Crimson Day.
9 Capítulo 9.
September, 5th of 2019.
James’s P.O.V.
Caralho, aquilo já estava sendo agonizante. Eu tinha que avisar a todos, mas ao mesmo tempo, não podia sair da frente da bendita sala! Merlin, o que havia acontecido com ela? Se eu não estivesse lá… e foi aí que me dei conta do quão cafajeste eu havia sido nos últimos meses com ela, por puro egoísmo. Com lágrimas nos olhos, eu tentava ver alguma coisa lá dentro, mas tudo o que conseguia enxergar além de seus cabelos ruivos numa touca eram uniformes azuis dos médicos e enfermeiros. Foi então que um deles saiu da sala e veio até mim.
— Você é o pai? Precisa escolher… a moça ou as crianças. — Aquilo me fez desmoronar, por dentro.
— C...como?
— A moça machucou a coluna na queda, e será quase impossível com que salvemos os três.
— V...você disse “os três”?! — Engoli seco, e continuei: — Não quero saber! Eu quero todos! Faça o impossível, pelo amor de Merlin! — O enfermeiro voltou à cirurgia com um semblante nada agradável. Minha Molls estava em perigo, estava quase morrendo, e eu não podia fazer nada por ela. Tudo o que me passava pela cabeça eram as humilhações pelas quais eu a fiz passar, as vezes que a fiz sofrer, e o que nunca saía da minha mente eram as imagens dela chorando durante todo esse tempo — que eu vi, foram três -: quando terminamos, quando a chamei de gorda e quando tive ciúmes do Russo na casa da minha avó. Além da dificuldade de ela ter sido expulsa de casa e agora ter que criar um bebê — ou melhor, dois, segundo o enfermeiro — sozinha, eu a abandonei e a fiz sofrer. Eu não merecia que ela olhasse na minha cara nunca mais.
Mais uma hora agonizante ali fora, e então, o azulado veio pra perto de mim novamente, com um sorriso descontraído.
— Parabéns, senhor. O senhor tem dois belos filhos. Um casal!
— E Molly? Onde ela está? Como ela está? — Nem me importei com o cara insinuando com o fato de eu ser o pai deles, eu só queria saber de minha ruiva.
— Ainda estamos tentando reanimá-la, senhor. Ela teve uma parada cardíaca, perdeu muito sangue no parto...
— O QUÊ? Eu imploro, salvem-na. Por favor!
— Faremos o possível, senhor, mas a situação é delicada. Devo prepará-lo para o pior... — E assim, o homem entrou novamente na sala de cirurgia.
Vi o corpo de Molls dar uns pulos com os choques e aquilo me fez chorar mais ainda. Pensei em todos os momentos marcantes de Molly comigo, desde nossa infância ao qual eu conseguia me lembrar. Das aranhas que eu colocava em suas coisas, nos puxões de orelha que recebia, nas vezes em que nadávamos e ela só ficava olhando. Eu sabia o quanto ela amava nadar e nunca realmente entendera o porque de ela não fazê-lo com a gente. Fred havia dito que uma vez seguiu ela e minha irmã de madrugada e viu que ela era muito… gostosa. Isso não é pensamento pra agora, James!, me reprimi. Lembrei de quando ela aceitou ficar comigo, da nossa primeira vez em Hogwarts, no Natal, no armário de vassouras, quando a pedi em namoro e no quanto ela chorava quando disse que tínhamos de terminar. E pensei até na vez em que pedi ao corvino que cuidasse dela. Eu tinha fracassado com Molls, e teria que entender se ela não me quisesse mais. Eu não me perdoaria se estivesse no lugar dela. Suspirei, mordendo o lábio pra abafar meus soluços. Encostei na parede e chorei, chorei, chorei. Chorei me lembrando da voz dela dizendo que me amava. E assim, vi o enfermeiro se aproximar sem expressão. Aquilo me preocupou bastante.
— E então?
