Criptografia
1 Em Códigos — Capítulo Único.
Notas iniciais
Sim, cá estou novamente. Sem atualizar fics novas, mas postando ones. Como prometido, uma segunda fic [Lake x Ian], porém... Com uma visão rápida do passado. Sim, são personagens originais.
Caso queira descobrir um pouco do futuro após essa fic, leia minha outra one-shot, "Escovas de Dente".
Fanservice do casal, a gente se vê por aqui.
Escovas de Dente: http://fanfiction.com.br/historia/505485/Escovas_de_Dente/
Espero que gostem, até as notas finais!
(Ludie (Amby Cuppy), obrigada pela ajuda e incentivo! Você também, Angel! ♥ Lindonas!)
Já estava naquela mesma posição há alguns minutos, encarando confusamente o pequeno bilhete em minhas mãos. Torcia os lábios, franzia o cenho, olhava para os lados e voltava a fitar a folha rasgada de caderno.
Silenciosamente buscando lógica, calma e paciência. Mantendo o equilíbrio das coisas, procurando energias positivas no ar e fazer sumir aquele rubor incômodo que tingia minhas bochechas, deixando-as quentes.
...Mas que raio de mensagem era aquela?! E no meio da aula de matemática?! Pior que estava constrangido demais para encarar o maldito remetente, apertando as bordas do papel e remoendo as palavras.
“Estou amando!”, estava escrito. A letra era dele, claro. Estava usando a caneta que eu havia em emprestado e tudo! Só podia ser brincadeira, fala sério!
Desviei o olhar para a cadeira de trás com hesitação após um exercício controlado de respiração. Oh. Estava me encarando, com as bochechas meio infladas e um biquinho. Quando a professora virou, ele se ajeitou de novo e inclinou-se na cadeira, escrevendo mais alguma coisa.
Não estava brincando?! ...Então eu me declaro um dia para aquele bastardo e apenas uns anos depois (cof) ele já vem com esse papo de “estou amando”?! Que falta de sensibilidade, merda!
Irritado, porém tentando me conter, escrevi uma resposta e dobrei o papel, devolvendo sutilmente. “De verdade?”, foi o que consegui rabiscar sem ser pego pela gorda da álgebra ou ofendê-lo.
Claro que, por dentro, estava me desintegrando.
Lake olhou do papel que havia recebido para o caderno e do caderno para mim. Piscou... Sorriu com um ar muito suspeito, ajeitando as mechas loiro escuras — ou castanho claras, dane-se — e escrevendo outra vez.
Então, devolveu o bilhete.
“Claro!”. Com exclamação e tudo, só pra estragar o meu humor. Estreitei o olhar mais uma vez, continuando naquela linha tênue entre o desespero e a serenidade. Calma, Ian!
“Pode me falar sobre?”, a escrita foi mais lenta e hesitante. Temia um nome, mas o queria desesperadamente. De repente Função não era nada; a aula de matemática era só um plano de fundo.
De novo. De novo aquele mesmo sorriso e ele parou de copiar o assunto para me responder. “É algo muito forte e está me deixando louco! Precisava falar...”
Muito forte. Deixando ele louco.
É. Cada palavrinha de Lake era pólvora e eu era um barril aberto, pronto para receber tudo aquilo. Não tardaria para que uma faísca — talvez o nome da sortuda — pulasse e me acertasse.
Então... BUM! Pedacinhos de Ian para todos os lados. Bati os pés no chão, enrolei uns cachos nos dedos e os puxei sutilmente, apertando as pálpebras. O que poderia responder em uma situação como aquelas?!
“Ah... Tá!”, foi a única coisa que saiu. Meus dedos estavam meio trêmulos, e uma aura pesada rondava a sala. Não podia viver com aquilo, sério. Não era drama, nem tempestade em copo d’água!
Eu queria viver com ele. Queria ser notado como algo além de um melhor amigo! Meu desejo era que Lake olhasse pra mim e enxergasse amor. Não só amor de amigo...
