Cristais de gelo

18 Capitulo 18 - Um momento tenso


Notas iniciais
olá gente, ai está mais um capitulo para vocês, espero que gostem estamos nos momentos decisivos da historia, e começaremos os capitulos mais movimentados, não perca, espero que gostem desse capitulo e não deixem de comentar, favoritar e recomendar nessa reta final, beijos! e o próximo sairá bem rapido, prometemos...

18. Um momento tenso

Eu sabia que seria um momento extremamente difícil, minha barriga revirava-se e revirava-se enquanto eu tentava formular algumas frases em minha mente, mas nada parecia servir, nada mesmo. Definitivamente eu não saberia o que falar para os meus pais, na verdade eu não queria falar sobre os momentos de terror que vivi ao lado de Cato, eu não queria falar para eles o quanto fui humilhada por ele, o quanto doeu os seus tapas e suas palavras grosseiras, eu simplesmente só queria apagar tudo aquilo de minha memoria. Mas eu sabia que enquanto Cato e eu tivéssemos casados isso não seria possível, eu tinha que resolver isso e quanto antes melhor.

Eu olhava-me no espelho, já arrumada para ir até a casa dos meus pais, eu havia ligado algumas horas antes para minha mãe para avisar que eu jantaria na casa dela, eu ainda não tinha certeza do que falaria para eles, a única certeza que eu tinha até o exato momento é de que eu iria falar para eles que eu irei pedir o divorcio para Cato, Peeta e eu já iriamos providenciar o advogado, que trataria de todo tramite. Definitivamente eu queria ver Cato menos possível.

— Está pronta? – ouvi a voz de Peeta perguntar atrás de mim me fazendo acordar dos meus pensamentos, eu o observei pelo espelho e sorri levemente para ele.

Eu estava usando um vestido preto, simples, meus cabelos estavam soltos e eu usava uma maquiagem discreta, Peeta estava vestido com uma forma formal, ele parecia um pouco nervoso por estar a poucas horas de conhecer os meus pais, eu o entendia, afinal, eu vivia com ele casada com outro, os meus pais não vão estar ansiosos e felizes em conhecê-lo.

— S-sim... – eu gaguejei, virando–me para ele, olhei-o nos olhos e Peeta mesmo estando nervoso sorriu para mim e deu um demorado beijo em minha testa.

— Vai dar tudo certo, eles vão entender, só espero que seu pai não me receba com uma espingarda nas mãos... – ele disse, e então eu dei uma risada de leve, só ele para me fazer rir em um momento tenso desses.

— Fica sossegado, meu pai é um pouco nervoso, mas não chega a esse extremo! – eu disse, passando a mão nos cabelos de Peeta, que estavam molhados com gel. – E fique sabendo, que meus pais continuam sendo um tanto, superficiais... – eu acrescentei, Peeta me olhou com as sobrancelhas arqueadas.

— O que você quer dizer com isso? – perguntou.

— É chato eu dizer isso, mas eles vão ficar satisfeitos que eu troquei Cato por um homem bem mais rico... – confessei, Peeta riu. – Mas não quero que você pense que sou igual a eles! – eu disse, afastando-me dele e andando pelo quarto, cruzei os braços enquanto eu me lembrava de quando eu tive que me casar com Cato para livrar meus pais da falência. – Mas eu estaria mentindo para você se eu dissesse que não me casei com Cato por dinheiro! – virei para ele, e percebi que Peeta me olhava, seriamente. – Eu precisei livrar meus pais da falência, e então me vi obrigada a fazer esse sacrifício, mas mesmo ele tendo muito dinheiro, não houve um dia que eu fosse feliz naquele casamento!

— Eu sei que você não é interesseira, se fosse não teria fugido dele, não teria sofrido os riscos de viver sem dinheiro... – ele disse me interrompendo, e eu sorri para ele.

— Eu vi que o dinheiro não é tudo, e saiba que eu ficaria com você, mesmo você não tendo um dólar no bolso!

Peeta sorriu para mim, aproximou-se e me deu um abraço.

— Eu sei Katniss, o amor que sentimos é bem mais valioso do que qualquer dinheiro do mundo... – ele falou, enquanto passava a mão pelo meu cabelo. – Vamos resolver todo esse problema meu amor, eu vou estar do seu lado e vou te ajudar a enfrentar isso...

— Eu tenho medo dele fazer alguma coisa, dele te machucar... – eu falei, soltando-me dos braços dele, para olhá-lo.

— Fica sossegada, isso não irá acontecer... – ele disse, parecia muito seguro disso, mas mesmo que eu quisesse, eu não conseguia ficar tão segura quanto ele.

