Crimson Light
4 A Origem do Sonho
Após a luta, Cristian, que não sabia como a mesma terminara acordava numa casinha de madeira com ataduras no corpo e deitado numa rede.
— ooooohhhh… onde eu estou? – dizia o ruivo, aturdido.
— Cristian! Finalmente você acordou, que alívio. – exclamou Miguel, que estava dormindo sentado ao lado de Cristian e acabara de acordar com a voz do amigo.
— Miguel? Aqui é a tribo dos druidas? E foi você que cuidou de mim? – Indagou Cristian.
— Sim, é a tribo dos druidas. – respondeu o loiro – Mas não fui eu que cuidei de você, foram eles.
— Olha Sallyzinha, o maninho Cristian acordou. – disse uma familiar voz infantil. Era o garotinho que guiara a dupla até a tribo dos druidas.
— Oi, maninho Cristian, o Antoniozinho cuidou de você. – dizia a garotinha que fizera o mesmo.
— Então seus nomes são Antônio e Sally. – dizia Cristian, sorrindo docemente – Como você cuidou de mim, Antônio?
— Meu Arktonimus é do tipo transferência, e o mestre me ensinou a usá-lo para curar os outros. – explicou o pequeno Antônio.
— O mestre? Aquele que disse que ia nos matar? – perguntou Cristian, estranhamente calmo.
— Sim, Cristian. Foi tudo um… – manifestou-se Miguel.
— …teste, não é? – deduziu o ruivo.
— Hm? Como sabe? Ah, sim, você tem aquele dom de sentir as emoções da pessoa com quem está lutando, né? – lembrou-se o loiro.
— Sim, desde o primeiro golpe que ele deu em mim, eu senti uma grande bondade vindo dele. – explicou Cristian com um sorriso leve no rosto – Mas tem vez que eu erro, então eu fiquei cagado de medo e acabei lutando. – Disse com um sorriso debochado desta vez.
Miguel também sorriu levemente até olhar pro bolso de Cristian, vendo um pedaço de papel.
— O que é isso, Cristian? – perguntou Miguel.
— Hm? Isso? – disse o ruivo tirando o papel do bolso e mostrando para Miguel – é uma foto da minha mãe. Peguei escondido de casa para dar sorte.
— Escondido? Por quê? – indagou o loiro.
— Ah, vai dizer que você não sabe? Meu pai e Oliver jamais me deixariam levá-la. – explicou Cristian – E seu eu tentasse pegar na frente deles, o idiota do meu pai me espancaria. – disse enquanto ficava sério de repente e continuou – eles… sempre foram assim…
Cristian começava a lembrar de seu passado...
***
Dentro de uma mansão, uma voz chamava por Cristian.
— EEEEEEEEIIIII!!!! CRISTIAN, SEU FRACASSO, VENHA JÁ PRA CÁ.
— Ávila, não gosto que me chamem assim. – reclamou Cristian, ainda criança de seis anos, com um olhar desleixado.
— Seu filho inútil, eu o chamo como quiser, e você deve me chamar de “meu pai”. – exigiu o homem chamado Ávila.
— Tá bom, Tá bom, meu pai. – disse essa última parte com um leve tom de desgosto. – Por que me chamou?
— Quero saber o que estava fazendo! – exclamou Ávila, irritado.
— Por que quer saber? Bem, eu estava… – dizia Cristian, até ser interrompido pelo pai.
— Se disser que estava olhando os escravos da escória dos arktos com pena de novo, vai apanhar!!
Cristian ficou com um olhar de raiva, mas depois deu um grande sorriso e disse – E se eu disser que estava olhando OS ARKTOS de novo?
Ávila ficou extremamente irritado, até perder a compostura – MOLEQUE INSOLENTE!!! – Gritou enquanto dava um tapa no rosto de Cristian que derrubou-o no chão – VOCÊ É UM NOBRE DO CLÃ LUMINIS, O MAIS FORTE CLÃ NOBRE DA ESPANHA E UM DOS MAIS FORTES DO MUNDO!!! COMO PODE SENTIR EMPATIA DE LIXO COMO OS ARKTOS??! POR QUE VOCÊ NÃO É COMO O OLIVER?!!
— Pare agora mesmo, Ávila Roumpíni! – exclamava uma voz feminina e jovem.
— MAMÃE!!! – gritava o garotinho ruivo, correndo em direção àquela mulher ruiva e bonita.
— Querida, por que você o defende? – indagou Ávila – Ele é um fracassado que não sabe usar o Arktonimus e sente empatia pelos arktos. E por favor, me chame de Ávila Luminis.