No auge da minha 14° primavera, eu sonhava com um romance. Não sei se podia me encaixar naqueles estereótipos que fazem dos homos, afinal, não era o fato de gostar de um rapaz que me fazia ter pensamentos tão... Piegas.
Talvez se uma daquelas estudantes ao redor me deixasse minimamente interessado, estaria escrevendo nosso destino com uma linda família e filhos saudáveis, morando em uma casa na montanha.
Mas, enquanto isso, estava assistindo meus sonhos mais loucos de casar em um jardim florido com meu pseudo-loiro se despedaçando. Mesmo que ele não querendo casar com ninguém, alguma outra pessoa estaria ao seu lado!
E não foi só aquele “estou amando” que me deixou daquele jeito. Essa frase curta só desencadeou uma série de pensamentos que pisotearam minha auto-estima instável e me fizeram pensar coisas desagradáveis.
Mesmo que essa criatura pela qual ele está apaixonado não fique com ele, Lake nunca vai estar ao meu lado. Ele vai desencanar e depois achar outra pessoa. Essa não vai dar certo também, então vai surgir mais outra!
E mais uma. Mais. Mais. Outra. Mais. Mais uma.
Então, eu ficaria de espectador, mantendo um sorriso falso no rosto.
Aquilo não era bom, de forma alguma.
“Pode me ajudar? Eu preciso, Ian! E você tem a obrigação!”, ele retrucou. Opa, opa! Obrigação?! Em que parte do universo eu era obrigado a ajudar a pessoa que amava com outra pessoa?! Nem levando chicotadas, fala sério!
Franzi o cenho e conferi se a professora estava olhando, voltando a colocar minha indignação naquela pequena folha de caderno que já ficava sem espaço com nosso diálogo. Melhor amigo imbecil!
“Desde quando?!”, reclamei. Com todo o direito, claro! Queria mais era enfiar todo o meu ódio na cara de seja lá quem fosse, e até chamaria a máfia! ...Se não estivesse fugindo dela.
Longa história.
“Que pergunta é essa? Você vem todo cheio de charme pra cima de mim, como sempre, e depois reclama quando falo?! Hoje de manhã mesmo chegou todo manhoso e levou tudo que eu tinha, tá? Inclusive sanidade! Não diga que não tem culpa! ...Você é mau!”.
Foi quando me dei conta de duas coisas que me balançaram até na alma. Primeiro, o espaço realmente tinha acabado no papel. E, segundo... Era eu. A pessoa, por mais incrível que fosse, era eu!
Desesperadamente abri o fundo do meu caderno, ignorando a atividade de Função para arrancar, desajeitado, a folha limpa. Minha sorte era a professora conferindo a atividade dos outros no fundo, e até alguns alunos ao redor pareciam interessados na minha reação.
Meu rosto ainda queimava, para falar a verdade. Peguei a caneta com tanta ansiedade que ela caiu no chão, e o impulso de me abaixar pra pegar derrubou meu caderno, livro e estojo. Assim, barulho e risadas ecoaram pela classe.
Ainda bem que eu estava acostumado com aquelas vergonhas em público. Já havia estado mais nervoso antes? Provavelmente, não. Com muita dificuldade, consegui escrever a resposta, rasurando o papel.
Quando olhei de relance para trás na hora de entregar o bilhete, percebi um sorriso tão maldoso quanto o anterior, talvez relativo à minha desgraça. Depois que Lake o pegou, me abaixei para catar minhas coisas, com a maior cara lavada do mundo.
— Nunca vi alguém mais desastrado que o Rondi! — disse alguém aleatório sobre mim. “Rondi”, se quer saber, é um apelido que vem de “Rondelli”, meu sobrenome quase italiano.
E, pra falar a verdade, eu ignorei. Apenas sorri levemente para socializar, mas minha atenção estava em outra pessoa. Responde, seu moreno que se passa por loiro! Não faz isso comigo, não me tortura!