+++

Quando Peeta parou o carro em frente á casa dos meus pais, eu senti meu corpo inteiro travar, ele abriu a porta, desceu do carro, deu a volta para abrir a porta do carro para mim, mas eu não conseguia descer, eu estava sentindo como se algo ruim fosse acontecer, minhas mãos tremeram, e não era para estar assim... Eu só iria ver os meus pais, certo?

— Calma meu amor, Cato não vai estar aqui, são só os seus pais, não é? – ele me perguntou.

— Sim, eu acho... – eu falei e a minha voz estava tremula.

Ele sorriu levemente para mim, e ergueu a mão, eu a peguei, e então desci do carro.

— Eu que deveria estar nervoso, ainda posso ser recebido com tiros! – ele disse, e eu sorri para ele.

— Fica sossegado, isso não irá acontecer! – respondi.

Depois de fechar o carro, fomos em direção a porta de casa, respirei fundo, antes de tocar a campainha, e como eu imaginava quem nos atendeu foi Prim, assim que nos viu, seu rosto se iluminou com um lindo sorriso.

— KATNISS! – ela disse, agarrando-me e me abraçando com aquela força, que só ela tinha, eu tive que gemer para que ela me soltasse.

— Oi Prim! – eu cumprimentei, sorrindo ela olhou para Peeta.

— Então foi esse homem ai que te levou a loucura... – ela comentou, me deixando sem graça, Prim era ótima para fazer esses tipos de coisas.

Peeta arqueou as sobrancelhas e depois deu risada, me olhou com um olhar malicioso.

— Eu não sabia que você já tinha falado de mim para sua irmã!

— Claro que ela falou, ela não perde tempo! – ela disse, então deu espaço para que Peeta e eu entrássemos em casa, ela fechou a porta, enquanto eu olhava a minha volta, era estranho estar ali de novo.

— Katniss, minha filha! – escutei a minha mãe exclamar, entrando na sala, acompanhado de meu pai que estava sério como nunca, o que fez meu coração disparar muito acelerado. Os dois se aproximaram de mim, e minha mãe logo me deu um forte abraço. – Ai eu estava com tanta saudade, você não faz conta de que já faz meses que não te vemos? – ela disse, e só então eu comecei a me dar conta de que ela estava certa.

— É... Eu sei mãe, me desculpa! – eu pedi.

— Foi muito imprudente de sua parte, quase nos matou do coração!

— Aham, eu sei, você falou no telefone, mas eu disse no telefone que eu estava bem não disse? – eu falei, querendo dar fim naquilo, era um péssimo momento para ela me repreender. – Amor, essa daqui é Rose, minha mãe, mãe esse aqui é Peeta Mellark, o homem que falei para você...

— Boa noite senhora Everdeen, sou o noivo de Katniss! – ele disse, erguendo a mão para minha mãe, que prontamente a apertou, enquanto o olhava com as sobrancelhas arqueadas, eu também estava surpresa. Ele falou noivo? Não pude evitar sorrir.

— Como você pode ser noivo de minha filha? – meu pai finalmente deu o ar de sua graça, manifestando-se e da pior maneira possível. – Minha filha já é casada! – ele disse.

Virei rapidamente para olhar para o meu pai.

— Eu vou pedir o divorcio! – falei. – Já vamos ver essa semana mesmo um advogado!

— Sim, e assim que ela se divorciar, ela e eu iremos nos casar! – ele complementou.

— Você faz ideia do absurdo? – meu pai disse. – Você não deu uma única explicação para o seu marido, você fugiu como uma criminosa, nos abandonou, ligou dias depois e sequer quis falar onde estava, sabe como ficamos? – meu pai estava com rosto vermelho, e eu o entendia, eu também fui muito imprudente nessa parte.

Meus olhos começaram a marejar, enquanto Peeta aproximava-se de mim e pegava na minha mão.

— Você fez tudo isso por causa desse homem? – ele acrescentou, num tom de pergunta.

— Charlie, espere, não vamos brigar agora, faz meses que não vemos nossa filha, eu quero no mínimo jantar com ela, por favor? – minha mãe pediu, soltei um suspiro enquanto olhava para o chão, e sentia as lágrimas caírem dos meus olhos. Ouvi meu pai suspirar.

— Tudo bem! — ele respondeu, olhei para ele, e vi ele se virar e seguir em direção á sala de jantar.

+++

O jantar começou bastante tenso, minha mãe e Prim encheram Peeta de perguntas, mas meu pai mantinha-se calado enquanto mordia com força o bife que ele enfiava na boca, minha mãe pareceu interessada quando soube que a família Mellark era dona de diversos comércios, além de ser dona de uma fazenda, Peeta ficou falando por um bom tempo sobre a intenção dele de começar a vender cavalos.

— Eu quero um dia conhecer essa fazenda! – Prim disse toda animada.

