Crises do Amor

5 Capítulo 5 - Triunfos do Amor


O veículo se movia de forma lenta e seu movimento me deixava muito lento e pacífico, eu sentia meu corpo balançar de forma tão impecável e um sono tomava minha vida tão turbulenta que eu esperava somente um encosto bom e macio para repousar minha cabeça e me fazer dormir tão puramente para jamais ressoar de forma cruel assim como estava naquele instante.

As rodas faziam um som estranho que quase me colocavam em um transe sem fim, apenas com minhas pálpebras me deixando acordado, uma vez que meu corpo estava pesado e ferido de tanta luta por qual passei, sofrendo de forma cruel para apenas encarar o meu horizonte perdido. A paisagem crescia a nossa frente, eu e o homem que me abordou na casa de meu amado seguíamos firmes e fortes até o ponto em que uma pequena investigação apontava o local do esconderijo.

A trilha de asfalto era próxima a um precipício, que dava para um mar violento. As ondas alta me faziam mergulhar intensamente naquela água gelada de receio, medo, preocupação e desespero. Eu fingia ser quem não era, um ser forte que se pôs a viver de forma incoerente com a vida que jamais levou. Minha visão caia gradativamente sobre uma colina a minha frente, por onde subia o carro.

Quando no ponto mais alto chegamos, o carro retornou para a descida mais íngreme que jamais vi, podendo me perder dentro de um arco de lembranças frias. Conforme descíamos, mais perto no aproximávamos do nosso alvo, um barracão velho e tenebroso, com paredes tornas e teto de vidro quebrado, com portão lotado de trancas e pequenas aberturas, pelas quais as brisas salgadas do mar adentravam, invadindo o espaço em que jazia a vida de alguém. O medo ao notar tal devaneio me fez sentir um enjoo infernal, que me fez queimar internamente.

A visão perdida de um canto no olho se feriu assim que se freou bruscamente. A porta do motorista se abriu e ele saiu, o homem que me ajudava. Por que ele me trouxe? Não sei, contra lei e contra tudo, eu tinha alguém para socorrer. Minha vida não era piada, não era nenhuma lábia fendida, um pesar tenebroso que fica remoendo dentro de um casulo deformado.

Ele apontou o dedo para o portão principal, mas trancafiado que as maldições perdidas de um tempo esquecido. Havia uma porta na lateral, mas sabia que não era tão simples pular uma pequena cerca gradeada de entulho. Latões cresciam para o alto, com caixotes embolorados de madeira podre. Calmamente, deixando o carro cinza camuflado perto do rochedo fendido da margem da colina, fomos para onde eu queria ir.

Ser mais narrativo não me faz menos reflexivo, e eu queria provar isso. Minhas mãos ainda tateavam meu frágil corpo, sem confins da dor que eu sentia, contudo, fingia ser uma leve pontada no mais fundo do meu coração para não ser deixado para trás. Com uma desconfiança colossal, fomos nos aproximando de tal alvo que eu não queria mais ser um pobre e frágil espécime de uma das mais racionais que eu acreditava perder o posto para muitos mais.

A turvidade de minha audição se perdeu em meio aos gritos de ódio proferidos pelas janelas trincada da imensa parede mais frágil que areia nas dunas desérticas em instantes de ventos fortíssimos. Com fúria no timbre, nossos pés andavam mais levianos que a própria respiração do mar que rugia forte ao nosso lado, deixando a praia mais úmida do que já estava. Serelepes eram as gaivotas que cantavam ruidosamente e sem harmonia nenhuma nas intrépidas rochas que fortaleciam a segurança de uma ostra ou outra.

Nossa proximidade com desígnio tão contíguo era um exclusivo caminhar para a morte que eu sentia passar pelo meu lado direito e querer segurar em minha mão gelada e lotada de ferimento e curativos. Com rastejo de serpente, passamos por uma entrada cortada que somente animais fortes e grandes poderiam passar, ou seja, temia que fossemos surpreendidos por uma incrível fera de força maior e que me fizesse curvar sem ante me objetivo ser completado.

