aproximação de algo atrás de si e no instante que vira para confrontar quem se aproximava, Akhenaton a atinge em cheio com um rasante, suas mãos fortes e grandes a prendem pelo pescoço, erguendo-a com tomando um impulso de volta ao ar, subindo cada vez mais alto. Por fim, Akhenaton para de frente para a luz da Lua cheia daquela noite, com Ellora presa em uma de suas grandes mãos, mas ele não a enforcava apenas a segurava com firmeza para que não se soltasse. Ele a ergue acima de sua cabeça visto que era mais alto que ela, para ter plena visão da celeste. Ambos se encaravam, Ellora com uma expressão séria, mas calma segura com suas mãos o braço da Sentinela e Akhenaton tinha a raiva explicita em sua face com o maxilar tensionado.

- Sentinela... – Ellora fala calma, porém firme.

- O que o pessoal do “poleiro” quer dessa vez interferindo nos assuntos terrestres sem nos consultar? – Akhenaton foi direto e inquisitivo ao perguntar com sua voz em tom grave. – E não minta para mim! – sacudindo Ellora.

Ellora com algumas mechas de cabelo caídas sob sua face depois do forte sacudida da Sentinela, nada diz em resposta e fica a fitá-lo com calma, mas séria. Akhenaton estava ficando impaciente, aproximando-a de sua face inquiri novamente olhando olho no olho, apertando aos poucos a pegada no pescoço de Ellora, que começa a sentir o incomodo aperto.

- Colabore celeste! Enquanto ainda tem chance! Vamos diga, quais são seus objetivos aqui e por que não fomos informados? Não abuse da minha paciência... Ou poderá não gostar das consequências.

- Está me ameaçando, Sentinela? – questiona Ellora, cerrando seus olhos.

- Entenda como quiser, é você que está nos meus domínios. Sou eu quem dita às regras, se não estiver de acordo, assuma o risco e pague o preço pela insurgência.

Ambos ficam se encarando por alguns minutos em silencio, até que por fim Ellora decide revelar algumas informações a respeito de sua vinda, afinal não seria ingênua de revelar toda a missão.

- Tudo bem... – Ellora diz olhando para o lado desviando o olhar.

Akhenaton ergue uma sobrancelha e espera que a ishim se pronuncie.

- Estou aqui cumprindo ordens do Arcanjo Miguel, porém, não respondo diretamente a ele, foi escolhida por Kamael, o Príncipe de Areia para a realização do pedido dos gigantes.

- Kamael? – Akhenaton franze o cenho diante da menção do Príncipe Ishim – Que ordens são essas?

- Dividir o Grande Continente e eliminar de uma vez por todas os humanos. – Ellora diz voltando a fitar a sentinela com uma expressão amargurada e séria. – Mas... Esse não é meu objetivo.

Akhenaton estava enfurecido, mal acreditara no que acabara de ouvir. Assim começa a impor força no pescoço de Ellora começando a sufocar.

- Não é seu objetivo!? – A sentinela diz em tom de ironia e raiva elevando o tom de voz. – Acha que sou idiota? Não me engana! Se não fosse essa a razão de sua vinda, por que estaria aqui? Que motivos VOCÊ tem para não obedecer aos Gigantes? Sua pífia e rala existência não é suficiente para que você venha a entender, sequer justificar suas ações por base nas dos Arcanjos. Muito me admira que Kamael tenha cedido à tirania deles.

Sufocada, Ellora desespera-se para tentar respirar abrindo sua boca tentando sugar o ar precioso.

- Está... Está entendendo... Tudo errado... – Ellora forçava sua voz a sair.

- Quem é você criatura vil, para dizer que é certo ou errado de se entender? Você não é digna de sua própria existência... Mas vou te fazer um favor pondo fim a sua insignificante presença... – Akhenaton aplicava mais pressão no pescoço de Ellora, sentindo os ossos dela vergarem aos poucos a sua força. Erguendo sua mão livre em riste, firme como uma lança para perfurar a celeste.

Ellora libera um grito de dor diante forte pressão em seu pescoço, e como meio de defesa expande sua aura, seu corpo agora assume uma textura extremamente sólida, tal como uma rocha. Com suas mãos aplica a força contra o aperto da sentinela para que afrouxasse o aperto e se soltar dele de vez. Para que a celeste não escapasse da sua firme pegada, Akhenaton leva a outra mão que usaria para golpeá-la para forçar o fecho no pescoço da ishim. Ellora resiste à pegada sacudindo-se no braço da sentinela.

- Está entendendo tudo errado! – Ellora grita. – Será que não pode ver? Se realmente eu tivesse vindo cumprir a ordem dos Arcanjos em pleno acordo, acha que viria sozinha? Tenha em mente uma coisa, sentinela, Miguel não dá ponto sem nó. Ele não permitiria falhas... Por favor, peço que me ouça!

