Cronicas da Morte
3 Aquela que já esperou demais
Notas iniciais
As dores que sentia não eram feitas por alguém, mas sim por si mesma, que mais pareciam implantar-se no seu corpo de fora para dentro. No fundo ela sabia que o culpado era o tempo, que nunca se esquecia de ninguém e muito menos do seu trabalho, e que também não havia se esquecido de Sophia.
Olha o que é a vida humana, escapar de tantos males com o desespero, a descrença, a desesperança, o desanimo para cair nas garras do tempo, o mais mortal e paciente de todos. O tempo parecia amigo de Sophia no começo.
Ele sempre parece.
Fez com que ela mudasse de uma garotinha miúda a uma bela jovem, pronta para aventuras de todo o tipo. Transformo-a depois em uma mulher madura, segura de si que não dependia de ninguém e a fez acreditar que seria assim para sempre.
Só que o tempo cobrou seu preço assim como tudo na vida do ser humano.
A decadência se tornou a pior das prisões que Sophia passou, mesmo que muitos rezassem para passar a mesma coisa que ela. Viu os netos crescerem, viu a vida modificando e tudo seguindo seu ritmo e entendeu.
Entendeu finalmente porque o tempo cobrara seu preço.
O preço do tempo não é nem perto tão ruim como o porquê dele o fazer. Cair cansado sobre a cama, com cada junta do seu corpo dolorida enquanto você se vê caindo em desgraça a cada dia não é tão ruim como saber que você é dispensável para esse mundo. Que ele gira sem você, como se você nunca tivesse passado por ele.
Mas no fundo não é o que as pessoas dizem? A vida continua, e a única que tem que entender isso é você Sophia.
Espero-te há muito tempo, desde aquele dia que você me escapou por um tris. Sua hora já passou Sophia, porque ainda resistir? Não percebes que apenas quero libertar-te?
Pois é isso que a morte é, libertação para finalmente entender, e eu me orgulho de poder trazer essa liberdade para essas pessoas que sofreram a vida inteira.
Mas para pessoas que não enxergam a verdade, que querem fazer as coisas do seu próprio jeito, para essas eu não tenho orgulho nenhum, mas sinto prazer em leva-las ao lugar reservado especialmente a elas.
Por isso apenas observo, porque eu nunca esqueço.
Principalmente para aqueles que não sabem que já esperaram demais.
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