Ainda os berros de ignorância eram agraciados pela nossa presença e, na pressa e no atordoamento, eu me vi em cima de um barril de ferro, totalmente desiquilibrado para encarar o que se escondia atrás das paredes. Uma cena de tortura fez meu olhar chorar uma lágrima de vingança, pois as demais sentiam a dor da empatia de um braço cortado, um tiro no estômago, um fuzilamento no olhar e uma frieza de dilacerar a alma pobre que eu tinha.

Sob as injúrias criminais da moralidade, eu via ele que me fazia feliz, ele que um dia me traiu de uma forma interna, de uma forma que eu sabia o que queria fazer, entretanto, não prestei a devida atenção necessária. Eu queria pular de onde estava e batalhar pela sua libertação. Meus ferimentos me impediam. Por que ser tão fraco? Tão invólucro frágil? Tão perdido nas decisões de uma desilusão amorosa? Uma mão apoiou em meu braço. Virei meu rosto e me deparei com feras sanguinárias a nos encarar, com garras nas mãos de tão selvagem que eram.

Avançaram como predadores em cima da presa indefesa, porém ágil, que saltou para longe. Nada mais de dor, somente afeição de proteção. Repetidamente, avançaram, nos fizeram de reféns dentro de um espaço minúsculo. Todavia, tão facilmente manipuláveis, fizemos gestos e manejos para tirar a atenção e focar apenas em um ponto em que jamais alcançariam e faríamos de tudo para desaparecer dali. Assim como trovão em chuva ou maremoto em choque continental, uma luz diante de nós fez uma neblina cobrir a visão daquelas que se moviam com exclusividade dela.

Enquanto o mais forte e valente ficou no combate, eu adentrei no esconderijo. Quase também pego de surpresa, a garra de uma carregadeira despencou diante de mim, quase assassinando aquilo vivo, não apenas as paranoias que visualizavam diante de todos. Gargalhada e mais risadas, todas sem sentido no ardiloso momento em que me deixei cair na tentação de mover meus pés. Tiros e disparos, fogo cruzado, tudo passando perto de mim.

Com a navalha em mãos, de uma faca que caída estava aos meus pés, pela explosão de uma máquina que desembestou a ser movida por alguém sem experiência nenhuma da convivência humana. Cortei os laços e as amarrar, em meio a uma neblina que cobria tudo. O que era aquilo? Força que jamais tive, passei de vítima a herói, sem capa nem espada, apenas uma faca enferrujada.

Minha frente foi abafada por um corpo forte e lotado de feridas, assim como nossos corpos. Ele urrava como fera, barrando a nossa saída, mas tinha a outra entrada. Na verdade, outras várias existiam, mas apenas uma me interessava, a da saída de um inferno que eu queria deixar de viver. Correr não era solução, pois eu não me via mais tão intenso quanto aos níveis de adrenalina para sempre vivos em meu ser.

Desiludido era eu quando uma luz maior caiu em cima da gente, um forte e mais intenso vento junto do barulho de motor de hélices que batiam e cruzavam forte o ar. seríamos novamente reféns de um amor que não sabíamos lidar, de um ponto intenso que me fez jogar uma atitude intensa de uma crise do amor que eu jamais imaginei superar. Não era por causa da das intensas reflexões que eu passei, mas pelo retorno que eu queria sentir.

A corrida forte para fora daquilo era lotada de obstáculos, mais gritos apareciam, só que sem a perversidade que tínhamos anteriormente, era um ponto fraco que não poderia mais respirar. Pulamos para fora quando um tato me veio e nos puxou para fora, libertando da onda maléfica de um cristal transparente e lotado de rachaduras.

As dores não mais ardiam, não mais queria saber de nada. Tínhamos ajuda, e eu o salvei, com ajuda, mesmo assim eu o salvei. E, depois de um mistério fraco, eu me vi na escuridão...

Para quem duvida, acordei em meu quarto, o mesmo em que iniciei as orações para sair do templo ardiloso em que me colocaram. Na cama, deitado, eu era abraçado por mim mesmo, pelo meu amor. Eu não imaginava tal triunfo, e todos merecem aquilo que mais desejam: o fim de uma crise consigo próprio para caminhar junto da pacificidade de ser feliz novamente.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!