“O que quer dizer com isso? Manhoso, charme? Que história é essa?!”, foi o que perguntei com tanto desespero. Não era pra menos, certo? Qualquer ser humano faria algo do tipo, e ainda mais um ser humano exagerado que nem a minha pessoa.
Filho da mãe, para quê a demora de responder?!, pensei enquanto me sentava outra vez, apertando a beirada da mesa. Contei os segundos, mas aquele garoto era sádico desde alguns anos atrás.
Sempre fui o seu alvo certeiro.
“A gente conversa depois desse último horário... E não quero ninguém mais te chamando de Rondi!”. Ao lado, uma carinha irritada desenhada rapidamente por ele. Ciumento, possessivo, escroto, manipulador!
Eu o odiava do fundo do meu coração! Não, espera... Amava! O amava demais, muito além do que podia explicar. Ou não? Calma. Realmente, era difícil dizer neste nível.
Depois de esconder o pedaço de papel no moletom e tornar a fazer a atividade — ou fingir, pois não havia prestado atenção em nada —, fiquei remoendo tudo que acontecia.
Aquele maldito era tão insensível para me contar que retribuía meus sentimentos em uma folha rasgada de caderno?! Sem nenhum abraço ou um beijo, sem palavras doces e nem nada?
Certo que eu estava careca de ouvir que ele “não tinha talento com palavras”, só que escrever os sentimentos de um jeito tão vago era cruel demais! Passava dos limites!
...Náh. Quem estava querendo enganar? Meu coração batia rápido, como se tivesse me tornado cardíaco. Me escondia no casaco fechado até o pescoço, de cabeça baixa. Minhas bochechas deviam estar mais vermelhas que o batom daquela velha carrancuda que nos dava aula.
Fala sério, por mais broxante que fosse aquela declaração, era algo palpável! Finalmente, depois de tanto tempo me sentindo um pleno idiota perto daquele idiota, meus sentimentos idiotas estavam sendo correspondidos!
Ou não. Eu podia ter entendido errado o que ele quis dizer.
Espera, espera... Seria uma opção válida?!
Pronto. Deu. Chega! Se fosse humanamente possível, interrogações piscariam com luzes LCD em meus olhos, e brotariam outras várias ao meu redor. Depois de me deixar naquele estado, Lake merecia uma boa de uma surra. Um pontapé naquela cara linda e safada!
Foi durante essas reflexões que ouvi o arrastar de uma cadeira atrás de mim, e realmente não daria atenção... Se não tivesse ouvido aquela risada. Aquela maldita risada charmosa e discreta, que vem acompanhada de uma mão na frente do rosto para esconder. Aquele riso só meu.
Decidi olhar, porém preferia ter lavado o rosto com água sanitária. A cadeira que havia sido arrastada estava ao lado da do imbecil quase-loiro, e era uma garota que estava ali sentada. O cabelo preso em um rabinho curto, castanho, balançante, jovial...
Uma vagabunda que deveria ter o sangue usado para um ritual de magia negra. Maldita, maldita! O que ela estava fazendo ali? Era o meu lugar! Só eu sentava perto dele, e nada podia mudar! E... E...
Sério, por que aquele babaca estava rindo pra ela? E aquela troca de olhares?! Torci os lábios e meu rosto se contorceu em uma carranca. Continuei os espionando discretamente, curioso.
— Ah, obrigada por aceitar me ajudar nessa atividade! Não prestei muita atenção... Você é bom em matemática, não é? — ela sorriu, toda dengosinha para cima do meu melhor amigo.
Ou talvez só eu estivesse enxergando aquilo. Provavelmente?
Quando ele sorriu de volta, pude sentir todo o calor que não estava sentindo antes. Todo o clima tropical do Brasil invadiu meu moletom, e fiquei até nauseado. Como ele podia sorrir com tanta graça?
...E por que pra ela? Ele não sentou comigo no começo da aula, mas com ela sim. Será que foi por que eu não pedi? Ele estava esperando algum primeiro passo? Ele também tinha que tomar a atitude? Mas era de mim ou não que ele gost-
Cruz credo! Quantas dúvidas latentes, quantos hormônios naquele corpo em fase de crescimento! Podia acabar até explodindo com tudo aquilo!
