As ilhas Summerset, o lar da raça mais pura dos elfos, os Altmer, como eram chamados pelos seus ancestrais. A magia e o conhecimento eram suas principais características. As ilhas Summerset foram criadas para estarem próximos à Aetherius, o plano superior, assim pensava o seu povo, o mais antigo e mais sábio povo que existia no mundo de Tamriel. Apesar disso, havia uma paz tensa das gerações altmer para com o resto do mundo, a arrogância e as políticas de odio, discriminação e escravismo delineadas pela Supremacia e Dominio Aldmeri faziam-os tiranos. No passado, o Domínio Aldmeri defendeu seu povo das hordas daedras durante a Crise de Oblivion, e por conta disso, o Domínio Aldmeri passou a olhar com outros olhos uma pequena sociedade conhecida como Os Thalmor, que com a derrota dos daedras, adquiriu um grande poder e uma grande influência perante os superiores e o povo de Summerset. Após isso, acordos e tratados foram redesenhados pelos Thalmor, restabelecendo e prosperando a raça Altmer.
Na há janelas...Não há saída, a única luz de liberdade é uma pesada porta de madeira, murmúrios são ouvidos lá fora, de guardas conversando e outros prisioneiros lamentando em suas celas, assim era a prisão localizada na cidade de Marbruk, a leste do porto de Lillandril. A tripulação do Midas aguardava pelo seu destino, se ao menos estivessem em território humano, com certeza iriam ter um julgamento, ou talvez um tempo para terem algum argumento, mas ali, aprisionados em território Thalmor nas ilhas Summerset, não teriam argumento, não teriam julgamento, e ninguém iria lembrar sequer da sua existência. Miikael permaneceu em silêncio desde a morte de Thaion, a tripulação ainda lamentavam pela morte de seu comandante, que para Violoria, foi um grande amigo e tutor.
— Tem que haver uma forma de sair daqui. Disse Miik.
— Não Miikael! Não tem mais jeito! Acabou! Gritou Violoria para o amigo.
— Temos que tentar alguma coisa pessoal. Vamos tentar alguma coisa, não conhecem ninguém que pode nos ajudar? A esperança de que alguém pudesse responder naquele momento permaneceu na mente de Miikael, mas se esvaiu com o tempo, pois o silêncio permanecia no ar. Miikael voltou a ficar em silêncio, tentando forçar uma esperança que já não existia. As horas se passavam, a única coisa ouvida foram gritos, gemidos de dor e sons de espancamento, todos estavam condenados a sobreviver até o dia de sua execução. Ninguém ali sabia o que iria ocorrer na próxima hora, todos aguardavam pela morte certa.
A noite chegou, o cheiro forte de água salgada exalava o ar, os piratas estavam acostumados com aquele cheiro, mas Miikael e Violoria não aguentavam, o ar salgado percorria seus corpos, lhes dando muita sede e um desconforto estomacal. Se não saissem dali logo, iriam morrer desidratados e famintos. De repente, ouviu-se o tilintar de correntes e chaves, a porta da sala de celas estava sendo aberta, todos ficaram preocupados, pois acreditavam que o pior estava por vir. Quando a porta se abriu, um elfo com vestes sacerdotais junto a dois guardas que pareciam ser guardas reais entraram no corredor da vasta prisão, e ao adentrarem a cela onde os piratas estavam, o sacerdote disse:
— Dois dos presentes nesta cela são procurados pelo império, e infelizmente temos que seguir procedimentos políticos ridículos, serão levados de volta a terra para serem executados lá. Apesar dos acordos feitos com o império, o Domínio Aldmeri e a supremacia Thalmor desprezavam políticas de pacificação, para eles, nenhum daqueles ladrões, arruaceiros e escravos não mereciam ter julgamento. — Mas antes de irem, serão julgados pelo nosso senhor e pelo seu captor. Os guardas identificaram Miikael e Violoria e os retiraram da cela. Miik possuía um histórico bastante destacado, afinal, o tesoureiro do imperador, alguém de sua confiança, o roubou, já Violoria questionava para si própria como a descobriram, possivelmente seu grupo fora pego e entregado a descrição e a posição da "Raposa Vermelha".