— Ávila, já não disse para não me chamar de “querida”? Nosso casamento foi meramente arranjado. – esclareceu a mulher, que carregava Cristian cuidadosamente no colo – Nunca considerarei alguém que despreza o próprio filho como marido. Muito menos como membro desse clã. Lembre-se que enquanto eu estiver viva, sou a ÚNICA líder dos Luminis.
— Tch. Como quiser, Antonieta. – Disse Ávila indo embora.
— Mamãe, estou cansado do Ávila, ele não para de me xingar e me bater. – reclamava Cristian, quase chorando – Só porque eu não gosto de ver os arktos sofrendo.
— Cristian, você é meu filho mais gentil, sem falar que é esforçado. Um dia será mais forte que seu pai… não, será mais forte até mesmo do que eu, e será um homem importante, tenho certeza. – disse Antonieta enquanto sorria gentilmente com Cristian no colo.
“Aquele maldito Ávila e todos os membros do clã Luminis sempre me maltrataram pela minha falta de talento com o Arktonimus. Uma das únicas pessoas que me tratavam bem e me davam carinho era a mamãe. O Ávila sempre me chamava de lixo ou fracassado, e mais uma porrada de insultos. Sempre que isso acontecia eu sorria e depois debochava das suas palavras, ainda que eu apanhasse, isso me dava satisfação pessoal ao vê-lo irritado, fazia isso desde os 6 anos. A mamãe era uma general de divisão do Exército de Proteção dos humanos, conhecida como “Princesa da Espada de vento” e dizem que ela era capaz de devastar tropas de arktos inteiras sozinha. Mas um ano depois, recebemos a notícia de que ela morreu em batalha. No velório da mamãe, eu lembro de ter ficado até tarde ao lado de meu irmão mais novo Oliver, e minha amiga Maria, as outras únicas pessoas que não me tratavam mal.”
— Oliver. – chamou Cristian.
— Hm? – respondeu Oliver.
— Maria. – chamou novamente.
— O que foi, Senhor Cristian? – Indagou Maria.
— Eu já me decidi. – afirmou o garotinho ruivo – Vou atender as expectativas da mamãe e ao mesmo tempo salvar os arktos!
— O que quer dizer? – perguntou Oliver.
— Eu ficarei mais forte… e serei o homem… que trará a paz entre os humanos e os Arktos! – exclamou Cristian, convicto enquanto Oliver e Maria olhavam surpresos e incrédulos.
“Mas minha vida foi de mal a pior… Ávila passou a me dar surras diárias.”
— SEU PIRRALHO SUJO!!! ANTONIETA MORREU POR CULPA DE SUA FRAQUEZA!!! – gritava Ávila batendo em Cristian.
Oliver chegou e disse – Meu pai, por favor pare. O senhor sabe que ele não tem nada a ver com a morte da mamãe.
“Oliver era o completo oposto de mim. Era calmo, sério, porém gentil, popular, cheio de amigos, e acima de tudo… um prodígio com o Arktonimus.”
— FIQUE FORA DISSO, OLIVER!!! VOCÊ NÃO É UM FRACASSADO COMO ELE, NÃO QUERO SER FORÇADO A BATER EM VOCÊ TAMBÉM!!! – gritou Ávila e voltou a bater em Cristian enquanto Oliver observava com raiva.
Depois da surra, Cristian estava recebendo cuidados em seu quarto pelos servos da casa e Oliver estava fazendo companhia para o mesmo.
— Ei Oliver, obrigado por ter tentado me defender. – agradeceu Cristian, que sorria docemente apesar dos ferimentos.
— Não me agradeça, Cristian, nós somos irmãos. – respondeu o mais novo – Além disso, não consegui te defender.
— SENHOR CRISTIAN, SENHOR CRISTIAN!!! (ARF, ARF) o senhor está bem?! Eu soube que o Senhor Ávila te deu uma surra! – exclamou Maria que entrou no quarto de Cristian desesperada sem bater.
— A-ah, n-não foi nada, o Oliver tentou me defender, mas… – respondia Cristian, corando enquanto olhava olhava para a amiga.
— Ah, como esperado do senhor Oliver, ele é tão gentil. – afirmou Maria corada, e com os olhos brilhando.
— DROGA!!! Mas de qualquer forma, posso entender porque ela gosta do Oliver. – pensou o garotinho ruivo.
”Depois de um ano de surras, tive o primeiro encontro que me deu encorajamento na vida...”
Cristian caminhava sem rumo pela região nobre da Espanha – Afffffff, a Espanha é um país tão chato, porque dizem que aqui é o país dos melhores clãs nobres? – reclamava o mesmo.
Repentinamente, o garotinho parou por ver um garotinho loiro do mesmo tamanho dele, desmaiado num beco.
— Hm? – estranhou Cristian.
“…Foi aí… que eu o conheci
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