Crise Existencial

3 Capitulo 3 - A indecisão


- Damon! Damon! Acorda! – Alguém me acordou. Não percebi de imediato mas quando forcei os meus olhos a enfrentarem a realidade, vi quem era. O Stefan.

— O que se passa agora? Já não se pode dormir?

— Damon, é a Elena. – Já não estava a gostar da conversa. Ainda ontem à noite estava tudo bem, melhor que bem, e o Stefan estava com cara de ter encontrado algo de muito mau.

Levantei-me, vesti-me em 10 segundos, sem apreciar o toque suave da seda ou do algodão na minha pele, e fiquei em frente a ele, à espera de um novo problema para resolver. Mas o que mais me preocupava era o perigo que a Elena podia correr…

— Vá, conta o que aconteceu! – Estava a ficar desesperado, irritado, perturbado e isso não era uma boa combinação. Onde está a alegria com que me deitei? Alegria essa que se pode prolongar por toda a eternidade.

— A Elena não está aqui nem em casa, não atende o telemóvel e ninguém sabe dela. Desapareceu! – O meu querido maninho estava impaciente, descontrolado como nunca o vira.

— O quê? Ainda ontem à noite esteve aqui. – Calma, não vás por aí. Ele não pode saber por ti. Tem de ser ela a contar, afinal é ela quem tem de escolher. É o teu irmão, Damon. E assim começo a pensar que a minha consciência é bem mais falante que eu.

— Ela esteve contigo? Disse-te alguma coisa? Fazes ideia de onde possa estar. – Será que fugiu por minha causa? Depois do que aconteceu, tinha necessidade de fugir? Tinha, pois tinha, sente-se culpada. Mas eu vou encontra-la.

- Temos de a encontrar! Vou ligar à Bonnie e ver o que ela consegue descobrir.

- Ok. Eu vou procura-la por aí, vou aos sítios onde costuma estar e assim… — Onde te meteste Elena?! Não te posso perder agora.

O Stefan, quando voltei a mim, já tinha desaparecido e eu também sai de casa. Parei à porta de casa e lembrei-me de todos os lugares possíveis em que ela podia estar sozinha, a pensar. Lembrei-me de um sítio e tinha a certeza que lá estava. No cemitério.

Percorri, incessantemente, todas as ruas, todos os atalhos para lá chegar e o mais depressa possível. Demorei 30 segundos. Eram 11 horas da manha e, por isso, foi muito mais fácil de a encontrar. Parei junto de uma árvore de modo a que ela não me visse nem dessa pela minha presença. A Elena, a minha menina, estava encostada à campa dos seus pais, a escrever no seu diário. Estava tão concentrada que nem sequer me ouviu a chegar até à beira dela.

- Elena…

- Damon… — Levantou o olhar do diário e olhou para mim e eu vi as suas lagrimas a trespassarem a sua suave e brilhante pele.

- Andamos todos à tua procura, ninguém sabia de ti… O Stefan daqui a pouco também sabe que estás aqui. Ele foi falar com a Bonnie. O que se passa, Elena? – Ajoelhei-me em frente a ela para tentar perceber melhor o que ela estava a sentir e também para lhe limpar as lágrimas.

- Não fales, Damon. Fica só aqui comigo… — E eu assim fiz. Sentei-me a seu lado e abracei-a.

A Elena continuou a chorar mas passado uma hora, o que choro cessou. Apesar de não ter dito uma única palavra nem se ter mexido por entre os meus braços, senti-a mais decidida, mais determinada.

- Damon… Desculpa ter desaparecido sem avisar ninguém mas está tudo a acontecer ao mesmo tempo. – Eu também aconteci e ela arrependeu-se.

- Não faz mal. O que importa é que estás bem, quero dizer, em segurança.

Ficamos assim abraçados durante o que me pareceu um minuto no paraíso e dava tudo para que fosse assim, para toda a eternidade. Mas de repente, senti-a paralisada e depois percebi porquê…