Miikael e Violoria foram levados para o palacio de Taunil Thrandarin em Alinor, o palacio ficava no centro da cidade, uma construção imponente. Para Miik e Violoria, um sentimento de tranquilidade lhes vinham a mente, mas apesar da oportunidade de saírem daquela ilha vivos, seu destino com o império estava selado. Ambos adentraram o grande hall de um palácio feito de mármore e ouro, vitrais com mosaicos coloridos contavam as histórias das conquistas do povo Altmer, a realeza se banqueteava com frutas das mais variadas partes do continente, algumas desconhecidas do mundo humano. Todo exército real estava recolhido nos corredores do palácio, todos sabiam da notícia, e olhavam com desprezo e desaprovação para aqueles dois piratas. Uma grande porta vermelha separava o salão do trono e o resto do castelo e ao entrarem, se encontravam num grande salão atapetado, com uma mesa redonda, repleta de nobres com vestes escuras com um símbolo de um pássaro dourado, a marca dos Thalmor, pouco depois da mesa, um trono feito de cristal decorado com jóias chamava a atenção, e nele, um elfo de pele clara e olhos dourados observava friamente os prisioneiros, Taunil Thrandarin era seu nome. Logo ao lado, a figura que encontraram no mar, que tirou a vida de Thaion, o capitão Taurille, ambos aguardavam os prisioneiros para o conselho. Eis que ao chegarem, Taurille abriu o debate dizendo:
— Milorde Thrandarin, estes são os dois mais procurados de Cyrodiil, este homem é o tesoureiro do imperador, que em um ato de traição, roubou do próprio enquanto este esta viajando ao norte. A corte começou a murmurar conversas, pois Miikael era influente em sua terra Natal.
— Prossiga Taurille. Disse o rei elfo.
— Esta mulher é cúmplice da fuga deste homem, mas acredito que tenha outros olhos para a mesma, pois esta é "A Raposa Vermelha De Cyrodiil". Taurille se aproximou da moça com um sorriso malicioso e cruel, surrando as palavras enquanto acariciava o rosto de Violoria: — E creio que é muito mais valiosa...
Violoria não suportava ser tocada por aquele monstro, e numa tentativa de defesa, cuspiu no rosto de Taurille.
— Argh! Taurille deu um tapa no rosto da menina, isso provocou uma raiva em Miik, que infelizmente nada poderia fazer naquele momento.
— Eu vou lhe ensinar a ter mais respeito! O capitão ameaçou bater em Violoria novamente quando foi interrompido pelo rei.
— Basta! Poupe sua raiva Taurille! Ao menos lhes daremos a chance de morrer em sua terra natal. Continue seu relato capitão. Taurille mudou as faces de fúria para algo mais calmo e sarcástico, e então continua sua prosa:
— Graças a alguns soldados da supremacia Thalmor, encontramos a "toca da raposa", logicamente não poderíamos perder a oportunidade de convencer a mente de um de seus lacaios com o que mais buscam. — Ah o ouro!..., para ladrões desta laia é como carniça para lobos...
Violoria ficou assustada, quem poderia ser o traidor? Sua própria familia a traíra. Taurille apontou para um dos soldados de armadura completa na mesa:
— Levante-se comandante! Um ser igualando-se ao tamanho dos elfos se levantou e levantou a viseira do elmo. Atrás do capacete, um rosto de khadiit surgiu, e agora com um pássaro dourado pintado, era Ugrok, o khadiit gigante. Violoria não conseguia acreditar, alguem que ela confiava sua vida, agora estava ali, sentado junto a seus inimigos. Taurille pode ver em sua face a tristeza estampada, e ria discretamente para si mesmo. Continuou:
— Fico muito lisonjeado pelo seus serviços comandante, ajudou na captura de dois grandes criminosos, alem destes, um terceiro líder foi finalmente derrotado, Thaion, líder dos piratas besouros vermelhos, e seu navio, mais uma conquista Aldmeri, tudo graças a você. Uma expressão de tristeza e seriedade se destacava no rosto de Ugrok, que permaneceu em silencio. o rei Thrandarin encerrou o conselho.
— Pois bem, levem os prisioneiros de volta a cela, comuniquem o imperador. Assim que ele voltar, enviaremos os prisioneiros para Cyrodiil. Taurille fez uma reverencia a Taunil e antes de sair, se dirigiu até o novo comandante.
— Quer fazer a honra de levá-los senhor? Afinal, este é um prêmio que vale a pena desfrutar! Ah Ah!. Taurille se retirou, e outros dois guardas ajudaram Ugrok a levar os prisioneiros de volta a cela, o mesmo pode olhar o rosto de Violoria, que estava furiosa com ele.
Ao chegarem na cela, a porta se abriu e os dois piratas foram colocados de volta junto ao resto da tripulação do Midas, os guardas que ajudaram Ugrok Se retiraram, deixando-o para trás.
— Comandante?! Gritou um deles do alta da escada. Ugrok ficou parado em frente a cela de seus amigos, queria falar com sua amiga. — Comandante?! Novamente ouviu o grito.
— Sinto muito pela morte de Thaion...Sinto pelo... Ugrok foi interrompido pela moça.
— Pelo que? Por não escolher um lado?! A moça se silenciou e saiu de frente da porta.
—Comandante?... Esta tudo bem? Um guarda se aproximou de Ugrok, que deu as costas para porta afirmando com a cabeça, se retirando do local.
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