— você já está convidada! – falou Peeta, sorrindo para ela, ela sorriu de volta para ele. – Espero que não tenha medo de cavalos igual a sua irmã!

— Não, claro que não, eu adoro cavalos! – Prim respondeu, isso eu tinha que concordar com ela, Prim sempre se deu melhor com os animais do que eu.

— Pai, você vai ficar calado o jantar inteiro? – perguntei, olhando diretamente para ele, o olhar dele também parou em minha direção.

— O que você quer que eu fale? Que eu aprovo tudo isso? – ele perguntou. – Como você quer que eu haja com naturalidade depois de tudo que você fez? Você sabe a vergonha que eu passei diante a nossa família e amigos? Minha filha simplesmente desapareceu, abandonou o marido da noite para o dia!

— Katniss conta para eles... – Peeta falou, num tom baixo bem do meu lado.

— Não, eu não posso... – eu sussurrei.

— Pode sim, eles tem o direito de saber! – ele falou.

— Do que vocês estão falando? – minha mãe perguntou, ela havia escutado.

— Quer saber de uma coisa, esse jantar acabou! – ele falou, levantando-se da mesa. Naquele momento meu estomago embrulhou, enquanto eu via meu pai se afastar eu sentia um gosto amargo em minha garganta. Lagrimas começaram rolar por minha face, enquanto eu via meu pai se virar e começar a caminhar para sair da sala de jantar.

— Cato me batia! – eu confessei e no mesmo momento eu vi o meu pai parar de andar. – Durante todos os anos que vivi com ele, eu apanhei dele, ele não deixava eu ter amigos, ter uma vida normal, era ciumento possessivo, e ainda fazia sexo comigo a força! – eu disse, olhando fixamente para meu pai, ele se virou em minha direção e me olhou com os lábios entreabertos.

— Como? – minha mãe falou incrédula.

— No dia que eu fugi, ele havia me batido, ele queria me violentar, e me ameaçou de me prender dentro de casa, porque ele estava com ciúmes do Finnick! – eu olhei para baixo e mais lágrimas caíram dos meus olhos.

— Por que você não nos contou? – ouvi a voz incrédula do meu pai, me perguntar.

— Katniss... Você apanhou todo esse tempo e ficou em silencio? – ouvi a voz de minha irmã indagar, mais lágrimas caíram dos meus olhos.

— Eu não conseguia, eu não conseguia falar, eu tinha vergonha, na hora eu só pensei em fugir, fiquei com medo de vir para cá, pois ele iria me encontrar, nem Finnick eu tive coragem de procurar, como antes de fugir eu roubei o dinheiro de Finnick, eu me hospedei um motel, quando na noite seguinte eu o encontrei... – peguei na mão de Peeta e o olhei. – o meu anjo!

— Então, era mentira? Você não fugiu para ficar com esse homem? – ela me perguntou, naquele momento meu rosto esquentou.

— Eu menti para minha mãe... – falei para Peeta – Eu inventei para ela que tinha fugido porque me apaixonei por você... – e então olhei para minha mãe. – Me desculpa mãe, mas eu menti, naquela época, eu não estava ainda namorando o Peeta, na verdade na noite em que eu me encontrei com ele, ele me atropelou sem querer...

— Ai meu Deus! – ela disse, colocando a mão na boca.

— Mas ele e eu já nos conhecíamos na época do ensino médio, mas não éramos amigos... – eu suspirei, antes de continuar. – Peeta por me conhecer, acabou me levando para fazenda dele, e foi tão bom comigo que me convidou para ficar lá, e foi só então, depois de algum tempo que começamos um relacionamento...

— Você preferiu a ajuda dele, que nem conhecia direito, do que a nossa? – meu pai perguntou, parecia chateado.

— Eu só queria um tempo, eu liguei, eu disse que eu estava bem, além do mais, se não fosse tudo isso, eu não teria reencontrado ele, o homem da minha vida, eu não me arrependo um dia sequer por ter fugido e ter me hospedado naquele motel... – eu assumi.

— As coisas aconteceram, como tinha que acontecer... – Peeta falou, e ele e eu trocamos sorrisos, olhei para minha mãe, e vi que ela sorria para mim, enquanto seus olhos marejavam muito.

Ela ergueu o braço na mesa, para pegar na minha mão.

— Como você deve ter sofrido esses anos todos, e calada... – ela disse, uma lágrima caiu dos seus olhos, naquele mesmo momento, meu coração apertou.

— Não importa, o importante é que agora eu estou feliz... – eu disse, e então compartilhamos sorrisos, afinal, tudo aquilo até tornou-se pequeno o comparado a felicidade que eu estava vivendo agora.

Olhei para meu pai e vi que ele voltou a se aproximar da mesa, sentando-se nela.

— Bom, vamos continuar o jantar... – ele disse, e então meu sorriso se alargou.

Continua...