Diante do apelo da ishim, Akhenaton ainda muito desconfiado decide por soltá-la deixando nela a marca de sua força no pescoço da ishim, mas a mantém sob seu controle por prendê-la sob sua influencia telecinética, fazendo levitar a sua frente, mas com o corpo de forma invisível preso.

- Prossiga. – diz Akhenaton, olhando-a de soslaio, muito desconfiado.

- Pode parecer estranho, mas meu objetivo aqui não é eliminar os humanos. – Ellora para por um instante como que pensando no que dizer e prossegue calma, mas determinada olhando fixamente a sentinela. – Quando recebi a ordem fui informada do objetivo dos Arcanjos quanto ao destino da Haled, fiquei intrigada apesar de não ter a tanta afeição á eles como você, não seria a primeira vez que os Gigantes tentam dizimar a raça humana, criaturas nos quais fomos incumbidos de proteger como ordem principal do Criador. Assim como eu e outros celestes, Kamael, não está cego diante das ações dos Arcanjos. Estamos agindo por conta própria, mas sorrateiramente nas ações dos Primicérios. Entenda, nosso objetivo é apenas ajudar, cumprir com a vontade de Yahweh. – Ellora finaliza em tom frio, porém determinado de que não falharia em sua missão.

- E por que eu deveria acreditar em você? Que motivação tem para salvar os humanos? – Questiona Akhenaton.

- Por que estou dizendo a verdade. E... – Hesitante Ellora diz lembrando-se do menino que há pouco conhecera e como ela se sentiu bem com sorriso dele. – Estou cumprindo com o meu dever, com a vontade do Criador...

Akhenaton olha profundamente para Ellora, apesar da resistência ele não podia negar naquele par de olhos dourados reluzia a verdade, ela não mentia. Ele até poderia vasculhar sua mente e coração, mas particularmente ele não gostava de tirar o direito à integridade mental e emocional alheia. Ele consente com um aceno de cabeça e lentamente leva Ellora consigo até o chão novamente libertando-a da força telecinética que a prendia.

- Você diz cumprir seu dever, mas não tem motivação. Deveria passar uns tempos aqui na Haled, aprenderia muito com eles. – diz a sentinela com certa casualidade e tranquilidade, sabendo que a ishim não iria contra.

- Não tenho nada que aprender, somos criaturas perfeitas e eternas. Já sabemos tudo que devemos saber, sobre o Universo e os mistérios da vida. – diz com orgulho e certa soberba em sua voz.

- Não estou me referindo a conhecimento lógico. – disse Akhenaton apontando para a cabeça da ishim. – Creio que nesse quesito, vocês são mestres e teriam muito a ensinar aos humanos. Mas me refiro a conhecer isso... – Com isso move sua mão da cabeça da ishim e a deposita tranquilamente sobre seu peito, onde ficava o coração.

Ellora fica pensativa diante do argumento da sentinela, lá estava ela a pensar em suas motivações do porque agia daquela forma, porque lutava, do por que de tudo. Porém, foi tirada de seu devaneio pelas palavras da sentinela novamente.

- Posso sentir que tem um coração puro e imaculado, és inocente para muitas coisas. – afirma a sentinela sentindo os batimentos do coração da ishim com os olhos fechados e respirando lentamente. Ao abri-los novamente fita Ellora com intensidade. – Prometa-me.

- Prometer o que?

- Só prometa.

- M-mas. – Akhenaton impede que Ellora prossiga colocando o dedo indicador em seus lábios calando-a na hora.

- Shhhh... Está agindo com mente novamente, eu quero que aja com o coração. Prometa-me.

- Prometo. – Depois de um minuto em silencio, que mais pareceu uma eternidade, Ellora por fim respondeu.

Akhenaton sorriu de canto, ainda com a mão sobre o coração de Ellora olha para cima, para aquela Lua Cheia a tomar todo o céu, eis que ela estava muito próxima da Haled. Ele toma a mão de Ellora e a deposita em seu tórax bem definido sobre o coração também, fazendo-a sentir seus batimentos. Ellora observa sem entender muito bem o que estava acontecendo, assim como ele olha para cima fitando a Lua. Akhenaton começa a recitar um juramento solenemente em alto e bom tom.

- Eis que faço a ti, o astro-rainha, a luz na escuridão, aquela a quem o Criador deu a missão de guiar aos confins da Terra com sua luz acolhedora aqueles que se perdem na vastidão e imensidão da escuridão do Universo, testemunha deste pacto. Entre mim e ti, eu, Akhenaton, o Segundo Anjo, a Sentinela da Verdade, portador da Palavra aos Homens selo um pacto para o tempo indefinido.