— Infelizmente, ela perdeu muito sangue e ficou alguns segundos sem frequência cardíaca… — Aquilo me fez desesperar. Preciso dizer o quanto? — Mas conseguimos estabilizá-la e estamos levando-na pro quarto, mas ainda está sedada e sob observações. Levaremos as crianças até lá em poucos minutos também, senhor. Pode pegar a chave na recepção, quarto 591.
— Obrigado! Muito obrigado! — Respondi aliviado, e até abracei o rapaz. Corri até a recepção, onde me cadastrei e peguei a chave do quarto. Antes de ir até lá, passei no Corujal e entreguei os bilhetes às aves, até mesmo um para o maldito Russo… sei que Molly gostaria disso. Então corri para o quarto, e quando adentrei o corredor, eles estavam colocando a maca dela lá dentro. Corri o mais rápido que pude e os observei. A expressão de minha Molly era um pouco preocupada e um tanto tristonha. Notei suas olheiras e as pálpebras inchadas, o que significava que, além de não dormir, ela andara chorando. Quando nos deixaram a sós e informaram que logo trariam as crianças, pus-me a chorar segurando uma de suas mãos. — Molls, eu sou um idiota. Se você está me ouvindo… me perdoe. Eu te amo, Molls, fica bem. Fica bem, agora você tem duas criaturinhas que precisam de você… por favor. Eu vou me redimir… — Sussurrava aos prantos, e não sei por quantos minutos fiquei ali, repetindo que a amava. Só sei que logo uma enfermeira bateu na porta e trouxe junto consigo dois pequenos berços com duas crianças adormecidas, e uma outra ajudante.
— Qualquer coisa é só nos chamar. — Disse uma delas. Haviam colocado as crianças ao meu lado, e então as olhei bem. Eram lindos! O garotinho estava enrolado numa manta azul e tinha os cabelos levemente ruivos, eram mais castanhos. A garotinha, na manta rosa, tinha cabelos tão ruivos quanto os dela. Então me inclinei e cheirei os cabelos de Molly… ainda tinham o mesmo cheiro. O cheiro da minha Amortentia. Beijei o alto de sua testa e suspirei, foi então que a vi abrir os olhos.
— J...James? — Perguntou, com a voz fraca.
— Shhh, minha pequena. Você está fraca, precisa de repouso. — Os olhos dela foram à barriga e se arregalaram.
— Aonde está meu filho?
— Seus filhos. — Corrigi e então saí da frente dela, dando visão aos bebês. — Estão aqui. Parabéns, Molls.
— Céus! Seth estava certo… James, por que me trouxe aqui? Eu ia dar a luz em casa, em silêncio, nem iria incomodar você..
— Quanto a tudo isso… eu fui um idiota, Molls, e… — Fui interrompido pela porta se abrindo rapidamente, e vi minha mãe correr com meu pai até Molly.
— Molly Noreen Weasley II! Como você se atreveu a mentir quando lhe perguntei se estava bem?
— Eu estava bem, tia! Era só um desconforto, e…
— Desconforto, nesse estágio? Você só pode… — E então os olhos de minha mãe seguiram os berços. — Gêmeos! Merlin!
— Mãe, deixe pra xingá-la depois. Foi uma cirurgia difícil, mandaram-me escolher e…
— James, você é outro! Por que demorou tanto pra nos avisar?
— Eu não podia sair de perto da sala, mãe. — Respondi com os olhos baixos e soltei a mão de Molly, me afastando um pouco, ficando mais perto do meu pai. Ele era mais tranquilo, e por isso sorriu para minha prima.
— Parabéns, Molls.
— Obrigada. — Ela sussurou, fraca. Meu coração estava apertado por vê-la assim, e por mais gay que isso soe, era a mais pura verdade. E então, o menino começou a chorar.
— Harry, querido, você e James podem nos dar licença? Acho que o pequeno está com fome. — E nós dois assentimos, saindo dali. Dei uma última olhada em Molly enquanto fechava a porta do quarto, e ela tinha os olhos azuis no bebê que se contorcia em seus braços. Parecia que ela tinha nascido pra isso.
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