— Não foi nada. Ahn... Eu faço o que posso! — coçou a nuca com aquela timidez casual, inclinando o rosto para o lado contrário ao dela, ainda que sorrindo daquele jeitinho doce e tentador.
Podia ser a tempestade em copo d’água que fosse, mas era muito chato. Muito chato estar tão perdido no ar, completamente avulso e assistindo meu amor não-correspondido... Ou quase correspondido... Sendo tão fofo com aquela criatura que nem ao menos tinha alguma coisa a ver.
Tinha? Não tinha! Tinha nada, nunca teve! — gritou minha paranóia.
Então, ainda agindo como se fosse um agente do FBI, fiquei o horário inteiro de aula bisbilhotando e ouvido a conversa dos dois. A situação foi tão grave, que no fim da aula o meu caderno estava em branco e eu nem mesmo sabia que diabos era “função”.
Sorte do dia? A professora tinha que ir ao médico e não olhou quem tinha feito os deveres. Só que meus nervos ainda nem haviam sido provocados ao máximo. Quando o sinal tocou, a garota beijou o rosto do Lake para se despedir, e saiu correndo com as coisas, acenando.
Ele sorriu e acenou de volta, guardando as próprias coisas com a mesma calma e paciência de sempre, como se o tempo pra ele fosse mais lento que para mim. E não deixava de ser verdade!
Se eu não tivesse só 14, teria rugas.
Depois de muito bater o pé no chão, parado ao seu lado, recebi um sorriso tênue do loiro (?) e ele estendeu a mão. Eu? Uma pilha, e já tinha até mesmo retirado o moletom para não derreter. Sem opção, segurei sua mão e fomos caminhando juntos para fora da sala vazia.
Os corredores, mesmo com toda a gritaria dos alunos recém-liberados, estavam silenciosos. Andei de cabeça baixa, observando como nossos pés direitos iam ao mesmo tempo para frente... E depois os esquerdos. Os direitos. Esquerdos.
Porque não queria levantar o rosto e olhar pra ele. Estava com medo de ouvir a resposta daquela pergunta que não me deixava em paz. Amar nunca foi fácil pra ninguém, e eu não queria mais daquela tortura chinesa!
...Tudo estava totalmente fora do normal. Saímos da escola em silêncio, de mãos dadas, e só paramos do outro lado do portão. Paramos mesmo. Um freio, e o garoto se virou pra mim.
— E então? — perguntou, como se eu fosse entender. Só dei de ombros. — Não vai dizer nada do que falei? Tipo... Nada?
Virei o rosto, suspirando. Só queria que ele me explicasse o que estava acontecendo, e nada mais! Fora que aquela garota tinha me deixado super para baixo. Minha animação tinha afundado que nem o Titanic!
— É verdade o que você escreveu, Lake?
Um breve momento de silêncio, e ele sorriu com um ar de graça e confusão.
— É, ué! E você, o que acha? — ajeitou a alça da mochila no ombro, como se estivesse animado ou até nervoso. Ansioso, para falar a verdade.
Como assim “o que eu acho”? Ele não tinha explicado bulhufas, apenas me bombardeado com aquela informação do pior jeito possível! ...Imbecil, mil vezes imbecil esse tal de Lake!
— O que quer dizer com isso? — suspirei, olhando ao redor. — Lake, olha, você sabe muito bem o que eu sinto por você, então seja claro ao falar comigo! Eu não aguento essas situações, poxa! Não chegue simplesmente para m... Que foi? Que cara é essa?
Tive a visão exata de como estaria minha expressão poucos minutos antes, e ficamos nos encarando com aquelas caretas estranhas de quem não entende nada. Ele entreabriu os lábios pelo menos umas três vezes, hesitando sempre que tentava dizer alguma coisa.