Nesse momento a aura de Akhenaton pulsa em seu coração, uma luz translúcida prateada emana e percorre pelo braço de Ellora como uma corrente de energia ligando ao coração da mesma. Involuntariamente, Ellora viu-se recitar as mesmas palavras de Akhenaton, como se já as soubesse desde o principio e sua aura dourada a se conectar com o coração da sentinela.

- Eis que faço a ti, o astro-rainha, a luz na escuridão, aquela a quem o Criador deu a missão de guiar aos confins da Terra com sua luz acolhedora aqueles que se perdem na vastidão e imensidão da escuridão do Universo, testemunha deste pacto. Entre mim e ti, eu, Ellora, celeste Elemental da Terra, a Postedade, portadora do atributo do Poder da Criação dos Universos e da Haled, selo um pacto para o tempo indefinido.

- Está feito. – Diz por fim Akhenaton depois de um tempo, retirando sua mão do coração de Ellora. – Está livre para cumprir com o objetivo pelo qual veio. Mas lembre-se, um pacto foi firmado e não poderá ser quebrado. Melhor, você não vai quebrá-lo.

- Mas como saberei o que tenho que fazer para não quebrar o pacto? Se nem ao menos eu sei pelo que jurei. – Ellora disse confusa.

- O seu coração com tempo revelará o pacto a você e então você finalmente compreenderá o que será exigido. Mas no momento que tiver discernido o pacto, você venha a quebrá-lo uma vida será exigida. Sua ou de seu próximo mais amado.

- Não há ninguém a ser amado, e nunca tal fato aconteceria. Não irei falhar seja qual for o pacto. – Ellora diz obstinada.

Akhenaton ri baixo e toca a face da ishim com seu dedo indicador torneado o rosto dela.

- Nunca diga nunca enquanto estiver nesta carcaça, minha cara. A carne revela em nós fraquezas, desejos e sentimentos que não imaginamos um dia ter ou necessitar.

- Que tipos de fraqueza? Somos celestes, aqui não temos... – Neste instante, Akhenaton começa a caminhar muito próximo rodeando Ellora, ainda tocando-a com sua mão que agora desliza pelos sedosos cabelos acajus da ishim. Ficando atrás dela, cochicha colado ao seu ouvido, com sua voz grave e baixa fazendo-a sentir calafrios e parar de falar.

- Fraquezas puramente carnais e intensas, mas de natureza tão divina quanto a nossa. – Nisso a Sentinela afunda sua face com uma barba rala por fazer no pescoço dela, sentindo o doce cheiro de rosas provindo da ishim.

- Akhenaton, por favor... – Ellora desvencilha-se do toque da sentinela, tentando mostrar que não foi afetada, mas a tentativa foi falha a começar por sua voz que saiu como um sussurro, seus batimentos estavam alterados e sua face levemente corada. Akhenaton ri pela primeira vez diante dela calorosamente, por ver a face de Ellora emburrada, que sorri logo em seguida. Mas logo a seriedade dos fatos, faz com que seu semblante fique sério novamente e como ultimo pedido, ele fala.

- Não irei mais tomar seu tempo, está na hora de cumprir com sua missão.

Ellora olha para a lua e as estrelas verificando a posição, de fato estavam na hora marcada.

- Quero te pedir mais uma coisa.

- Claro.

- Ellora... Não machuque minhas criancinhas.

Confusa, Ellora pergunta.

- Quem são essas?

- Os humanos.

- Eu lhe garanto, ninguém saíra ferido.

Akhenaton consente com um aceno positivo de cabeça, vira-se se afastando da ishim esticando suas asas cinza-prateadas alça voo. Em pleno ar, ele torna a virar-se por um momento para dizer-lhe algo.

- Que a Paz de Yahweh esteja convosco, Ellora. Veremos-nos em breve, em um futuro não muito distante. – Com isso voa até sumir de vista, deixando uma ishim para trás com uma expressão pensativa, sobre o que aconteceria para ambos se reverem em um futuro.

Mas não havia mais tempo para devaneios, Ellora volta a tomar posição em meio a Planície de Pedra. Concentra-se determinada a executar perfeitamente sua incumbência e expande sua aura.

- Agora é hora, que a “vontade” dos Gigantes seja feita. – Diz com um sorriso sarcástico no rosto e um olhar determinado.

Notas finais
Vocês poderão notar que tem uma linguagem diferente neste cap da fic, eu e um amigo meu inventamos este idioma, nós o chamamos de Süommi, dialeto de uma tribo nômade dos tempos ante-diluvianos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.