Crimson Thorn
12 Aquarius Let The Sunshine In
Notas iniciais
"Let the sunshine in
Open up your heart and let it shine on in
When you are lonely, let it shine on"
Com o passar do tempo as pessoas se aproximam uma das outras, é inevitável, mesmo que não queiram ou que não possam, alguém vai ultrapassar as barreiras que você possa criar e vai se instalar em seus pensamentos e sentimentos.
Manigold sabia disso, tanto quanto sabia que morrer faz parte de estar vivo e que cada vida importa, cada um tem seu brilho, como se fossemos estrelas, apesar de que ele não pensava dessa forma poética.
Ele não gostava de ser afastado e da solidão que seu parceiro se mantinha, ele não deveria desperdiçar a vida daquela maneira apenas por ter um pouco de veneno em seu sangue, ele considerava isso estupido, e era igualmente estupido por não temer algo que poderia matá-lo, mas ele não conseguia se importar.
A proximidade que criaram poderia ser comparada a de Sísifo de Sagitário e El Cid de Capricórnio, que conseguiam se entender sem palavras, mesmo com o capricorniano sendo ainda mais recluso que o cavaleiro de Peixes. Se o espanhol conseguiu ser alcançado pelo arqueiro alegre, alcançar o ser mais belo de todos não seria problemas para o italiano.
No começo era difícil para o canceriano descobrir o que o outro estava sentindo, nunca parou para observar nada e também não era muito sensível, isso não mudou, mas ele passou a entender os pequenos atos que seu companheiro fazia, que infelizmente não diziam muito ao mais velho.
Mas ainda assim o guardião do Décimo Segundo Templo tentava esconder quando não estava bem, e isso irritava o maior, que era obrigado a subir todas as escadas do Santuário e gritar o menor até que ele saísse de sua casa, isso era realmente cansativo, será que o pisciano não aprendia nunca?
Por causa desses fatores Manigold ficara surpreso ao ouvir um chamado baixo do lado de fora do seu templo, reconheceria a voz de seu parceiro em qualquer lugar, porém não esperava ouvi-la de noite, quando ele deveria estar em uma missão solo em algum lugar bem longe de lá.
— Alba-chan? Já voltou da missão? Sentiu minha falta? — sorriu para o menor, porém não recebeu um sorriso em resposta como normalmente ocorria, sendo observado em silêncio, o que o fez perceber que algo tinha acontecido.
Após alguns segundos se aproximou do menor e ficou o encarando com um olhar calmo enquanto brincava com as mechas claras, esperando o outro se sentir confortável para dizer o que acontecera, porém ele nada disse, fazendo o cavaleiro de Câncer suspirar.
— Eu vou te levar até sua casa, se não decidir falar até lá, eu te levo para o submundo e te obrigo. — ameaçou, finalmente fazendo o mais novo sorrir, e se pôs a andar, sendo prontamente seguido pelo parceiro.
Ao chegarem no topo da escadaria que levava para a casa de Peixes Manigold parou e deu um de seus sorrisos afiados, porém, continuava com o olhar suave.
— Já decidiu se vai apanhar ou falar?
— Eu deveria ter ficado com Shion. — suspirou e sorriu, se sentando no último degrau da enorme escada, sendo acompanhado pelo outro.
— Sabia escolha, Alba-chan. — disse e deu risada.
— Eu não tenho nada para te dizer, Manigold. — respondeu com suavidade, haviam acontecido diversas coisas em sua missão que ele gostaria de falar sobre para o maior, mas isso não era importante agora.
— Então você realmente só sentiu minha falta? Você está ficando muito carente. — riu novamente e abriu uma das mãos na direção do menor, a deixando com a palma para cima, sendo logo aceita pelo pisciano, que a segurou com firmeza.
O italiano não precisava ouvir o outro dizer que estava melhor, ele sabia pelo sorriso em seu rosto, por isso decidiu ficar em silêncio, observando as constelações brilhantes acima de sua cabeça.
Se o mais velho fosse mais observador, como Albafica era, teria percebido que era como um sol; alegre, caloroso e brilhante, teria percebido que sempre conseguia ir mais fundo nos pensamentos e sentimentos do mais novo, e que este sempre o buscava quando algo o incomodava.
Talvez ele devesse dizer o que pensava para o parceiro, ser tão claro quanto o outro era, mas o canceriano não iria gostar tanto disso, ele estava entretido demais em fazer o próprio caminho para alcançar o menor, que não percebera que já havia alcançado.
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