Após um tempo, um “aaaah...” escapou de sua boca e Lake gargalhou, com o ar de quem finalmente entende alguma coisa. Eu? No mesmo estado, perdido e aleatório. Hein?! Ele riu, e riu demais! Tanto que teve que apoiar-se em mim, apesar de ser mais alto!
Não foi só um “riso”... Gargalhou até doer a barriga, me deixando furioso e doido para entender qual a graça da situação. O arrastei para o outro lado da rua, na lanchonete que ficava na frente da escola, e o fiz sentar em uma das cadeiras.
— Droga, Lake! Qual a graça, seu demente?! Esqueceu o Rivotril em casa, foi?! Sua... Bicha escandalosa! — bati o pé, cruzei os braços e bufei. Mané, Mané! ...Mal sabia eu que lá vinha milésima bomba atômica do dia.
Entre um riso e outro, ele tentava se comunicar. Infelizmente, os sons eram como os de uma gazela morrendo ou um anjo sendo esgoelado. Não sabia identificar, nunca tinha ouvido nenhum dos dois! ...Até o momento. Estava doido para apertar aquele pescoço, nhg!
Depois de se acalmar e me tirar do sério, Lake conseguiu se ajeitar na cadeira. Ainda ofegante e com o rosto rosado de tanto gargalhar, ele afastou as mechas do rosto e me olhou nos olhos.
— Ian, a primeira frase estava criptografada! — não entendi, e ele notou. — No começo da aula, a professora falou sobre criptografia para relacionar com função... E eu te mandei uma mensagem em código! Estava dizendo que estava faminto e até perguntei se queria almoçar comigo depois!
Brisa. Brisa total, até que consegui identificar a minha gafe.
Não estava prestando atenção na aula, não vi ninguém falar sobre criptografia. Não entendi o bilhete e interpretei errado. Surtei por nada e ainda paguei de otário.
— E... E aquela coisa de “é sua culpa”?! — em desespero, continuei procurando o ponto em que aquelas mensagens haviam deixado de ser uma linguagem própria. — O que tem a ver comigo?
Ao contrário de mim, ele parecia bem calmo. Sereno, eu diria. Escondeu a parte de baixo do rosto com a mão, me impedindo de ver aquele sorriso matreiro ou de gargalhar alto mais uma vez.
— Hoje cedo você pediu um pedaço do meu sanduíche e levou ele quase inteiro. Não tinha tomado café da manhã, e agora estou faminto.
Aplausos, aplausos, aplausos. Que bom que a lanchonete ainda estava vazia, ou aquela vergonha seria ainda pior! Frustrado e ruborizado, chutei a mesa e me encolhi do outro lado do lugar, encarando o chão. Que vergonha, que vergonha!
...Foi quando senti seus braços me envolvendo por trás, e aquele formato arredondado de seu queixo repousando em meu ombro. Eu estremeci, e ele sorriu. Sem palavras, só códigos. Trocamos olhares.
Naquela fração de segundo que o moço da lanchonete se virou para entrar na cozinha, Lake me puxou pela cintura e acabei de frente para ele, sentindo seus lábios contra os meus por meros dois segundos.
Entorpecido, apertei o tecido de sua camisa. Filho da mãe cruel e manipulador. Criptografia?! Como ele esperava que eu fosse entender?! E porque tinha usado logo AQUELE código?!
— Mas então, vai aceitar almoçar lá em casa? — e não foi necessário um bilhete para entender o que ele queria dizer. — Minha mãe disse que hoje não tem horário pra voltar, e que não tinha problema te convidar.
Realmente, não precisei de nem mesmo uma piscadela. Vermelho que nem um tomate, peguei o celular e corri para buscar sinal do lado de fora, para pedir permissão à minha mãe.
Porém, antes de lhe dar as costas, quis tirar uma dúvida:
— Você realmente só estava me chamando para almoçar, Lake?
E ele sorriu, enfiando as mãos nos bolsos e dando de ombros. É. Todos os códigos que eu precisava, ele já tinha dado.
Notas finais
♥ Até!~
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